quinta-feira, 4 de junho de 2020

'Tu ia'?

Regina Duarte aceita assumir Secretaria de Cultura | Notícias e ...
Regina Duarte e a Cinemateca dos comunistas
Ipojuca Pontes - DiáriodoPoder

A Cinemateca Brasileira, hoje em pauta, tem sido desde sempre um instrumento eficaz que os comunistas inventaram para preservar e fomentar, na guerra cultural que historicamente se trava no Brasil, os dogmas e os mitos do marxismo – seja eles de índole leninista, gramsciana ou maoísta.

Paulo Emílio Sales Gomes – filho de médico famoso que era dono de uma fábrica de tecidos em Sorocaba, interior paulista – foi certamente o pai da Cinemateca Brasileira, além de conservador-chefe e Sua Eminência. Ademais, era professor, crítico de cinema e renitente subversivo que, já em meados dos anos 1930, enquanto membro da Juventude Comunista, foi preso como ativista perigoso, logo após a fracassada Intentona Comunista no governo de Getúlio Vargas (trancafiado na Prisão do Paraíso, em São Paulo, o jovem subversivo empreendeu fuga rocambolesca cavando um túnel de 12 metros de extensão, ao lado de 16 outros presos, escapulindo, em seguida, para Paris de França).

Conheci Paulo Emílio de perto em 1962, quando de sua participação no III Segundo Congresso de História e Crítica Literária, ocorrido em João Pessoa, cidade onde, ainda adolescente, me fiz precoce crítico de cinema no jornal ‘O Norte”, da cadeia dos Diários Associados. E ele tinha vivido em Paris com Sonia Veloso Borges, filha de latifundiário e político paraibano.

Por sua solicitação, durante o congresso literário, com ele fiz viagem cansativa e inútil ao retiro espiritual do Beato Zé de Moura, no sertão da Paraíba, onde supostamente se refugiara um certo Oscar, americano alto, magro e careca que entrou na mitologia do cinema ao se tornar, a despeito de sua vontade, patrono dos prêmios da Academia de Hollywood.

Dono de uma prosa dissimuladora e cativante, falada ou escrita, o ensaísta do Caderno Literário do jornal “O Eatado de São Paulo” seduziu gerações. Tal qual o anjo (mau) do filme “Teorema”, de Pier Paolo Pasolini (um subversivo trágico), que se instala no seio de uma “família burguesa” e vai inoculando entre seus membros o vírus da destruição comunista. Pai, mãe, filhos, filhas e agregados – ninguém escapa.

Alto, elegante, convincente e bem apessoado, por onde passou, Paulo Emílio, devagar e sempre, mas com pertinácia infatigável, criou as bases para o alastramento da pandemia da ideologia comunista que domina o chamado espaço cultural no âmbito cinematográfico, a saber: o Festival de Cinema de Brasília, epicentro agregador e difusor de filmes (o mais das vezes ruins) esquerdistas e, na área do falso ensino universitário, a Escola de Comunicação e Arte (ECA) da Universidade de São Paulo, ambos sumidouros de verbas públicas milionárias voltadas para a formação de inocentes úteis, simpatizantes e quadros dedicados ao proselitismo vermelho nas suas mais variadas imposturas – todas utópicas, incomprovadas e nada científicas.

Mas, verdade seja dita, a tarefa mais ingente à qual o subversivo PE Sales Gomes se dedicou foi a invenção da Cinemateca Brasileira, cópia da Cinemateca Francesa secretariada por Henry Langlois – tipo extravagante, obeso, mítico, exonerado do cargo pelo ministro conservador André Malraux, a mando de Charles de Gaulle – e assistida pelo crítico esquerdista André Bazin, defensor intransigente do “cinema de autor”, engodo francês que tinha como objetivo confrontar o cinema industrial de Hollywood.

Antes de mais nada, é bom dizer que a instável Cinemateca a ser dirigida pela atriz Regina Duarte, que não resistiu à pressão da banda podre da “classe artística”, tem o objetivo de preservar, restaurar e divulgar filmes, cartazes, livros documentos etc., além de promover mostras e retrospectivas fílmicas.

No seu agigantamento, que incorporou uma burocracia numerosa e a formatação de dispendiosas “políticas culturais”, a invenção de Paulo Emílio, de coisa privada passou a depender cada vez mais do dinheiro público, culminando com sua anexação ao permissivo, escandaloso e aparelhado ministério da Cultura, em boa hora transformado em secretaria pelo íntegro presidente Bolsonaro.

Com subsecretarias, conselho deliberativo e fiscal ocupados por crias da ECA e por cineastas 100% engajados na “transformação da sociedade capitalista” por meio do cinema (a “mais importante das artes”, no dizer de Lenin) boa parte da trabalho (e do dinheiro tirado da burguesia) da Cinemateca Brasileira (CB) volta-se para recuperação, divulgação e promoção de mostras e retrospectivas de filmes comprometidas com a agenda do marxismo cultural, notadamente as fitas que formam o “acervo” da confraria do Cinema Novo.

Certa vez, enquanto secretário nacional da Cultura (que tratou de apoiar o presidente Collor de Mello ao fechar a corrupta Embrafilme), recebi telefonema do premiado cineasta paulista Walter Hugo Khouri pedindo minha interferência para restaurar um dos seus filmes, não me lembro se “Garganta do Diabo” ou “Noite Vazia”. Em resposta, fiz-lhe ver que quem cuidava de restauro era a Cinemateca Brasileira, ainda que mantida pela SEC. No fecho da conversa, o paulista foi preciso:

– Ipojuca, não seja ingênuo. A Cinemateca só quer saber dos filmes de Glauber Rocha e Nelson Pereira.

Em 2013, a Cinemateca Brasileira esteve envolvida em rumoroso caso de corrupção, a partir de farta documentação enviada pela ministra da Cultura Marta Suplicy à Controladoria Geral da União (CGU) em que se evidenciava, numa estranha parceria entre a CB e a Sociedade de Amigos da Cinemateca (SAC), a existência de projetos aprovados sem licitação de custos, com dispensa de licitação na compra de materiais, contrações irregulares de pessoas e serviços – o que impedia a avaliação de superfaturamento.

No relatório enviado à CGU, constava ainda a cobrança irregular de taxa administrativa em favor da SAC, além de favorecimento de funcionários na execução de projetos. Ao todo, foi identificado um rombo de cento e onze milhões de reais na parceria CB/SAC.

O clima da Cinemateca Brasileira que Regina Duarte poderá encontrar não poderia ser pior. Desde 2013, quando Marta Suplicy denunciou o mar de corrupção em que a cinemateca comunista naufragava, o dinheiro fácil ficou escasso. Vez por outra, enchentes e incêndios alternam sua existência, e o governo não tem como sustentar o gigantismo irresponsável. Regina, se assumir, terá de enfrentar uma patota de comunistas amestrada na artimanha de sugar dinheiro público sempre na ordem de milhões. O justo seria entregá-la ao governo tucano de João Dória, pelo que se diz, cheio da grana.

PS – Ah, ia esquecendo! Paulo Emílio, o pai da Cinemateca, era fascinado pelos filmes “Greve”, “Outubro” e “Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein, e os fazia exibir com frequência. Todos são mentirosos, armas da mais deslavada propaganda do genocida comunismo soviético.

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