sexta-feira, 29 de maio de 2020

Tempos difíceis.

PIB cai 1,5% no primeiro trimestre, sob os efeitos iniciais do coronavírus
Por Fernando Jasper - GazetadoPovo
Desinfecção em shopping de Caxias do Sul (RS): PIB do primeiro trimestre captou as duas primeiras semanas de isolamento social no Brasil.
Desinfecção em shopping de Caxias do Sul (RS): PIB do primeiro trimestre captou as duas primeiras semanas de isolamento social no Brasil

A economia brasileira encolheu 1,5% no primeiro trimestre deste ano – o primeiro sob impacto da crise do coronavírus – em relação aos três últimos meses de 2019, já descontados os efeitos sazonais. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o recuo foi de 0,3%.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) foi divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o instituto, a retração no período de janeiro a março, que interrompeu uma sequência de quatro trimestres de crescimento, foi a pior desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%) e fez o PIB brasileiro retroceder aos patamares do segundo trimestre de 2012.

O dado, no entanto, foi afetado por apenas uma pequena parcela dos efeitos da pandemia, pois as medidas de distanciamento social no país tiveram início apenas no fim do trimestre, na segunda metade de março. A maior parte do impacto do vírus sobre a economia brasileira tende a aparecer nos resultados do segundo trimestre.

A queda da atividade econômica no começo deste ano foi puxada pelo recuo de 1,6% no setor de serviços, que representam 74% do PIB. A indústria caiu 1,4%, ao passo que a agropecuária avançou 0,6%.

"Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos", disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, em nota divulgada pelo instituto. "Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social."

Abertura de empresas perdeu ritmo em março

Indicadores divulgados antes do PIB já indicavam uma desaceleração da economia brasileira a partir de março.

Segundo a Secretaria de Desburocratização do Ministério da Economia, o país teve abertura recorde de empresas no primeiro trimestre – foram 847 mil novos registros e 292 mil fechamentos.

"Com a Covid-19 o cenário mudou bastante, mas o tamanho de impacto só saberemos quando tivermos os dados de abril e maio. Os números de empresas abertas estão caindo muito", disse ao "Valor" o secretário da área, Paulo Uebel.

Recordes negativos no mercado de trabalho

Dois dados sobre mercado de trabalho divulgados nesta semana dão uma ideia um pouco mais atual do impacto do coronavírus na economia. Segundo a pesquisa Pnad Contínua, do IBGE, 4,9 milhões de brasileiros perderam o trabalho (formal ou informal) entre fevereiro e abril, um recorde.

E, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país fechou quase 861 mil vagas com carteira assinada apenas em abril, o pior mês de toda a série histórica, iniciada em 1992. O número reverteu a tendência de crescimento do mercado de trabalho formal e levou para o lado negativo o saldo de empregos acumulados no ano: de janeiro a abril, 763 mil vagas foram cortadas.

Nenhum comentário: