quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Tráfico e consumo de drogas na UFMT

Alunos e professores fazem abaixo-assinado pedindo controle do uso de drogas na UFMT
Reitoria até abriu processos para investigar denúncias, mas nenhum resultado apareceu até o momento
Estudantes e professores do campus de Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriram um abaixo-assinado em protesto contra a disseminação do uso de drogas nos blocos das faculdades.

A lista foi iniciada pela comunidade acadêmica da Faculdade de Administração e Ciências Contáveis (FACC) em janeiro, após um comunicado ser ignorado pela reitoria do campus.

As pessoas reclamam de seguidos atos de violência, como assalto e roubo, além do mau-cheiro da droga e da convivência cotidiana com usuários, que não têm hora e nem lugar para acender cigarros de maconha e consumir bebida alcoólica.

Entre os usuários estão outros estudantes, mas também pessoas de fora do ambiente acadêmico.

“A situação caótica está piorando cada vez mais. Já chegamos ao ponto de grupos de usuários se reunirem ao lado da diretoria da faculdade e ninguém falar nada. A reitoria mudou a sala da diretoria da FACC, mas não mexeu com os usuários”, diz a professora Cecília Arlene Moraes.
A presença de usuários de drogas dentro da UFMT tem tornado o campus um ambiente inseguro para muita gente

Há alguns meses, Cecília teve o carro roubado no estacionamento da universidade. Outro professor foi rendido por homens armados e perdeu o carro e o notebook.

Eles entraram para a lista de pessoas que sofreram algum tipo de violência dentro do campus – roubo de veículo, assalto à mão armada e ameaça de morte, com arma de fogo apontada para a cabeça.

Os crimes, diz a professora, são insuflados pelo consumo da droga. “Eu entendo que onde há consumo de droga, há tráfico. Eles [usuários] precisam fazer isso para ter dinheiro para manter o vício e a comunidade acadêmica, que vai para a faculdade para se qualificar, está sendo vítima”, ela reclama.

Problema crônico e falta de segurança

Outro docente pelo LIVRE disse que já foi identificada a circulação de traficantes pelos blocos de Agronomia, Contabilidade e Medicina. Eles teriam “passe livre” para vender drogas e estudantes para consumir.

“Eles estão lá, feito uma imagem da própria paisagem. É comum encontrá-los por aí, nos blocos de Agronomia, Medicina e Contabilidade. A reitoria não quer enfrentar os usuários, parece que não quer conflito com eles”, afirmou.

No manifesto entregue à reitoria, no dia 23 de janeiro, há indicação de que a situação não é nova. Processos para apurar denúncias de violência e consumo de drogas foram abertos duas vezes no ano passado. Mas, até o momento, não foi divulgado resultado da apuração.
Uma investigação interna, até hoje, não teria surtido em resultados práticos para conter os usuários e traficantes

E o comportamento da reitoria, classificado como “negligente” por alguns professores, influenciaria as ações da Base da Polícia Militar instalada no campus.

“As pessoas têm a ideia de que a universidade é um lugar livre. Mas elas confundem liberdade com libertinagem e fomentam o crime. E porque a própria reitoria age dessa forma, a polícia fica sem ter o que fazer”, diz a pessoa que preferiu não se identificar.

O que diz a retoria da UFMT?

A reportagem do LIVRE entrou em contato com a assessoria de imprensa do campus de Cuiabá da UFMT para pedir um posicionamento sobre a denúncia, mas não houve retorno até a publicação dessa matéria.

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