sábado, 15 de fevereiro de 2020

Ipojuca Pontes descreve o perfil de Rodrigo Maia, a começar pelo seu pai, Cesar Maia, e pelo sogro, Moreira Franco.

Rodrigo Maia, o filhote
Ipojuca Pontes - DiáriodoPoder

Rodrigo Maia, o Filhote, político menor que ocupa por inconveniência a presidência de uma das câmaras congressuais mais desmoralizadas do mundo, que transforma projeto de combate ao crime em lei de abuso de autoridade, saiu do baixo da sua insignificância adiposa para sacanear Abraham Weintraub, seguramente o mais corajoso ministro da Educação a enfrentar a hegemonia comunista arraigada no vosso ensino público há pelo menos meio século.

Mas o que disse Rodrigo Maia, conhecido nas redes sociais como “Nhonho”, personagem barrigudão do seriado “Chaves”, da televisão mexicana?. Disse o seguinte:

– Weintraub atrapalha o Brasil. Ele está comprometendo o futuro das novas gerações, e a cada ano que se perde com ineficiência e o discurso ideológico de péssima qualidade, prejudica os anos seguintes de nossa da sociedade.

Bonito, hein!

Consideremos, no entanto, o que se esconde por trás dessas acusações tendenciosas sob forma de surto patriótico montadas para fazer o jogo sujo da mídia vermelha, do centrão escopeteiro e do partido de Lula, o Chacal.

Bem, a resposta é a seguinte: dinheiro, muito dinheiro, dinheiro grosso. Eis o fato encoberto: dois dias antes do Filhote destilar sua peçonha braba, o ministro Weintraun havia exonerado um certo Rodrigo Dias, indicado por Maia e partidos aliados para presidir o FNDE (Fundo do Nacional do Desenvolvimento da Educação), órgão do MEC que direciona verba de R$55 bilhões para aquisição de livros didáticos, construção de creches, fornecimento de merendas e oferta de transporte escolar. Ou seja: uma cornucópia daquelas para, em mãos ardilosas, dar seguimento à manutenção da “velha política” lastreada em distintos tipos de arranjos e acochambramentos.

Rodrigo Maia tem largo prontuário que o notabilizou pela alcunha de “Botafogo”, nome listado na planilha da corruptora Odebrecht como receptador de propinas (avaliadas em R$100 mil, R$400 mil e R$500 mil). No entanto, antes de levantar o seu perfil político, convém perguntar quem são os caras de pau que fazem a cabeça desse aprendiz de feiticeiro. Quem? Como? Sim, você acertou. São eles, César Maia, o isonomista, e Moreira Franco, o Gato Angorá – respectivamente, pai e sogro do atrevido filhote e, sem dúvida, dois dos piores políticos do Rio de Janeiro.

César Maia, o pai, decadente profissional da política, é egresso do Partido Comunista e cria de Leonel Brizola, o Centauro dos Pampas, que o nomeou secretário da Fazenda do Rio. Antes, exilado no Chile de Allende, Maia fez um furado curso de economia que encampava as ideias estruturalistas de Raul Prebisch e os sombrios dogmas da CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina – que, por sinal, levaram a SUDENE de Celso Furtado ao fracasso absoluto.

Em 1992, concorrendo com Benedita da Silva, Maia se fez prefeito do Rio de Janeiro.

Carreirista nato, assumiu o cargo varrendo o sambódromo em dia de carnaval. Cultor do empreguismo galopante, criou dezenas de subsecretarias, regiões administrativa e programas tipo Favela-Bairro e afins, sendo considerado, então, um administrador correto.

Em 1996, já no PFL, Maia empurra para a prefeitura da cidade o seu secretário de Urbanismo, Luiz Paulo Conde, outro barrigudão que sofria de gota e se arrastava de bengala em punho pelas ruas da cidade (abandonada). Uma vez eleito, Conde nomeia o filhote de César Maia, Rodrigo, como secretário de governo do município, mas o pai terminou brigando com Paulo Conde, de quem se tornou inimigo.

Posteriormente, em 1998. Maia se lança candidato ao cargo de governador do Rio de Janeiro, sendo inapelavelmente derrotado pelo trêfego Anthony Garotinho, político socialista que até hoje vive entre as grades da cadeia e o controle correcional das tornozeleiras eletrônicas.

No ano 2000, Maia, o pai, se candidata mais uma vez ao cargo de prefeito enfrentando o manco Luiz Paulo Conde, sua cria. Eleito, esquece projetos como o desaprovado Favela-Bairro e fica no come-e-dorme da expansão de ciclovias e bolação de centros de tradições regionais etc. Contudo, se estrepa na lambança da construção do Hospital de Acari, envolta em escândalos que levaram a juíza Maria Paula Gouveia, da 4ª Vara da Fazenda Pública determinar, em 2018, a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos de César Maia por oito anos, além da obrigação de ressarcir R$3.322.617 aos cofres do município – penas ocasionadas por pagamentos irregulares feitos à Construtora OAS, responsável pelo avanço de propinas generosas ao pai do filhote Rodrigo Maia, o “Botafogo”.

No seu último mandato, César Maia abandonou a cidade, suja e esburacada, e dedicou-se a escrever um blog sobre política e isonomia salarial do funcionalismo público, sua obsessão eleitoreira. Resultado: desmoralizou-se de vez diante de uma população que quer vê-lo pelas costas. Em 2007, o Ministério Público estadual decidiu responsabilizá-lo por permitir a favelização do Morro Dois Irmãos, cartão postal da cidade. Além de tê-lo acusado de nepotismo e de atrasar, de propósito, as obras dos Jogos Pan-Americanos para evitar as devidas licitações, prática que facilita o desvio de dinheiro público.

O pior da sua última gestão foi a construção não-prioritária (e inacabada) da “Cidade das Artes”, obra faraônica e superfaturada que até hoje dá prejuízo aos cofres do município. O patético da história é que César Maia, para bancar o esperto e bajular a casta da Globolixo, batizou-a de “Espaço Cultural Roberto Marinho” – o que foi prontamente rechaçado pelos filhos do jornalista morto.

Condenado várias vezes por improbidade administrativa, o pai do Filhote perdeu por completo a confiança do eleitor carioca. Um exemplo? César Maia, apelidado na planilha corruptora da Odebrecht como o “Inca”, foi derrotado fragorosamente pelo jogador Romário, que se elegeu com 63% dos votos contra cerca de 20% do candidato do DEM. Por isso, em data recente, quem sabe temeroso da condenação imposta pela juíza Maria Paula Gouvêa, em tramitação judicial, Cesar Maia, atualmente vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, declarou que não cuidaria mais de reeleger-se. (Na certa para se debruçar com mais afinco nas pretensões presidenciais do Filhote).

E o que dizer do sogro Moreira Franco, o Gato Angorá, mentor que fez Temer abrir caminhos a todo custo para colocar o genro na presidência da Câmara Federal?

Sobre isso falaremos no próximo artigo. Não percam!

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