segunda-feira, 9 de setembro de 2019

No jogo das próximas eleições, a delação na Operação Calvário terá muita importância.

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PROJETO EM RISCO
Lena Guimarães
CorreiodaParaíba

Ao apontar, em delação premiada, Coriolano Coutinho como integrante do grupo que teria orquestrado contratação do escritório de advocacia Bernardino Vidal para “recuperar créditos tributários da PMJP”, garantindo a devolução de parte dos honorários (esquema de propina), a ex-secretária Livânia Farias direcionou os holofotes para o irmão, que na época era prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho.

As revelações de Livânia Farias e mais os documentos colhidos durante a investigação, levaram o Gaeco/MPPB a apresentar denúncia à Justiça contra os dois já citados e mais o ex-procurador Gilberto Carneiro e Laura Farias, e pedir, além da responsabilização penal, a devolução de R$ 7,7 milhões pagos ao escritório. O dano para a Prefeitura de João Pessoa foi estimado em R$ 49 milhões.

O caso começou em junho de 2011, com a apreensão de R$ 81 mil, em um Fox 1.6 dirigido por Rodrigo Lima da Silva, que pegou o dinheiro em Recife. No pacote, uma folha de papel identificando como seria a distribuição dos valores: G, de Gilberto Carneiro, R$ 28 mil; L, de Livânia Farias, R$ 10 mil; C, de Coriolano Coutinho, R$ 39 mil; e Dra. Laura, R$ 4 mil.

Depois das primeiras notícias, o caso sumiu. Com a delação de Livânia, foi resgatado e expôs o mesmo grupo que a Operação Calvário investiga por desvios e enriquecimento ilícito com verbas da Saúde.

Até aqui, o que se sabia não dava para atingir diretamente Ricardo Coutinho. Agora, todos estão curiosos com o que mais disse Livânia Farias, que esteve no grupo mais próximo do socialista desde que foi eleito prefeito da Capital, e depois passou os oito anos dos dois mandatos de governador na poderosa Secretaria de Administração, que cuida da folha e contratos do Estado, como foi o caso da Cruz Vermelha.

Como o Gaeco não tem partido, as revelações e as denúncias atingem a imagem do PSB e dos líderes, além de dar um forte discurso à oposição. Também não é inteligente subestimar o eleitor, que nunca esteve tão consciente sobre os danos da corrupção. Basta olhar para Lula, que antes mesmo de ser formalmente acusado, já tinha perdido o encanto para boa parte da opinião pública.

Livânia pode se transformar no maior cabo eleitoral da oposição. Os segredos que já não guarda podem dificultar o projeto do PSB para as eleições do próximo ano.

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