quarta-feira, 3 de julho de 2019

Sinuca de bico

PREVIDÊNCIA E O S
Lena Guimarães - CorreiodaParaíba

Duas notícias nada boas para o governador João Azevedo: por conta das posições dos gestores do Nordeste, não houve acordo para incluir os Estados na reforma da Previdência. Assim, se quiserem uma solução para os sistemas estaduais no projeto geral, terão que conseguir 308 votos no plenário da Câmara Federal e apresenta emenda própria.

Como diz o provérbio cantado por Ney Matogrosso em “Homem com H”, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”: com o rombo nas previdências estaduais, os governadores precisam e da aprovação das medidas em discussão. O que não querem é o ônus eleitoral de defendê-las publicamente, o que a maioria dos parlamentares já assumiu em favor da recuperação econômica do País.

Para não expor essa posição, os governadores do Nordeste passaram a condicionar o apoio à aprovação de uma lei que tire mais recursos da União para os Estados, oriundos da exploração de petróleo. Isso depois de conseguirem de Rodrigo Maia compromisso em relação a outras pautas econômicas. A “barganha” não prosperou.

Como já disse um deputado, querem “o conforto dos casados e a folga dos solteiros”. Por isso, os deputados fecharam questão e tiraram Estados e Municípios da reforma. Sabem que na eleição eles serão seus adversários e deverão explorar de forma negativa o voto que devem dar para salvar a Previdência Nacional.

Agora, ou os governadores apresentam emenda ao plenário, ou terão que lutar nas Assembleias e Câmara Municipais para aprovar projetos que estarão com suas marcas.

A outra notícia desfavorável vem da Auditoria do TCE-PB, que expõe mais uma vez a forma como a organização social Cruz Vermelha, filial Rio Grande do Sul, administrou o Hospital de Trauma nos últimos anos: recomenda que a Corte exija a devolução de nada menos que R$ 19,5 milhões, referentes a desvios apenas em 2018.

A auditoria aponta contratos sem necessidade e superfaturamento, e responsabiliza a ex-secretária Claudia Veras (Saúde), o superintendente Milton Araújo, e os diretores Sabrina Bernardes e Sidney Schmid.

A nova bomba explode quando o governo escolhe nova OS para o Trauma, o Instituto Acqua (de Santo André-SP), que estaria citado na “Cartas Marcadas”, em Espírito Santo. Apesar dos danos causados pela Cruz Vermelha, o governo insiste nas OS.

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