quinta-feira, 27 de junho de 2019

O nosso mais dolorido adeus ao amigo Juscelino de Zé Palmeira e Dona Letícia.

Vocês se lembram de Zé Palmeira e do seu filho, Juscelino?

Por Dirceu Galvão
Até já contei esta estória por aqui, no nosso Sete Candeeiros Cajá. mas sem ilustração. Agora vamos relembrar com fotos e reafirmar a nossa intensa tristeza pela morte do meu amigo Juscelino Palmeira. Vamos lá.

Todo mundo se lembra que o grande Zé Palmeira, em Cajazeiras, era um sujeito de fino espírito e língua ferina. Quando conheci sua família, ele já era dono de uma tarimba de carne no Açougue Público de Cajazeiras, ali na Praça Nossa Senhora de Fátima
Seu caminho constante era do Açougue para sua casa, que fica no fim da Rua Barão do Rio Branco, vizinho ao baldo, no beiço do açude grande.

Na época não tinha, ainda, o canal do sangradouro do Açude Grande e em em frente à casa de Tantino Cartaxo havia um campinho de areia, onde fazíamos a nossa farra futebolística.

Eram peladeiros de todo jeito (lembro de Caramelo, Dona de Saul, Maciel, Nilsinho, Eraldo 'Bambanca' Moésia...). Como visto, todos eram garotos e pequenos (coisa que o tempo não alterou com muita sabedoria...).
Juscelino de Zé Palmeira aos 20 anos
Mas havia Juscelino de Zé Palmeira. E ele destoava dos demais garotos, porque já era grandão no meio dos pequenos. Às vezes, também, jogávamos no estreito por trás da trave do estádio Higino Pires. Ali, havia grama...

Juscelino era grandão, valente e raçudo (só que raçudo, para nós, era sinônimo de 'grosso'). O tamanho dele se destacava no meio dos bem pequenos. Ele na zaga assustava o adversário. Às vezes, também, não acertava a bola e dava a famosa 'cheirada'. Jogávamos descalços...e a gente ria muito dizendo que cada 'cheirada' que Juscelino dava arrancava - entre os dois dedos maiores do pé esquerdo - um metro quadrado do mato do campinho! Era mais eficiente que o jumento de Aranha que fazia o acerto do gramado do Higino Pires...
Foto de 2012, com Juscelino e a irmã. A cara de Sara é de gaiata profissional.
Bom que certa vez, no fio do meio dia, com o sol batendo forte, nós estávamos no melhor da pelada na frente da casa de Tantino... E lá vinha Zé Palmeira do açougue a caminho de casa.  Na passagem, se aproxima do que seria a linha lateral do campinho, bota a mão cobrindo os olhos da sobrancelha pra cima e fica parado olhando prá nossa pelada, mas virando a cabeça de lado a lado como se procurasse ver algo especial.

Juscelino - bem grandão no meio dos meninos - já sabendo que o pai devia estar fazendo alguma presepada, começou a perguntar, com voz grossa e abusada"- O que é pai? O que é que o senhor tá procurando aqui?"

Zé Palmeira só respondeu"- Ai, meu fí tava aí? Quase que não lhe via no meio desses meninos!"

E continuou no caminho para casa.

E nós, pra variar, caímos na risada, que é o modo cajazeirense de ser feliz.

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