sábado, 23 de fevereiro de 2019

A Grécia e a Venezuela são logo ali....

Notas sobre a previdência

1. Para que o sistema previdenciário se mantenha sustentável, é preciso que o volume de benefícios (o dinheiro que sai) não seja maior do que o volume de contribuições (o dinheiro que entra).

2. Se a expectativa de vida cresce, como no Brasil, as pessoas precisam trabalhar por mais tempo. Se o número de contribuintes por aposentado cai, como no Brasil, é preciso que o valor de contribuição suba. Não é uma questão de justiça, é uma questão de aritmética. A reforma vai nessa direção.

3. Se o sistema é distorcido, certas categorias contribuem com muito pouco e recebem muito muito, como no Brasil, aí, sim, é uma questão de justiça: é preciso acabar com os privilégios. A reforma vai nessa direção.

4. Do ponto de vista conceitual, a alternativa à reforma é a seguinte. Continua tudo como está, a gente continua contribuindo pouco e se aposentando cedo, aí ganha o calote logo, e trabalha até morrer. Quem tem poupança, gasta, quem não tem pede esmola.

5. De um ponto de vista mais concreto, no entanto, a alternativa à reforma é a seguinte. Continua tudo como está, o rombo do governo cresce, Estado se inviabiliza, os hospitais e escolas fecham e a gente tem uma convulsão social violenta. Se a gente conseguir ajuda externa, é o modelo Grécia, com um ajuste muito mais duro do que a reforma de agora. Se não conseguir, é o caminho da Venezuela.

6. A previdência não é uma disputa entre direita e esquerda ou entre patrões e empregados. É um acordo entre o presente e o futuro. Fazer a reforma permite que tenhamos um futuro melhor, não fazê-la piora muito, mas muito, o futuro.

7. Há dois grupos que negam a necessidade da reforma, um defende seus próprios privilégios, outro defende os privilégios dos outros. Sinceramente, não sei o que é pior, mas ambos estão cegos. E, se a reforma não passar, terão um futuro parecido.

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