domingo, 6 de agosto de 2017

Realidades da educação e do futebol


Imagine a cena: Neymar chega num Subway pra fazer um pedido. Leva seus 30 segundos pra escolher, faz o pedido, compra aquele sanduba mais caro, afinal, hoje é dia de esbanjar. Recebe o sanduiche que custou R$ 21 em outro 1 minuto. Ao final da conta, Neymar terá ganhado do PSG, seu time, R$ 315, ou 14 vezes o preço de um sanduíche.

Pode parecer absurdo, e de fato, é uma escala difícil de imaginar para qualquer brasileiro que trabalhe 160h no mês para ganhar apenas 3 vezes o que o astro faturou em 1 minuto e meio sem fazer nada.

De fato, é uma posição de fazer inveja a qualquer brasileiro, até mesmo a Luis Inácio que em 1 minuto para a Odebrecht ganhou seus R$ 13 mil.

No fim do dia, Neymar ganha uma fortuna, e isso é uma prova da imensa desigualdade em que vivemos é claro.

Imagine se o Brasil descobrisse que herói é um professor que ensina 300 alunos por um parco salário no final do mês. Seria uma revolução no Brasil não é?

Só tem um pequeno problema nisso tudo: essa nem de longe é a realidade do país.

Por aqui, temos 2,3 milhões de professores, que na média faturam R$ 3,5 mil, ou 1 vez e meia o que um trabalhador brasileiro leva pra casa no fim do mês.

Dentre os jogadores de futebol, 82% ganham menos de 2 salários mínimos, e uma minoria, de 620 jogadores, embolsa mais de 12,4 mil.

Há precisamente 3 vezes mais professores na rede municipal de uma única capital do país, Porto Alegre, recebendo este valor.

Dentre os professores de ensino superior no país, 40% recebem acima de 12,4 mil mensais, contra 2% dentre os jogadores.

Falamos aqui de um universo de 9 mil professores, que nem de longe ganham o mesmo que um Neymar, mas que recebem valores que para 98% dos jogadores brasileiros é apenas um sonho distante.

Em apenas 10 anos, multiplicamos por 7 o orçamento de educação no país. Demos um salto gigantesco em gastos, ou investimentos, como preferir, e o resultado? Porto Alegre mostra claramente. Trata-se da 4ª capital do país com pior desenvolvimento da educação básica.

Como inúmeros municípios brasileiros mostram, não é o salário do Neymar ou nem mesmo uma grande verba que define a educação brasileira, mas a capacidade de implementar gestão sobre estes recursos, de cobrar resultados e exigir que cada centavo público seja despendido de maneira minimamente eficiente

Imagine quando o brasileiro descobrir que não é mais dinheiro que torna algo melhor, mas a capacidade de cobrar resultados e uma fiscalização eficiente! Pois é, teremos uma revolução no país.

Nenhum comentário: