quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Igor Gielow - Folha de São Paulo
O prefeito João Doria limpa restos de ovo atirado contra si por manifestantes em Salvador, na segunda (7)

Quando o que sobrou da esquerda brasileira vai aprender? Alguém realmente acha que dar uma ovada em João Doria irá abalar sua imagem, denunciá-lo ao Brasil como um potencial genocida de cashmere ou alguma outra tolice dessas?

O prefeito paulistano reagiu à agressão na segunda (7) em Salvador de modo eficiente. E evidenciou que o pessoal defensor da ditadura venezuelana não compreendeu que esse tipo de enfrentamento não interessa ao eleitor. 

Ninguém vai lembrá-los de quem levou a melhor com a violência que se insinuava entre brizolistas e colloridos em 1989? Voto não é "like".

Do ponto de vista do tucano, nenhuma gemada seria tão eficaz como estimulante. Doria pôde começar o dia elaborando o discurso moderado e conciliador que já vinha a testar para a hipótese de entrar na campanha em 2018 sem Lula como Judas de sábado de Aleluia.

Em evento com Michel Temer, foi exposto publicamente um flerte com o PMDB que vinha ocorrendo em conversas muito discretas. Todos ganham com esse balé, em que nada pode ser comprado pelo valor de face, exceto naturalmente o padrinho de Doria, Geraldo Alckmin. Ao fim, o prefeito insinua colocar na mesa a ficha que hoje não possui, a de sugerir ter apoio de uma máquina ainda mais formidável do que a do PSDB.

À noite, sob ovos, incorporou de forma mais completa o figurino de anti-Lula (ou contra qualquer um associado à esquerda). Vociferou em modo nacional como nunca antes, se apresentando como alguém de "sangue baiano", algo que o governador paulista nunca poderá fazer. Completou um "test -drive" completo.

Nada disso é definitivo, apenas mostra que as placas tectônicas da política estão se movendo. Alckmin ainda é o tucano que reúne mais apoio e condições políticas e empresariais para disputar a Presidência. Mas o dia, na segunda, foi de Doria.

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