sábado, 5 de agosto de 2017

Eita!

Maria do Rosário: uma mentalidade
SensoIncomum
Você já reparou como todo meme zoando a esquerda tem sempre a mesma estrutura? Pega-se a frase de efeito de um esquerdista querendo jogar para a galera com palavras fortes, como “ilegal”, “golpe”, “intolerância” etc, e depois basta pegar qualquer comentário do mesmo esquerdista poucos dias depois, que ele certamente estará defendendo o oposto, também usando palavras fortíssimas para jogar para as massas.

Um exemplo direto da Humans of PT feito com o próprio ex-presidente Lula:
Isto se dá porque o pensamento de esquerda é, por natureza, um pensamento para as massas, um slogan, um bordão, um discurso de caminhão de som, um eterno megafone amplificando perdigotos. O pensamento de direita, por sua vez, é algo mais lento, paulatino, demorado, sem pressa e pura práxis.

Enquanto um busca a mobilização e “mudar o mundo”, outro procura entendê-lo, buscar solidez, conceitos sólidos, robustez e dureza. É um ponto no qual é provável que esquerda e direita concordem um sobre o outro. A primeira é cansada da pura especulação e quer a ação, a segunda é a “bebedora de quintessências”.
Quanto mais de esquerda, maior a tendência para este comportamento de manada, de coletivos em marcha. É como o “intelectual coletivo” de Antonio Gramsci. Quanto mais à direita, maior a tendência à reclusão, à meditação solitária, a fugir da turbamulta. É mais fácil encontrar intelectuais de direita num mosteiro do que numa coluna de jornal.

Maria do Rosário já foi filiada ao Partido Comunista do Brasil e é famosa pela sua defesa aguerrida de todo escol de bandidos e assassinos, como Champinha, o seqüestrador, estuprador, torturador e assassino da jovem Liana Friedenbach. Nada mais normal do que seu comportamento non plus ultra de esquerdismo.

Para defender as cusparadas do ex-BBB Jean Wyllys e posteriormente do ator global José de Abreu em pessoas que não haviam lhes agredido, a parlamentar gaúcha apelou para um expediente revelador: afiançou que ambos reagiram sem planejar como agir, apenas quem havia lhes agredido antes. A despeito da fartura de filmagens antes das cusparadas dos dois globais esquerdistas, não se viu “agressão” nenhuma contra nenhum dos dois que justificasse nem sequer um empurrão, que dirá uma cusparada.

As contradições são tão óbvias que não merecem comentário. O que é interessante é o quanto fisgamos o pensamento de alguém exatamente quando também corre para o Twitter inventar uma defesa igualmente sem planejar. O famoso faux pas, o ato falho que revela a real intenção e mentalidade do falante.

O que pensa Maria do Rosário e o que pensa a esquerda, com variegados graus de fanatismo, é que o ser humano é um bicho que precisa ser controlado. Como as formas de coação típicas exigem alguma forma de vontade individual, contrabalanceamento de poder ou alianças, como as tradições, normas, a religião ou os incentivos econômicos, resta o Estado como tecnologia máxima de coação social.
O Estado, os impostos, o monopólio de força, a lei única impedem qualquer forma de descontrole. A esquerda quer uma sociedade planejada nas mais microcósmicas filigranas, da variação econômica até, hoje, a sexualidade. Daí a sanha da esquerda em aceitar qualquer forma de autoritarismo, corrupção, imoralismo ou tramóia, desde que o fim último almejado seja o controle social através do Estado.

Nossa ditadura, por exemplo, acaba sendo curiosamente criticada por ter sido pouco estatal. Por que outra razão um comunista, cuja própria crença é imiscuir Estado e sociedade, poderia reclamar do aumento do poder estatal sobre a sociedade? Uma ditadura que tenha mantido algum respiro acaba sendo violentamente criticada, enquanto o totalitarismo cubano, apenas para ficar no exemplo mais próximo, é enaltecido.

O grande escritor britânico C. S. Lewis já havia identificado em Thomas Hobbes a origem do pensamento esquerdista na sua obra A Abolição do Homem: o Estado como gigante controlador, já que o homem, sozinho, causaria sua própria ruína.

De Hobbes a hoje, o poder do Estado aumentou exponencialmente, tal como os morticínios causados pelo Estado sobre sua própria população: se grandes reis, imperadores, faraós ou xoguns do passado matavam sobretudo em guerras, o Estado moderno e a morte industrial causa a morte da própria população para manter o poder de soberania e homogeneização social, excluindo quem fere esta uniformização. É o Estado de Stalin, Mao, Pol-Pot ou, no caráter racial, os socialismos de Adolf Hitler, Kim Il-sung e Slobodan Milošević.

Uma visão oposta a tal “controle do mal” pelo poder homogeneizador do Estado é a do psiquiatra Theodore Dalrymple, que escreve:

“A única causa inquestionável da violência, tanto política como criminosa, é a decisão pessoal de a cometer. (…) Deste modo, qualquer estudo sobre a violência que não leve em conta os estados de espírito é incompleto e, na minha opinião, seriamente insuficiente. É Hamlet sem o Príncipe.”

Quando Maria do Rosário ignora esta causa da violência, a decisão de um agente humano de cometê-la, ela está comungando da crença dos “estadistas” do parágrafo anterior: que a sociedade precisa do controle absoluto, do contrário as pessoas se matarão.

Para Maria do Rosário, como para quase a totalidade da esquerda, a causa única da violência (ou de qualquer coisa criticável no mundo) é unica e exclusivamente a desigualdade social. Como a ação humana provoca inevitavelmente resultados diferentes conforme agentes diferentes executem tarefas iguais ou distintas, a liberdade individual deve ser suprimida em troca do coletivismo e da ação de manada (não à toa que Ação Humana seja o nome do principal tratado de economia liberal de todos os tempos).
Se os seres humanos sempre se defenderam de ameaças com armas, a esquerda quer armas apenas nas mãos do Estado. Se seres humanos sempre empreenderam para produzir mais alimentos do que o corpo humano produz fome, a esquerda quer que todo empreendimento seja estatal. Se seres humanos sempre se educaram conforme suas culturas, anseios, valores e tradições, a esquerda quer que o Estado controle uniformemente a educação, na crença de que, ao uniformizá-la, atingirá finalmente sua “igualdade” (ou “igualdade de oportunidades”), tão miseravelmente falha anteriormente (vide os discursos de Cristovam Buarque).

Quando Maria do Rosário fala sobre as cuspidas de seus colegas de ideologia, sobretudo quando fala sem refletir, numa curiosa ironia, acaba justamente por revelar o que é seu pensamento sem máscaras de marketing político ou de disfarce pelo decoro: Maria do Rosário tem fé no esquerdismo máximo, a crença cega de que os homens devem ser controlados, inclusive em suas falas.

Afinal, se as pessoas falam, podem acabar ofendendo quem pensa diferentemente. Portanto, a única forma de atingir a tão sonhada “igualdade” ou, como pega melhor hoje, a “democracia”, é com campanhas por “respeito”, o que é a forma branda de garantir que se você discorda do que diz a esquerda no poder e a extrema-esquerda lhe rendendo loas em forma de batuques no jornalismo e na Academia, você deve guardar sua opinião para você mesmo.

Maria do Rosário e a esquerda acreditam numa sociedade de controle. Justamente seu êmulo maior, um deputado com orgulho em ser mais bronco como Jair Bolsonaro, é quem acredita numa sociedade livre, mesmo quando elogia partícipes da ditadura militar, que existiu justamente para não haver a implantação final da sociedade de Maria do Rosário, Jean Wyllys et caterva no Brasil.

Ou aprendemos isto, ou seremos eternos reféns dos eufemismos e chiliques da esquerda para sua vontade de nos dominar.

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