quinta-feira, 27 de julho de 2017

TCE apresenta raio-x do ensino estadual
MaisPB
“Nossa rede pública não está ensinando”. A constatação é do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Fernando Catão, com base no primeiro monitoramento de auditoria operacional que analisou a qualidade do ensino médio oferecido na rede pública estadual. O resultado foi apresentado durante sessão realizada nesta quarta-feira (26) e é relativo ao ano passado.

Na Corte de Contas, Fernando Catão afirmou que a educação da Paraíba pede socorro, principalmente de gestão.

Conforme a auditoria, houve um decréscimo na qualidade do ensino. O estudo mostrou que apenas 32% dos alunos do 5º ano tiveram aprendizado satisfatório em Português. Na mesma disciplina, apenas 17% dos alunos do 9º ano tiveram aprendizado satisfatório.

Em relação ao ensino de Matemática, o conselheiro considerou “uma tragédia total”. Somente 19% dos alunos do 5º anos aprenderam a disciplina satisfatoriamente, enquanto no 9º ano, o percentual é de apenas 6%.

Entre os problemas constatados pela auditoria está a insuficiência de professores com formação compatível para atender a demanda atual de disciplina obrigatória do ensino médio, além da contratação de temporários, transformado a excepcionalidade em normalidade.

Em virtude dos problemas detectados, o conselheiro destacou a necessidade de acompanhar de perto o processo de terceirização de setores da educação estadual.

O conselheiro ainda emitiu alerta ao governador Ricardo Coutinho e ao secretário de Estado da Educação, Aléssio Trindade, para que cumpram as recomendações do Tribunal relativas à auditoria sob pena de multa e outras cominações legais.

Catão lamentou a ausência do secretário durante apresentação do resultado da auditoria, o que considerou um desrespeito com o TCE. “Pediu adiamento do processo e não se fez presente e nenhum dos seus auxiliares”, avaliou.

Ele afirmou que constatou nas últimas semanas a existência de servidores codificados na Secretaria de Educação.

“Faço um apelo a essa Corte para que tenhamos muita observação e cautela nesse movimento feito pelo Governo do Estado no sentido de fazer a terceirização de sete serviços da educação. Tem um problema sério na questão dos servidores pro tempores, mas nessas últimas semanas descobri que há codificados também na Secretaria de Educação e as explicações são as mais estapafúrdias possíveis sobre o que é esse terceirização”, afirmou.

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