sexta-feira, 28 de julho de 2017

E se essa confusão fosse em Cajazeiras, como seriam os palavrões trocados?


Vizinhos escrevem recados para mãe que pendurou faixa em prédio reclamando de intromissão
Extra
Mônica Alves é bem direta no recado para Patrícia 

A confusão está instalada. Desde que Patrícia Monkem, de 38 anos, pendurou uma faixa na fachada do seu edifício em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, a rua se dividiu em alas. Uns lamentam as críticas feitas aos vizinhos pela técnica de enfermagem, outros a defendem. E há aqueles que preferem não tomar partido.

Ela está errada. Espancava mesmo a filha mais velha. O passado a condena. Agora, tem que viver vigiada. Os vizinhos não podem nem mais brincar com o cabelo do menino que ela reclama — ataca a vizinha Mônica Alves, de 37 anos.
Alex Rangel fica pede calma 

Patrícia tem uma filha mais velha, já adulta, e teve problemas com o Conselho Tutelar durante a criação dela, há 15 anos. Ela se mudou, casou, separou e voltou a morar no polêmico endereço em fevereiro. Hoje, tem um menino de 2 anos que usa um rabo de cavalo louro, que chama a atenção da vizinhança.

Morando no apartamento em cima do de Patrícia, a pensionista Carmelita da Silva, de 60 anos, diz que não tem do que queixar.

— Eu autorizei ela a amarrar a faixa na minha janela por isso. A criança não chora mais do que o normal. Cada um tem seu jeito de educar — defende: — Se cada um ficasse no seu quadrado, acabariam os problemas. Isso serve para a Patrícia também. Se não desse bola, não estaria passando por isso.
Patricia colocou faixa em cima de sua janela 

Mas o vizinho do terceiro andar, o operador de produção Alex Rangel, de 39 anos, pede calma para analisar os fatos.

Eu fui testemunha de que ela batia na filha mais velha. Ela tinha problemas com muita gente aqui, pelo jeito explosivo dela. Mas nunca a vi levantar a mão para o menino, ela parece estar o criando bem — garante.

Em meio à toda confusão, Patrícia garante que sabe cuidar muito bem da criança, e reitera o que deseja para a comunidade.

Gato que tem sete vidas para cuidar. Gente, cada um que cuide da sua. Crio meu filho bem, ele está feliz e quero que o restante se exploda — afirma a moradora sem papas na língua.

Entrevista com Patrícia: ‘Se quisesse agradar, teria feito churrasco’

Como é a sua relação com os vizinhos?
Eu já voltei sabendo o que esperar: não gosto de muita gente, da mesma forma que muita gente não me suporta, mas sou obrigada a morar aqui. Já tive problema com Conselho Tutelar, porque vizinhos reclamaram. Eu achei que as pessoas tinham aprendido, mas não. Então, para ser proativa, eu fiz a placa. A coisa aqui é pessoal.

Mas não é melhor tentar conviver com eles?
Se eu quisesse agradar a todo mundo, eu fazia um churrasco, não um perfil em Facebook ou uma faixa.

O que mudou da criação do primeiro para o segundo filho?
Nada. Eles denunciavam, mas as denúncias não tinham fundamento. O conselho veio buscar o menor duas vezes e não o levaram. Eu não espancava ninguém. Por isso mesmo, é que não fui presa.

Os vizinhos falam que o menino chora...
Eles falam até que meu filho vai ser gay por causa do cabelo! É meu filho, é minha criação e quem manda na minha casa sou eu. Eu sou técnica de enfermagem, e recebo ajuda dos meus pais para manter o menino, porque não trabalho para cuidar dele.
Patrícia com o menino, de dois anos 

Dicas da especialista em etiqueta Glória Kalil

Chame o síndico — A primeira ação é verificar com o síndico o que está acontecendo, se ele tem informação sobre o possível problema. Se não tiver síndico no prédio, então o zelador ou a pessoa que cuida mais do edifício deve ser acionada.

Converse antes — Antes de tomar qualquer atitude mais radical como chamar o Conselho Tutelar, é preciso saber o que está, de fato, acontecendo. Fale com a pessoa, converse, deixe claro que está de olho no que acontece. Ela percebeu que estão de olho lá. Tanto que fez a faixa e a colocou no prédio.

Ofensiva — Caso o problema persista e você tenha certeza do que está acontecendo, aí, sim, é hora de acionar o Conselho Tutelar ou outra instância. Mas a medida tem que ser tomada com cuidado para não ser um engano que crie problema desnecessário.

Histórico conta — Neste caso, alguns vizinhos falaram que já havia um histórico de violência. Isso deve, sim, ser levado em consideração. É um assunto muito delicado e difícil. Mas se não é a primeira vez que acontece, então, não é indelicado ficar de olho.

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