segunda-feira, 17 de julho de 2017

Depois de prisão de Cabeça Branca, saiba quem são os seis traficantes mais procurados do país
Agora, busca por esses criminosos virou prioridade
ANTÔNIO WERNECK - O Globo
Adalberto Pagliuca Filho. Brasileiro, de 63 anos, condenado a 14 anos por tráfico internacional de drogas.

RIO - Quando foi preso pela Polícia Federal (PF) no dia 1º de julho na cidade Sorriso, em Mato Grosso, o traficante Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, tinha no bolso uma nota de R$ 5, outra de R$ 2 e moedas que totalizavam cerca de R$ 10. Estava de bermuda, camisa polo e chinelos, sem nenhuma escolta, em uma padaria onde foi comprar pão. Os poucos trocados no bolso e a rotina banal não davam sinais de que se tratava do bandido considerado o maior traficante da América Latina, dono de um patrimônio avaliado em pelo menos US$ 100 milhões (R$ 325 milhões).

Os policiais federais da unidade central de combate às drogas do país acreditam que o estilo de vida dissimulado tenha contribuído para o criminoso passar duas décadas foragido. E a fórmula pode estar sendo seguida por outros grandes traficantes na mira da polícia. Depois da prisão de Cabeça Branca, há seis nomes no topo da lista de procurados pela PF — gente um degrau abaixo do homem preso na padaria, o mas importante na hierarquia do crime brasileiro.

Segundo policiais federais lotados na Coordenação-Geral de Prevenção a Entorpecentes (CGPRE), a unidade central de combate às drogas da PF no país, na lista atual de procurados, seis nomes aparecem em destaque: o libanês Joseph Nouheddine Nasrallah e os brasileiros Jorge Luís da Silva, Álvaro Daniel Roberto, João Aparecido Ferraz Neto, Adalberto Pagliuca Filho e Marcelo Fernando Pinheiro Veiga. Os seis são considerados criminosos de um nível inferior ao alcançado por Cabeça Branca, mas que continuam em atividade.

Ascenção no crime carioca
O mais novo entre os procurados é Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto. Aos 42 anos, é um velho conhecido da Polícia Civil carioca. Apontado como chefe do tráfico em favelas comandadas pelo Comando Vermelho no Estado do Rio, entre elas a de Manguinhos, na Zona Norte da capital, ele pode estar escondido na região da fronteira com o Paraguai. Piloto fugiu da prisão em 2007 e, cinco anos depois, em julho de 2012, foi um dos 20 traficantes responsáveis pela invasão da 25ª DP (Engenho Novo) para resgatar o também traficante Diego de Souza Feitoza, o DG.

João Aparecido Ferraz Neto. Brasileiro, de 58 anos, condenado a 20 anos por tráfico internacional de drogas. 
Joseph Eddine Nasrallah. Libanês, de 50 anos, condenado a dez anos e oito meses por tráfico internacional de drogas.
Adalberto Pagliuca Filho. Brasileiro, de 63 anos, condenado a 14 anos por tráfico internacional de drogas. 
Marcelo Pinheiro Veiga. Brasileiro, de 42 anos, condenado a 26 anos por tráfico internacional de drogas, latrocínio e roubo.
Álvaro Daniel Roberto. Brasileiro, de 37 anos, condenado a 16 anos por tráfico internacional de drogas. 
Jorge Luis da Silva. Brasileiro, de 55 anos, condenado a mais de 30 anos por tráfico internacional de drogas. 

Considerado violento e alvo de mais de 20 mandados de prisão expedidos pela Justiça, Piloto teria crescido na hierarquia do crime. Policiais federais acreditam que o bandido tornou-se “matuto”, um negociador de drogas, e não um mero traficante de morro, e tem sido o responsável pelo envio de cocaína, maconha e crack para favelas cariocas, além de aparecer hoje como fornecedor de armas e munição para comparsas do crime em território fluminense.

Outro foragido é Álvaro Daniel Roberto. Ele fugiu da prisão em 2014, depois de ser preso acusado de comandar um núcleo que enviava cocaína para a Europa usando rotas que partiam do Paraguai, Bolívia e Peru. Foi preso e denunciado junto com mais 20 pessoas acusadas de tráfico internacional e associação para o financiamento ao tráfico. O grupo atuava em Juiz de Fora, em Minas Gerais, com ramificações em outros estados. Álvaro controlava o tráfico a partir de São Paulo.

Único estrangeiro na lista de mais procurados pela Polícia Federal no país, o traficante libanês Joseph Nour Eddine Nasrallah, o Sheik, chegou a ser preso pela Polícia Federal em 2007, mas escapou. Condenado a dez anos e oito meses de prisão, fugiu em fevereiro deste ano, depois de conseguir progressão do regime fechado para o semiaberto. A Justiça Federal decretou a prisão dele novamente, e o libanês foi capturado na Operação Kolibra, da Polícia Federal, acusado de ser chefe de uma quadrilha flagrada com três toneladas de drogas que tentava enviar para a Europa.

Banheira de ouro em mansão de luxo
Na época de sua prisão, Sheik ficou famoso por estar construindo uma mansão luxuosa na cidade de Valinhos, em São Paulo, onde havia até uma banheira com detalhes em ouro. O móvel foi avaliado na época em R$ 60 mil. A mansão de três mil metros quadrados, dentro de um condomínio de luxo, foi avaliada em cerca de R$ 40 milhões.

De acordo com a Polícia Federal, Sheik era um dos líderes de uma quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais, cuja principal atividade era a remessa de cocaína produzida na América do Sul para a Europa, Ásia e África. Cinco anos antes, a PF havia prendido Joseph a pedido da Polícia Federal alemã. Já havia a suspeita da ligação dele com o tráfico internacional de drogas.

Multinacional do tráfico
O jornalista e escritor Allan Abreu, que estuda o tráfico internacional de drogas, descreve Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, como um dos mais importantes traficantes brasileiros presos pela Polícia Federal nos últimos anos. Allan acredita que Cabeça Branca criou uma multinacional do tráfico na fronteira, associando-se a outros criminosos na região entre o Brasil e o Paraguai. Em seu livro “Cocaína, a rota caipira”, lançado em maio deste ano, no qual traça um profundo e detalhado perfil do crime organizado estruturado no país a partir de cidades do interior do Brasil, Allan dedica um capítulo inteiro ao criminoso.

Prender Cabeça Branca sempre foi um desafio para a Polícia Federal. Ele viveu muito tempo escondido em fazendas no Paraguai, protegido por forte aparato de segurança e pela corrupção de policiais paraguaios. Tornou-se um broker do narcotráfico, um grande empresário do narcotráfico, um grande negociante do pó. Nunca se aproximava da droga que vendia porque sabia dos riscos que isso poderia representar — detalha Allan.

A Polícia Federal disponibiliza o telefone (61) 2024-8300 e o e-mail para informações que possam levar à captura de algum dos seis traficantes mais procuradores do país.

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