quarta-feira, 28 de junho de 2017

Temer acusa Janot de 'revanche' e diz que denúncia é 'ataque irresponsável'
GUSTAVO URIBE
MARINA DIAS
Folha de São Paulo
Michel Temer faz discurso acompanhado de deputados, no Palácio do Planalto, em Brasilia

O presidente Michel Temer fez nesta terça-feira (27) seu mais duro ataque contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem acusou de buscar "revanche, destruição e vingança" ao denunciá-lo sob acusação de corrupção passiva.

No pronunciamento que fez no Palácio do Planalto, Temer pediu "provas concretas" de que cometeu qualquer ato ilícito e sugeriu que o objetivo da denúncia contra ele é "parar o país".

Em uma grave escalada pública contra o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), o presidente insinuou que Janot recebeu dinheiro por meio do ex-procurador Marcelo Miller, que deixou o Ministério Público Federal para atuar em um escritório de advocacia que negociou o acordo de leniência da JBS.

"Talvez os milhões de honorários recebidos não fossem apenas ao assessor de confiança [Miller], mas eu tenho responsabilidade e não farei ilações. Tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas", disse Temer, referindo-se ao ex-procurador como "homem da mais estrita confiança" de Janot.

Durante discurso de cerca de vinte minutos, Temer tentou desqualificar a denúncia apresentada contra ele e disse que Janot realizou um "trabalho trôpego".

"As regras mais básicas da Constituição Federal não podem ser esquecidas e jogadas no lixo, tripudiadas pela embriaguez da denúncia, que busca a revanche a destruição e a vingança. E ainda assim fatiam a denúncia para provocar fatos contra o governo, querem parar o país e parar o Congresso Nacional, em uma ato político de denúncias frágeis e precárias", declarou Temer, ressaltando que tem disposição em continuar no cargo.

De acordo com o presidente, Janot fez uso de provas "ilícitas" e inaugurou uma nova teoria do Código Penal, a da "ilação". O peemedebista se refere à gravação de uma conversa entre ele e o empresário Joesley Batista, da JBS, em que ambos conversam sobre o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro do ano passado.

Segundo a PGR, na conversa os dois acertaram o pagamento de propina e o presidente deu aval para a compra do silêncio de Cunha.

O presidente negou mais uma vez ter cometido qualquer irregularidade e disse que o Brasil está sendo vítima de uma "infâmia de natureza política".

"Fui denunciado por corrupção passiva a essa altura da vida sem jamais ter recebido valores. Eu nunca vi o dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos", declarou Temer.
O que diz a denúncia de Janot e o que falou o presidente em pronunciamento

O presidente afirmou ainda que a denúncia apresentada pela PGR "não tem fundamento jurídico" e que, sob esse aspecto, não tinha preocupação com a matéria. No entanto, prosseguiu o presidente, fazia a declaração pública em função da "repercussão política" dos fatos.

No discurso, para reforçar que pretende seguir no cargo, o peemedebista disse ter orgulho de ser presidente e que não sabe como Deus o colocou no comando do Palácio do Planalto.

"Eu tenho orgulho de ser presidente, convenhamos, é uma coisa extraordinária. Para mim é algo tocante, é algo que não sei como Deus me colocou aqui. Dando-me uma tarefa difícil, mas certamente para que eu pudesse cumpri-la", disse.

Um comentário:

marcos disse...

LEMBREI DAQUELES CACHORROS ( ME PERDOEM OS CACHORROS) NA PORTA DO AÇOUGUE GRANDE, DOS
MEUS TEMPOS DE SAUDOSA INFÂNCIA NA BOA TERRA CAJÁ.

NÃO LARGAVAM O OSSO NEM A PAU!