sábado, 3 de junho de 2017

Por Dirceu Galvão
Roosevelt Leitão, no computador, mandando estórias para o Sete Candeeiros Cajá

Meu amigo e colaborador do nosso Sete Candeeiros Cajá, Roosevelt Leitão, nos contou mais uma estória com personagens cajazeirenses.

Segundo Rusinha, essa aconteceu na época da primeira eleição para presidente da República, com a abertura política, quando o povo brasileiro teve a oportunidade de eleger os seus representantes pelo voto direto.
Naquela eleição, Fernando Collor, candidato a presidente da República, tinha uma campanha a todo vapor no nosso país e nossa Cajazeiras não poderia ficar atrás.

Lá em Cajazeiras, a campanha pegou fogo! O povão queria mudança mesmo e os admiradores do então candidato Collor vibravam com gritos histéricos de "DÁ-LHE COLLOR!".

E tome propaganda! Fotos, adesivos, bottons, banners e tudo o que tinham direito de ser usado de propaganda em uma campanha eleitoral. Na nossa terrinha o fanatismo pelo homem era coisa fora de série.
Os eleitores mais fanáticos eram Nestor Braga e Antônio Genésio (os dois de saudosa memória). Com uma particularidade: os dois eram os campeões de depósito na caderneta de poupança! Tinham bastante dinheiro naquela aplicação popular.

Como sempre, as discussões políticas se davam, principalmente, entre frequentadores mais assíduos, de carteirinha mesmo, do famoso ponto de encontro da Rua Tenente Sabino, o atual calçadão.

Pois bem. Collor é eleito e ao tomar posse indica para o Ministério da Fazenda a carrasca economista Zélia Cardoso. E para infelicidade dos nossos ilustres cajazeirenses, um dos seus primeiros atos foi o confisco da poupança de todos os poupadores!

E em Cajazeiras? A medida do governo beteu em cheio na cabeça de alguns ricos poupadores, especialmente nos fanáticos eleitores de Collor, Nestor Braga e Antônio Genésio!

Foi um baque danado pra eles! Tanto que passaram muitos dias em casa, com depressão e raiva do acontecido!
Olha ele aí! Saulzinho era um gaiato de primeira qualidade!
O nosso interminável Ferreirinha, primeiro e único!

Passado o trauma, Nestor fez a tentativa de voltar a frequentar o Calçadão da Tenente Sabino.

Só teve o azar e um problema. Quando apareceu no calçadão, teve a infelicidade de encontrar com Saulzinho e Ferreirinha, dois dos 'caba' mais gaiatos de Cajazeiras.

Foi só Nestor 'butar' os pés no calçadão e os dois gaiatos começaram a gritar para o eleitor fanático e grande e frustrado poupador: "DÁ-LHE COLLOR!!!! 

O DÁ-LHE COLLOR!!! - grito de guerra Collorido - trazia péssimas lembranças e arrependimento.

Por isto, na mesma hora, Nestor deu meia volta e foi pra casa.
Caveirinha, Bizé Bandeira e Eudes Cartaxo. O calçadão era ponto de encontro de grandes amigos!

E passou tanto tempo sem voltar ao calçadão que Eudes Cartaxo e Bizé Bandeira, amigos e também frequentadores do local, foram lhe fazer uma visita achando que ele estava doente.

Eudes Cartaxo foi logo perguntando: "- Nestor, caba véi (termo bastante usado por Eudes Cartaxo ao cumprimentar os seus amigos), por que você nunca mais foi ao calçadão?"

Nestor, ainda muito puto da vida, deu a sua explicação: "- Eudes, enquanto aqueles cabras safados, felas da puta do Saulzinho e Ferreirinha estiverem por lá, eu não piso os pés naquele lugar de jeito nenhum! Será possível que não bastou o prejuízo que tive com a minha poupança e ainda 'vem aqueles dois cabas gozar' com a minha cara? Eu não tenho mais idade para isso não, hômi!"

E demorou que só o diabo pra Nestor voltar ao calçadão. Afinal, Saulzinho e Ferreirinha não esqueciam uma gozação 'nem tão cedo'!

Ô Carrazera boa!

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