segunda-feira, 26 de junho de 2017

O caso Fábio Assunção mostra por que não faz sentido defender “justiça social” estatal
Ilisp

Sábado (24) foi noticiada a detenção do ator da TV Globo, Fábio Assunção, no interior de Pernambuco. Entorpecido ou embriagado, o ator causou a maior confusão. Agrediu policiais. E tudo foi gravado em vídeo.

O caso nos mostra que todo o dinheiro, toda a fama, todo o respeito que ele conquistou na mídia não o livrou de desvios comportamentais.

Fábio Assunção representa a realidade que a esquerda rejeita: cada indivíduo tem características próprias e discernimentos próprios, o que inviabiliza qualquer programa estatal de “justiça social” como defende o próprio Fábio Assunção.

Qualquer programa que impõe formulas genéricas às pessoas que são diferentes umas das outras é, por si só, um vetor de injustiça.

As pessoas, independentemente das características de “raça”, sexualidade, gênero e renda, são propensas a diversos desvios e fraquezas. Cada pessoa enxerga o mundo e a si mesmo de forma particular, toma decisões baseadas em critérios próprios – e é isso que faz com que elas prosperem ou não. As pessoas escolhem seus caminhos.

Dê 10 mil reais para 100 pessoas e verá como cada uma utilizará esse dinheiro de uma forma particular. Algumas gastarão tudo numa noite, outras investirão no seu negócio, ou na sua casa, ou na educação dos filhos, ou guardarão para momentos de emergência. O estado ignora completamente isso.

Os consultórios de psicólogos estão lotados de pessoas de alto poder econômico com graves problemas pessoais e familiares. A riqueza não certifica a felicidade das pessoas, assim como a pobreza não certifica o mérito delas. Cada pessoa, independentemente do carimbo que a esquerda lhe confere, toma decisões que levam para um lado ou outro da vida.

Meu pai se casou pobre. Enriqueceu em dez anos e nos dez anos seguintes perdeu tudo porque fez escolhas erradas, ruins para ele e para outras pessoas.

Na adolescência, um de meus melhores amigos era considerado o maior talento do surfe do estado. Ganhava todos os campeonatos. Tinha vários patrocínios. Além disso, sua família era rica. Há pouco tempo, ele foi visto mendigando no bairro onde morava.

Meu avô materno nasceu no meio do sertão. Nunca foi à escola, mas construiu uma vida confortável para si e para sua família, oferecendo tudo de bom para os seus seis filhos; desses, a metade se perdeu na vida, optou pelo crime e/ou pela vagabundagem.

Hoje mesmo, no quiosque onde tomo água de coco, vi o dono reclamando de um de seus funcionários que, mais uma vez, faltou ao trabalho porque estava doidão à noite.

O dono desse quiosque, o Zé, veio do Nordeste. Pobre, optou pelo trabalho duro enquanto outros na mesma condição que ele − incluindo o funcionário citado − tinham prioridades diferentes. Zé prosperou. Outros não.

Ao longo da vida, vi pessoas ricas perderem tudo e pessoas pobres prosperarem. Vejo todos os dias pessoas optando pelo trabalho duro e por uma vida regrada enquanto outros gastam grande parte do salário com farras. Basta olharmos para os lados para ver mil exemplos.

É sempre bom lembrar da pesquisa realizada pela ONG Data Favela, reproduzida no livro Um País Chamado Favela, que registrou que apenas 4% dos favelados entrevistados acreditam que a prosperidade vem da ajuda do governo. Esse é o mundo real que a esquerda faz questão de não enxergar.

Todo programa de “igualdade social” desmerece as pessoas que optam por vidas construtivas e privilegia outras que, na maioria das vezes, não têm compromisso sequer com elas mesmas.

Programas sociais estatais são ruins por quatro razões: justificam a manutenção da imensa máquina estatal que abriga uma casta de parasitas e agentes da burocracia; são sustentados por impostos cobrados daqueles que o governo diz querer ajudar, invariavelmente devolvendo à população muito menos do que arrecada; criam zonas de conforto na pobreza; e encarecem a vida das pessoas que se dedicam ao trabalho, impedindo que elas prosperem e gerem mais trabalho e renda para outras pessoas.

Seja preto ou branco, homem ou mulher, pobre ou rico, cada pessoa é a grande responsável por sua vida e por seu futuro.

Quem nasce pobre precisa trabalhar mais para atender as necessidades dos demais se quiser prosperar na vida, assim como quem nasce feio precisa melhorar a conversa e descobrir outras formas de ser atraente. A vida é assim.

Se você se comove com a pobreza de alguém, ajude com o seu próprio dinheiro, o seu tempo e o seu próprio trabalho, voluntariamente. Se o foco de sua ajuda estiver distante, se associe a outras pessoas para viabilizar o auxílio. O que você não se pode fazer ou defender é confiar esse trabalho ao estado.

Quem oferece oportunidades é a livre iniciativa privada, não o governo e seus programas, normas e discriminações. A única coisa que o estado faz é tornar nossa vida mais cara, mais complicada e mais perigosa. E atrapalhar a vida daqueles que diz ajudar.

Artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.

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