quarta-feira, 17 de maio de 2017

Nada como viver em país socialista e em eterno paraíso familiar...Tem petralha que pensa em viver assim, no socialismo: na família real, no paraíso na terra.

Quem é quem na família Kim, o núcleo de poder da Coreia do Norte
Ditadores, suas esposas e filhos têm poder irrestrito no país mais fechado do mundo – os que saem da linha, porém, sofrem as consequências
Daniela Flor - Veja.com
Foto de 1981 mostra Kim Jong-il posando com sua família para retrato em Pyongyang: Kim Jong-nam (frente, à direita), sua cunhada Sung Hye-rang e os filhos Lee Nam-ok e Lee Il-nam 

Há três gerações e quase 70 anos de poder, a dinastia Kim comanda com punho de ferro a Coreia do Norte. Vistos como os ditadores cruéis que são pelo resto do mundo, os membros da família forjam uma imagem divina no isolado país – nasceram em locais sagrados, são esportistas exímios e sequer vão ao banheiro.

Relatórios conseguidos pela imprensa da Coreia do Sul mostram que as crianças norte-coreanas dedicam 648 horas do ensino fundamental a estudar as proezas dos Kim. Segundo as aulas, Kim Jong-Il, o segundo ditador, inventou o hambúrguer e foi um ícone de moda copiado internacionalmente. As brigas e traições familiares, claro, são apagadas pelo regime: há inúmeras amantes, tentativas de fuga, execuções e até parentes que casualmente desapareceram da história.

É difícil saber com clareza quem são os descendentes de Kim Jong-il. Além do país ser extremamente fechado, segredos da dinastia raramente vazam na controlada imprensa. Ao longo dos anos, porém, algumas figuras adquiram status de poder e foram levadas a público, enquanto outras foram reveladas por fugitivos, como o meio irmão do tirano Kim Jong-un, Kim Jong-nam, assassinado em fevereiro.

Conheça algumas das figuras importante da família Kim – e suas polêmicas:

Kim Il-sung, o fundador
Kim Il-sung, o “grande líder” da Coreia do Norte 

Conhecido como o “grande líder” ou o “presidente eterno”, Kim Il-Sung foi o fundador do regime ditatorial da Coreia do Norte e comandou o país desde 1948 – época em que foi dividido entre o sul, alinhado com os Estados Unidos, e o norte soviético – até sua morte em 1994. O ditador nasceu em uma ocupação japonesa em Mangyungbong, no território norte-coreano, sob o nome de Kim Song-ju.

Na juventude, Kim fundou grupos de oposição ao imperialismo do Japão e se juntou ao Partido Comunista da China. Registros estatais apontam que, quando lutava na guerrilha anti-japonesa, mudou seu nome para Kim Il-sung, algo como “Kim se torna o sol”. Após anos no comando de batalhas em favor do regime soviético, Kim foi indicado pelo ditador Josef Stalin para mandar no novo país, que surgia com a separação das Coreias.

O culto à personalidade do ditador ainda é amplamente divulgado na imprensa e nas escolas, que contam com os “Institutos de Pesquisa Kim Il-sung”, e há mais de 500 estátuas suas pelo país.

Kim Jung-suk, a “esposa perfeita”
Kim Jung-suk, esposa de Kim Il-sung 

Também parte da guerrilha anti-japonesa, Kim Jung-suk é divulgada como a “perfeita esposa comunista” pelo regime norte-coreano e teria conhecido e casado com Kim Il-sung na União Soviética. A história oficial conta que tinha extraordinárias habilidades de guerra, mas que também dedicava sua vida a cuidar do marido ditador – a não oficial diz que sofria com depressão e com a infidelidade do cônjuge.

A morte da primeira esposa de Kim Il-Sung, aos 29 anos, também é cercada de informações incertas. Na biografia oficial, divulgada pelo regime, se explica apenas que faleceu pelas “durezas que enfrentou durante os anos como guerrilheira”. Relatos não confirmados pela família apontam que morreu no parto de um bebê natimorto ou até que foi baleada.

Kim Jong-il, o “querido líder” fashion
Kim Jong-il, o “querido líder” da Coreia do Norte

Sucessor do pai na dinastia, Kim Jong-il foi a figura mais venerada (e falsificada) pelos propagandistas do regime, entre 1994 e sua morte. Apesar de registros soviéticos mostrarem que nasceu em um vilarejo da Sibéria, sua biografia oficial relata um nascimento mágico no sagrado Monte Paektu, com direito a arco-íris, uma nova estrela no céu e mudança repentina nas estações.

As invenções sobre seus feitos incluem habilidades intelectuais e esportivas. Na imprensa estatal, se diz que Kim fez 11 hole-in-ones na primeira vez que jogou golfe, escreveu 1.500 livros durante a faculdade e inventou o hambúrguer. Em 2010, o jornal do regime Rodong Sinmun noticiou que o ditador também se tornara um ícone fashion ao redor do mundo com seu modelito clássico, uma espécie de abrigo marrom. Kim, porém, está longe de ser querido no ocidente e sua falha administração econômica levou o país a uma terrível crise fome entre 1994 e 1998, que pode ter matado até 3,5 milhões de pessoas.

Obsessivo por cinema, Jong-il tinha uma coleção de mais de 20.000 fitas. A fixação chegou a tal ponto que mandou sequestrar Shin Sang-ok, diretor sul-coreano, e sua esposa, a atriz Choi Eun-hee, para fomentar a indústria do entretenimento da Coreia do Norte. Eles fizeram sete filmes até escaparem do país, oito anos depois.

Ko Young-hee, a “mãe de Pyongyang”
Ko Young-hee esposa de Kim Jong-il

Nascida no Japão, mas com ancestrais coreanos, Ko Young-hee era a esposa oficial de Kim Jong-il e mãe do atual ditador, Kim Jong-un. Sua história está entre as mais escondidas pelo regime, por causa da herança japonesa – essa característica a colocaria na escória da sociedade comunista. Apesar de suas origens serem de conhecimento geral, elas não podem ser discutidas entre os cidadãos. O título oficial usado pelos propagandistas para se referir Ko é “a respeitada mãe que é o sujeito mais fiel e leal ao querido líder companheiro comandante supremo”, resumido eventualmente para “mãe de Pyongyang”. Ela faleceu em decorrência de um câncer, em 2004, aos 51 anos, após tentar tratamento em Paris.

Sua irmã, Ko Young-suk vive exilada em Nova York com o marido e os três filhos desde 1998, onde tem uma lavanderia. Foi ela quem criou Kim Jong-un na pré-adolescência, quando o acompanhou para que fosse estudar na Suíça. A família evita revelar os motivos para a fuga, mas defende que foi uma tentativa de encontrar tratamento para o câncer de Ko Young-hee.

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