sábado, 20 de maio de 2017

Na verdade, na delação, a soma é de 150 milhões dólares, algo como 500 milhões de reais.

Lula e Dilma receberam US$ 80 milhões no exterior, diz Joesley
RANIER BRAGON
LAÍS ALEGRETTI
LUCAS VETTORAZZO
Folha de São Paulo

Os ex-presidentes do PT Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff receberam uma soma de US$ 80 milhões em contas no exterior, segundo delações do empresário Joesley Batista, dono da J&F, empresa que controla o frigorífico JBS, e Ricardo Saud, diretor da empresa. O valor representa mais de R$ 250 milhões, segundo conversão com taxa cambial desta sexta-feira (19). No entanto, esse valor pode chegar a US$ 150 milhões.

No acordo de colaboração enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), o Ministério Público Federal informa que há relatos de que houve pagamento de vantagens indevidas de US$ 50 milhões a Lula e US$ 30 milhões a Dilma por meio do pagamento de depósitos em contas distintas no exterior. Os valores estão informados em decisão do ministro Edson Fachin, que homologou a delação da JBS.

No depoimento, contudo, Joesley não informa com precisão o montante repassado. "Na fase do presidente Lula, chegou acho que nuns 80 milhões de dólares e depois, na Dilma, chegou nuns 70. Ou o contrário, 70 na do Lula e 80 na da Dilma", afirmou o empresário.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atuaria como intermediário de negócios realizados com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), Petros (Fundação Petrobras de Seguridade Social) e da Funcef (Fundação dos Economiários Federais) com a finalidade de beneficiar a JBS.

Também foram pagos, segundo Joesley Batista, US$ 30 milhões ao ex-ministro Antônio Palocci para a campanha de Dilma à presidência em 2010.

"Quando foi em 2010, ele era o assessor da campanha da Dilma, e me pediu R$ 30 milhões de doação. Eu achei que tivesse feito tudo por doações oficiais", disse Joesley Batista, em depoimento prestado no dia 3 de maio deste ano.

O empresário afirma que parte dos pagamentos foi feito por meio de notas fiscais frias, dinheiro vivo e também caixa 2.

A JBS tem 220 fábricas em 20 países, incluindo os Estados Unidos e a Austrália, e clientes em todos os continentes. O negócio da família, que começou no interior de Goiás na década de 1950, mudou-se depois para Brasília. Cresceu nos anos seguintes, mas o grande salto veio na era Lula.

Em 2005, partiu para expansão internacional na Argentina. Dois anos mais tarde, com a ajuda do BNDES, mudou de patamar. O banco injetou R$ 1,1 bilhão na empresa para viabilizar a compra da Swift nos EUA e na Austrália. A JBS virava, assim, a maior produtora de carne bovina do mundo.

Nenhum comentário: