terça-feira, 16 de maio de 2017

Empreiteiro da OAS inclui novas mensagens sobre sítio de Atibaia em processo contra Lula
Material deve ser usado pela Lava-Jato como mais uma prova da relação do ex-presidente com a propriedade
DIMITRIUS DANTAS - OGlobo
Léo Pinheiro é um dos empresários que tem acordo de delação premiada com a Lava-Jato 

Uma troca de mensagem do presidente da OAS, Leo Pinheiro, com um interlocutor deve ser usada como mais uma prova da relação do ex-presidente Lula com o sítio de Atibaia pelo Ministério Público Federal. Numa conversa, um número não-identificado envia a seguinte mensagem a Pinheiro: "Léo, amanhã vou pra o nosso tema esvaziar o lago para impermeabilizar. Eles, eu soube que vão estar lá para acompanhar a despesca. Mas não tenho certeza. Se desejar podemos combinar". No dia seguinte, conforme o Portal da Transparência, seguranças da Presidência estiveram no sítio que teve reformas bancadas pela empreiteira.

A mensagem avisando sobre as obras em um lago foi enviada no dia 6 de junho de 2014, três meses após a deflagração da Operação Lava-Jato. Segundo dados do Portal, quatro seguranças da Presidência da República que acompanham o ex-presidente e sua família após o fim do mandato estavam em Atibaia no dia seguinte. Misael Melo da Silva, Rogério dos Santos Carlos, Edson Antonio Moura Pinto e Elias dos Reis estavam na cidade durante o período. Os dois primeiros foram para a cidade do interior ainda no dia 6 e os outros dois, no dia seguinte.

A troca de mensagens foi anexada nesta segunda-feira pela defesa de Léo Pinheiro ao processo em que Lula é acusado, pelo Ministério Público Federal, de ter sido beneficiado pela OAS com reformas no tríplex do Guarujá e pelo armazenamento do acerto presidencial. Foram apresentadas ainda agendas de encontros que o empresário manteve com o ex-presidente Lula; com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto; com e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, Léo Pinheiro citou que, em uma conversa com o ex-presidente sobre a propriedade, Lula teria relatado problemas em relação a uma barragem e dois lagos. A mudanças de estratégia do executivo ocorreu em meio à negociação de delação premiada com o Ministério Público Federal.

De 4 a 6 de junho daquele ano, o ex-presidente Lula participou de um encontro do PT em Porto Alegre para o lançamento da candidatura de Tarso Genro à reeleição do governo do Rio Grande do Sul.

As obras no sítio de Atibaia não são investigadas no processo ao qual o documento foi anexado. Mas de acordo com investigações da força-tarefa da Lava-Jato, o sítio, que está no nome de dois sócios de Fábio Luís, um dos filhos de Lula, foi reformado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.

Enquanto a Odebrecht fez a ampliação da área habitável da propriedade, anexando à construção mais quatro suítes e uma adega, a OAS ficou responsável pela contenção do lago da propriedade, que estava perdendo água e precisava de uma nova barragem. A empresa também instalou móveis planejados na cozinha do sítio, comprados da Kitchens, a mesma fornecedora dos móveis instalados no tríplex do Guarujá.

EMPRESA NEGA CONTRATOS DE ARMAZENAGEM COM A OAS
A pedido da força-tarefa da lava-Jato, a empresa Granero, contratada pela OAS para armazenar o acervo presidencial do ex-presidente Lula negou que tivesse outros contratos de armazenamento com o grupo. Segundo a Granero, as duas empresas firmaram apenas acordos de transporte e mudança. A polêmica foi causada porque o contrato de armazenamento do acervo afirma que os objetos guardados seriam itens de escritório da OAS. Para os investigadores, isso seria um sinal da ocultação do pagamento.

Em seu depoimento, o ex-presidente Lula defendeu que a OAS guardava seus equipamentos com a empresa e, possivelmente, o armazenamento do acervo estaria no mesmo escopo do acordo entre as duas empresas.

Pelo que eu já ouvi em depoimentos aqui é que a OAS mantinha uma reserva na Granero para guardar as coisas dela. Para cuidar das coisas da OAS — disse o ex-presidente.

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