domingo, 28 de maio de 2017

Duplo padrão: a extrema-esquerda que hoje critica a internação compulsoria a apoiava em 2011 
Luciano Ayan
CeticismoPolítico
Abaixo vemos um texto de Drauzio Varella escrito para a revista Carta Capital em 2011. O título é “Menos hipocrisia para lidar com drogas, vícios e usuários: em busca do Brasil maduro”.

Ali ele defendia a ideia da internação compulsória de viciados. Agora que a gestão Doria aplicou a medida, os sicários do PT, PCdoB e PSOL não param de chiar.

Varella lembrava do potencial ainda mais destrutivo do crack, se comparado à cocaína, e dizia que para quebrar toda a sequência perversa de eventos neuroquímicos o principal seria manter o usuário longe da droga.

Leia este trecho:

Vale a pena chegar perto de uma cracolândia para entender como é primária a ideia de que o craqueiro pode decidir em sã consciência o melhor caminho para a sua vida. Com o crack ao alcance da mão, ele é um farrapo automatizado que não tem outro desejo senão conseguir a próxima pedra para o cachimbo.

Veja a hipocrisia: não podemos interná-lo contra a vontade, mas podemos mandá-lo para a cadeia assim que roubar o primeiro celular. Não seria mais lógico construir clínicas pelo País inteiro com pessoal treinado para lidar com os dependentes? Não sairia mais em conta do que arcar com os custos materiais e sociais da epidemia?

É claro que não sou ingênuo a ponto de imaginar que ao sair desses centros de recuperação o ex-usuário se transformaria em cidadão exemplar. Mas ao menos haveria uma chance. Se continuas-se na sarjeta, que oportunidade teria?

E se, ao ter alta da clínica, recebesse acompanhamento ambulatorial, apoio psicológico e oferta de um trabalho decente desde que se mantivesse de cara limpa documentada por exames periódicos rigorosos, não aumentaria a probabilidade de ficar curado?

Países como a Suíça, que permitiam o uso livre de drogas em espaços públicos, abandonaram a prática ao perceber que a mortalidade aumenta.

Nós convivemos com as cracolândias sem poder internar seus habitantes para tratá-los, mas exigimos que a polícia os prenda quando se comportam mal. Existe estratégia mais estúpida?

Na penitenciária feminina, onde eu trabalho hoje, atendo muitas ex-usuárias de crack. Quando lhes pergunto se são a favor da internação compulsória dos dependentes da cracolândia, todas respondem que sim.

Nunca encontrei uma que sugerisse o contrário.

Não digo que Drauzio tenha mudado de opinião, mas a extrema-esquerda não chiou contra esse texto em 2011. Agora é claro que estão fingindo.

Lá se vai mais uma narrativa.

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