quarta-feira, 3 de maio de 2017

A FALA DE TEMER


LENA GUIMARÃES
CorreiodaParaíba

Nas democracias, os políticos dependem do voto do eleitor para chegar ao poder. Sem apoio, a carreira é interrompida. Por isso, medidas amargas só são adotadas como último recurso, quando não raro os danos já são enormes. A atual crise econômica é exemplo.

A ex-presidente Dilma Rousseff passou o ano de 2014, no qual disputou a reeleição, “vendendo” um país próspero e prometendo mais benefícios. Poucos dias após a posse no 2° mandato. anunciou o ajuste fiscal com cortes no orçamento e aumento de impostos, reconhecendo que o quadro era bem diferente do mostrado no guia eleitoral.

Quando foi afastada do governo, a inflação já passava de dois dígitos - estava em 10,7% -, e o desemprego já tingia 11,8%% da população economicamente ativa, ou 12 milhões de trabalhadores.

Atualmente já são 14,2 milhões de desempregados, ou 13,7% da força de trabalho do país, situação que alimenta o ciclo negativo: sem emprego o cidadão não pode consumir; sem vendas, indústria e comercio têm que demitir mais, e as receitas públicas caem, impactando salários dos servidores, investimentos públicos e programas sociais.

Para romper esse ciclo, o governo Temer aprovou ajuste fiscal e propôs as reformas Trabalhista e da Previdência, esta última rejeitada por 71% dos brasileiros, segundo o Datafolha.

Dia 1º, o presidente Temer evitou pronunciamento na TV – certamente temendo as reações – mas gravou vídeo para a internet, defendendo a reforma trabalhista. Reafirmou que o objetivo é criar empregos e garantiu que “todos” os direitos estão assegurados.

Ressaltou o fim da discriminação salarial: “as empresas que pagarem salário diferente para homens e mulheres que exercem a mesma função em locais idênticos de trabalho, serão punidas. O salário há de ser o mesmo. O mesmo vale se houver discriminação salarial relacionada à etnia, nacionalidade ou idade”.

Temer apontou medidas destinadas a beneficiar os trabalhadores, como a liberação das contas inativas do FGTS - serão R$ 40 bilhões até junho -, e comemorou a queda da inflação para 4,5% e o crescimento da confiança no País. Disse que os resultados “já começam a aparecer”.

“Acredite no Brasil”, pediu o Presidente. Difícil é acreditar que os políticos não usarão esse debate como arma na luta que travam pelo poder.

TORPEDO
"Só está contra a reforma trabalhista quem pensa pequeno e está indiferente a situação do País. Não temos dúvida que as medidas, além de garantir direitos, amplia-os e ainda possibilita a geração de novos postos de trabalho."

Do deputado Pedro Cunha Lima, combatendo inverdades dessiminadas, como o fim da carteira de trabalho, da licença maternidade e do FGTS.

A opinião
Dom Genival Saraiva, da Arquidiocese da Paraíba, criticou as reformas previdenciária e trabalhista por considerar que há “ameaça de retirada de direitos”. O advogado Roosevelt Vita lamentou o seu posicionamento.

O contraponto
Segundo Vita, ele “não aponta um direito suprimido do trabalhador, uma violacao do Art 7° da CF; só lero-lero, fazendo coro com 16 mil sindicatos enriquecidos com contribuição obrigatória e verbas públicas”.

Mais vagas
Cássio Cunha Lima disse apoiar medidas de modernização da legislação trabalhista. Previu, como efeito positivo, geração de novos empregos. Só o setor de restaurantes já estima 2 milhões de novos postos em três anos.

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