sábado, 13 de maio de 2017

A esquerda que se diz “traída pelo PT” admite que deseja uma ditadura socialista no Brasil
Ilisp

Torna-se cada vez mais comum ouvir que o PT e o Lula não representam a esquerda ou que Lula e o PT “traíram o movimento socialista brasileiro”. As pessoas que dizem isso se apresentam como militantes da “verdadeira esquerda”, da “esquerda raiz”.

Primeiro, vamos dissecar a afirmação de que o PT e o Lula não representam a esquerda.

Pergunto: por qual razão o partido e um ex-presidente, que não seriam de esquerda, apoiaram todos os movimentos e governos de esquerda existentes?

Por qual razão as pessoas que se apresentam como a “verdadeira esquerda” apoiaram por tanto tempo um partido e um político que não representam a esquerda?

Se o PT e o Lula não representam a esquerda, por qual motivo todos os movimentos, partidos e militantes de esquerda continuam defendendo-os nas ruas e nas mídias?

Quanto à afirmação de que o PT e o Lula traíram o movimento socialista, concordo e sinto-me aliviado.

Já que tantos fizeram questão de esquecer como o PT e o Lula chegaram ao poder, eu vos lembro: eles prometiam a estatização de escolas e bancos particulares, o fechamento (ainda maior) da economia para o capital estrangeiro, o desmantelamento da grande imprensa em prol de uma versão estatal e uma reforma agrária baseada na sistemática expropriação de terras.

Esse era o discurso de Lula e do PT até serem assessorados por Duda Mendonça e Roberto Marinho em 2001.

Ou seja: ao trair seus companheiros, Lula nos livrou de um mal pior.

É importante dar os devidos nomes as coisas. A essência do PT é socialista. Socialista! O partido foi criado por marxistas com o intuito de implantar suas ideias, como Florestan Fernandes descreve no livro Pensamento e Ação – O PT e os rumos do socialismo, publicado pela primeira vez em 1989.

O plano era acabar com qualquer vestígio de capitalismo no Brasil e implantar um socialismo à brasileira que − não é difícil de se imaginar − descambaria para uma ditadura à cubana.

Portanto, os petistas que estão tentando se descolar da desmoralização do partido, afirmando que foram traídos, estão na verdade confessando o marxismo de suas ideias. Confessam que, se dependesse deles, estaríamos iguais a Cuba.

Apesar da desilusão, muitos “petistas raiz” continuam compondo os quadros do PT; e são eles que, sem qualquer pudor, publicam artigos e documentos que registram sua mentalidade totalitária.

Em maio de 2016, no calor do movimento pelo impeachment, o diretório nacional do PT publicou um documento em que faz uma análise do governo Dilma.

Alguma crítica à corrupção, ao desperdício de dinheiro público ou ao desastroso programa econômico? Não. Apenas lamentaram que Dilma não controlou a justiça, as Forças Armadas e a imprensa. Ou seja: lamentaram que o Brasil não foi sido transformado numa ditadura.

Se Lula tivesse vencido a eleição de 1989, época em que o país estava imerso no caos da hiperinflação, com toda certeza ele teria afundado o Brasil num buraco muito mais profundo do que este em que nos encontramos. Naquela situação, Lula teria imposto um programa massivo de intervenção e expropriação, realizando os sonhos de seus companheiros e transformando o Brasil numa gigantesca Venezuela.

Portanto, todas às vezes em que ouvir que o PT e o Lula não representam a esquerda ou que eles traíram o socialismo, saiba que o autor da afirmação deseja uma ditadura socialista. Para essas pessoas, tudo o que não está na extremidade esquerda do espectro ideológico é uma ameaça. Basta considerar que eles enxergam o PSDB como um partido de direita.

Para essas pessoas, corrupção se combate estatizando empresas e a imprensa, e a desigualdade social é reduzida tornando toda a população miseravelmente dependente do governo.

Não espere que essas pessoas reconheçam o que são. Os socialistas do Século 21 caracterizam-se exatamente por isso: defendem ideias, partidos, líderes e ditaduras socialistas, mas não se sentem socialistas. Sentem-se apenas “progressistas”, ou simplesmente “pessoas de bem”, quando na verdade são tão totalitários quando os líderes que consideram “traidores”.

Artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.

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