quarta-feira, 12 de abril de 2017

ESTELITA HASS CARAZZAI - Folha de São Paulo
Marcelo Odebrecht, que está preso em Curitiba, chega à sede da Justiça Federal no PR

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou que o pagamento a políticos em caixa dois era recorrente na empreiteira.

Em uma de suas planilhas, as doações eleitorais oficiais eram identificadas como "bônus".

"Três quartos do custo estimado das campanhas era caixa dois. Então, o pessoal precisava de caixa dois", disse o executivo, em audiência realizada na segunda (10) e tornada pública nesta quarta (12).

No depoimento, o herdeiro voltou a afirmar que o ex-presidente Lula era tratado internamente como 'Amigo', e diz que a empresa disponibilizou a ele um saldo de R$ 40 milhões de propina, ao final do seu mandato.

"A gente entendia que o Lula ainda ia ter influência no PT. O Lula nunca me pediu diretamente isso; eu combinava com o [ex-ministro Antonio] Palocci", afirmou.

O executivo diz não saber o destino de todo o dinheiro, mas sabe que alguns valores foram sacados em espécie, por exemplo, a pedido de Palocci, e descontados do saldo "Amigo".

"Quando ele pedia isso, eu sabia que estava se referindo a Lula", declarou o empreiteiro.

Parte do saldo também serviu para a compra de um terreno que seria doado ao Instituto Lula, num plano que acabou sendo abortado. A Odebrecht, depois, vendeu o terreno e "creditou" o valor no saldo "Amigo" novamente, segundo contou Marcelo.

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