quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jovem é morto em manifestação contra Maduro na Venezuela
DA AFP
Folha de São Paulo

Policiais e militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes que realizavam nesta quarta-feira (19) o sexto protesto do mês de abril em oposição ao governo Nicolás Maduro.

Um jovem de 17 anos morreu no hospital após ser baleado na cabeça por um grupo de homens em motocicletas, segundo relatos de testemunhas. Carlos Moreno estudava economia na Universidade Central da Venezuela e, segundo a família, não participava do protesto.

"Morreu. Estava em um ponto da concentração da oposição e recebeu um tiro por parte de um dos agentes motorizados que antes jogavam bombas de gás lacrimogênio contra a concentração", afirmou Amadeo Leiva, o presidente do Hospital das Clínicas de Caracas, onde o jovem foi atendido.

A deputada opositora Olivia Lozano afirmou ao "El Nacional" que os milicianos "nos emboscaram e começaram a disparar". Eles fazem parte dos chamados coletivos, as milícias armadas chavistas. Os confrontos foram registrados na zona oeste da capital.

Em 20 dias, a repressão do governo Maduro aos protestos deixaram seis mortos e mais de 300 feridos. Outras 538 pessoas foram detidas, sendo que 241 foram colocadas em prisão preventiva, segundo a ONG Foro Penal.

A oposição prometia "a mãe de todas as marchas" para ir até a Defensoria do Povo, no centro da capital, onde um ato convocado pelo governo também acontece nesta quarta-feira. A oposição exige eleições gerais e respeito à Assembleia Nacional, único poder público em que tem maioria.

A tensão está no nível máximo. Na noite desta terça-feira (18), o presidente Maduro anunciou a ativação de uma operação militar, policial e civil para derrotar um "golpe de Estado", que atribui à oposição e aos Estados Unidos.

"Estamos nas horas cruciais do destino de nossa pátria e vou estar à frente desta batalha", disse o chavista, ao lado de líderes políticos e comandantes militares.

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, pediu aos organismos de segurança do Estado que garantam o direito de manifestação pacífica. "Os mecanismos de negociação devem se esgotar antes do uso da força pública", afirmou.

Chavista, Ortega surpreendeu há duas semanas quando classificou como "ruptura da ordem constitucional" a sentença com a qual o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) assumiu as funções do Parlamento de maioria opositora, uma reação que impulsionou a anulação parcial da decisão.

A repressão às manifestações levou o governo brasileiro, junto com outros dez países, a divulgar nota na segunda-feira (17) manifestando repúdio à violência nos protestos. Os 11 países também reiteraram o pedido a Maduro que convoque as eleições regionais, adiadas desde dezembro, o mais rápido possível.

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