sexta-feira, 14 de abril de 2017

Comum, muito comum...


O próprio Marcelo Odebrecht explica com todos os detalhes que, a pedido de Lula, entregou 3 milhões a Mino Carta, para salvar a Carta Capital. Era para ser um "empréstimo", mas vendo que não ia receber nada de volta e por ser um dinheiro de pinga, acabou trocando por publicidade.

Nenhuma surpresa: qualquer pessoa no Brasil, com meia dúzia de neurônios ativos e que tenha vivido por aqui nos últimos 15 anos, sabe o que é a Carta Capital e a quem a publicação serve.

Mas eu tenho uma dor em particular ao falar do assunto: tenho uma meia dúzia de três ou quatro conhecidos AINDA capazes de usar matérias da Carta Capital (assim como de outros veículos no mesmo nível de baixeza) para "comprovar" suas convicções.

Eu não consigo nem explicar o tamanho da VERGONHA que sinto por essas pessoas. Alguns, gente que conheci há mais de 30 anos, no tempo em que - fosse pela nossa pouca idade, fosse pelas contingências da época - talvez fizesse sentido acreditar em determinadas fantasias: afinal, todo mundo acreditava!

Eram - e certamente ainda são - gente boa, antigos companheiros de música e de mesa de bar, que eu admirava por seus talentos e inteligência.

Não sei como ou porquê o tempo passou por eles sem causar-lhes mudanças óbvias, sem obriga-los a enxergar o mundo real, sem fazê-los abandonar as utopias juvenis. Talvez tenham se tornado funcionários públicos. Talvez professores. Ou, quem sabe, artistas? Viver em um desses mundos paralelos à realidade é uma das justificativas possíveis.

Eu não sei exatamente o que ocorreu porque não tenho coragem de interpelá-los. Só vejo seus pronunciamentos vagos e erráticos vez ou outra na internet.

Olho para as fotos de gente que conheci aos vinte anos e hoje, gordinhos e grisalhos, enxergo velhotes ridículos.

Alguns deles, depois de dias de sumiço, ressurgiram triunfantes hoje à tarde para "comemorar" o fato de um delator da Lava Jato mencionar ter visto uma vez o jornalista Diogo Mainardi jantando com o senador Aécio Neves.

Sim, nesse nível.

Lembrei de pessoas que tocavam violão e cantavam tão bem há 30 anos, que eu admirava tanto e cuja presença em uma festa ou um encontro qualquer era um prêmio.

Gostaria de guardar apenas essas lembranças deles; e que vivessem para sempre, lá nos anos 80 e começo dos 90, tocando Noel, Cartola, Herivelto; me ensinando a gostar de Elis, João Gilberto e Cole Porter.

Malditas redes sociais.

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