quarta-feira, 19 de abril de 2017

Aos 76 anos de idade, um Rei de verdade! Se você gosta de Roberto Carlos, não deixe de ver essa postagem.

Da Jovem Guarda a shows em cruzeiros, Roberto Carlos faz 60 anos de estrada
Nascido em 19 de abril de 1941, cantor, ao lado de Erasmo e Wanderléa, é ícone do estilo que mudou comportamento jovem nos anos 60. Em 1974, fez 1º show de final de ano na Globo
Clarissa Stycer
O Globo

Entre notícias sobre músicos conhecidos do público, a coluna "O GLOBO nos discos populares" registrava, em 15 de dezembro de 1959, a saída do "crooner" Roberto Carlos da Boate Plaza, popular casa de shows em Copacabana. Do palco onde recebeu o seu primeiro salário para a Jovem Guarda, começava a aparecer o cantor saído de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, que não sabia que o Brasil inteiro lhe chamaria de "Rei".

Filho de um relojoeiro e de uma costureira, Roberto Carlos Braga nasceu no dia 19 de abril de 1941. Mostrando gosto pela música, tinha aulas de violão e piano, além de sempre ouvir o rádio, onde estrearia aos nove anos, cantando o bolero “Amor y más amor” no “Programa Infantil” da estação da Rádio Cachoeiro. No fim dos anos 50, se mudou para a casa de uma tia, em Niterói o que o permitiu ingressar na cena musical carioca com o grupo The Sputniks, formado pelo cantor Tim Maia.

A oportunidade que procurava viria a aparecer em 1957, com o convite para cantar na TV Tupi. Entoando a canção Tutti Frutti, do cantor americano Little Richard, um do expoentes do rock n’ roll, e sentado em uma lambreta, Roberto dava o tom da Jovem Guarda, linguagem musical e estilo de comportamento que inauguraria no início dos anos 60. No mesmo ano, o apresentador da emissora Carlos Imperial o chamaria de "Elvis Presley brasileiro".

Ao lado de Tremendão e Ternurinha, como eram apelidados Erasmo Carlos, seu grande parceiro, e Wanderléa, que ditava a moda da época, cantava ao vivo no programa Jovem Guarda, que ficou no ar da Rede Record entre 1965 e 1968. Eles formavam a chamada Turma da Matoso, o nome da rua na Tijuca onde se reuniam, e eram motivo de um fanatismo adolescente que deu a Roberto o apelido de "Rei da juventude". Naquele último ano, o trio estrelou o filme “Roberto Carlos em ritmo de aventura”, de Roberto Farias, onde o Rei interpretava ele mesmo e fugia de criminosos internacionais. A fórmula rendeu outras películas com o diretor, como “Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa” e “A 300 km por hora”.

Ao decidir seguir carreira solo, rompendo profissionalmente com Erasmo entre 1966 e 1977, Roberto Carlos se firma como cantor consagrado de músicas românticas, emplacando sucessos como “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, “Amada amante” e “Detalhes”. A última, eleita como a melhor canção de 1979 por 85 mil pessoas, em concurso promovido pelo programa Fantástico, da TV Globo. Em 1973, vendeu 820 mil unidades do LP "A Janela", firmando-se como o artista que mais vendia discos do Brasil, título que manteve por muitos anos, já que, em 1980, era tocado nas rádios brasileiras até 15 vezes por dia.

O primeiro “Especial Roberto Carlos”, show transmitido pela TV Globo no final do ano de 1974, se firmou como uma tradição da emissora, que reserva o horário nobre para uma apresentação do cantor desde então, sempre na época de festas. Em 2005, zarpa o cruzeiro “Emoções em alto mar”, projeto que tira o cantor da sua vizinhança da Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde costuma circular com sua Lamborghini, para apresentar shows navegantes ou em cidades estrangeiras, como Jerusalém e Las Vegas, em 2012 e 2014.

Na vida pessoal, o cantor não teve uma trajetória fácil. Aos seis anos, quando celebrava a festa de São Pedro, padroeiro de sua cidade, perdeu um pedaço da perna ao cair na linha do trem logo antes da passagem de uma locomotiva. Perdeu duas mulheres para o câncer, Nice Rossi, em 1990 — quando já era casado com a atriz Myriam Rios — e Maria Rita, em 1999.

Em 2015, travou uma intensa batalha judicial para proibir a biografia que o jornalista Paulo Cesar de Araújo escreveu sobre ele, ação que acabou ganhando. Suas superstições ficaram conhecidas pelo público, especialmente a de só usar as cores azul e branco na hora de se vestir. Em reportagem do GLOBO em 25 de setembro de 1988, ele esclarece ao cantor Léo Jaime, que o entrevistava:

— Eu posso não usar roupa marrom, mas não vou fazer trocar o carpete de um hotel por causa da cor. É mentira esse papo de que não posso ver nada marrom — explicou, comentando sobre um incidente em um hotel em Belém, quando um gerente mandou trocar tudo dessa tonalidade na decoração por ser uma suposta exigência do astro.

Na mesma ocasião, falou sobre o que o mantém motivado em sua carreira:

— Eu canto principalmente o amor, mas tem sempre alguma forma nova de falar do amor.
Ícone. Roberto Carlos, aos 25 anos, tocando na época da Jovem Guarda 

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