domingo, 16 de abril de 2017

A coluna de domingo do meu amigo Marcos Pires, no jornal Correio da Paraíba.

No banheiro
Marcos Pires 
Jornal Correio da Paraíba

Domingo passado fui a um bar que tem um banheiro enorme e absolutamente devassado. Impressionou-me a quantidade de homens que fazem o número um apoiando-se na parede, alguns deles colocando a testa naquela superfície. Por que fazem isso? Tem medo que a parede caia? Testam a lei da gravidade? Ao voltar para a mesa comentei o fato e assisti a um incrível debate “cientifico” sobre o tema banheiro.

Descobri inclusive que existe um estudo de pós-graduação analisando as frases escritas nos banheiros públicos, afora um conjunto de regras a serem seguidas quando utilizamos as tais casas de banho, como se diz em Portugal, ou o quartinho, como aprendemos na escola.

Das boas maneiras, algumas coisas logicas como não levar o celular ao W.C. porque os germes vão voltar com você e conviver no seu ouvido e boca por muito tempo. As amigas não sabiam que guardar maquiagem no banheiro junta bactérias que irão morar em batons, pós e blushs.

Uma história lembrada na mesa foi a do B. (a lenda viva do rock) no banheiro do aeroporto de Brasília. Ele entrou em uma das cabines com aquela maleta de rodinhas onde guardara documentos e grana, além da roupa para dois dias. Como bom matuto, tirou sapatos e meias, calças e cuecas e aliviou-se confortavelmente, até que ao final descobriu que não havia papel higiênico. Ainda sentado, entreabriu a porta, deu uma olhada e não havia ninguém no banheiro, de modo que ele saiu só de camisa do cubículo e foi até a pia pegar toalhas de papel, mas quando estava voltando a porta da cabine bateu e a trava fechou por dentro, isolando-o das preciosas calças, cueca e mala. A cena que se seguiu dá para ganhar um Oscar. Ele tentou voltar, passando por baixo, naquela abertura que algumas portas de banheiros têm, nu da cintura para baixo. Mas entalou devido à sua protuberante barriga, e até hoje eu continuo rindo a pensar nas pessoas que, ao entrarem no banheiro, encontraram aquela presepada.

Mas banheiro é cultura. Kay disse que a teoria da relatividade se torna de facílima compreensão; para quem está do lado de dentro do banheiro um minuto passa muito mais rápido do que para quem está do lado de fora, espremido na fila e esperando a vez.

E as frases? “Que a força esteja com você” é a minha favorita.

Mas também adoro aquela: “Que vida triste e desgraçada ser poeta de privada”.

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