sexta-feira, 31 de março de 2017

Venezuela é uma ditadura; e daí?
Clóvis Rossi
Folha de São Paulo

A virtual cassação da Assembleia Nacional da Venezuela pelo Tribunal Supremo de Justiça, na verdade um mero apêndice do Executivo, completa a derrubada da democracia. A Venezuela não pode ser chamada de outra coisa se não de ditadura. Ponto.

E daí? Há muito pouco o que se possa fazer a respeito.

Digamos que a OEA (Organização dos Estados Americanos) invoque a Carta Democrática, ao reconhecer que a Venezuela é uma ditadura. Mudaria alguma coisa? Nada, entre outros motivos porque o regime venezuelano é muito pouco sensível à pressão externa, como se admite no Itamaraty.

Prova-o o fato de que o governo tomou os poderes da Assembleia Nacional, transferindo-os para o TSJ, que ele controla totalmente, apenas 24 horas depois de a maioria dos países da OEA (20 em 34) terem aprovado documento em que pediam o reconhecimento da Assembleia Nacional como poder soberano.

É "um tapa na cara da OEA", como diz o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal.

O problema da Venezuela, de resto, não é apenas a virtual formalização de uma ditadura. É também o de um monumental fracasso administrativo, que jogou na miséria um dos países mais ricos do subcontinente.

Dados para demonstrá-lo: a economia declinou quase 26% nos últimos três anos, índice que nem países em guerra conseguem registrar.

A inflação passa de 500% e os níveis de pobreza crescem sem parar: pesquisa apresentada em fevereiro por três universidades mostrou que, pela primeira vez na história, 82% dos lares venezuelanos vivem em situação de pobreza.

"O país que era uma estrela na economia da região agora é um país em condições subsaarianas [a área mais pobre do mundo]", comenta Jason Marczak, diretor do Centro Latino-Americano do Atlantic Council.

A única –e frágil– expectativa de que algo possa ser feito está na declaração aprovada na OEA que pede "propostas concretas para definir um curso de ação que contribua para a identificação de soluções diplomáticas no prazo mais breve possível, na moldura institucional de nossa organização e por meio de consultas inclusivas com nossos Estados membros".

Restou, portanto, às instituições regionais apenas a retórica como arma contra uma nefanda e fracassada ditadura.

2 comentários:

Anônimo disse...

FOI UM TRINTA E UM DE MARÇO BOLIVARIANO!

Anônimo disse...

DERCY GONÇALVES VIVEU 100 ANOS.

VIU AS DITADURAS DO COMUNISMO, FASCISMO, NAZISMO, FRANQUISTA,GETULISTA, MILITAR 64.

E DIZIA QUE NEM A DITA DURA LHE DEU PRAZER!