terça-feira, 28 de março de 2017

Que venham as águas redentoras!

Estamos a caminho do 6º ano de seca
José Antônio
Gazeta do Alto Piranhas

Em 22 de março celebra-se o Dia Mundial da Água. Não há muito que festejar em várias partes do Brasil e em especial no Nordeste e mais ainda na Paraíba.

 A falta de chuvas e o esvaziamento de 78 reservatórios, no inicio deste ano, fez com que a Paraíba chegasse ao primeiro lugar no ranking dos estados nordestinos com o maior número de municípios que decretaram calamidade pública, já são 197 no total. No ano de 2012 foram 170 decretos.

Segundo a ANA (Agência Nacional das Águas) ao longo do período de 13 anos, o número destes episódios cresceu 409%. Neste mesmo intervalo, também aumentou a quantidade de municípios do país que decretaram emergência ou calamidade pública em decorrências das secas. O salto foi de 199%. Quem imaginaria que as cidades de São Paulo e Brasília, ao longo deste tempo, tivessem que impor à população o racionamento de água?

Vale salientar que a atual seca no Nordeste, desde o ano de 1961, é a pior, sem contarmos ainda com o ano de 2017, que leva a crer que será mais uma seca verde.

Até ontem (24 de janeiro), de acordo com a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), são 58 (do inicio de janeiro até hoje diminuíram vinte) reservatórios em situação crítica (menor que 5% do seu volume total), 38 em observação (menor que 20% do seu volume total) e 31 reservatórios com capacidade armazenada superior a 20% do total.

Fato que nos chama a atenção é de que no ano de 2016 choveu em Cajazeiras 945,4 mm, acima 66,9 mm da média histórica que é de 878,5 mm, enquanto desde o dia primeiro de janeiro até hoje só choveu 443,00 mm, quando em 2016, só no mês de março choveu 437,7 mm, mas a densidade destas chuvas, por terem sido finas, não possibilitou aumentar consideravelmente o volume dos açudes de nosso município.

No caso específico dos dois mananciais que abastecem a cidade de Cajazeiras: Engenheiro Ávidos, em 2016, no mês de abril acumulou 20.769.875 m³ (8,2%)  e Lagoa do Arroz 17.146.350 m³ (21,4%), enquanto este ano, até o dia 21/03 acumularam respectivamente 12.750.248 m³ (5%) e 9.409.302 m³ (11,7%). Estes números indicam uma diferença, somando-se os dois açudes para menor de 15.756.675 m³.

Segundo as previsões, não se tem perspectivas de ampliação das reservas de água nestes dois açudes, até porque os outros que se encontram acima de suas bacias estão também quase secos.  

De acordo com a meteorologista da USP, Elisa Siqueira, o país está passando por este evento climático que impulsionou o aumento do número de secas nos anos 2000, motivado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que levou uma massa de ar quente para o Nordeste afastando as chuvas da região. Fica a pergunta até quando? Porque pelo andar da carruagem vamos ter menos chuvas em nossa cidade do que em 2016.

Os 22 milhões de metros cúbicos armazenados nos açudes que abastecem Cajazeiras seriam suficientes até o próximo ano? É possível que sim, mas para resolver a situação de uma vez temos duas alternativas: de um bom inverno em 2018 e a esperança da retomada das obras da transposição do Velho Chico, no Eixo Norte, o que já é uma realidade para as cidades que estão sendo banhadas pelas obras do Eixo Leste e com a esperança de que a vazão autorizada atualmente de 26,4 m³ por segundo passe para 127 m³/s  que é a vazão máxima que poderá ser captada quando o rio estiver cheio.

Ver a água singrar o sertão, seja ela pelas forças do céu com as chuvas, ou pelas da terra, captadas no leito do São Francisco é motivo de alegria de todo sertanejo.

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