segunda-feira, 27 de março de 2017

Eu, mulher preta, cansei da Esquerda
Patrícia Silva
Instituto Liberal
Moeda comemorativa para o aniversário da Casa da Moeda dos Estados Unidos. Ela retrata a liberdade como uma mulher negra. Foi criada para retratar a liberdade alegórica em uma variedade de formas contemporâneas para refletir a diversidade cultural étnica dos Estados Unidos.

Cansei. Cansei de ouvir pessoas dizerem o que eu tenho que fazer, o que e como eu tenho que pensar, com quem devo me associar e quais ideias devo seguir.

Cansei de ouvir militantes do movimento negro dizerem como meu cabelo deve ser. “Não alise seus cabelos!”, eles disseram. Cansei!

Cansei de ouvir feministas dizerem que mulher pode ser o que ela quiser, menos se declarar não feminista. Aparentemente, você, mulher, é obrigada a ser feminista. Sua cabeça, minhas regras.

Deus, como estou cansada!

Cansei de ouvir socialistas/comunistas classificarem como alienados ou ignorantes todos os pobres, negros e gays que não são alinhados à esquerda do espectro político. Na visão vitimista desses seres iluminados, somente o combo “homem-branco-heterossexual-classe média-morador do Leblon” pode querer ser o que quiser. Será que não percebem a incoerência nisso? Será que não percebem que essa massacrante rotulação é só mais uma forma de opressão do livre pensar? Aliás, quem eles pensam que são para determinar o que outros indivíduos devem pensar?

Cansei. Estou farta da patrulha ideológica. Desejo que você possa pensar de forma livre. Desejo que você possa ser o que quiser. Use e abuse da sua individualidade. Seja livre!

Desejo que, em nome da liberdade individual, respeitemos todos os pensamentos e todos os indivíduos.

E eu desejo isso porque me inspiro em Ayn Rand, que disse: “A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias.”

E digo ainda: grito que cansei inspirada no jornalista e escritor brasileiro Luiz Gama: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa.”

Entenda: ser liberal não é gostar de todas as escolhas das pessoas, mas entender que não é porque eu não as aprovo que eu tenho o direito de proibi-las.

É como já disse a fantástica escritora Clarice Lispector em sua obra “Água Viva” (1973): “escuta: eu não te deixo ser, deixa-me ser então”.

Sobre a autora: Patrícia Silva é Doutora em Educação pela UFF com realização de estágio doutoral na Ohio University. Trabalha como Pedagoga na Escola de Serviço Social da UFRJ. É uma das administradoras da Libertas, página do Facebook que tem como objetivo a apresentação de estudos sobre o liberalismo na educação e os ideais de liberdade.

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