sábado, 25 de março de 2017

ENCURRALADOS
LENA GUIMARÃES

O PT, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff e seus aliados sempre apontaram para o juiz Sérgio Moro, mas quem reuniu as provas que podem destruí-los foi um paraibano de Catolé do Rocha, que chegou ao STJ em 2006 depois de fazer carreira no Ministério Público de São Paulo, e agora está no TSE: o ministro Herman Benjamin.

Relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pela prática de abuso de poder político e econômico na campanha de 2014, Herman Benjamin ouviu os delatores da Odebrecht que contaram quanto doaram – R$ 150 milhões só no ano eleitoral -, em troca do que, e a pedido de quem.

A ação está na fase de alegações finais, mas Herman Benjamin já enviou relatório parcial, com 1.032 páginas, aos demais ministros do TSE, a quem também deu acesso as provas - depoimentos integrais, quebra de sigilos e perícias – para que conheçam profundamente o caso.

Com tantos tendo acesso, o sigilo não resistiu. O site “Antagonista” publicou o depoimento de Marcelo Odebrecht a Herman Benjamin que coloca por terra a tese de que Dilma Rousseff não sabia de nada, de que não negociou ou recebeu dinheiro sujo, assim como o discurso de Lula.

O depoimento é demolidor. Marcelo diz que R$ 50 milhões dos R$ 150 milhões que entregou para a campanha, foram contrapartida pela aprovação de uma lei em 2009 – a MP 470. O dinheiro seria para a campanha de 2010, mas ficou para a de 2014; que recebeu de Dilma instruções sobre pagamentos e que seu interlocutor primeiro foi Palocci e depois Guido Mantega; que Palocci foi indicado por Lula.

Palavras de Marcelo: “Eu falei com ela (Dilma)... olha, Presidente, em 2010, 2009, em 2010, eu falei: Presidente, tudo eu estou tratando com o Palocci, era o meu combinado com o Lula, tá ok? Ela falou: Tá ok’.”

A ex-presidente divulgou nota rotulando declarações de “levianas”. Sobre o jantar com Michel Temer, Marcelo e seu diretor Claudio Melo Filho esclareceram que não trataram de dinheiro com o então vice-presidente, mas com Eliseu Padilha, para apoio a candidatos do PMDB.

Se os olhos estavam voltados para Edson Fachin, o relator da Lava Jato, agora estão em Herman Benjamin, o paraibano que além de expor os “mitos” da política, pode levar o País a uma eleição antecipada.

TORPEDO
"O Brasil precisa de uma reforma política urgente, mas é preciso que a sociedade esteja atenta para cobrar do Congresso o que deve ser mudado. Não pode vir para piorar o que já está ruim. Por exemplo: o voto em lista fechada, que só favorece político que quer se esconder do eleitor."

Do presidente estadual do PSDB, Ruy Carneiro, sobre a proposta que tira do eleitor o direito de votar em nomes para votar em partidos.

Terceirização
Advogado e de família com tradição no Direito, o vereador Lucas de Brito (PSL) apoiou a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar a terceirização do trabalho. Entende que vai estimular criação de empregos.

Quem fez
Lucas criticou os que se posicionaram contra. Lembrou que foi no governo de Dilma que foi criada a Ebseh, que faz a gestão de hospitais públicos no país, e que Ricardo Coutinho terceirizou o Hospital de Trauma.

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