sábado, 4 de março de 2017

É DO NORDESTINO
LENA GUIMARÃES
CorreiodaParaíba

É comum na política, quando adversário assume governo e recebe uma grande obra em andamento, reduzir seu ritmo para quando inaugurá-la ninguém discutir seu mérito. Pressionado pela possibilidade de colapso no abastecimento de mais de um milhão de paraibanos enfrentando o 5° ano consecutivo de seca, Michel Temer fez o contrário com a transposição do São Francisco: agilizou.

Por esse compromisso, Temer deveria ser reconhecido, mas os interesses políticos estão incentivando um debate insano sobre a paternidade da obra, que é importantíssima para o Nordeste, e que deveria ser festejada por todos, independente da cor partidária, por ser fundamental para o desenvolvimento econômico e social da região.

O deputado Anísio Maia (PT) critica o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) por colocar vídeos mostrando a evolução das águas nas redes sociais e o governador Geraldo Alckmin por visitá-la. E dispara: “Vemos hoje um festival de papagaios de pirata. Políticos que nunca bateram um prego numa barra de sabão pela transposição querem agora aparecer como seus maiores defensores. Só faltam levar uma colher de pedreiro para sentar o último tijolo da obra”.

Diz que “Foi Lula”. E foi mesmo. Mas recebeu um projeto bem adiantado. O Dnocs entregou sua proposta ao general-presidente João Figueiredo, Itamar Franco fez os estudos complementares, FHC decidiu o modelo dos Eixos Leste e Oeste e Lula comprou todas as brigas possíveis com políticos e ambientalistas, e iniciou a transposição, que deveria ter sido inaugurada em 2012, 2013, 2015... por Dilma Rousseff, mas será na próxima quinta-feira, quase 10 anos após seu início, por Temer.

A bem da verdade, antes de iniciada essa polêmica, Cássio fez, em 9 de fevereiro, pronunciamento da Mesa do Senado sobre a transposição, e destacou“a importância fundamental, a coragem e a determinação política” do ex-presidente Lula.Registrei neste espaço.

Está certo o senador José Maranhão quando diz que esse debate é coisa do passado, e que “essa obra é muito grande para pertencer a uma só pessoa”, embora reserve para Lula galardão especial.

Após 170 anos de espera, todos deveriam comemorar, juntos, pois a transposição vaimudar o Nordeste. Lamentavelmente, alguns se preocupam mais com seu poder eleitoral e com quem vai se beneficiar dele.

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