terça-feira, 28 de março de 2017


A Fundação Perseu Abramo, criada pelo Partido dos Trabalhadores, realizou uma pesquisa acerca das percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo (segue o link: http://novo.fpabramo.org.br/…/fi…/Pesquisa-Periferia-FPA.pdf). Eu sinceramente não poderia imaginar um resultado tão maravilhoso. Resta evidenciado, mais uma vez, o que liberais e conservadores já sabem: o povo é essencialmente capitalista e valoriza as características essenciais desse sistema, como competitividade, mérito, individualidade e apreço pela iniciativa privada, enquanto rechaça visões coletivistas baseadas numa suposta "luta de classes". Transcrevo alguns dos pontos que melhor traduzem o pensamento dos entrevistados:

- "A cisão entre classe trabalhadora e burguesia também não perpassa pelo imaginário dos entrevistados - trabalhador e patrão são diferentes, mas não existe no discurso relação de exploração: um precisa do outro, estão no 'mesmo barco'."

- "Neste contexto, o inimigo é o Estado: Para os entrevistados, o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital e trabalho, entre corporações e trabalhadores. O grande confronto se dá entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes. Todos são ‘vítimas’ do Estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou “sufocar” a atividade das empresas."
- "Querem ter sua singularidade e valores reconhecidos dentro da competitividade capitalista, mostrando que, apesar das limitações impostas pela condição social, também são capazes. Rejeitam homogeneizações, não querem ser tratados como 'massa amorfa' incapaz: 'os pobres'."

- "A supervalorização do mérito encontra seu lugar: Para ser alguém na vida são necessários trabalho e esforço."

- "Sobrevalorização do mercado em detrimento do Estado: Há pouca valorização do público, tanto que quando podem acessar, querem colocar filho na escola particular, ou pagar convênio médico. A política pública, em alguns casos, pode ser lida como uma desvalorização individual (p. ex. cotas). Os ideais comunitários e coletivistas praticamente não aparecem nas narrativas e, quando aparecem, restringem-se à dimensão da família, da vizinhança e da igreja."

- "Há solidariedade com os empresários: Muitos assumem o discurso propagado pela elite e pelas classes médias apontando a burocracia e os altos impostos como empecilho para o empreendedorismo." (Aqui fica claro que os entrevistadores não se contentaram com a resposta dada e tiveram que apelar pro jargão idiota de sempre: o de que os mais pobres pensam dessa forma por engolirem um suposto discurso propagado pelas elites e blá blá blá. Na verdade, o que faz os entrevistados terem essa opinião é o simples fato de observarem a realidade como ela é, sem tentar distorcê-la com apelos ideológicos fajutos. Isso apenas demonstra o quanto o discurso da esquerda está distante da realidade nas periferias, sempre tratando o pobre como um ser desprovido de senso crítico que é manipulado por uma elite malvadona. Que preguiça...).

- "Escola é ferramenta de mobilidade social: é a chave de acesso para ser 'alguém na vida', é o primeiro passo numa trajetória linear: se tem acesso ao estudo, vai bem na escola e consegue um diploma, logo, conquistará um bom emprego, poderá acessar o consumo e terá um 'lugar no mundo'."

- "Entendem a escola particular como melhor: grande maioria almeja colocar os filhos em escola particular - demonstrando, mais uma vez, uma descrença na 'coisa pública'."

O que podemos depreender de tudo isso: o discurso defasado de luta de classes, de exploração por parte do empregador, de ódio ao capitalismo, ao mérito, ao empresário e ao mercado não passa de um delírio que só continua existindo na cabeça dos ditos intelectuais e estudantes de universidades federais. Na vida real, as pessoas não dão a mínima pra esse discurso que é pura distorção.

É muito bom saber que balelas marxistas não conquistaram por completo o imaginário popular. Ao que tudo indica, o brasileiro médio é mesmo liberal e tem perfeita noção de que o mercado é muito mais eficiente que o Estado; não enxerga o empregador como explorador, mas sim como alguém que lhe dá emprego; sabe que quem dificulta o acesso ao trabalho é o Estado através de regulamentações e burocracias desnecessárias; e compreende que buscar seu lugar no mundo por mérito próprio é o que existe de mais digno na vida.

Quem gosta de glamourizar e romantizar miséria é intelectual que vive no luxo, mas não quer que tantas outras pessoas vivam da mesma forma. Quem não dispõe de boa condição financeira quer mesmo é consumir, crescer por mérito próprio, construir riqueza, deixar uma boa herança para os filhos e usufruir de um elevado padrão de vida. O cara que é pobre não é e nunca foi inimigo do capitalismo. Pelo contrário: se mostra mais capitalista do que nunca!

E isso é só o começo. A liberdade vem com tudo!

Um comentário:

Anônimo disse...

AQUELE CARNAVALESCO JÁ DIZIA:

QUEM GOSTA DE POBREZA É INTELECTUAL DE ESQUERDA.