sexta-feira, 31 de março de 2017

Vai vendo...

Cabral delata juízes, desembargados e membros do MP: ao todo, 97!
A Lista de Janot vem causando movimentos sísmicos na política? Pois esperem para ver a “Lista de Cabral”!!! A terra pode tremer de verdade.
Reinaldo Azevedo
Veja.com

Segundo quem está por dentro do assunto e não costuma errar, neste exato momento, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, está fazendo o primeiro depoimento de sua delação premiada.

A julgar pelo procedimento adotado pela moral profunda da Lava Jato, o prêmio de Cabral será gigantesco, né?, já que o Paradigma Sérgio Machado prova que quanto mais bandido, mais benefícios se recebem.

Conhecem aquela piada do tenor que, coitado, arrancava as últimas reservas de ar de pulmões já cansados, sob uma intensa vaia da plateia?

O homem se cansou da humilhação e dos tomates e disse, no palco do Scala, de Milão: “Aspetta il barítono!!!”. Em tradução livre: “Ah, tão me achando ruim, né? Esperem o barítono”.

A Lista de Janot vem causando movimentos sísmicos desagradáveis na política? Pois esperem para ver a “Lista de Cabral”!!! A terra pode tremer de verdade. Escombros à vista!

Quem tem acesso a coisa assegura que ela inclui 97 nomes — 97!!! — de juízes, desembargadores e membros do Ministério Público”.

A coisa vai ser feia. Como já resta claro a esta altura, existiu o petrolão, sob o comando de uma verdadeira organização criminosa, com a sua devida hierarquia, e havia o “esquema do Rio”. Ali, Cabral conseguiu, vamos dizer, a sua independência. Ele chefiava uma espécie de enclave dentro do esquema geral.
Venezuela é uma ditadura; e daí?
Clóvis Rossi
Folha de São Paulo

A virtual cassação da Assembleia Nacional da Venezuela pelo Tribunal Supremo de Justiça, na verdade um mero apêndice do Executivo, completa a derrubada da democracia. A Venezuela não pode ser chamada de outra coisa se não de ditadura. Ponto.

E daí? Há muito pouco o que se possa fazer a respeito.

Digamos que a OEA (Organização dos Estados Americanos) invoque a Carta Democrática, ao reconhecer que a Venezuela é uma ditadura. Mudaria alguma coisa? Nada, entre outros motivos porque o regime venezuelano é muito pouco sensível à pressão externa, como se admite no Itamaraty.

Prova-o o fato de que o governo tomou os poderes da Assembleia Nacional, transferindo-os para o TSJ, que ele controla totalmente, apenas 24 horas depois de a maioria dos países da OEA (20 em 34) terem aprovado documento em que pediam o reconhecimento da Assembleia Nacional como poder soberano.

É "um tapa na cara da OEA", como diz o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal.

O problema da Venezuela, de resto, não é apenas a virtual formalização de uma ditadura. É também o de um monumental fracasso administrativo, que jogou na miséria um dos países mais ricos do subcontinente.

Dados para demonstrá-lo: a economia declinou quase 26% nos últimos três anos, índice que nem países em guerra conseguem registrar.

A inflação passa de 500% e os níveis de pobreza crescem sem parar: pesquisa apresentada em fevereiro por três universidades mostrou que, pela primeira vez na história, 82% dos lares venezuelanos vivem em situação de pobreza.

"O país que era uma estrela na economia da região agora é um país em condições subsaarianas [a área mais pobre do mundo]", comenta Jason Marczak, diretor do Centro Latino-Americano do Atlantic Council.

A única –e frágil– expectativa de que algo possa ser feito está na declaração aprovada na OEA que pede "propostas concretas para definir um curso de ação que contribua para a identificação de soluções diplomáticas no prazo mais breve possível, na moldura institucional de nossa organização e por meio de consultas inclusivas com nossos Estados membros".

Restou, portanto, às instituições regionais apenas a retórica como arma contra uma nefanda e fracassada ditadura.

E tem áudio e tudo...Confira.

TJDF-PB APROVA PEDIDO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE SUPOSTO ESQUEMA DE COMPRA DE RESULTADOS
CorreiodaParaíba

O que antes era apenas um áudio compartilhado através de redes sociais, divulgando um suposto esquema de compra de arbitragem na Paraíba, acabou dominando a pauta do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB) esta semana. Após o pedido de instauração de inquérito assinalado pelo procurador do órgão, Marinaldo Barros, o presidente Lionaldo Santos Silva deferiu a referida solicitação e agora, as declarações do zagueiro Walter (ex-Belo) se transformaram em ponto chave para uma investigação.

No documento divulgado pelo Tribunal, o presidente intimou o próprio Botafogo Futebol Clube, o seu vice-presidente de futebol Breno Morais, o ex-zagueiro Walter e o árbitro João Bosco Sátyro para prestarem esclarecimentos sobre o caso denunciado pelo jogador. O defensor, que hoje atua no futebol paulista pela equipe do Rio Claro, dará o seu depoimento no Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, a pedido de Lionaldo à corte paulista.

A gravação, onde supostamente Walter denuncia um esquema de compra de resultados por parte do Botafogo, através da arbitragem paraibana, ganhou repercussão através do aplicativo WhatsApp nas últimas semanas.

A partida citada no áudio é referente ao Campeonato Paraibano 2015, envolvendo Botafogo e Auto Esporte. Na ocasião, o Belo venceu por 3 a 1 e na gravação, supostamente o zagueiro Walter conta que Breno Morais entrou no vestiário e avisou para os jogadores que o árbitro (João Bosco Sátyro) já havia recebido uma quantia para favorecer o Alvinegro da Estrela Vermelha com a vitória, marcando pênaltis.

A auditora Nilza Carolina Albuquerque Barreto foi designada como relatora e agora, terá um prazo de 15 dias para conduzir os trabalhos.

Dando um 'baculejo' na bolsa alheia...

Mulher furta toda aposentadoria de idosa dentro de loja em Cajazeiras
AngeloLima
foto da suspeita fornecida pela PM

Uma mulher foi vítima de um furto na manhã desta quinta-feira (30) em uma loja de roupas no centro de Cajazeiras. A idosa tinha acabado de entrar na loja onde passou a olhar as mercadorias, quando a mulher parou ao lado da vítima e fingiu estar olhando os objetos da loja abriu a bolsa e furtou toda aposentadoria da vítima.

Após o furto a mulher saiu da loja tranquilamente. O crime só foi percebido quando funcionárias verificaram as câmeras de segurança.

Segundo o policial que atendeu a ocorrência este tipo de delito está se repetindo há algum tempo e os criminosos agem sempre de olho em vítimas displicentes. "Principalmente mulheres e pessoas idosas. Também pessoas que saem de bancos ou lojas e, principalmente que usam mochila nas costas o que não é o ideal, porque a pessoa não percebe que a bolsa foi aberta", disse o Cabo Jota Vasconcelos.

O caso foi registrado na delegacia de Cajazeiras, onde será investigado pela delegacia de roubos e furtos.

Quem sabe o dinheiro da previdência não surge assim...

NEM COM MÁGICA
DiáriodoPoder
Nos anos 1940, o mágico Petrovsky chegou a Araxá (MG) para um show e foi logo pedir patrocínio ao prefeito José Adolfo de Aguiar, conhecido pão duro. O prefeito chamou o tesoureiro e mandou abrir o cofre na frente do mágico:

- Pode se servir à vontade.

- Mas o cofre está vazio, prefeito... – respondeu o homem, intrigado.

- Uai, o senhor não é mágico? Faça aparecer o dinheiro, ora essa!

O mágico foi embora sem fazer o show.

Câmera flagra a avó de Neymar sendo agredida...Vejam.

Do grupo Estresse Zero, no WhatsApp
CláudioHumberto

Preso há quatro meses no complexo penitenciário de Bangu, o ex-governador do fluminense Sérgio Cabral está inconformado com as sucessivas derrotas na Justiça, que lhe negou todas as tentativas de habeas corpus ou de prisão domiciliar. Ele ficou também “revoltado” porque amigos magistrados não se mobilizaram para soltá-lo. Por isso Cabral autorizou o início de tratativas para um eventual acordo de delação premiada para contar “tudo o que sabe” sobre a magistratura.

Ainda não ficou claro se Cabral admite restringir sua delação à Justiça do Rio de Janeiro. As negociações estão apenas no início.

A ideia de delatar a Justiça era o “plano B” de Sérgio Cabral, após receber um “não” como resposta à sua disposição de fazer acordo.

Sérgio Cabral acha que não será absolvido, segundo interlocutores, e que somente um acordo de delação o pouparia de uma longa sentença.

A intenção de investigar setores da Justiça caiu como uma bomba entre magistrados e em escritórios de criminalistas bem posicionados.

Vai vendo...

Suprema Corte da Venezuela assume as funções do Legislativo
Folha de São Paulo

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, máxima instituição do Judiciário e controlado pelo chavismo, assumiu nesta quinta-feira (30) as funções da Assembleia Nacional. A decisão, classificada pela oposição de "golpe de Estado", agravou a crise política no país.

Desde o início de 2016, a Justiça venezuelana considera que o Legislativo, sob controle da oposição, age em desacato à Constituição por ter juramentado três deputados do Estado de Amazonas acusados de fraude eleitoral. Embora a Câmara tenha exonerado os parlamentares posteriormente, o TSJ diz que o ato não foi formalizado.

Os três legisladores eram importantes porque, com eles, a oposição tinha a maioria qualificada de 112 das 167 cadeiras da Casa (dois terços). Isso permitiria aprovar emendas à Constituição, mudar leis orgânicas, como a de controle de preços, e inclusive remover a cúpula do próprio TSJ.

"Enquanto persistir a situação de desacato e invalidez das ações da Assembleia Nacional, esta Sala Constitucional garantirá que as competências parlamentares sejam exercidas diretamente por esta sala ou pelo órgão que ela definir, a fim de preservar o Estado de Direito", diz sentença publicada pelo TSJ na noite de quarta (29).

Na prática, isso significa que, por um prazo indeterminado, o tribunal pode escrever as próprias leis ou indicar um órgão que passe a legislar no lugar da Assembleia.

O gesto ocorre dois dias depois de o TSJ retirar a imunidade dos congressistas e autorizar o governo do presidente Nicolás Maduro a processar opositores por crimes militares e de terrorismo.

Opositores protestaram diante do TSJ e entraram em confronto com a polícia. Em outros pontos de Caracas, manifestantes bloquearam rodovias. Não foi divulgado se houve feridos nesses atos.

O presidente do Legislativo, Julio Borges, declarou que a decisão é um "golpe de Estado" e dá a Maduro "poder de fazer o que quiser".

Borges também pediu que as Forças Armadas reajam e convocou manifestações para o sábado (1º)."Esperamos que o povo nos acompanhe. Sabemos que há medo e repressão, mas este é o momento para nos levantarmos. A Venezuela tem fome de comida, justiça e liberdade."

O governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) considera a sentença necessária para "preservar o Estado de Direito ante o desacato do Legislativo".

O deputado Diosdado Cabello, número dois do chavismo, atacou os "lacaios da direita e o imperialismo norte-americano" que, para ele, pedem uma intervenção militar. Maduro não se manifestou até o momento.

REUNIÃO DA OEA
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, classificou de "autogolpe" a decisão do TSJ e convocou reunião urgente do Conselho Permanente da organização.

"As sentenças da Suprema Corte são os últimos golpes com que o regime subverte a ordem constitucional. Aquilo que vínhamos advertindo infelizmente se concretizou."

Na terça (28), os membros da OEA se reuniram em Washington, após pedidos de Almagro e da oposição venezuelana, para discutir a suspensão do país por violar a Carta Democrática Interamericana.

O encontro terminou sem acordo, mas 20 países, inclusive o Brasil, assinaram declaração na qual expressaram "preocupação" com a crise e reconheceram a autoridade da Assembleia. Os chavistas comemoraram a falta de quórum para uma punição.

Desde que comanda a Assembleia, a oposição tenta antecipar as eleições presidenciais, marcadas para o final de 2018. O primeiro recurso foi tentar convocar um referendo que revogaria o mandato de Maduro, mecanismo previsto na Constituição.

Em outubro, porém, a Justiça bloqueou o processo para a consulta, impedindo que houvesse a votação antes de 10 de janeiro, quando o presidente chegou a dois terços de seus seis anos de mandato. A partir daí, se Maduro fosse derrubado, quem assumiria é seu vice, hoje o chavista radical Tareck el-Aissami.

Eleições locais, que deveriam ter ocorrido em dezembro, também foram adiadas duas vezes: uma em outubro, sob a justificativa de falta de verba, e outra em fevereiro, para recadastramento de partidos.
CONTRAPONTO
Na Coluna Painel - Folha

No compasso da desilusão…

Preso político em 1975, o jornalista e escritor Rodolfo Konder (1938-2014) foi testemunha, durante o regime militar, do assassinato sob tortura de Vladimir Herzog nas dependências do DOI-Codi, na cidade de São Paulo.

Militante do PCB, duas vezes esteve no exílio. Konder deixou o partidão em 1987 e, para surpresa de alguns indignação de outros, em 1993, aceitou ser secretário de Cultura do então prefeito Paulo Maluf.

Questionado sobre a mudança de trajetória, disse:

— Antigamente, pensava que conseguiria mudar o mundo. Depois, que conseguiria mudar o Brasil. Hoje, fico feliz por conseguir colocar minhas meias.
Cabral negocia delação premiada com a Procuradoria-Geral da República
Fontes afirmaram que o trato com o ex-governador do Rio de Janeiro pode afetar integrantes do Judiciário e do Ministério Público
Metrópoles

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), que está preso, negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Fontes afirmaram que a decisão pode afetar integrantes do Judiciário e do Ministério Público. As informações são do Valor Econômico.

O ex-chefe do Executivo fluminense cumpre pena no Presídio Bangu 8, no Rio de Janeiro, desde novembro passado. Ele é alvo da Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato. A Calicute revelou o esquema de cobrança de propina em obras durante a gestão de Sergio Cabral no Governo do Rio de Janeiro, entre 2007 e 2014. O ex-governador é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

Além de Cabral, outros políticos e empresários do Rio citados em investigações têm procurado o MPF para negociar acordos e evitar a prisão. No caso do ex-governador, as conversas estão na fase de elaboração de anexos, na qual ele apresenta a procuradores os fatos que está disposto a contar, divididos em capítulos. Cada anexo traz um resumo das pessoas a serem delatadas e dos relatos a serem feitos.

O material, posteriormente, é avaliado pelo Ministério Público, que decide se os dados são ou não relevantes o bastante para fechar o acordo de colaboração e conceder benefícios ao delator.
Josias de Souza
Quando o PT vem com o milho da promessa de barulho no depoimento de Lula em Curitiba, Sergio Moro já está voltando com o milho da condenação de Eduardo Cunha. Trinta e quatro dias antes do interrogatório do pajé da tribo petista, marcado para 3 de maio, o juiz da Lava Jato esvaziou o discurso da perseguição política levando à bandeja o escalpo de Cunha, um ex-aliado que o petismo expõe no seu mostruário como protótipo de vilão.

Cunha é uma espécie de degrau que leva Moro a Lula. Na sentença do ex-mandachuva da Câmara, o algoz da oligarquia política anotou a senha: ''A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele depositou para obter ganho próprio.''

Se é condenável usurpar a confiança do eleitor a partir de um mandato parlamentar, imagine-se a gravidade da ofensa praticada por alguém que planta bananeira na poltrona de presidente da República. Cunha amargou 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula deve arrostar cana mais amena, sem o castigo pela evasão de divisas.

Ao preparar as manifestações que gritarão na porta da Justiça Federal de Curitiba que Lula é o “heroi do povo brasileiro”, o PT e os movimentos sociais tentam atrair Sergio Moro para uma briga de rua. Ao condenar Cunha antes de espremer Lula, o magistrado de Curitiba informa que prefere jogar xadrez. A condenação do rival do petismo é prenúncio da sentença do ex-mito do PT.

A bem ilustrativa capa do jornal Estado de Minas


No jornal Lance: Fogão vence e convence


As manchetes do jornal Correio Braziliense


Na capa d'O Globo


PF deflagra 3ª fase da Operação Research e cumpre 20 mandados
Estadão Conteúdo

A Policia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 31, em conjunto a Controladoria Geral da União e ao Tribunal de Contas da União, a terceira fase da Operação Research que apura o desvio de R$ 7,3 mi da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

Em nota, a PF informou que 48 policiais federais e auditores dos dois órgãos de controle estão cumprindo 19 mandados de condução coercitiva e um mandado de busca e apreensão. A operação está ocorrendo nas cidades de Curitiba, São José dos Pinhais (PR), Campo Grande, Corumbá (MS) e Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Esta etapa da investigação tem como objetivo o rastreamento do destino dos recursos públicos creditados nas contas dos falsos bolsistas, identificando outros possíveis beneficiários. A ação também visa apurar o envolvimento de empresa fornecedora de produtos para a UFPR.

As manchetes de jornais brasileiros nesta sexta-feira

Folha: Na Lava Jato Moro condena Cunha a 15 anos de prisão

Globo:  Moro condena Cunha, e PP pode ter de devolver R$ 2,3 bi

Extra: A nova vítima da velha guerra

Estadão: Lava Jato abre ofensiva contra partidos e cobra R$ 2,3 bilhões do PP

ValorEconômico: Eike negocia acordo de delação premiada com o MPF do Rio

ZeroHora: Eduardo Cunha é condenado a 15 anos de prisão na Lava-Jato

EstadodeMinas: Sem foro é Moro

CorreioBraziliense: Governo reduz os juros de empréstimos a servidores

- CorreiodaBahia: Medo de febre amarela gera corrida aos postos

- JornaldoCommercio: Lava Jato inicia pelo PP o cerco a partidos

DiáriodoNordeste: Empréstimo consignado terá juros mais baixos

CorreiodaParaíba: Caem os juros do consignado

quinta-feira, 30 de março de 2017

Quer saber de onde vem a propina? Para explicar, Marcos Diniz dá uma 'cajazeirada' no tema.

De onde vem a propina?
Marcos Diniz

Candeeiristas e Candeirados,

O SetecandeeiroscajáCultura, tira sempre do ócio meu lado PPN (Pesquisador de Porra Nenhuma).

Lendo agorinha postagem sobre um Bilhão do Italiano [Antônio Palocci, do PT] em contas hoje nem tão secretas no exterior, me veio a ideia de verificar de onde vem a palavra PROPINA.

Muito se ouve falar atualmente em "propina". Há até o substantivo chamado "propinoduto" dos oleodutos da Petrobras.
Consultei um manual gramatical ministerial que comprei por um real, que me é de grande valia nas pesquisas de leriados e ,vejam o incêndio gramatical que encontrei.

A junção do verbo grego pinó (significa beber, viu Carlim de Ioiô?) com o prefixo pro formaram o termo propinó, que expressava o gesto de oferecer um copo de birita (quem é gente fina oferece vinho, uísque, contreau) a alguém que tivesse se saído bem numa prestação de serviço.

Saindo do óbvio ululante, como diria o "Anjo Pornográfico", Nelson Rodrigues, atravessei para o latim vulgar (digo, o de cachorro) arranhado nas aulas de Padre Vicente. Descobri a palavra GURGUIS, que tem a mesma origem de propina ou seja é um digamos... brinde.

Transformada no português arcaico em "gorja" (garganta) e para quem interessar, está lá nas páginas de O Guarani de José de Alencar, livro que li, indicado como leitura obrigatória do vestibular (quando fiz ainda se chamava assim) em janeiro de 1975.

A tal palavra dita em bom Cajazerês é GROJA. Por sinal muito bem aceita por Corrozim, Queixo-Fino, Caveirinha, Jacaré, Chorão e outros. Nada mais era que um agrado para molhar a gorja (garganta) e o atendimento ser de "primeiro mundo" nas baladas tenisclubianas dos anos 70.

No meio desse miolo de pote todo, lembrei que, quando menino, ouvia os mais velhos dizerem:
- EITA DIACHO O GURGUI TÁ ACABANDO COM O FEIJÃO!

Será que é por isso que os caba comem tanto "inxu"?

mARCOS dNZ

"Danaram' a Janete de lá na cadeia!

Após impeachment, ex-presidente Park Geun-hye é presa na Coreia do Sul
Folha de São Paulo
A ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye chega à Corte Distrital Central de Seul nesta sexta (31)

A ex-presidente da Coreia do Sul Park Geun-hye foi presa nesta quinta-feira (30), manhã de sexta-feira (31) na Coreia do Sul, após sofrer impeachment. Ela é suspeita de ter atuado com uma amiga para subornar grandes conglomerados empresariais.

"É reconhecido que existe uma razão e necessidade para a prisão já que as principais acusações foram verificadas e há um risco de que evidências sejam destruídas", afirmou a Corte Distrital Central de Seul, em um comunicado. Com o mandado, Park pode ficar detida por até 20 dias, pois ainda não foi condenada.

A sessão da corte que analisou o pedido de prisão feito pelo Ministério Público sul-coreano durou oito horas e 40 minutos, a mais longa do tipo na história do país. À corte, Park novamente negou ter atuado para subornar empresas e disse que não representa risco à investigação, pois não tentaria fugir nem destruir provas.

Ela foi levada para uma penitenciária em Uiwang, na província de Gyeonggi, a 24 km de Seul, onde também está Choi Soon-sil, a amiga acusada de extorquir doações de conglomerados como Samsung e LG, além de interferir em decisões do governo sem possuir um cargo oficial.

Além de Park e Choi, assessores presidenciais e o líder do Grupo Samsung, Lee Jae-yong, também estão presos e aguardam julgamento.

A investigação concluiu que Park obteve uma soma de quase US$ 70 milhões de conglomerados empresariais para duas fundações controladas por Choi em troca de favores políticos. A Samsung, por exemplo, é acusada de pagar propina em troca da aprovação do governo de Park da fusão de duas afiliadas, em 2015.

Park alega que as empresas doaram voluntariamente o dinheiro e afirmou desconhecer qualquer atividade ilegal de Choi ou de assessores. Ela é a terceira presidente sul-coreana a ir para a prisão —nos anos 1990, Roh Tae-woo e Chun Doo-hwan foram presos por participação em um golpe de Estado em 1979.

A ex-presidente pode ser condenada à prisão perpétua se for considerada culpada de ter aceitado suborno, a mais grave das acusações contra ela. Outras incluem ter permitido que sua amiga Choi interferisse em assuntos de Estado e a ação do governo no naufrágio da balsa Sewol, que matou 250 estudantes em 2014. Pais de vítimas e a população consideram que Park não fez o suficiente após a tragédia.
ANCELMO GOIS
O Globo

Todo mundo é inocente até prova em contrário. Mas quem acompanha a vida política fluminense não se surpreendeu com a condução coercitiva de Picciani e a prisão de cinco conselheiros do TCE.

É somente uma constatação.
Picciani

Pois é. "A previdência é deficitária porque não cobra dos grandes devedores..."

Exclusivo: PT deve quase 10 milhões de reais à Previdência
O Antagonista

Petistas foram para cima do relador da PEC da Previdência, Arthur Maia, em razão de uma dívida de 150 mil reais com a Previdência que o deputado diz já ter resolvido, referente a um posto de gasolina pertencente a ele no interior da Bahia.

Mas, ora, o PT acumula uma dívida, ainda em aberto, de quase 10 milhões de reais com a Previdência.

E a terceirização, heim? Diga um direito que vai ser retirado. O petista não consegue dizer mesmo! Vejam.

A honestidade já começa pelo nome...

Enviada por Sandro Schenazi
Eduardo Cunha é condenado a 15 anos de reclusão por três crimes na Lava Jato
Sentença do juiz federal Sérgio Moro é desta quinta-feira (30); o ex-presidente da Câmara está preso desde outubro de 2016.
Por Alana Fonseca, Bibiana Dionísio e Thais Kaniak, G1 PR, Curitiba

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, condenou nesta quinta-feira (30) o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a 15 anos e 4 meses de reclusão. Esta é a primeira condenação dele na Lava Jato.

Na denúncia oferecida à Justiça Federal, o Ministério Público Federal (MPF) acusou Eduardo Cunha de receber propina em contrato da Petrobras para a exploração de petróleo no Benin, na África. O ex-deputado é o único réu deste processo, que estava no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi encaminhado à 13ª Vara da Justiça Federal no Paraná após Cunha ser cassado.

"O condenado recebeu vantagem indevida no exercício do mandato de Deputado Federal, em 2011. A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente", afirmou o juiz federal na sentença.

A defesa do deputado cassado informou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, em Porto Alegre (RS).

"A defesa protocolou as alegações finais no início da noite de segunda-feira. Causa perplexidade a velocidade com que a sentença foi proferida, o que nos leva a duas conclusões: a peça da defesa, para o juiz, foi mera formalidade, eis que, muito provavelmente sua excelência já tinha, no mínimo, uma minuta de decisão elaborada; e, mais uma vez, tenta evitar que o STF julgue a ilegalidade das prisões provisórias por ele decretada. Isso é lamentável e demonstra a forma parcial que aquele juízo julgou a causa", declarou a defesa.

Dinheiro a ser devolvido
Segundo sentença, Eduardo Cunha recebeu cerca de US$ 1,5 milhão – atualmente de cerca de R$ 4.643.550. Este valor foi usado como base para definir o ressarcimento para a Petrobras.

“Apesar da Comissão Interna de Apuração da Petrobras ter apontado um prejuízo de cerca de 77,5 milhões de dólares, reputo mais apropriado fixar um valor mais conservador, correspondente ao montante da vantagem indevida recebida, de um milhão e quinhentos mil dólares. Trata-se aqui do valor da indenização mínima, o que não impede a Petrobrás ou o MPF de perseguirem valores, no cível, adicionais”.

Segundo o juiz Sergio Moro, uma futura progressão de regime para o semiaberto ficará “condicionada à devolução do produto do crime, no caso a vantagem indevida recebida”.

Crimes absolvidos
Sérgio Moro absolveu o deputado cassado de lavagem de dinheiro em relação a uma transferência bancária internacional porque, de acordo com o juiz, os valores não foram provenientes de vantagem indevida. O juiz também absolveu o réu de um crime de evasão de divisas em relação à omissão de saldo de contas mantidas no exterior.

Michel Temer
Em 2016, Cunha protocolou um documento, no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná, com 41 questões para serem respondidas por pelo presidente Michel Temer (PMDB), arrolado como sua testemunha de defesa neste processo.

Moro barrou 21 delas. À época, o juiz federal considerou parte das questões como inapropriadas ou então sem pertinência com o objeto da ação penal.


Com relação às acusações de Cunha contra o presidente Michel Temer, na sentença, Moro afirmou que o Juízo não tem "competência para apurar condutas do Exmo. Sr. Presidente da República" e que "não se pode permitir que o processo judicial seja utilizado para que a parte transmita ameaças, recados ou chantagens a autoridades ou a testemunhas de fora do processo
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, está preso desde outubro de 2016 no Paraná (

Aneurisma
Em fevereiro deste ano, durante o trâmite do processo, a defesa de Cunha apresentou exames que mostram o aneurisma cerebral do cliente, além de relatório e atestado médicos. Ele revelou a doença ao juiz durante o interrogatório e a comparou ao caso da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, que morreu no mesmo mês.

À época, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) disse que o problema de saúde não excluia a custódia do deputado cassado, já que o aneurisma pode se romper em qualquer lugar, como na casa dele. "Mesma condição ele teria dirigindo um carro", exemplificou o diretor Luiz Alberto Cartaxo Moura.

Outras ações
Cunha responde a outras duas ações penais. Uma tramita na 10ª Vara Criminal Federal de Brasília e é relativa à Operação Sépis, um desdobramento da Lava Jato. O deputado cassado é suspeito de envolvimento em esquema de propina para liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal.

A outra ação penal foi encaminhada por Moro ao Supremo Tribunal Federal. Ela investiga se o ex-presidente da Câmara recebeu propina de US$ 5 milhões em contratos de construção de navios-sonda da Petrobras.

Na Justiça Federal do Paraná, Cunha responde ainda a uma ação civil de improbidade administrativa, também movida no âmbito da Operação Lava Jato, que alega a formulação de um esquema entre os réus visando o recebimento de vantagem ilícita proveniente de contratos da Petrobras. A ação corre na 6ª Vara Cível.

Processo do Rio de Janeiro
Eduardo Cunha e Solange Almeida (PMDB-RJ) responderão a um processo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na 13ª Vara Federal de Curitiba. O processo que tramitava no Rio de Janeiro foi redistribuido para o Paraná.

Os ex-deputados são acusados pelo MPF de envolvimento em esquema de propinas para a compra de navios-sondas da Petrobras. O MPF narra que Cunha contou com a participação da ex-deputada e do intermediário Fernando Soares, além do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para solicitação de propina.
BAIXA? Secretário entregará cargo a Zé Aldemir; Secretária já pensa em renunciar
O professor explicou que já adiantou o assunto da sua renúncia com o secretário de Governo e Articulação Política, o radialista José de Anchieta.
DiáriodoSertão
Prefeito de Cajazeiras, José Aldemir (PP)

O Secretário Executivo de Cultura de Cajazeiras, o professor e radialista Chagas Amaro estará entregando sua carta renúncia ao prefeito José Aldemir (PP), nessa sexta-feira (31). A informação foi confirmada a redação do Diário do Sertão nesta quarta-feira (29), pelo próprio secretário, alegando incompatibilidade de horário.

De acordo com Chagas Amaro, a carta já está pronta para ser entregue ao prefeito, adiantando que não tem interesse em ocupar outro cargo na gestão, pois, o horário não é compatível com os programas de rádio que apresenta em emissoras local.

O professor explicou que já adiantou o assunto da sua renúncia com o secretário de Governo e Articulação Política, o radialista José de Anchieta.

E mais!
Uma fonte ligada a gestão informou que uma secretária também estuda a possibilidade de entregar o cargo ao prefeito, mas não teve confirmação.
Em alta, Vinicius Júnior ganha status de astro até da Nike
Vinicius Castro
Do UOL, no Rio de Janeiro
Vinicius Júnior é aposta da fornecedora de material esportivo para inspirar jovens espalhados pelo paísImagem: 

Não tem jeito. Vinicius Júnior é a sensação do Flamengo e um dos principais assuntos debatidos no futebol brasileiro. O jovem, de 16 anos, nem sequer jogou pelos profissionais do Rubro-negro, mas alcançou destaque com o que fez na última Copa São Paulo de Juniores e no Sul-Americano sub-17. Ele, inclusive, já é tratado como uma das principais figuras da Nike no país.

Vinicius Júnior tem uma parceria de relacionamento com a fornecedora de material esportivo desde os 13 anos. Naquele momento, ele já era visto como um talento do futebol brasileiro. A projeção se confirmou nas categorias de base e o projeto do Flamengo para levá-lo ao profissional está em andamento.

Enquanto isso, o atacante já aparece entre os grandes da companhia no Brasil. Nos últimos dias, ele participou de um evento da Nike em São Paulo ao lado de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Philippe Coutinho, Fernandinho e outros.

Vinicius Júnior também aproveitou os dias em São Paulo para conhecer e postar uma foto com o ídolo Neymar nas redes sociais. O jogador do Barcelona e da seleção brasileira divide com Cristiano Ronaldo o posto de principal ativo da Nike no futebol mundial. Ele gravou um vídeo para o atleta rubro-negro.

A empresa não comenta os detalhes contratuais com o atleta do Flamengo, mas se posiciona como uma ponta importante na carreira do jovem. A tendência, inclusive, é a de que o atacante rubro-negro apareça cada vez mais em campanhas da fornecedora de material esportivo - sozinho ou acompanhado de outros nomes consagrados do futebol mundial.

"Vamos continuar trabalhando junto com o jogador, oferecendo produtos inovadores e tecnológicos, tudo para auxilia-lo na performance dentro de campo", explicou o diretor de marketing esportivo para futebol da Nike do Brasil, Lucas Maniezo.

Doria tem 70% de aprovação
Levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas mediu avaliação do prefeito
Ernesto Neves
Veja.com
Doria: ele surfa na popularidade

Com quase 100 dias de governo, o prefeito João Doria surfa na popularidade. Segundo levantamento inédito feito Instituto Paraná Pesquisas, Doria tem 70% de aprovação dos paulistanos.

'E apôis'?

TIROTEIO
Da Coluna Painel - Folha

"Abertas as portas do inferno, se vê a angelical Gleisi, Lula e demais petistas dizendo: ‘Nós destruímos o país, mas somos santos’.

DE JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), presidente do Instituto Teotônio Vilela, sobre as críticas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao governo de Michel Temer
LAVA-JATO
LAURO JARDIM
O Globo
Hoje, faz dois meses que Eike Batista foi para a prisão. Desde então, teve um pedido de habeas corpus negado no Tribunal Regional Federal, recebeu duas visitas de sua mulher, Flávia, e nenhuma dos seus filhos, Thor e Olin.
10 coisas fundamentais que você precisa aprender sobre a periferia para entender o Brasil
Ilisp

O estado como principal inimigo dos indivíduos, ausência de relação de “exploração” entre patrões e empregados, rejeição aos impostos excessivos e entraves burocráticos, valorização do trabalho e esforço individuais como formas de ascensão social em detrimento de políticas estatais que põem em dúvida as capacidades pessoas (como as cotas), valorização do empreendedorismo e dos serviços oferecidos pelo mercado (como escolas privadas) em detrimento dos serviços estatais e valorização do âmbito privado (família e igreja) como base para a sociedade.

Parece ser apenas a visão defendida pelos liberais nas redes sociais e nos diversos espaços públicos, mas essa é a descrição das percepções e valores políticos na periferia de São Paulo, obtida por meio de uma pesquisa qualitativa feita, curiosamente, pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, na periferia da cidade de São Paulo.

O relatório final dessa pesquisa mostra um espetacular retrato do pensamento político e econômico dos moradores da periferia, onde a população é essencialmente capitalista e valoriza muito mais a iniciativa privada e individual do que a iniciativa estatal, vista como gratuita e de má qualidade. E possui observações tão fundamentais para entender o Brasil que separamos e analisamos dez delas para apresentar a você.

1. As diferenciações na política institucional são irrelevantes

Sendo pessoas com uma rotina agitada e geralmente ocupada pelo trabalho, essa população pouco se importa com a polarização entre “esquerda” e “direita”. Na verdade, as palavras que limitam os campos políticos ou que são usadas de maneira pejorativa em disputas políticas (“reaça” e “coxinha”, por exemplo) não fazem parte do vocabulário. As nuances de posicionamento entre os partidos não são claras e muitas vezes consideram que os partidos “são todos iguais”.

Da mesma forma, pouco diferenciam entre as esferas federal, estadual e municipal, bem como entre os poderes legislativo e executivo, tratando tudo como “governo”. Por outro lado, cobram da prefeitura a solução para os problemas concretos da cidade e da região em que vivem (bailes funk, pontos de vendas de drogas, falta de zeladoria urbana, serviços estatais de má qualidade e falta de espaços de lazer estatais que, quando existem, são mal cuidados) enquanto vêem as questões mais macro e abstratas como responsabilidade da Presidência da República.

2. Ninguém se importa com a retórica da esquerda

A retórica marxista da “luta de classes”, o ódio ao capitalismo, a repulsa ao mérito e os ataques constantes à família e à igreja são o exato oposto do que esse estrato da população defende.

Patrão e trabalhador são vistos como diferentes, mas não há uma visão de “exploração” do primeiro sobre o segundo: na verdade, ambos são vistos como estando no “mesmo barco” e não há conflito de interesses.

Mesmo os ideais coletivistas – tão caros à esquerda – praticamente não aparecem nas narrativas e, quando aparecem, restringem-se a entidades privadas como a família, a vizinhança e a igreja.

3. O estado é considerado o principal inimigo dos indivíduos


O principal confronto na sociedade não é entre ricos e pobres, capital e trabalho ou corporações e trabalhadores, como a retórica de esquerda quer fazer crer. Na verdade, essa população percebe que o grande confronto se dá entre estado e indivíduos: todos são vítimas do estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal e acaba por limitar ou sufocar a atividade das empresas.

No geral, tratam o mercado como mais crível do que o estado, sendo a esfera privada mais relevante do que a estatal e defendem mais iniciativas privadas atuando em favor da sociedade. Mesmo no caso dos programas estatais, há maior confiança nos programas que ofertam recursos financeiros imediatamente – como o Bolsa Família – e menos nas leis que “garantem direitos”.

Como definiu a própria pesquisa petista, é o liberalismo das classes populares.

4. O mérito individual é mais importante do que as políticas estatais

A população da periferia não quer ser tratada como uma massa “amorfa” e incapaz chamada “pobres”. Pelo contrário, essa população deseja ter sua individualidade reconhecida, organizando sua vida em busca de melhores condições de vida.

Por isso mesmo, rejeitam as políticas estatais que entram em confronto com a conquista por meio do mérito pessoal, como as cotas; e valorizam figuras que “vieram de baixo” e cresceram por mérito próprio como João Doria Jr., Lula e Silvio Santos. Mesmo Lula é admirado mais por ser um exemplo de ascensão social do que pelas políticas que implantou, abrindo espaço, de acordo com a própria pesquisa petista, para políticos que valorizem mais o mercado e o mérito enquanto têm a mesma trajetória de ascensão social como João Doria Jr.

No mesmo sentido, valorizam muito o trabalho e o esforço individuais para superar as barreiras. Nada é intransponível. Como disse um dos entrevistados: “Se você não tem o esforço e não se ajuda, Deus não vai te ajudar, não vai cair do céu”.

5. O empreendedorismo é altamente valorizado

O empreendedorismo é visto como uma forma de “ser dono do próprio nariz” e não “dever a ninguém”, além de estar associado às histórias de ascensão social bem-sucedidas. Muitos dos trabalhadores do mercado informal ou autônomos se auto-definem como empreendedores.

Dessa forma, o estado é visto como principal empecilho ao empreendedorismo graças ao excesso de burocracia e altos impostos.

Nas palavras dos próprios entrevistados: “Eu queria um negócio de vender batata frita, a casa da batata frita… Eu gostaria de começar por aí, não trabalhar pros outros, mas pra mim mesma!”; “A gente pensa assim: sou um cara ambicioso, estou com a faca e o queijo na mão, no caso esse empreendimento ai tem tudo para dar certo, porque não tentar?”.

6. A família – e não o estado – é vista como solução para os problemas da sociedade

A família é vista como a principal base e solução para os problemas individuais e coletivos, sendo o “tudo, é o que faz valer a pena“, “o porto seguro, o que mantém a gente na linha“. A família é vista como a base para a construção de uma sociedade mais correta, sem violência, sem corrupção, mais desenvolvida, com pessoas de caráter e honestas.

Dessa forma, a crise da sociedade não é um problema estrutural em que o estado deve se envolver, mas de ordem individual, resolvida por meio da educação no âmbito da família.

Nas palavras dos próprios entrevistados: “Família é base de tudo! A família é alicerce para você ser alguém na vida!”; ” Na sociedade, (a família) não está sendo muito importante, né? As pessoas não estão valorizando mais a família como deve ser valorizada”.

7. A escola desempenha um papel fundamental – e se for privada, melhor ainda

A escola é considerada a chave para ser “alguém na vida”, é o primeiro passo numa trajetória: aqueles que estudam e se dedicam conquistarão melhores empregos, melhores bens e terão um “lugar no mundo”. A grande maioria almeja colocar os filhos em escolas particulares, mostrando novamente a descrença no serviço estatal.

Nas palavras de uma das entrevistadas: “O ensino é bem melhor na particular. Meu neto estudava numa escola particular, só que ele saiu porque não tinha condições mais de pagar, mas se ele tivesse lá ainda, ele já estaria lendo (…) tem muita diferença do ensinamento (…) Porque eu acho que você está pagando você pode exigir e em escola pública você vai exigir de quem? Não pode exigir!”

8. Além da família, outra entidade privada é considerada fundamental: a igreja

A religião cumpre três funções fundamentais na vida dos moradores da periferia: fornecer o principal espaço de sociabilidade, pertencimento e acolhimento, constituindo uma rede de apoio e solidariedade comunitária; atuar como selo de honestidade e idoneidade, demonstrando para os demais que você está no caminho correto; e atuar como base estrutural, junto com a família, deixando a vida menos difícil.

Nas palavras dos entrevistados: “Se você não tiver essas duas coisas (Deus e Família) conciliadas, ao mesmo tempo, não dá muito certo não. (…) Você tem que ter essa estrutura, essa fé. É o que te anima, cara, pra você enfrentar o dia a dia, os problemas do cotidiano.”; “Na igreja é a verdadeira família: aquela te liga, que chega no domingo senta no chão almoça, janta, que fala dos problemas. Que se você estiver passando por um problema, uma situação difícil, ele vai, não meu irmão, a gente vai te ajudar. Vamos vê o que a gente faz, a gente vai te ajudar, se você estiver precisando de uma cesta básica todo mundo corre. Cada um traz um açúcar, um café, um exemplo, é isso, para mim família é isso, é a religião.”; “Te faz sempre ficar no caminho correto, não desviar do caminho as coisas tá difíceis se você não tiver Deus as coisas ficam mais difíceis ainda.”

A pesquisa salienta também que há certo nível de tolerância para o que poderiam ser considerados “desvios” na ótica religiosa, revelando certa flexibilidade em relação aos dogmas das igrejas, como no caso do respeito e aceitação das diferentes orientações sexuais.

9. A vinculação entre política e religião não é bem vista

Líderes religiosos que se candidatam a cargos políticos e discursos políticos em espaços religiosos não são bem vistos pela maioria por medo de que a política “contamine” os espaços religiosos, como se fosse impossível entrar na política sem se render e participar da corrupção. Outros, entretanto, acreditam que os homens religiosos podem moralizar os espaços políticos.

Por outro lado, a maioria não apresenta resistência ao voto em políticos que o líder religioso indique ou que frequentam o mesmo espaço religioso, havendo mais uma identificação com aqueles que têm algo em comum com a comunidade do que por um aspecto ideológico ou religioso.

Nas palavras dos entrevistados: “Acho que não tinha que se misturar. O político rouba muito, líder da igreja eles vão acabar pecando lá, roubando (…) a política tem muita sujeira assim.”; “Votei em alguns pastores, (…) acho que eles não roubariam”.

10. Todos odeiam os políticos

A política institucional é vista com descrédito e considerada “suja” e “cheia de mau caráter”. Os políticos são vistos como aqueles que não cumprem seus deveres em relação às necessidades dos cidadãos e buscam somente vantagens pessoais. Além disso, a corrupção é vista como o principal problema do Brasil, não apenas pelo roubo em si, mas como causadora dos demais problemas do país.

Essa população entende que as decisões políticas influenciam suas vidas e gestões políticas ruins trazem impactos negativos em suas vidas como inflação, aumento de preços (carestia), serviços estatais de má qualidade, alta cobrança de impostos, entre outros.

Nas palavras de um dos entrevistados: “Tem que jogar tudo no lixo e fazer tudo de novo, porque está tudo contaminado, tudo estragado!”.

Conclusões

De acordo com a pesquisa petista, no imaginário da população da periferia paulistana não há luta de classes e, em grande medida, o próprio estado é o principal inimigo, numa visão de liberalismo popular com a demanda por menos estado, instituição vista como prestadora de serviços de má qualidade.

Apesar da pesquisa não ter sido realizada em outras cidades do país, é razoavelmente provável que o pensamento na periferia das cidades, onde está a maioria da população brasileira, seja bastante similar ao apontado por esta pesquisa.

Assim sendo, a pesquisa exorta aqueles que a esquerda em geral a “evitar o discurso que nega o mérito” e “produzir narrativas menos maniqueístas ou pejorativas sobre as noções de indivíduo, família, religião e segurança”. Certamente veremos isso acontecendo nos próximos meses.

Resta, portanto, uma conclusão: a periferia – a ampla maioria da população – é liberal. E um questionamento: o que falta para que tenhamos um Brasil liberal?

Tony Ramos é gente boa...


Abusando das mentiras
CARLOS FERNANDO LIMA, JÚLIO CARLOS NORONHA E ROBERSON POZZOBON (Procuradores da Lava Jato)
Folha de São Paulo

Até quando interesses escusos abusarão da paciência do povo brasileiro? Por quanto tempo haverá tentativas de reduzir as relações espúrias entre políticos e empresários, colocadas a nu pela Lava Jato, a um compromisso sem consequências nefastas para nosso país?

Até quando zombarão de nós aqueles que afirmam que congressistas são apenas "despachantes de luxo", intermediários de inofensivos interesses das empresas?

Nunca antes ficaram tão evidentes as causas e as consequências da corrupção endêmica que nos afeta. Mas já intuíamos isso. Como entender que um país tão rico tenha uma população tão pobre?

Sabíamos que a corrupção desviava recursos públicos apenas para aumentar lucros de empresas e pagar propina. E esse "acarajé", esse suborno, chegava aos agentes públicos de diversas formas, desde o benefício indireto do uso de aviões, empregos para filhos e residências na praia até depósitos em contas no exterior, pagamentos em espécie e financiamento de caras campanhas eleitorais.

O câncer da corrupção corrói a própria democracia ao subverter as eleições. Dinheiro de corrupção irriga as campanhas políticas por meio de caixa um ou dois. Importa aqui a sua origem escusa. Proveniente de corrupção, esse valor não muda sua natureza pela aplicação posterior que lhe é dada. Mais que isso, tentar esconder sua gênese configura também o crime de lavagem de dinheiro.

E agora nem o temor da população impede mais as manobras. Políticos envolvidos no escândalo apresentam propostas para anistiar a prática ilícita e punir quem os investiga, processa e julga. Acham-se acima da lei só porque foram escolhidos para legislar. Não percebem que essa conspiração já é do conhecimento de todos.

Assim, apócrifos projetos de lei passeiam no Congresso com o objetivo de anistiar a corrupção, disfarçados como apenas uma anistia ao caixa dois. Afinal, por qual motivo os políticos deveriam temer ser acusados por esse tipo de crime?

Reportagem da rádio CBN de 2016 apontou que o TSE possui apenas uma única condenação criminal por caixa dois em sua história. Então, ainda que não anistiado de direito, há muito foi anistiado de fato.

Além desses projetos, outro tão nocivo já se encontra em tramitação acelerada no Senado. De autoria do senador Renan Calheiros, visa, sob a fachada de tratar do abuso de autoridade, apenas ameaçar aqueles que investigam, processam e julgam a corrupção.

Qual outro motivo para tanto açodamento, sem um debate amplo perante a sociedade? Por que não dão ouvidos à consulta pública feita pelo Senado em seu portal, em que 98% das respostas são contra o projeto como proposto?

Quem diz apoiar a anistia ao caixa dois deseja, na verdade, a anistia à corrupção, o fim das investigações da Lava Jato e a soltura dos condenados.

Mente, portanto, aquele que diz que o loteamento dos cargos públicos é o preço para governar o país, quando se sabe que dele resultam corrupção e falta de serviços públicos para a sociedade.

Torna-se um simples despachante a mando de criminosos aquele que defende interesses escusos na esperança de se manter na política. Por fim, abusa da autoridade aquele que a usa para criar leis com o objetivo tão somente de ameaçar procuradores e juízes.

Advogar essas ideias é desprezar a sociedade. Sabemos quem são e onde se encontram essas pessoas. Não ignoramos o que fizeram em noites passadas e que decisão tomaram.

São tempos difíceis, mas devemos, como povo, tomar os caminhos certos. O Brasil será, de fato, um país de trambiqueiros, condenado ao atraso e à pobreza, se perdoarmos a corrupção e deixarmos que intimidem as autoridades.

CARLOS FERNANDO DOS SANTOS LIMA, JÚLIO CARLOS MOTTA NORONHA e ROBERSON HENRIQUE POZZOBON são procuradores da República e membros da força-tarefa da Lava Jato no Paraná