sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

"Não podemos nos importar com padrões impostos", diz Fluvia Lacerda
Bruno Astuto
Época
Fluvia Lacerda: é a primeira mulher plus size a posar nua para a Playboy brasileira 

Fluvia Lacerda será a primeira capa plus size na história da Playboy, em mais de 40 anos da revista no Brasil. A carioca de 36 anos – que mora em Nova York há quase 20 – é uma das mais importantes modelos do gênero. "Inicialmente não fui muito fã da ideia de posar nua. Mas a revista teve uma reestruturação, agora estão, digamos, menos sexuais, mais artísticos mesmo", diz a top, que mede 1,72 metro, tem 110 centímetros de busto, 83 de cintura e 133 de quadril. O peso? Ela não revela. "É porque eu não me peso nunca", afirma a mãe de Lua, de 16 anos, e Pedro, de 2.
A top Fluvia Lacerda é chamada na cena fashion como a Gisele Bündchen do plus size 

Fluvia se mudou menina com a família para a Amazônia. Foi lá que ela escolheu fazer os cliques. "Quis um lugar que me representasse. Uma das minhas exigências foi que fizéssemos uma expedição mesmo, ficamos oito dias no meio da mata fazendo as fotos. Estava muito calor e a temperatura beirou os 44 graus. Eu estava em casa, conheço bem a região e pescava muito lá, mas a equipe sofreu um pouquinho", diz.

De família humilde, a bela foi para Nova York aos 16 morar com uma tia e aprender a falar inglês. Enquanto trabalhava como babá, foi abordada em um ônibus por uma produtora de moda que perguntou se ela nunca tinha pensado em trabalhar como modelo. "Não sabia que existia esse mercado plus size. As pessoas precisam se aceitar do jeito que são. Não podemos nos importar com essa perpetuação de automassacre e nos importar com padrões impostos", diz ela, que bateu um papo com a coluna:
Empoderamento feminino: Fluvia Lacerda vive postando fotos de lingeries nas redes sociais

Como surgiu o convite para posar nua?

Em fevereiro eles me chamaram e, desde então, estamos negociando. Confesso que inicialmente não fui muito fã da ideia, mas soube que nessa nova fase da revista eles estão menos sexuais, digamos, e com fotos mais artísticas. Gostei da proposta que me fizeram e me deram carta branca para fazer as fotos do jeito que eu quisesse. Estarei na capa que será uma edição especial para colecionador, vai ficar três meses nas bancas.
Fluvia Lacerda mora em Nova York há 20 anos: ela foi descoberta em um ônibus, enquanto trabalhava como babá

Ter uma mulher com curvas, plus size como você, pela primeira vez na história na capa de revista do gênero é uma baita quebra de paradigma, não acha?

A base do meu trabalho é apoiar essa revolução feminina no planeta, essa é minha luta. Meu discurso é que as pessoas precisam se aceitar do jeito que são. A vida é muito curta para se importar com padrões impostos. Temos de viver, não nos importar com paranoias e reformatar esse aprendizado eterno, essa perpetuação de automassacre que aprendemos de geração em geração.

Você já fez dieta?

Nunca senti essa necessidade, porque nunca fiz a associação de que, para ser feliz, concretizar meus sonhos, eu precisaria ser magra. Muitas mulheres associam ser feliz ao tamanho de seu manequim... isso nunca aconteceu comigo. Nunca quis me enfiar num molde que não era o meu.

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