sábado, 25 de fevereiro de 2017

SENTAR NA CALÇADA PARA CONVERSAR

Tempo bom aquele em que podíamos ficar sentados na calçada para conversar, um típico costume interiorano. Essa é uma lembrança que trago da minha infância em Cajazeiras, mas que também aconteceu quando já morava na capital nos anos sessenta. No sertão esperávamos a chegada do “Aracati”, um vento que vinha do Ceará para refrescar as noites calorentas do interior paraibano. Em João Pessoa esse hábito ocorria na rua Sérgio Dantas, em Jaguaribe, quando meus pais reuniam-se com os vizinhos e parentes num descontraido bate-papo, enquanto as crianças brincavam na rua sem risco de atropelamentos.

Não havia na época a sensação de insegurança que todos nós vivenciamos na atualidade. O compartilhamento de amenidades que proporcionavam esses encontros na calçada em frente de nossas casas, era uma salutar forma de interação social. Não éramos reféns da tv, nem da internet. As conversas ocorriam porque ainda não conhecíamos o celular, equipamento que, admitamos, apesar de sua utilidade, atrapalha muito as relações pessoais. A virtualidade substituiu a necessidade dessas reuniões para que se praticasse a socialização;

Hoje sentar na calçada em frente de sua residência é atitude de alto risco. Tanto pelo trânsito, quanto pela ameaça de assaltos. Essa gostosa oportunidade que os antepassados desfrutaram tão bem, já não nos é mais permitida. Estamos proibidos, pelas circunstâncias da modernidade, de prosear na calçada como fazíamos até há alguns atrás.

Sinceramente, sinto falta disso. Sentir o prazer de jogar conversa fora, trocar ideias, falar da vida, fugindo desse vício dos encontros virtuais. Pior que agora fica quase impossível usufruir dessa satisfação, moro em apartamento, portanto a calçada não é minha, é do prédio. Até isso perdemos, o domínio territorial do espaço em frente ao local em que moramos. Só nos resta a nostalgia dessas reminiscências.

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