sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Saúde pública
José Ronildo
Gazeta do Alto Piranhas

Não é de hoje que o SUS não vem atendendo a população pobre, que é quem ainda procura o sistema público de Saúde, principalmente no que se refere a exames e cirurgias. 

Muitas pessoas estão vendendo alguma coisa; uma vaca ou fazendo empréstimo para fazer cirurgias e exames em hospitais e clínicas particulares.

Uma senhora de Cajazeiras, que tem fibromialgia, reclamou em uma rede social que precisava fazer uma cirurgia no pé, mas não conseguia. Ela disse que já deu várias viagens na Central de Marcação e no próprio Hospital, mas sem perspectiva de realizar o procedimento. 

Como entender que um hospital do porte do de Cajazeiras só realize cirurgias de urgência e emergência, e mesmo assim, nos casos de fraturas mais graves ou traumatismo craniano, os pacientes precisam ser transferidos para João Pessoa ou Campina.

As pessoas pobres dão entrada no HRC com AVC e na hora da transferência, não encontram vaga nas UTI’s de João Pessoa ou Campina Grande. Enquanto isso fica esperando a hora de morrer.

Uma cidade do porte de Cajazeiras não faz cirurgias de catarata pelo SUS. As pessoas idosas precisaram esperar pelos mutirões realizados pelo Estado ou se deslocar para João Pessoa e muitas vezes ainda precisam recorrer a políticos para conseguir, ou então pagar, nas clínicas particulares. Uma criança foi picado por uma cobra em Monte Horebe e teve que ser transferida para Campina Grande, para tomar o soro.

Ainda em Cajazeiras, para não ir muito longe, os postos de saúde não têm ainda a receita azul para prescrever medicamentos controlados; alguns dentistas não estão trabalhando porque faltam luvas e outros materiais, segundo reclamações também nas redes sociais. Sabemos que tivemos mudança de governo e para comprar qualquer coisa tem que ter licitação, no entanto, mesmo assim, é inadmissível que falte esse tipo de coisa nas unidades básicas e nos hospitais.

Reconhecemos a vontade de fazer e até o esforço da nova secretária de Saúde do município, Drª Paula, para que as pessoas pobres façam suas consultas, seus exames, sem humilhações, sendo bem tratadas, mas realmente, não é tarefa fácil, afinal, essa é a triste realidade da saúde pública no Brasil.

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