sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Onde está o dinheiro de Eike Batista?
Raquel Landim 
Folha de São Paulo
O empresário Eike Batista, preso na Operação Lava jato, chega à sede da Policia Federal no Rio

Já faz dez dias que Eike Batista está preso em Bangu 9, acusado de pagar propina ao ex-governador Sérgio Cabral. A prisão é só o epílogo da derrocada do empresário, que deixou milhares de credores e investidores no prejuízo.

Eike, que já foi o sétimo homem mais rico do mundo pela revista "Forbes", gosta de dizer que é o maior perdedor da ruína do império X, mas parece que não é bem assim.

O patrimônio pessoal declarado pelo empresário, pelo menos até 2015, estava em R$ 5,6 bilhões –patamar muito semelhante ao registrado antes da crise em suas empresas.

A descoberta é da repórter Estelita Hass Carazai, que encontrou um relatório da Receita Federal, com base nos impostos de renda de Eike, no amontoado de documentos da Operação Lava Jato.

Os dados analisados pelos técnicos da Receita vão de 2006 a 2015, período em que o patrimônio de Eike sobe de R$ 455 milhões para R$ 5,6 bilhões.

São registrados dois saltos. O primeiro ocorre em 2008, quando ele dá sua grande tacada e vende parte da MMX para a Anglo American, um negócio tão ruim para a gigante da mineração que custou o emprego da então presidente.

O segundo salto aparece em 2013, quando o empresário se desfaz de boa parte das ações da termelétrica MPX.

O relatório da Receita Federal, feito a pedido dos procuradores do Ministério Público do Paraná depois que o juiz Sérgio Moro autorizou a quebra do sigilo fiscal de Eike, também traz outros detalhes interessantes.

Durante os dez anos analisados, a movimentação bancária do empresário está sempre acima dos seus rendimentos, o que, para os técnicos da Receita, é um indício de que ele possui contas não declaradas no exterior.

Também chama a atenção sua generosidade em meio ao furacão que levava suas empresas.

Em 2013, Eike doou, em dinheiro ou propriedades, quase R$ 180 milhões, a maior parte para os filhos, Thor e Olin, e para a atual mulher, Flávia Sampaio.

As doações aconteceram no auge da crise de confiança que dragava as ações das empresas X, depois que a petroleira OGX não entregou o petróleo que prometera aos investidores.

Reportagem desta Folha na época mostrou que Eike sabia, pelo menos um ano antes de informar ao mercado, que suas reservas de petróleo estavam superestimadas.

O empresário é alvo de uma série de processos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que ainda estão em curso. Apenas quatro foram concluídos e resultaram em multas que, somadas, chegam a R$ 1,4 milhão.

Trata-se de um valor enorme para uma pessoa comum, mas quase irrisório para alguém com R$ 5,6 bilhões de patrimônio. Conforme a CVM, os advogados de Eike recorreram das multas e até hoje ele não pagou um tostão.

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