segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A coluna do meu amigo Marcos Pires no Correio da Paraíba

CorreiodaParaíba

Sou rato de praia. Todos os dias nado meia hora na praia de Tambaú e por isso tenho amigos que trabalham na beira mar. Eles me avisaram que os turistas estrangeiros finalmente começaram a chegar por aqui. Como já era esperado fizeram o maior sucesso nas nossas praias. Meus amigos contaram seis americanos, quatro canadenses, dois franceses em lua de mel e um japonês. Ivan, que é garçom e serve os clientes até dentro do mar, me impressionou por sua cara de pau. Estava atendendo dois gringos que pediram agua de coco. Nosso garçom levou um coco verde e outro amarelo. Eles perguntaram a diferença e Ivan, “inocente”, informou que o coco amarelo era o dobro do preço do coco verde, sem explicar porque. Os gringos passaram o resto da semana exigindo somente coco amarelo, supondo ser mais saudável e engordando os bolsos de Ivan.

A comunicação entre gringos e locais se dá das maneiras mais incríveis, quase sempre no gestual. Lembra muito as conversas dos surdos mudos. E isso foi ponto de discussão entre meus informantes. Depois que acabou a temporada dos gringos, Ivan indagou a Sidney (um gaúcho que se diz operador do ramo de comida orgânica e molecular, mas que na verdade vende sanduiches naturais) se já não era hora deles aprenderem alguma língua; inglês, francês ou mesmo espanhol. Ao que o outro replicou: “- E de que adianta, tchê? Esses gringos sabem todas essas línguas, e adiantou de alguma coisa? A gente ficou sem entender do mesmo jeito”. Ivan suspirou: “- Eu devia ter nascido nos Estados Unidos, porque agora já estaria sabendo falar duas línguas, português que eu já sei, e inglês, porque tinha aprendido quando era pequenininho morando lá”.

De qualquer maneira as histórias ficaram. O casal de franceses em lua de mel fumava maconha à beira mar todas as tardes. Meus amigos estavam espantados. Perguntei a razão, e eles me confessaram que fumar maconha ali era comum, mas dois homens se beijando na boca era novidade.

E o japonês, hem? Meus amigos resolveram gozar com o nipônico. Valmir, que vende folhetos de cordel, estava irritado porque não conseguira vender nada ao Xingling. Perguntou-lhe se era verdade que o...como direi..., o seu órgão reprodutor era bem pequeno. O japonês fez cara de envergonhado e devolveu: “- Ah, senhor me desculpa. Mas deve ter sido sua esposa que lhe contou?”.

Bem feito!

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