quarta-feira, 30 de abril de 2014

Cerveja faz mal. E vai ficar mais cara, ainda...

10% mais caros

Água no chope
Água no chope
Caiu como uma bomba no setor de cervejas e refrigerantes o novo aumento da carga tributária, imposto ontem pelo governo – o segundo aumento em menos de 30 dias.
E as consequências para o consumidor e para os índices de inflação serão sensíveis.  Apesar de o governo estimar que o preço do produto subiria 1,3%, as empresas calculam  o reajuste em 10% em média.
A promoção recém-lançada pela Ambev, que prometia manter os preços de cerveja inalterados até a Copa, pode ser revista pela cervejaria.
As empresas dizem que o novo reajuste faz aumentar o tributo em 25% em média, dependendo da embalagem do produto.
A irritação do setor é grande. Além do aumento em si da tributação, reclamam em altos brados da forma como tudo foi feito. Um executivo de uma grande empresa escolhe a expressão “na calada da noite” :
- Não houve consultas, avisos ou negociação. Faltou transparência.
Cervejarias e fabricantes de refrigerantes preveem queda nas vendas.
Por Lauro Jardim

Ainda Nana Caymmi: Só Louco! Lindíssima música do pai, Dorival Caymmi.



NANA CAYMMI - SÓ LOUCO
De Dorival Caymmi

"Só louco!
Amou como eu amei
Só louco!
Quis o bem que eu quis...

Ah! insensato coração
Porque me fizeste sofrer
Porque de amor para entender
É preciso amar, porque...

Só louco!
Amou como eu amei
Só louco!
Quis o bem que eu quis...

Ah! insensato coração
Porque me fizeste sofrer
Porque de amor para entender
É preciso amar, porque
Só louco!
Só louco!
Só louco!
Só louco!...

Ah! insensato coração
Porque me fizeste sofrer
Porque de amor para entender
É preciso amar, porque
Só louco!
Só louco!
Só louco!
Só louco!"

Nosso amigo Antônio Malvino foi homenageado com o título de Cidadão Pessoense. Mais que merecido. Parabéns, amigo.

Presidente do STF determina 'imediato retorno' de Genoino à prisão

Ex-deputado do PT foi condenado a 4 anos e 8 meses no caso do mensalão.

Ele cumpria prisão domiciliar provisória desde novembro do ano passado.
Do G1

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determinou nesta quarta-feira (30) o "imediato retorno" do ex-deputado José Genoino (PT-SP) à prisão. Condenado no processo do mensalão do PT, Genoino estava em prisão domiciliar provisória desde novembro do ano passado em razão de problemas de saúde.

Pela decisão, ele tem 24 horas para se apresentar no Centro de Internamento e Reeducação (CIR) do presídio da Papuda, em Brasília, onde também cumpre pena o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Caso ele não se apresente, será expedido um mandado de prisão.

"Indefiro o pedido de conversão do regime prisional do apenado José Genoino Neto. Determino o imediato retorno do apenado ao sistema prisional do Distrito Federal, onde deverá cumprir sua pena", afirmou Barbosa.

Condenado a 4 anos e 8 meses de prisão, o ex-deputado, que tem problemas cardíacos, foi preso em novembro do ano passado, mas passou mal no presídio e, desde então, obteve o direito a cumprir temporariamente a pena em prisão domiciliar provisória. A defesa pleiteava a prisão domiciliar definitiva.
"Não batiam em você na Paraíba?", diz Silvio Santos para Rachel Sheherazade
Do UOL,
Roberto Nemanis/SBT
Silvio Santos recebe Rachel Sheherazade no "Jogo das 3 Pistas"

Silvio Santos receberá Rachel Sheherazade em seu programa do próximo domingo (4) para participar do quadro "Jogo das 3 Pistas". Com seu bom-humor habitual, o animador perguntará à jornalista se já a agrediram na Paraíba, seu Estado natal. O jornalista Joseval Peixoto também participará da atração.

"Você veio da Paraíba? Torce para algum time?", quis saber o apresentador. "Eu vim da Paraíba e torço por dois times. Meu coração é dividido entre o Corinthians e o Flamengo", afirma a jornalista.

Ao dar continuidade na conversa, o dono do SBT fará referência às declarações polêmicas de sua funcionária: "Você fazia comentários lá (na Paraíba) também? Não batiam em você? Não tinha ninguém que perturbava você?". Sheherazade, então, dirá: "Lá não tinha isso não, aqui é pesado". Silvio diz que lá é calmo. "Aqui é mais barulhento", brincou ele.

No palco da atração, Silvio dirá para o seu auditório e telespectadores que a jornalista está fazendo sucesso em todo o Brasil. "Hoje nós teremos aqui uma competição extraordinária, porque nós teremos aqui a moça que está saindo nas capas das revistas, uma moça que é muito comentada em todo o Brasil, uma moça que veio de um estado que eu não lembro agora. Acho que ela veio da Paraíba, mas está fazendo sucesso em todo o Brasil", falará.

Ele também aproveitará para elogiar a beleza da jornalista, dizendo que ela estava "extraordinária" na capa da revista "Veja", e brincará com o colega de bancada da âncora: "O Joseval Peixoto não é marido dela? E por que ele está com ela toda noite?".

Pesquisas e leitura de pesquisas.

Mudança nas apostas
Merval Pereira,
O Globo

A mais recente pesquisa eleitoral, encomendada pelo Conselho Nacional de Transportes à MDA, mostra, além da queda de popularidade da presidente Dilma, uma candidatura de oposição, a do senador Aécio Neves, do PSDB, alcançando pela primeira vez um índice acima dos 20% do eleitorado.

Na mesma pesquisa, outro candidato oposicionista, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, alcança uma marca de dois dígitos também pela primeira vez.

Não é à toa, portanto, que a campanha pela volta de Lula como candidato à Presidência da República pelo PT em lugar de Dilma cresceu tanto nos últimos dias. E, em contrapartida, aumentou o alvoroço na base aliada do governo, com uma debandada de políticos buscando se posicionar mais próximo de onde o vento está soprando, e esse lugar deixou de ser o Palácio do Planalto.

Já escrevi aqui que não existe nada que agregue mais na política do que a expectativa de poder. Agrega mais, em certas circunstâncias, que o poder presente, finito por definição. Esse poder presente vai ficando cada vez mais restrito à medida que a distância entre a presidente Dilma e os demais candidatos vai encurtando, levando à crença, num primeiro momento, de que o segundo turno é inevitável.

E a redução das apostas em Dilma agora veio acompanhada do crescimento da oposição, o que dará mais fôlego a ela nos próximos movimentos.

O candidato do PSDB cresceu mais depois de seu programa de propaganda oficial na televisão, numa demonstração de que a exposição de suas ideias ajuda o melhor conhecimento pelo público e o leva a se colocar no jogo eleitoral com mais força.

Há sinais na pesquisa CNT/MDA que confirmam a perspectiva ruim para os governistas. A avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff caiu de 36,4% em fevereiro para 32,9% em abril, o que a coloca em situação vulnerável na disputa pela reeleição.

Diversos estudos demonstram que a fronteira mínima confortável para a reeleição é de 36% de aprovação do governo.

Analisando as 104 eleições para governador ocorridas entre 1998 e 2010, o cientista político Alberto Carlos de Almeida identificou que os candidatos que tinham, antes do primeiro turno, aprovação igual ou maior que 46% foram reeleitos.

Em contrapartida, aqueles que tinham 34% ou menos de ótimo e bom foram derrotados. Os estudos mostram ainda que os candidatos com aprovação entre 35% e 45% têm chances de se reelegeram em torno de 40%.

A pesquisa CNT/MDA mostra também que a aprovação pessoal de Dilma caiu de 55% para 47,9%. O índice de eleitores que reprovam o governo Dilma já é tecnicamente igual ao dos que o aprovam, quando na última pesquisa a vantagem a favor da presidente era de 14 pontos percentuais. Agora, passou a ser de menos de dois pontos.

Ao mesmo tempo em que a distância para seus adversários reduz-se no primeiro turno, num hipotético segundo turno a presidente Dilma também está caindo.

A diferença numa disputa com Aécio Neves caiu de 23,2 pontos para 10,1 pontos. Também Eduardo Campos cresceu no segundo turno contra Dilma, de 18% para 24%, enquanto Dilma caiu de 48,6% para 41,3%.

Lula sabe das coisas... Lula sabe bem das coisas. Só tira onda de inocente.

Senões 
Coluna Painel da Folha

Um aliado de Lula relata que, confrontado com a campanha por seu retorno ao Planalto, o ex-presidente disse que a eleição será difícil, que o desgaste pela troca de candidato seria grande e que ele passaria a campanha se explicando.
NBA bane dono dos Clippers por racismo
Do UOL,

AP Photo/Danny Moloshok
Donald Sterling, dono do Los Angeles Clippers, foi banido por toda a vida e multado em US$ 2,5 milhões

O comissário Adam Silver baniu por toda a vida o dono do Los Angeles Clippers, Donaldo Sterling. Ele não poderá tomar decisões envolvendo o time, presidir os Clippers ou sequer comparecer a qualquer jogo da NBA a partir desta data. Sterling também recebeu multa de 2,5 milhões de dólares.

Silver também disse que a NBA tentará forçar que Sterling venda a franquia o mais rápido possível. A NBA começou a investigar Sterling depois que foi revelada uma gravação telefônica dele com sua namorada, em que ele ofendia os negros.

"Me machuca muito que você queira transmitir sua ligação com os negros. Precisa fazer? Você pode dormir com eles, pode fazer o que quiser. A única coisa que te peço é a não promoção disso e para não levá-los em meus jogos", disse o dirigente. "Em seu asqueroso Instagram, não tem que ter fotos com pessoas negras", completou.

A investigação levou à conclusão de que Sterling é, sim, o responsável pelas declarações e que esse é um momento de muita dor para a toda a família NBA. A punição a Sterling se aplica só a ele - não impede, por exemplo, que a franquia fique com alguém de sua família. Ele também foi punido exclusivamente pelas frases racistas reveladas na última semana.

O banimento de Sterling tem validade imediata. Silver disse ainda que acredita que conseguirá apoio dos outros donos da NBA para obrigar o bilionário a vender sua franquia, o que pode acontecer em três dias. Até a tarde desta terça-feira (29), 23 dos 29 outros times já tinham manifestado total apoio ao comissário Silver por seus sites ou contas no Twitter. É o suficiente para forçar a venda por parte de Sterling, já que os 23 representam mais que os 75% exigidos pelo regulamento.

A multa de 2,5 milhões de dólares é a mais pesada que o regulamento da NBA permite. O dinheiro será doado para organizações que lutam contra o racismo.

"As visões expressas por Sterling são profudamente ofensivas e nocivas", disse o comissário. "Elas simplesmente não têm lugar na NBA", completou.

O representante da principal liga de basquete do mundo disse que, antes do anúncio, conversou com o técnico do Clippers, Doc Rivers, e com o armador Chris Paul e acredita que os atletas apoiariam as decisões tomadas.

No site dos Clippers, poucos minutos depois do anúncio, apareceu a mensagem: "Nós somos um", apoiando a campanha contra o racismo que os jogadores e técnicos da NBA e outras personalidades começaram depois dos eventos que culminaram na punição a Sterling.

Eu num digo nada...


A freira e a prostituta na República

Francisco Frassales Cartaxo

No Brasil, o catolicismo foi a religião oficial na Colônia e no Império. Quase quatro séculos de vinculação institucional. Tempo de sujeição ao Estado, a Igreja no desfrute de privilégios oficiais. E de sofrimentos também. Basta lembrar a prisão de dois bispos quando da chamada “questão religiosa”, no final do reinado de Pedro II. Na República deu-se a separação, formalizada pelo decreto nº 119 A, de 7 de janeiro de 1890, contra o qual levantou-se, firme, o clero brasileiro através de Pastoral Coletiva, de 19 de março daquele ano.

Cinco meses depois, mais outra manifestação coletiva. Desta vez em forma de Reclamação do Episcopado, de 6 de agosto de 1890, assinada por 16 bispos, incluindo os coadjutores. A quem reclamaram os bispos? Ao marechal Deodoro da Fonseca, o novo mandachuva, que encaminhara ao Congresso o projeto de lei da primeira Constituição da República, em cujo texto havia dispositivos, considerados nocivos à Igreja Católica Apostólica Romana, por serem baseados em “funestos princípios que prevaleceram na acelerada redação desse documento gravíssimo”, segundo o documento da Igreja. O episcopado reclamava de quê? De muitas coisas. Em linguagem respeitosa, os pastores católicos contestaram diversos pontos do projeto da Constituição, a seguir realçados.

O projeto escancarava as portas a todos os cultos, nivelando verdade e erro. Menosprezava o tradicional casamento religioso ao exigir a precedência do ato civil, retirando assim a bênção de Deus da união entre mulher e homem. Privava o clero do direito de representar os cidadãos “nos comícios da nação”, nivelando seus membros aos analfabetos, aos sentenciados, aos banidos, aos mentecaptos e os reduz “à ínfima esteira de párias em nossa própria pátria.” O projeto defendia também a expulsão dos Jesuítas e a proibição de ministrar aulas de religião nas escolas, além de ameaçar de esbulho os bens da Igreja. A essa tentativa, os prelados brasileiros recordaram ao marechal Deodoro o que ele próprio já prometera: “Dos bens das ordens religiosas não se há de tocar numa pedra!”

Os bispos reclamaram ainda contra a cláusula que proíbe o funcionamento dos estabelecimentos religiosos no Brasil. Sua adoção seria um golpe de morte na Igreja, cujas ações eram desenvolvidas por muitas entidades espalhadas no território brasileiro, desde sempre. Aqui a reação do clero foi convincente. Diz o documento episcopal:

“Se uma jovem quer atirar-se ao abismo da prostituição, a polícia da República abre alas respeitosas, e a deixa passar, dizendo-lhe: Está no seu direito, é livre de dirigir a sua vida como quiser. Mas se ela se encaminha a um santo asilo para aí viver castamente com amigas piedosas, entregando-se juntas a obras de religião e castidade, tendo por única família a grande família dos desgraçados: Alto lá, lhe diz a polícia, não tendes licença, isso é proibido pela Constituição da República!” 

Impossível resistir à argumentação exposta com tanta clareza. Resultado: muitos dispositivos do projeto foram escoimados do texto original apresentado pelo marechal Deodoro da Fonseca. Essa foi uma das lutas iniciais da Igreja com o novo regime republicano, contaminado das ideias positivistas e anticlericais do final do século 19.

A música 'Não se esqueça de mim' cantada por Nana Caymmi fica melhor ainda.

A análise política de Josival Pereira.

PT deverá ficar de fora da chapa majoritária na Paraíba

Por Josival Pereira
Tambaú247

O PT deverá mesmo ficar de fora da chapa majoritária para a disputa das eleições estaduais deste ano na Paraíba.

É o que apontam as últimas articulações políticas para composição da aliança entre o PT e o PMDB, com a participação de outras legendas da base aliada na presidente Dilma Rousseff. 

Parte dessas articulações foi discutida numa reunião do ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, pré-candidato a governador pelo PMDB, com a Comissão Política do PT, com a participação do deputado Leonardo Gadelha (PSC) e de parlamentares e dirigentes das duas principais legendas envolvidas no processo, nesta segunda-feira.

O PMDB apresentou a proposta de composição de chapa sem a presença do PT na chapa majoritária. No caso, os petistas seriam compensados com votos para garantir a eleição de Lucélio Cartaxo, irmão do prefeito Luciano Cartaxo, a deputado federal.

O principal problema é que o PT, afora Lucélio Cartaxo e Luís Couto, não dispõe de nomes competitivos para a composição da chapa. 

Além disso, o grupo do prefeito Luciano Cartaxo não pretende arriscar com o nome de Lucélio. A avaliação é que, em caso de derrota, o desgaste será pendurado na conta do prefeito, que disputará a reeleição daqui a dois anos.


Observe-se também que o PT nacional não precisará fazer esforço para eleger um senador de sua base política na Paraíba. A perspectiva é a de que disponha de aliados nas três principais chapas: Rômulo Gouveia (PSD) na chapa do governador Ricardo Coutinho, Wilson Santiago (PTB) na chapa do senador Cássio Cunha Lima, e quem quer que seja na chapa de Veneziano Vital do Rego (PMDB) - Manoel Júnior, José Maranhão ou Wellington Roberto (PR).


Assim, talvez seja melhor investir no terceiro ponto das metas nacionais, que é a de eleger 100 deputados federais. Com o reforço de votos do PMDB, o PT poderá eleger dois deputados federais na Paraíba. Com isso, talvez seja melhor não arriscar na disputa para o Senado. As duas primeiras metas do PT é a reeleição de Dilma Rousseff e o aumento de número de senadores.

Muitos petistas vão espernear, mas terão que engolir que o partido está cada vez mais pragmático. Como qualquer outro.
Josias de Souza

Em reunião com líderes do PSDB e do DEM, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), assumiu o compromisso de pedir a todos os partidos que indiquem os seus representantes na CPI mista da Petrobras, que será integrada por 13 senadores e 13 deputados. Mais cedo, Renan solicitara aos líderes partidários que fizessem “imediatamente” apenas as indicações para a CPI do Senado, sem a presença de deputados.

Após rebelião dos deputados, que não admitiram ser excluídos da investigação, Renan recebeu em seu gabinete os líderes do PSDB e do DEM na Câmara e no Senado. Em conversa de uma hora e meia, testemunhada por Eduardo Braga (PMDB-AM), líder de Dilma Rousseff no Senado, Renan concordou em levantar os obstáculos que atravessara no caminho da comissão mista.

À tarde, falando do microfone do plenário, Renan dissera o seguinte: “A oposição sempre deixou clara sua preferência pela CPI mista, mas sua instalação não poderá acontecer por iniciativa do presidente do Senado. A decisão de uma CPI se sobrepor à outra tem que ser política.” Ele marcara para terça-feira (6) uma reunião para discutir o tema com todos os líderes.

Na conversa noturna, Renan declarou que usará o encontro de terça para informar aos líderes sobre sua decisão de estender à CPI mista a mesma solicitação de indicações que fizera para a CPI do Senado. Na prática, Renan transferirá para os partidos a incumbência de definir qual das duas CPIs vai funcionar.

O governo prefere a comissão do Senado, mais fácil de ser controlada. A oposição prefere a CPI mista porque sua composição incluirá governistas dissidentes. Na Câmara, excetuando-se o PT, há dissidentes em todas as legendas governistas. Juntando-se à oposição, esses dissidentes podem produzir maiorias eventuais na CPI.

Estiveram com Renan, além de Eduardo Braga, os senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), além dos deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e Nilson Leitão (PSDB-MT).
O deslizamento de Dilma
Elio Gaspari
Folha de São Paulo

A campanha pela reeleição da doutora Dilma está numa enrascada. Carrega uma cruz do passado (as malfeitorias petistas, do mensalão às traficâncias da Petrobras) e puseram-lhe nas costas outra, do futuro (o "Volta, Lula"). Está presa à necessidade de justificar o que não fez e a uma ideia segundo a qual talvez não seja a melhor escolha, nem mesmo para os petistas e seus aliados.

Lula diz que não é candidato, mas comporta-se como tal e faz isso da pior maneira possível, como corretivo aos erros cometidos por seu poste. Na essência do "Volta, Lula" há um implícito "Sai, Dilma". À primeira vista, esse movimento oferece um Salvador da Pátria, mas está embutido na proposta também um Salvador do PT.


O desgaste de Dilma decorre da exposição de um desgaste do aparelhamento imposto ao Estado. Em menos de um mês abalaram-se duas candidaturas nas quais a nação petista fazia enorme fé. Um só doleiro, veterano de duas delações premiadas, arrastou a campanha de Alexandre Padilha em São Paulo e a de Gleisi Hoffmann no Paraná. Sabendo-se que o partido está sem pai nem mãe no Rio de Janeiro, à malversação de recursos públicos somou-se outra, de votos.


O comissariado afastou-se do deputado André Vargas, mas essa conversão repentina pode ter sido escassa e tardia. Afinal, o PT ainda não conseguiu se desvencilhar do mensalão, hoje transformado na bancada da Papuda.

Ninguém pode prever no final de abril o resultado de uma eleição que ocorrerá em outubro, mas alguns indicadores de hoje são claros:

1) A candidatura de Dilma Rousseff está sendo corroída e mesmo uma pessoa que não gosta do seu governo deve admitir que boa parte desse desgaste vem mais da repulsa ao aparelhamento do que a ela.

2) Se a proposição anterior é verdadeira, o "Volta Lula" pode ser tanto um remédio como um veneno.

3) Aécio Neves e Eduardo Campos ficaram na confortável situação de jogar parados. Pouco dizem a respeito do que pretendem fazer, beneficiados pela exposição dos malfeitos do governo. Oh, que saudades da faxina prometida por Dilma.

Não se sabe quem será o Lula que se quer de volta. Sendo uma "metamorfose ambulante", talvez nem ele saiba. Prova disso está na entrevista que deu em Portugal. Nela disse a coisa, seu oposto e concluiu com uma dúvida.

A coisa, referindo-se à banca da Papuda: "Não se trata de gente da minha confiança". Deixe-se pra lá que José Dirceu, "capitão" da sua equipe, não lhe tivesse a confiança.

O seu contrário: o julgamento do Supremo Tribunal Federal foi "80% político e 20% jurídico".

A dúvida: "Essa história vai ser recontada".

Ganha uma viagem a Cuba quem souber qual das três afirmações deve ser levada a sério.


Enquanto esteve na oposição, a nação petista cultivou uma sociologia de botequim. Supunha que o tucanato espalhara conexões e interesses capazes de garantir-lhe o controle do Estado. Se os adversários podiam fazer isso, os companheiros também podiam. Daí surgiram Marcos Valério, Alberto Youssef, as empresas "campeãs nacionais", empreiteiras amigas e a turma das petrotraficâncias.

Lula foi eleito em 2002 porque a invulnerabilidade sociológica do tucanato era uma fantasia. Mesmo que ele saia do banco de reservas e vá para a quadra, as urnas poderão mostrar que a dele também é. 

Jornal Jogo Extra: o Vascão vai reagir?


Os destaques do jornal Correio Braziliense


A primeira página do jornal O Globo


A capa de hoje do Jornal da Paraíba


As manchetes de jornais brasileiros nesta quarta-feira

Folha“Sei da lealdade dele a mim” diz Dilma sobre “Volta, Lula”

GloboSob pressão, Renan marca para terça início da CPI

Extra: PM cassa folgas da tropa para conter onda de roubos nas ruas

Estadão: Doleiro teria influência sobre Padilha, aponta PF

ZeroHoraPetrobras – Renan marca CPI exclusiva e põe em debate CPI mista

Estado de MinasAécio sobe e Dilma cai

CorreioBrazilienseCela de Dirceu tem chuveiro quente, TV e micro-ondas

CorreiodaBahia: Tranca na Sete Portas

DiáriodoNordeste: Países dos Brics querem criar bloco econômico

DiáriodePernambuco: A raiz do problema

JornaldaParaíba: AL amplia reajuste de servidor para 18,16%

terça-feira, 29 de abril de 2014

Pesquisa mostra Dilma com 37%, Aécio com 21,6% e Campos, 11,8%

Instituto MDA fez levantamento a pedido da Confederação do Transporte.

Dilma perdeu 6,7 pontos percentuais em comparação com último estudo.

Mariana Oliveira
Do G1, em Brasília

Pesquisa do instituto MDA encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgada nesta terça-feira (29) mostra que, a menos de seis meses das eleições, a presidente Dilma Rousseff (PT) registrou 37% das intenções de voto e se mantém na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto, em um cenário que não inclui pré-candidatos de pequenos partidos. Na pesquisa anterior, feita com o mesmo critério e divulgada em fevereiro, Dilma aparecia com 43,7%, 6,7 pontos percentuais a mais que agora.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) aparece na segunda colocação, com 21,6% das intenções de voto. Em fevereiro, ele tinha 17%. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) se manteve na terceira colocação, com 11,8% (contra 9,9% na pesquisa anterior).

A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O MDA ouviu 2.002 eleitores entre os dias 20 e 25 de abril, em 137 municípios de 24 unidades da federação. Por ser ano eleitoral, a pesquisa foi registrada sob o número BR00086/2014 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como determinam as regras eleitorais.

Segundo cenário
Em um cenário com seis pré-candidatos, que inclui nomes de pequenos partidos, o resultado foi o seguinte:

- Dilma Rousseff: 36,5%
- Aécio Neves: 21,5%
- Eduardo Campos: 11,2%
- José Maria Eymael (PSDC): 0,6%
- Levy Fidelix (PRTB): 0,4%
- Randolfe Rodrigues (PSOL): 0,4%

Nesse cenário, 19,2% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou nulo, e 10,2% disseram que não sabiam ou não responderam.

Terceiro cenário
Em um terceiro cenário, no qual aparecem outros dois possíveis candidatos "nanicos", o levantamento mostra:

- Dilma Rousseff: 36,4%
- Aécio Neves: 21,2%
- Eduardo Campos: 11,1%
- Magno Malta (PR): 0,6%
- Pastor Everaldo (PSC): 0,4%
- Randolfe Rodrigues (PSOL): 0,4%
- José Maria Eymael (PSDC): 0,4%
- Levy Fidelix (PRTB): 0,3%

Dos eleitores ouvidos nesse cenário, 19% afirmaram que votariam em branco ou nulo, e 10,2% disseram que não sabiam ou não responderam.

Segundo turno
De acordo com os dados da pesquisa do Instituto MDA, em qualquer cenário, há tanto a possibilidade de Dilma vencer no primeiro turno quanto a de ocorrer segundo turno.

Um candidato vence no primeiro turno se obtiver mais votos que a soma dos demais. Apesar de isso ocorrer em todos os cenários, a margem de erro impede qualquer afirmação.

Em um eventual segundo turno com Aécio Neves, Dilma teria 39,2% das intenções de voto, contra 29,3% de Aécio. Dos entrevistados, 22,8% votariam em branco ou nulo e 8,7% disseram não saber ou não responderam.

Contra Eduardo Campos, Dilma teria 41,3% das intenções de voto, contra 24% do ex-governador de Pernambuco. Votariam em branco ou nulo 24,4%, e 10,3% não sabiam ou não responderam.

Pesquisa espontânea
Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados nomes de candidatos aos entrevistados, Dilma lidera com 20,5% das intenções de voto. Aécio Neves aparece na sequência, com 9,3%.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou em terceiro lugar, com 6,5% das intenções, e a ex-senadora Marina Silva, que deve ser vice de Campos pelo PSB, obteve 4,5%. Eduardo Campos apareceu em seguida, com 3,6% das intenções de voto.

Dos entrevistados, 1,4% votaria em outros candidatos, 14,1% votariam em branco ou nulo e 40,1% não sabiam ou não responderam.
Josias de Souza


O presidente do STF, Joaquim Barbosa, reagiu às críticas de Lula contra o julgamento do mensalão. “É um fato grave que merece o mais veemente repúdio”, escreveu o ministro, em nota oficial divulgada na noite desta segunda-feira.

Barbosa repudiou a forma: “Lamento profundamentete que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte de Justiça do país.”

Repudiou também o conteúdo: “O juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome.”

Em entrevista à emissora portuguesa RTP, Lula dissera que o julgamento do mensalão “teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisões jurídicas”. De resto, repisara duas teses cínicas: “não houve mensalão” e “o processo foi um massacre que visava destruir o PT.”

Além de Barbosa, dois ministros do Supremo reagiram a Lula. Marco Aurélio Mello considerou as declarações “um troço de doido. Mendes achou a coisa toda muito “engraçada.

Vai abaixo a íntegra da nota de Barbosa:


"Lamento profundamentete que um ex-Presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte de Justiça do país. A desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira, é um fato grave que merece o mais veemente repúdio. Essa iniciativa emite um sinal de desesperança para o cidadão comum, já indignado com a corrupção e a impunidade, e acuado pela violência. Os cidadãos brasileiros clamam por justiça.

A Ação Penal 470 foi conduzida de forma absolutamente transparente. Pela primeira vez na história do Tribunal, todas as partes de um processo criminal puderam ter acesso simultaneamente aos autos, a partir de qualquer ponto do território nacional uma vez que toda a documentação fora digitalizada e estava disponível em rede. As cerca de 60 sessões do julgamento foram públicas, com transmissão ao vivo pela TV Justiça, além de terem recebido cobertura jornalística de mais de uma centena de profissionais de veículos nacionais e estrangeiros. Os advogados dos réus acompanharam, desde o primeiro dia, todos os passos do andamento do processo e puderam requerer todas as diligências e provas indispensáveis ao exercício do direito de defesa.

Acolhida a denúncia em agosto de 2007, o Ministério Público e os réus tiveram oportunidade de indicar testemunhas. Foram indicadas, no total, cerca de 600. Acusação e defesa dispuseram de mais de quatro anos para trazer ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal as provas que eram do seu respectivo interesse.

Além da prova testemunhal, foram feitas inúmeras perícias, muitas delas realizadas por órgãos e entidades situadas na esfera de mando e influência do Presidente da República, tais como:

- Banco Central do Brasil;

- Banco do Brasil;

- Polícia Federal;

- COAF.

Também contribuíram para o resultado do julgamento provas resultantes de trabalhos técnicos elaborados por órgãos da Câmara dos Deputados, do Tribunal de Contas da União e por Comissão Parlamentar de Inquérito Mista do Congresso Nacional. Portanto, o juízo de valor emitido pelo ex-Chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome.“

Joaquim Barbosa
Presidente do Supremo Tribunal Federal
Troço de doido 
Eliane Catanhêde
Folha de São Paulo

BRASÍLIA - É assim que começa. Quando 20 dos 32 deputados do PR lançam o "volta Lula", não pense que é uma bobagem, coisa dos 20 ou só do PR. Não é. Reflete o temor crescente sobre as chances de Dilma e pode ser o fio da meada.

Para amenizar o impacto, os deputados dizem que, se não tem tu, vão de tu mesmo. Ou seja, se Lula não ceder --apesar de cada vez mais assanhado--, eles engolem Dilma. Não é exatamente estimulante...

A isso se somam vários outros sinais de rejeição à reeleição. O próprio PMDB, principal partido da base aliada, inclusive com a Vice-Presidência da República, tem se rebelado --ou tem rebelados-- no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Rio de Janeiro, na Bahia, no Ceará...

Em Minas, a desistência do senador Clésio Andrade de concorrer ao governo foi comemorada como apoio certo às candidaturas do PT, mas, ontem, ele disse em nota que só vai decidir "mais à frente" quem apoiará ao governo do Estado e ao Senado.


Assim como o retrato de Lula subiu à parede da liderança do PR na Câmara, o de Dilma sumiu do gabinete de Clésio Andrade no Senado. E ele é presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

E o que dizer do ex-prefeito Gilberto Kassab, que está com Dilma, mas janta daqui com Aécio Neves, reúne-se dali com Eduardo Campos?

Há, portanto, um recuo em relação a Dilma, um compasso de espera, como se a turma estivesse esperando para ver no que vai dar --ou para onde as pesquisas sopram.

A única sorte de Dilma é que todas essas crises, éticas, políticas, econômicas, ocorrem com muita antecedência. Em 2006, por exemplo, Lula foi ao fundo do poço com mensalão e aloprados, mas se reelegeu no final.


Há, porém, uma diferença fundamental: em 2006, a economia estava bem. Em 2014, há a soma de escândalos, descontrole político e economia devagar, quase parando. O cenário eleitoral é de dúvidas. E só piora a cada fala estapafúrdia de Lula.
 
DiáriodoPoder

O ex-presidente Lula provocou grande mal-estar no governo e no PT ao declarar, em entrevista à TV portuguesa RTP que os mensaleiros cumprindo pena no presídio da Papuda não são da sua “confiança”. Até porque não é verdade: um dos presos, José Dirceu, por exemplo, exerceu em seu governo o cargo de maior confiança de presidente da República: ministro-chefe da Casa Civil, espécie de “primeiro-ministro”.



Outros velhos amigos, que estão presos e não entregaram o líder, como Delúbio Soares, sentiram-se ofendidos com a afirmação de Lula.



Ao renegar os amigos mensaleiros, Lula dá razão aos que o comparam a Macunaíma, o “herói sem caráter” da obra de Mário de Andrade.



Após negar três vezes amizade a “cumpanhêros” do mensalão, Lula vai dizer que sua íntima amiga Rose também “não era de sua confiança”?

Deu no Estadão


Os destaques do Jornal do Commercio


A primeira página do jornal Folha de São Paulo


A capa de hoje do Jornal da Paraíba


As manchetes de jornais brasileiros nesta terça-feira

FolhaLula não entende a independência da Justiça, diz Barbosa

GloboEmpreiteiras repassaram R$ 90 milhões a doleiro

Extra: Inferno na Zona Norte

Estadão: Joaquim Barbosa diz que fala de Lula sobre o Mensalão é grave e "merece repúdio"

ZeroHoraMantega confirma ações de incentivo à venda de carros

Estado de Minas: Joaquim Barbosa diz que declaração de Lula merece repúdio

CorreioBrazilienseA guerra de R$ 8 bi que terceirizou a Esplanada

CorreiodaBahia: Muitas bananas pro racismo

DiáriodoNordeste: Embaixadores preparam reunião dos Brics na Capital

DiáriodePernambuco: Prepare o bolso e apague a luz

JornaldaParaíba: IR incompleto é solução para 80 mil retardatários

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Racismo não!

Sugestão de Marcílio Cartaxo

Nosso abraço carinhoso de parabéns para Michelle Trindade. Muita saúde, paz e amor.


Josias de Souza

Em entrevista à emissora portuguesa RTP, Lula contou uma piada de brasileiro. O julgamento do mensalão “teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisões jurídicas”, disse, antes de divertir a audiência com duas teses: “não houve mensalão” e “o processo foi um massacre que visava destruir o PT.” Ao se referir aos “companheiros do PT presos”, o entrevistado levou a anedota a sério: “Não se trata de gente da minha confiança.”


Ficou entendido que, em matéria de mensalão, Lula é 100% cínico. Ele maneja o cinismo com tal sofisticação filosófica que acaba se aproximando da realidade. Como no trecho em que declarou que “é apenas uma questão de tempo, e essa história vai ser recontada para saber o que aconteceu na verdade”. De fato, ainda há algo por esclarecer: qual foi o verdadeiro papel de Lula no enredo do mensalão?



Há quatro Lulas dentro do escândalo. Nenhum deles se parece com o autêntico. Logo que o escândalo estourou, em 2005, um primeiro Lula tentou reduzir tudo a mais um caso de caixa dois: “O que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente”. Sentado num banco de CPI, Duda Mendonça jogou a campanha presidencial dentro do caldeirão, provocando o surgimento de outro Lula.




Esse segundo Lula jurou que “não sabia” do que se passava sob suas barbas, pediu “desculpas” em rede nacional de rádio e tevê e declarou-se “traído”. Na prática, pediu aos 52.788.428 eleitores que o haviam acomodado na Presidência que o enxergassem como um bobo, não como um cúmplice.

Em 2006, a campanha da reeleição produziu um terceiro Lula. Dizia coisas assim: “Esse negócio de mensalão me cheira a um pouco de folclore dentro do Congresso Nacional”. Foi nessa época que o então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, nomeado por Lula, serviu-se das evidências colecionadas pela Polícia Federal do doutor Márcio Thomaz Bastos para formular a denúncia sobre a troca de dinheiro sujo por apoio congressual ilegítimo. A ausência de Lula no rol de acusados deu à peça a folclórica aparência de mula sem cabeça.


Reeleito, Lula sentiu-se autorizado a potencializar a desfaçatez. Que aumentou na proporção direta da elevação dos índices de popularidade. Em maio de 2010, quando carregava nos ombros a candidatura presidencial de Dilma Rousseff, Lula referiu-se ao escândalo que tisnara seu primeiro reinado como “um momento em que tentaram dar um golpe neste país.Esse quarto Lula é irmão gêmeo do comediante que acaba de se apresentar na RTP, a emissora portuguesa.

Com a tese do “golpe”, Lula soara, além de ilógico, ingrato. Cinco anos antes, quando a lama rocava-lhe o bico do sapato e o vocábulo impeachment era pronunciado à larga, o pseudopresidente mandara ao olho da rua o chefe de sua Casa Civil, José ‘Não se Trata de Gente da Minha Confiança’ Dirceu. E despachara três ministros para apagar os ânimos da oposição.


Márcio Thomaz Bastos, foi ao encontro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ciro Gomes voou para uma conversa com o então governador mineiro Aécio Neves. E um Antonio Palocci pré-escândalo do caseiro reuniu-se com a nata da plutocracia e com seus amigos tucanos. Em poucos dias, sob a voz de comando de FHC, o tucanato desembarcou da tese do impeachment. Ou seja: houve complacência, não “golpe”.

Numa passagem do extraordinário livro “Lula, o Filho do Brasil”, lançado em dezembro de 2002, o personagem central da narrativa desenhara um bonito retrato de si mesmo. Em depoimento a Denise Paraná, autora da obra, Lula dissera: “…Se eu não tivesse algumas [qualidades pessoais] não teria chegado aonde cheguei. Eu não sou bobo. Acho que cheguei aonde cheguei pela fidelidade aos propósitos que não são meus, são de centenas, milhares de pessoas.”


Os quatro Lulas que se seguiram ao mensalão não fazem jus a esse Lula de outrora, fiel aos propósitos da coletividade. Na Presidência, um ex-Lula disse que preferia “ser considerado uma metamorfose ambulante” (reveja abaixo). Quando a história puder falar sobre o mensalão sem as travas que a conveniência impõe a algumas línguas companheiras, o país talvez descubra as razões que levaram um arauto da ética a sofrer a metamorfose que o tornou um cínico contador de anedotas.