segunda-feira, 31 de março de 2014

50 anos do golpe

Por Francisco Frassales Cartaxo

O último golpe de estado no Brasil completa 50 anos no dia 31 deste mês. Ainda hoje o Brasil sofre as consequências da interrupção do processo democrático, iniciado com a queda de Getúlio Vargas, em 1945, e seu Estado Novo, implantado em 1937 por ele mesmo, com a ajuda do Exército. Na verdade, o 31 de março de 1964 foi o desfecho de uma conspiração de dez anos. Getúlio Vargas foi eleito presidente da República em 3 de outubro de 1950, derrotando o brigadeiro Eduardo Gomes. Segmentos conservadores da sociedade brasileira – partidos políticos, latifundiários, industriais, parte da Igreja, das forças armadas e classes médias urbanas – aliados ao governo dos Estados Unidos não se conformaram com a derrota. Impossível aceitar o retorno ao poder do velho gaúcho que se fez chefe do governo revolucionário de 1930 e, se impôs como ditador sete anos mais tarde. 

No tempo de ostracismo, Getúlio aprofundara suas ideias nacionalistas, em meio à “guerra fria”, o mundo dividido em dois polos: capitalismo e socialismo, Oriente e Ocidente, democracia e opressão, enfim, na visão de muitos, o bem e o mal a estimular crenças e atitudes radicais. Posições nacionalistas distanciaram Vargas da área de influência americana. A campanha eleitoral girou em torno da sua volta ao poder, agora pelas urnas, nos braços do povo, no melhor estilo populista latino-americano. Ele voltara em movimento de massas, sustentado por trabalhistas, comunistas, nacionalistas, em aliança com as velhas raposas políticas do PSD, agraciadas com as benesses do poder. A eleição de Vargas prenunciava o golpe. Ora, não sendo possível vencê-lo pelo voto, só havia um meio de destroná-lo: o golpe de força, surrado modelo aplicado na América Latina, desde sempre. Mal Getúlio pôs os pés no Palácio do Catete, a imprensa começa a preparar o ambiente para sua deposição. 

No governo, Getúlio foi além das intenções. Criou órgãos públicos de fomento a ações planejadas, como o BNDE e o BNB, fez opção pelo monopólio estatal do petróleo, criando a Petrobras, defendeu os trabalhadores e adotou outras iniciativas populares. Com isso, desagradou muita gente, contribuindo para que se formasse uma grande aliança visando derrubá-lo do poder. Para isso, uniram-se na conspiração partidos políticos, como a UDN, a imprensa, entidades empresariais. 

As malfeitorias de membros do governo eram exploradas de modo assustador. Personagens como Carlos Lacerda, dono de pequeno jornal (Tribuna da Imprensa) passaram a ter acesso a potentes emissoras de rádio e a nascente televisão, para ampliar atos de corrupção - o famoso “mar de lama” - em que, diziam, se transformara o governo Vargas. Episódios desastrados protagonizados por figuras menores da confiança de Getúlio complicavam mais ainda o governo. Exemplo: o atentado a Carlos Lacerda, em que morreu o major da Aeronáutica, Rubens Vaz.

A cada dia, fechava-se o cerco. Poucas vozes institucionais o defendiam. A exceção era um jornal impresso de expressão nacional, Última Hora, criado em 1951, sob a inspiração de Getúlio, exatamente para tentar neutralizar a ofensiva cruel contra seu governo. Era pouco, muito pouco.


Ao golpe em marcha, faltava apenas marcar a data. Vargas antecipou-se. Preferiu a morte, retardando em 10 anos o golpe de 1964. Mas antes de atirar no peito, ele deixou uma carta. Dela falarei na próxima semana.
Imagens colhidas no Museu da República, no Catete, no Rio de Janeiro
50 anos do golpe (2)

Francisco Frassales Cartaxo

Tramava-se a deposição de Getúlio Vargas desde sua posse. Tudo se encaminhava para esse desfecho, após o atentado ao jornalista Carlos Lacerda, em 5 de agosto de 1954, no qual morreu o major Rubens Vaz. O episódio desencadeou o processo final que incluiu à caça paralela aos executores e mandantes e, de quebra, a descoberta de malfeitorias praticadas pela Guarda Pessoal de Vargas, chefiada por Gregório Fortunato, gaúcho de sua inteira confiança. Os chefes militares exigiram a renúncia de Getúlio, o governo então já imobilizado e tonto. Seria o fim do populismo de esquerda no Brasil.


Mas não ainda. Com um tiro no próprio peito, Getúlio mudou o rumo da história. Radicalmente. O tiro e uma carta. A carta-testamento. Escrita para as massas, a carta virou peça de resistência popular. A comoção provocada pelo suicídio já bastaria para mobilizar a população contra os golpistas. Mas as razões do gesto, contidas na carta, traçaram o roteiro das manifestações do povo, impactado pela morte trágica do grande chefe.



Vale a pena lembrar trechos da última carta de Vargas

“Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.” (...) “Quis criar a liberdade nacional na potencialização de nossas riquezas através da Petrobras, mal esta começa a funcionar, a onda de agitação se avoluma.” 

“Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto minha vida. Escolho esse meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater a à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém.”


“Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

O resultado, todos conhecemos. O povo ocupou as ruas no Brasil inteiro, deixando acuados os que, horas antes, impunham a renúncia de Vargas. Não teve jeito. Tiveram que esperar 10 anos. E ventos mutantes do curso da história. Conseguiram com o golpe de1964, dado em nome família, com Deus pela liberdade. Contra a corrupção e a subversão.

O Hospital Universitário, em Cajazeiras, continua sob ameaça de boicote.

INFORMATIVO AC3 Nº 03 - MARÇO/2014

SERÁ QUE VÃO "MELAR" O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE CAJAZEIRAS?

Vão melar o Hospital Universitário de Cajazeiras, se nós ficarmos passivos. Acham pouco, 1 ano e 6 meses de boicote, com atitudes antidemocráticas, com a clara intenção de abafar no grito, a vontade da maioria? Vamos a luta em defesa deste Projeto Estruturante, pautado no binômio Saúde/Educação, beneficiando toda Região do Alto Piranhas.

Manifestamos, veementemente, nosso repúdio a Diretora do Hospital Universitário Alcides Carneiro de Campina Grande, Berenice Ferreira, que em Artigo no Jornal da Paraíba, ameaça publicamente de sabotagem a decisão soberana do Reitor da UFCG, fazendo questão de enfatizar que recorrerá em todas as instâncias.


O Prof. Edilson Amorim, respaldado juridicamente, bem como em posicionamentos oficiais de Organizações com atuação em Cajazeiras e na Região, acertou plenamente, em dar a "canetada", em prol da adesão daquela Universidade à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Com esta medida, o Hospital Universitário de alta complexidade, com 200 leitos, orçado em R$ 168 milhões, injetando R$ 50 milhões por ano após sua implantação, ficará garantido para Cajazeiras, beneficiando toda uma Região, abrangendo os Estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. De quebra, o Hospital Infantil Universitário Júlio Bandeira de Cajazeiras, pioneiro e referência no acolhimento na área de pediatria da Região, será fortalecido, ampliando significativamente o atendimento ambulatorial de 2013, com uma média de quase 100 crianças, por dia, no decorrer das 24h, de domingo a domingo.


Com esta necessária "canetada", a Paraíba saiu da vergonhosa mancha de ser o único Estado do Nordeste, onde existia o contra, com origem nas manobras orquestradas por feudos encastelados no Hospital Universitário Alcides Carneiro. Por interesses pessoais contrariados, resistem em compartilhar a gestão com uma Empresa Pública criada pelo Governo Federal, justamente para dar suporte a administração das Unidades Universitárias Hospitalares. Além disto, é urgente um basta nas disputas internas de grupos na UFCG, refletindo-se negativamente na população, principalmente do interior da Paraíba, carente de ações robustas na área de saúde.

Portanto, vamos permanecer vigilantes, demonstrando firmemente nossa indignação e repúdio, a todos aqueles que só olham para o próprio umbigo, esquecendo-se dos indicadores sociais perversos do Alto Sertão do nosso Estado em relação ao eixo João Pessoa/Campina Grande.

Josias Farias Neto
Diretor de Políticas Públicas 
Ass. dos Cajazeirenses e Cajazeirados do Ceará - AC3

Enquanto isto, no Senado Federal...

Sugestão de Juarez 'Bega' Costa

Deus está presente!

MENINO DE 10 ANOS CEGO E AUTISTA ENCANTA O MUNDO COM A SUA VOZ MARAVILHOSA

Ele chama-se Christopher Duffley é cego, autista e tem uma voz que encanta qualquer pessoa. Uma história de inspiração que merece ser espalhada pelo mundo portanto não se esqueça de compartilhar.


Sugestão de André Aguiar
Quem tem medo da CPI da Petrobras?

Que políticos podem perder se o Congresso investigar a corrupção na estatal

DIEGO ESCOSTEGUY, MURILO RAMOS E LEANDRO LOYOLA, COM MARCELO ROCHA
Revista Época

No começo de 2004, os deputados José Janene e Pedro Corrêa, líderes do PP, estavam no saguão de embarque do aeroporto Santos Dumont, no Rio, quando esbarraram com o engenheiro Paulo Roberto Costa, funcionário de carreira da Petrobras e diretor do gasoduto entre Brasil e Bolívia. Corrêa o conhecia desde o governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. A dupla do PP, que comandava o partido, estava em busca de um nome de confiança para indicar à cobiçada Diretoria de Abastecimento da Petrobras, conforme fora acordado com outra dupla, aquela dupla mais poderosa da República do Brasil naqueles tempos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, José Dirceu. Os três conversaram rapidamente no aeroporto. Num átimo, Costa topou. Foi uma decisão que mudou sua vida. E que, dez anos depois, no momento em que a corrupção da Petrobras no passado alcança a fragilidade do governo Dilma Rousseff no presente, pode mudar o futuro político do país. Esse entrechoque entre passado, presente e futuro se dará na CPI da Petrobras – com o avanço do noticiário policial envolvendo a estatal, ela se tornou inevitável.


A soma do passado com o presente da Petrobras ameaça o futuro de Dilma graças à sintonia entre os interesses do blocão, aquele grupo de deputados descontentes com o governo dela, e os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos. Os dois lados querem derrotar Dilma, cada um por suas razões. Os deputados do blocão trabalham para diminuir os votos que o PT terá nas próximas eleições, nas campanhas para deputado e senador. Temem ser obliterados pela hegemonia do PT e voltar para um Congresso cada vez mais dominado por petistas. Ou pior: nem sequer voltar para Brasília, ao perder seus mandatos para petistas. Desgastar Dilma é uma das maneiras de diminuir as chances de que eles levem uma sova eleitoral do PT. Aécio e Campos se aproveitam disso para antecipar o desgaste que tentariam aplicar a Dilma somente no segundo semestre. O início da CPI no Congresso é, portanto, o início das eleições.

Situação e oposição preparam suas estratégias. A oposição decidiu criar antes uma CPI no Senado, para depois migrar para a CPI mista e, assim, driblar a força de Renan Calheiros, presidente do Senado. Renan não tem interesse nenhum em apurações na Petrobras. É o padrinho de Sérgio Machado, há 11 anos presidente da Transpetro, o braço da Petrobras encarregado de transportar o petróleo extraído. Com a onda desfavorável – em pesquisa da semana passada, Dilma registrou 36% de aprovação, seu pior índice desde os protestos de junho –, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a convenceu a pegar pesado. A estratégia do governo é anarquizar a CPI. Parlamentares do PT serão orientados pelo Planalto a apresentar requerimentos para investigar denúncias que atinjam tucanos e o presidenciável Campos. Pedirão, de modo a tumultuar os trabalhos, documentos das investigações sobre o cartel de trens nos governos tucanos em São Paulo. E, também, informações sobre as obras do Porto de Suape, em Pernambuco, Estado governado por Campos.

É uma tática de intimidação. O governo permitirá a convocação de gente da Petrobras, como a presidente Maria das Graças Foster. Mas usará sua força para marcar esses depoimentos para dias estrategicamente esvaziados. Entre as datas estudadas estão 12, 17 e 23 de junho, os dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo – quando a atenção para a política deverá ficar abaixo de zero. Uma investigação na Petrobras é uma aventura arriscada para todos. Uma das propostas, inevitável, era investigar o contrato de US$ 860 milhões da Petrobras com a Odebrecht. Ao ver o nome, Aécio arregalou os olhos. A menção à Odebrecht desapareceu em instantes do pedido de CPI. No ano passado, o lobista João Augusto Henriques disse a ÉPOCA que o contrato rendeu doações da empreiteira à campanha eleitoral de Dilma em 2010. Ficou acertado que a CPI investigará a compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, os indícios de pagamento de propina a funcionários da estatal pela holandesa SBM, construções de refinarias e denúncias de plataformas entregues inacabadas.

A história do medo que os políticos têm da CPI pode ser contada a partir daquele encontro no aeroporto Santos Dumont. Dois de seus três participantes estão na cadeia. Costa foi preso há dias pela Polícia Federal, acusado de ser parceiro de negócios de Alberto Youssef, um dos maiores doleiros do Brasil. Também é suspeito de receber propina de empreiteiras quando era diretor da Petrobras. Corrêa está preso desde dezembro. Foi condenado pelo Supremo, no julgamento do mensalão, a 7 anos e 2 meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cumpre pena num presídio de Pernambuco. Janene morreu em 2010, antes de ser julgado pelo Supremo. O doleiro Youssef, hoje apontado como sócio de Costa, era o responsável por lavar o dinheiro do mensalão para os deputados do PP. Foi preso na mesma operação da PF que levou Costa em cana.

Se Costa não tivesse aceitado o cargo naquela conversa no Santos Dumont, talvez tudo transcorresse da mesma maneira no Planalto, no Congresso e na Petrobras. Seja lá por que razões tenha aquiescido à indicação do PP, Costa aceitou, há dez anos, ser mais um na multipartidária indústria da corrupção que define, em larga medida e há muitas décadas, a política brasileira: a arrecadação de dinheiro por meio de cargos no governo. Dinheiro sujo para financiar campanhas eleitorais. E dinheiro sujo para todos os que participam dessa indústria: donos de partidos, lobistas que criam dificuldades para vender facilidades, fornecedores do governo, doleiros que tornam viável o pagamento de propina.

O REPARTE DA PETROBRAS

O esquema do mensalão, em todas as suas complexas ramificações, consistiu numa tentativa de centralizar o vasto caixa nas mãos do PT. Especificamente, nas mãos do ex-tesoureiro Delúbio Soares, que contava com a ajuda de alguns auxiliares. Era uma decisão ideológica. Para quem entendia a indústria por dentro, como o ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB, era impossível de executar. A ideia do governo Lula era oferecer menos cargos a partidos como o PP e, em troca, manter um fluxo financeiro razoável para os aliados, por meio da dinheirama do mensalão. O esquema operado por Marcos Valério, contudo, era insuficiente para manter no azul a indústria da corrupção política. Era preciso mais. Era preciso entregar um pedaço do que todos os vários aliados do governo queriam: a Petrobras, maior empresa do país, que oferece as melhores oportunidades de negócios. Por isso o esquema coexistiu, no começo do governo Lula, com poucas, mas relevantes, nomeações de peso dos demais partidos. Paulo Roberto era uma delas.


Para aprovar o nome de Costa, Janene o levou à sede do PT em São Paulo, onde ambos se encontraram com Dirceu e Delúbio. Segundo um petista que testemunhou a reunião, Costa entendeu que, se devia a indicação ao PP, devia também, a partir daquele momento, fidelidade ao PT. Obedeceria doravante a dois mestres. Em seguida ao encontro na sede do PT, Lula recebeu, no Planalto, Dirceu e o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra. Dirceu apoiou a nomeação de Costa; Dutra contestou. Exaltou-se. Disse o que todos, em Brasília ou na Petrobras, sabiam: Janene era insaciável, e as operações de Costa poderiam trazer sérios prejuízos à Petrobras. Dirceu não recuou. Lula – que, alertado dos perigos do mensalão, nada fez – nomeou Costa. E repartiu politicamente os cargos na Petrobras. Deu diretorias para PT e PP, além de assegurar a presidência da Transpetro, a principal e bilionária subsidiária da Petrobras, ao PMDB. O ex-senador Sérgio Machado virou chefe da Transpetro, por indicação exclusiva do hoje presidente do Senado, Renan Calheiros. “Esse negócio de indicação (para a Transpetro) eu não tenho conhecimento”, diz Renan.

Com mensalão e Petrobras, entre outros cargos menores, os aliados pareciam finalmente satisfeitos. A descoberta do mensalão, em 2005, mudou tudo. A estratégia do PT, centralizar os financiamentos dos políticos, dera errado. Era preciso se ater aos esquemas tradicionais: cada partido cuidaria de seu caixa, por meio dos cargos que tivesse, ou que viesse a ganhar. A campanha de reeleição de Lula, em 2006, coincide com o primeiro momento da hoje infame compra da refinaria Pasadena, coordenada por Nestor Cerveró, então diretor internacional da Petrobras, indicado pelo PT e pelo PMDB. Como se confirmou há duas semanas, essa operação foi avalizada pela presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. Dilma disse desconhecer as condições do contrato que eram lesivas à Petrobras. Disse ainda que faria diferente se soubesse delas. Como tinha enorme influência na Petrobras, Dilma será obrigada, caso a CPI trabalhe seriamente, a responder pelo que se fez com a estatal durante o governo Lula.

No caso do mensalão, tudo se descobriu; no caso da Petrobras, a corrupção ficou escondida por mais tempo. Com o avançar do governo Lula e a queda de operadores poderosos como Dirceu e Janene, os executivos da Petrobras buscaram novos padrinhos. Costa se tornou o principal diretor da Petrobras, representando os interesses do PP, do PT e do PMDB. Reportava-se, nos casos da construção de refinarias no Brasil, diretamente ao presidente Lula. Lula chamava Costa de “Paulinho”, de acordo com um dos sócios de Costa. Cerveró foi substituído na Diretoria Internacional por Jorge Zelada, uma indicação do PMDB da Câmara. Conforme revelou ÉPOCA, Zelada era subordinado, na prática, ao lobista João Augusto Henriques, uma espécie de Delúbio do PMDB. Arrecadava propina, segundo ele mesmo confessou a ÉPOCA, em nome da bancada do partido. O caso é investigado pela PF e pelo Ministério Público.

AGENDA DUPLA

Executivos como Zelada e Costa dividiam sua agenda entre o trabalho na Petrobras e despachos com os chefes políticos em Brasília. Costa frequentava cafés da manhã, almoços e jantares organizados por parlamentares. A maioria dos encontros dava-se nos apartamentos dos ex-líderes do PP na Câmara, Mário Negromonte, que foi ministro das Cidades, e João Pizzolatti. Nessas ocasiões, Costa prestava contas sobre negócios de interesse dos deputados. Zelada fazia o mesmo. Sérgio Machado, da Transpetro, também.

Um dos muitos negócios narrados nos encontros em Brasília envolve a Jaraguá Equipamentos Industriais, empresa de Sorocaba especializada em fornecer equipamentos para refinarias da Petrobras, área de influência de Costa. Em 11 de agosto de 2010, a Jaraguá transferiu, de uma só vez, R$ 1,1 milhão para as contas bancárias das campanhas de cinco políticos do PP. Desse total, R$ 1 milhão para os anfitriões dos encontros com Costa. Negromonte e Pizzolatti ganharam R$ 500 mil cada um. Apesar de ter sido a maior doadora de sua campanha, Pizzolatti não lembra a doação. “Tenho de ver com quem fez a prestação de contas. Não lembro”, diz. A generosidade da Jaraguá foi recompensada logo depois. No dia 30 de novembro de 2010, após as eleições, ela fechou dois contratos com a Petrobras, no valor de R$ 200 milhões, para trabalhar nas obras e montagem da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Dali a quatro meses, num consórcio com a empresa Egesa, fisgou outro contrato, de R$ 337 milhões, para trabalhar no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj. Esse contrato ainda está em vigor. Para ser aprovados, os três contratos passaram pelo crivo de Costa. Costa, afilhado do PP, interferiu na aprovação de mais de R$ 500 milhões para a Jaraguá. “Costa era nosso porta-voz na Petrobras”, diz o senador alagoano Benedito de Lira.

Casos como esse devem pulular na CPI. Ameaçam deputados e senadores do PP, do PT, do PTB, do PMDB… Os que vieram a público até o momento referem-se ao passado, àquele momento em que o mensalão secou. Quando Dilma assumiu o governo, conseguiu, para crédito dela, extirpar da Petrobras nomes como Costa e Zelada, apeados em 2012. A exceção é José Carlos Cosenza, que substituiu Costa como diretor de abastecimento. Foi uma surpresa para os técnicos da área. Cosenza era o número dois de Costa. Agia, portanto, sob as ordens dele. Todos esperavam que caísse junto. A amigos, a atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, confidenciou que não houve jeito. Dilma e Graça queriam demitir Costa desde o começo do governo. Pediram que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, convencesse o PMDB a abdicar de Costa. Como o PMDB não cedesse, Lobão pediu a Costa que se demitisse. Ele não topou. Saiu demitido. Cosenza assumiu seu lugar, com o aval do PMDB do Senado.


ELLE VOLTOU

Dilma também não conseguiu limpar a Transpetro e a BR Distribuidora, as duas maiores subsidiárias da Petrobras. Aqui, entra o presente. Essas duas empresas ainda estão nas mãos de políticos – que correrão os riscos inerentes a uma investigação parlamentar. O ex-presidente Fernando Collor de Mello, antes inimigo do PT e de Lula, é o padrinho, desde 2009, de três diretores da BR, incluindo o presidente da empresa, José Lima Neto, que também recebeu o aval de Lobão. Em mais uma demonstração de que o tempo se recusa a passar em Brasília, Collor conquistou as diretorias da BR durante… a última CPI da Petrobras. Em 2009, o Senado criou uma comissão para investigar a estatal. Era um arremedo. Não deu em nada.

Não para Collor. Eleito senador em 2006, ele foi o representante do PTB na CPI. Ameaçava com requerimentos e queria até levar a discussão do precioso marco legal do pré-sal para a comissão. Em agosto, descia a lenha na Petrobras. Lula o chamou para conversar. E tudo foi resolvido. No mês seguinte, o Conselho de Administração da Petrobras, numa reunião em que Dilma estava presente, aprovou a nomeação de dois dos indicados de Collor. Uma terceira diretoria está sob o comando de um grupo de deputados do PT que pode ser descrito como “PMDB do PT”. Cândido Vaccarezza, José Mentor, Vander Loubet e André Vargas compõem esse grupo. Vaccarezza afirma que participou da indicação de Andurte de Barros Duarte para a direção da BR Distribuidora. “Eu e a bancada do PT. A indicação foi feita quando eu era líder”, afirma. Vaccarezza diz que Andurte não é filiado, mas tem boas relações com o PT e o conhece há muito tempo. O deputado André Vargas afirma que conhece Andurte como alguém próximo do PT, mas não se lembra da indicação. Procurados, os deputados Vander Loubet e José Mentor não foram localizados.

Com Collor, o presente nunca foi tão passado em Brasília. Segundo seis pessoas, entre eles parlamentares, lobistas e técnicos da Petrobras, o consórcio entre Collor e os deputados do PT na BR Distribuidora tem como intermediário Pedro Paulo Leoni Ramos, conhecido como PP. Ele é amigo de Collor desde a juventude. Collor foi seu padrinho de casamento. Integrava o “grupo de Pequim”, a turma de amigos que decidiu que Collor deveria ser candidato à Presidência durante um jantar na China, em 1987. Filho de um coronel do Exército, apesar da inexperiência na área, PP foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo Collor. Era encarregado de tratar com os militares de assuntos delicados, como a extinção do Serviço Nacional de Informações (SNI), o maior órgão de espionagem da ditadura, e do programa nuclear. PP apareceu mesmo pela atuação em negócios em outras áreas. Foi acusado de coordenar no governo o “esquema PP”, que atuava na Petrobras e em fundos de pensão de estatais. Na Petrobras, funcionários eram obrigados a repassar negócios a pequenas empresas ligadas a PP. Em 1992, PP foi acusado de interferir em negócios feitos pela Previ, o gigantesco fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

PP é hoje dono de diversas empresas, especialmente na área de energia e consultorias. Um dos sócios em suas empresas é seu cunhado Roberto Figueiredo Guimarães. Como ele, Guimarães foi um jovem com cargo importante no governo Collor. Aos 30 anos assumiu o cargo de secretário do Tesouro Nacional, subordinado à ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello. Em 2007, Guimarães se tornou presidente do Banco de Brasília, o BRB, um dos poucos bancos estaduais ainda não privatizados. Durou pouco no cargo. Dois meses depois, foi preso pela Polícia Federal na Operação Navalha, devido a sua atuação no emprego anterior. Guimarães fora contratado um ano antes como consultor financeiro do governo do Maranhão. De acordo com as investigações da PF, ele ajudou a construtora Gautama a desviar recursos de obras para o governo maranhense. Com PP, Guimarães é encarregado de lidar com clientes da BR Distribuidora. Outro de seus sócios, Ricardo Kassardjian, é responsável por cuidar da Infra Asset Management. Kassardjian, também influente no governo Collor, intermedeia negócios da estatal com fundos de pensão.

Procurados por ÉPOCA, o senador Fernando Collor e os empresários Pedro Paulo Leoni Ramos e Ricardo Kassardjian não responderam aos pedidos de entrevista. O dono da Jaraguá Equipamentos Industriais, Álvaro Bernardes Garcia, também não respondeu. Roberto Figueiredo afirmou não ter ligação alguma com negócios envolvendo a Petrobras ou suas subsidiárias.

Como diz Cassio Cunha Lima, com ditadura não se brinca!

Ditadura 
Por Cássio Cunha Lima

Com ditadura, não se brinca! Aprendi desde menino. Ditadura é o comando contrário ao desejo do povo, a quem se deve o Poder, de quem o poder não sai e através de quem o poder tem que ser realizado.

Eu sempre me realizei em casa cheia de gente. Daí, meu afeto por povo! Nasci em eleições e nunca - mas nunca mesmo - deixei os abraços pelos confortos dos gabinetes, tão comuns às ditaduras e a seus gestos. Ditadura é tão ruim, que vicia até a vítima, pelo descrédito na própria força.


Eu era criança, quando meu pai, o Poeta Ronaldo, foi escolhido pelo povo da nossa adorada Campina Grande para conduzir seus destinos na Prefeitura. A eleição foi tão linda quando exigente: o poeta enfrentava um emblema da tradição campinense, mas exibia a renovação e a coragem de enfrentar aquele momento em que o Golpe Militar de 1964 tornava-se ainda mais duro e militarizado.

O poeta venceu!

Na Prefeitura, não passou de alguns dias a esperança do povo.

O Poeta foi cassado com base no Ato Institucional nº 5, editado no final do ano anterior.

Perdeu o povo campinense a indicação e o mandato que outorgara nas eleições! Mas, não apenas o povo! Perdemos também nós: o poeta e a família.

Quando saímos da Campina, porque não podíamos ficar na cidade, sem riscos à vida – inclusive e principalmente social -, deixamos amigos, a rua, o bairro...

Lembro, agora, o campinho do Pé de Jaca, na casa de vovó Nenzinha, onde disputávamos nossas partidas de futebol, imitando a seleção bicampeã do mundo, com os nomes, símbolos e gestos dos jogadores.

Quando saímos da cidade, eu olhei para trás e ainda guardo os rostos de Estélio, do Mago Eduardo, de Henrique Neguin e de Gilbran Asfora. Ainda hoje, eu os vejo cintilando nas lágrimas.

Chegamos ao Rio de Janeiro ainda com lágrimas, com a cultura nordestina, com o sotaque e essas lembranças.

Ainda que a cidade do exílio pudesse ser nossa, Campina foi deixando de ser lembrança e passou a ser objetivo. Mas, tudo a custo de muita discriminação, que superamos com a coragem de quem quer sempre voltar.

Ainda criança, eu aprendi que ditadura não é brincadeira. 

Cássio Cunha Lima - Senador

A boa lembrança dos nossos grandes professores do Colégio Estadual de Cajazeiras.


Dirceu,

Fui aluna do Colégio Estadual durante 7 anos (quatro anos de ginásio e 3 de cientifico) e parte dos professores dessa foto foram meus professores, e a 7ª professora (sentada, da esquerda para direita) é Dona Astride, professora de desenho nos anos 1971 e 1972.


Parabéns pela postagem, uma bela lembrança dos professores do Colégio Estadual de Cajazeiras. 

Abraços.

Fátima Santos.

Já estão 'gozando' os nossos amigos tricolores...

POLÊMICA: Douglas jogou com cadarço desamarrado e Fluminense recorrerá ao STJD
Humor Esportivo

O “Rei do STJD” está de volta! Após derrota e consequente eliminação nas semifinais do Campeonato Carioca, a diretoria do Fluminense já confirmou presença dentro do campo dos tribunais. Segundo a sempre atenta assessoria jurídica do clube, o atleta Douglas dos Santos, do Vasco da Gama, atuou durante 2 minutos e meio com o cadarço da chuteira desamarrada.

“Observamos isso durante a partida mas preferimos não nos manifestar. Gravamos as cenas e mostraremos ao STJD. Nosso argumento é simples e bem plausível: o atleta não estava portando sua chuteira como a regra determina, amarrada e com dois nós.” explicou Mario Rosa Bittencourt. “Claramente o cadarço poderia atingir o olho de um atleta ou até mesmo impedir um gol. Vocês não vêem o risco disso?” complementou.

A editora responsável pela publicação e distribuição do livro “Pequeno Príncipe”, confirmou a encomenda de mais de 100 exemplares da história infantil. Mario Rosa admitiu ser o solicitante e afirmou que deverá ler novamente um trecho do livro “Não podemos deixar essa linda história sem o final. Os promotores ficaram curiosos.”

É sexta-feira!


Josias de Souza

O cenário de ruína da Petrobras justifica a abertura de uma CPI. E a operação montada pelo Planalto para evitá-la comprova a sua necessidade. Por isso mesmo, o risco de dar certo é mínimo.

PMDB e PT são sócios em diretorias com teto de vidro na Petrobras. Na CPI, os interesses dessas duas potências do Legislativo se ajustam às conveniências do Executivo. Uma mão suja a outra.

Se não conseguirem convencer pelo menos três silvérios governistas a retirarem suas assinaturas do pedido de CPI, já protocolada no Senado, o Planalto e seus aliados reencenarão o teatro que assou pizzas nas últimas CPIs. O enredo é conhecido.

Começa com o recrutamento de uma milícia parlamentar para compor a maioria na CPI. Passa pelo duopólio do comando: o PMDB na presidência e o PT na relatoria. Ou vice-versa.

Para o grand finale, um relatório que combine com esse contexto geral em que eles mesmos cometem os delitos, eles mesmos investigam e eles mesmos absolvem. Em minoria, resta à oposição gritar contra os exageros da coreografia.

O espetáculo tende a melhorar se algum detalhe escapar às preocupações cenográficas do Planalto. Não se deve esquecer que essa CPI nasceu da nota escrita por Dilma com o propósito de puxar para baixo o fio da meada que acomodara no seu colo o descalabro da refinaria de Pasadena.


É preciso saber se Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras a quem Dilma terceirizou o desastre, já foi devidamente ensaiado por seus padrinhos do PMDB e do PT para desempenhar o papel de incompetente ou de desonesto. Uma declaração enviesada de Cerveró pode fazer o melado escorrer.

Os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos não perdem por esperar. Ganham. Suas pretensões políticas nunca tiveram tanta visibilidade como agora. As mancadas de Dilma tornaram-se oportunidades que a dupla aproveita.

A infantaria do Planalto esfrega na cara dos antagonistas de Dilma o escândalo Alstom-Siemens e as suspeitas de malfeitos no porto pernambucano de Suape. A tropa rival ameaça trazer à boca do palco a Eletrobras e a Transpetro, feudos de José Sarney e de Renan Calheiros.

Há na PF, no TCU e no Ministério Público inquéritos, processos e ações sobre as mazelas em debate. Diz-se que esse trabalho torna dispensável a CPI. Meia verdade. O lufa-lufa da CPI no mínimo dá visibilidade às tramóias. Com sorte, pode esbarrar num “fato novo”.


A inteligência convencional ensina que um governo que leva a Petrobras ao balcão não é sério. E os políticos que enfiam na estatal seus apadrinhados não fazem isso por patriotismo. A CPI obriga o Planalto e seus sócios a executarem sob refletores um balé de elefantes. É horroroso. Porém, a sete meses da eleição, pode ser útil na hora de decidir em quem votar.

Capa do Jogo/Extra: Vascão e Mengão na final.


Os destaques do jornal Correio Braziliense


A primeira página do jornal O Estado de São Paulo


A capa de hoje do jornal Diário de Pernambuco: ditadura? Jamais!


As manchetes de jornais brasileiros nesta segunda-feira

Folha46% apoiam revisão da anistia

Globo: Maré é ocupada sem resistência do tráfico

Extra: [Maré] 15 minujtos para ocupar; 5 anos para trazer esgoto

Estadão: Cláusula ampliou perda da Petrobrás em US$ 85 mi

ZeroHora: Com a força e a vantagem

Estado de MinasO pedestre continua sem vez nas ruas de BH

CorreioBrazilienseBoletim da violência nas escolas do DF

CorreiodaBahia: Seis para embalr

DiáriodoNordeste: 13 mil armas apreendidas no Ceará em dois anos

DiáriodePernambuco: Há 50 anos. Nunca mais

JornaldaParaíba: Bando armado invade e assalta casa de desembargador do TJPB em João Pessoa

domingo, 30 de março de 2014

Convocação extra
Coluna Painel, no jornal Folha de São Paulo

O Palácio do Planalto determinou que os senadores da base aliada voltem de seus Estados para Brasília na segunda-feira a fim de colocar em prática o plano de estender as investigações da CPI da Petrobras a temas que possam atingir a oposição. Articuladores do governo Dilma Rousseff estimam que podem obter 40 assinaturas para o adendo que pretendem protocolar no Senado. Aliados da petista tentarão ampliar o escopo da CPI para apurar o "mau uso de recursos federais".
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Menu Com a nova formulação do texto da CPI, o governo Dilma espera abranger a apuração sobre o uso de verbas repassadas a alguns projetos do metrô de São Paulo, à refinaria de Suape, em Pernambuco, e à empresa mineira de energia Cemig.

Pode vir O pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, ironiza o esforço governista para desviar o foco da Petrobras: "Fazer um pente-fino na administração de Minas foi a melhor ideia que o PT teve. Com isso poderão aprender um pouco de gestão pública eficiente".
Ele conhece
De Carlos Brickman

Há gente estranhando a presença de Jefferson da Silva Figueiredo, subtenente músico do Exército, na comissão militar que passou duas semanas na Rússia avaliando o sistema de defesa antiaérea que o Brasil pretende comprar. Figueiredo, dizem, não é do ramo.

Mas estão enganados: o subtenente músico Jefferson da Silva Figueiredo, marido da ministra Ideli Salvatti, entende muito de canhões.

E foi gravada num cemitério! Aí tá certo.

Publicação by Beto Seridó.
Sugestão de Mar Rolim e Jarbinha Sobreira
Josias de Souza


Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, “tinha contato direto” com Lula, relata o deputado federal baiano Mário Negromonte, do PP. Ex-ministro das Cidades na gestão Dilma Rousseff , o parlamentar conta que, no mundo partidário, as relações de Costa não se restringiam ao PP, legenda que o apadrinhou na diretoria de Abastecimento da estatal petroleira. O preso se dava também com o PMDB e o PT, disse Negromonte, em entrevista ao repórter Adriano Ceolin. A conversa foi veiculada por Veja. Vai reproduzida abaixo:


Como era a relação de Paulo Roberto com o PP? Quem indicou o Paulo Roberto, na época, foi [José] Janene [ex-líder do PP, mensaleiro, morto em 2010]. Mas o Paulo Roberto tinha um relacionamento muito bom no Congresso com todos os partidos, PMDB, PT, PP…

De onde veio essa relação? Ele comandava uma diretoria muito importante. Havia muitos interesses. Todo mundo tinha um problema.

Problema? Por exemplo: havia um deputado que tinha posto de gasolina. Outro tinha uma usina de álcool. Então, a gente tinha contato direto com a Petrobras para falar.

Mas agora ele está preso… Isso foi uma surpresa muito desagradável para a gente. Ninguém esperava um negócio desse.


Quem era o principal interlocutor de Paulo Roberto? Quem tinha contato direto com ele era o Lula. É isso que a gente sabe.

Onde eram os encontros com o ex-diretor? Aqui em Brasília. Eu só estive na Petrobras uma vez. Houve encontros na casa dos deputados José Janene (PP-PR), João Pizzolatti (PP-PR) e Luiz Fernando (PP-MG). Acho que Paulo Roberto pode ter ido à minha casa. Não sou muito de fazer festa.

O que se discutia nessas reuniões? Era um bate-papo, para mostrar prestígio, que a gente tinha um diretor. Não era nada específico. Ele também frequentava a casa de outros deputados, do PMDB, do PT.

Qual partido tinha mais ascendência sobre ele? Teve briga com o PMDB, que se dizia padrinho dele. A briga era com o Renan [Calheiros], Eduardo Cunha [líder do PMDB], Henrique Eduardo Alves.

Disputavam o apadrinhamento? Por causa de poder.

'Lapa de fí de rapariga' mentiroso!


Eita, George Harrison! A música é "Give Me Love (Give Me Peace On Earth). Para Bebelo, Rogério Ricarte e Nêgo Riba.



Give Me Love (Give Me Peace On Earth)

Give me love
Give me love
Give me peace on earth
Give me light
Give me life
Keep me free from birth
Give me hope
Help me cope, with this heavy load
Trying to, touch and reach you with,
heart and soul

Oh
My Lord . . .

Please take hold of my hand, that
I might understand you

Won't you please
Oh won't you

Give me love
Give me love
Give me peace on earth
Give me light
Give me life
Keep me free from birth
Give me hope
Help me cope, with this heavy load
Trying to, touch and reach you with,
heart and soul

Oh
My Lord

Please take hold of my hand, that
I might understand you

Os idos de março (e o 1º de abril)
DEMÉTRIO MAGNOLI
Folha de São Paulo

Sem justiça, proibida pela lei, temos um simulacro de memória esculpido segundo as conveniências do presente


"O esquecimento, e eu diria mesmo o erro histórico, é um fator essencial na criação de uma nação --e, por isso, o progresso dos estudos históricos representa um perigo para a nacionalidade." O nacionalista Ernest Renan queria que, em nome da unidade francesa, os cidadãos de seu país esquecessem as matanças do Midi, no século 13, e o massacre de protestantes da noite de São Bartolomeu, em 1572. Nosso problema é o oposto: são as revisões políticas de 1964, expressas nas simétricas (e patéticas) Marcha da Família e Marcha Antifascista, que representam perigo --não para a nacionalidade, mas para a convivência democrática.


O golpe de 1964 não nos salvou da "ameaça comunista", que inexistia, nem foi urdido por um "fascismo" puramente imaginário. Os militares não estavam sós. Ulysses Guimarães os apoiou. Depois, com justiça, virou herói da resistência. Todos os grandes jornais, exceto o "Última Hora", também os apoiaram. O célebre editorial "Basta!", de 31 de março de 1964, marcou a virada golpista do "Correio da Manhã". Foi escrito por jornalistas de esquerda: Edmundo Moniz (exilado em 1968), Osvaldo Peralva (preso em 1968), Newton Rodrigues, Otto Maria Carpeaux e Carlos Heitor Cony (preso em 1965 e 1968, tornou-se beneficiário de uma gorda "bolsa anistia"). Na mesma linha estavam Alberto Dines e Antônio Callado. "Fascismo", sério mesmo?

A "ditabranda" (Folha dixit!) converteu-se em ditadura dura em 1968. O AI-5 teve 17 signatários, entre os quais Delfim Netto, que se tornaria um dileto conselheiro de Lula. Depois dele, o "Estadão" virou herói da resistência --com justiça, e ao contrário daFolha e de "O Globo". Ninguém, porém, na grande imprensa, veiculou elogios tão rasgados ao general Médici e à Operação Bandeirante, o aparelho subterrâneo de tortura, como a "Veja" dirigida por Mino Carta com pulso de ferro (seu lugar-tenente dixit!), em editoriais e reportagens publicados na hora mais sombria (curiosos podem consultar, entre outras, as edições de 4/2/1970 e de 1/4/1970 no arquivo digital da revista). Viva a memória, abaixo a caça às bruxas.

Nem "fascismo", nem "neoliberalismo". A efêmera etapa liberal de Roberto Campos deu lugar ao neonacionalismo militar de Médici e Geisel, aplaudido de pé por um alto empresariado que amava as estatais (como ainda ama) e adorava girar em torno da luz do poder (como ainda adora). Rupturas, mas também continuidades: pouco antes do primeiro triunfo eleitoral, Lula prometeu restaurar o "planejamento de longo prazo" do regime militar. Você prefere a memória ou o esquecimento?

Caçadas de bruxas: jovens saíram às ruas para insultar idosos militares reformados, alegadamente ligados às torturas. Os torturadores não eram "maçãs podres", mas peças de uma engrenagem comandada pela cúpula do regime e financiada por respeitados empresários. Promulgada pelo último general-presidente, a Lei de Anistia paralisa a ação dos tribunais, protegendo a máquina inteira de repressão política da ditadura. Em troca da impunidade, ofereceram as "bolsas anistia", tanto as justas quanto as escandalosas. De Sarney a Dilma, todos os governos civis aceitaram o intercâmbio vergonhoso.

Comissão da Verdade, pá de cal. Sem justiça, proibida pela lei, temos um simulacro de memória esculpido segundo as conveniências do presente --e os teatros de máscaras dos marchadores que seguem um crucifixo ou aquela chata canção do Vandré. Criança ainda, no aeroporto, eu vi os cartazes sinistros com as fotos dos "terroristas procurados" --um deles, o pai de um colega de escola. Adolescente, permaneci estático, como os demais, nas escadarias da Catedral da Sé, após o ato ecumênico em memória de Vladimir Herzog, aguardando o chamado a uma passeata que nunca veio. Minha geração tinha direito a coisa melhor que as encenações em curso do nosso "punto final".

Jogo Extra: Mengão no Maraca


Os destaques do jornal Diário de Pernambuco


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