domingo, 30 de setembro de 2012

Minha Manoela e a avó, Deodata. Lindas na tarde de domingo festeiro.


Morris Albert. Paulo Antônio, no Jovem Clube de Cajazeiras, nos ensinou a gostar deste artista brasileiro.

Devia sair de fininho..!

A hora da saideira, 
Por João Ubaldo Ribeiro
O Globo

Na semana passada, li um artigo do professor Marco Antonio Villa, que não conheço pessoalmente, mostrando, em última análise, como a era Lula está passando, ou até já passou quase inteiramente, o que talvez venha a ser sublinhado pelos resultados das eleições. Achei-o muito oportuno e necessário, porque mostra algo que muita gente, inclusive os políticos não comprometidos diretamente com o ex-presidente, já está observando há algum tempo, mas ainda não juntou todos os indícios, nem traçou o panorama completo.

O PT que nós conhecíamos, de princípios bem definidos e inabaláveis e de uma postura ética quase santimonial, constituindo uma identidade clara, acabou de desaparecer depois da primeira posse do ex-presidente. Hoje sua identidade é a mesma de qualquer dos outros partidos brasileiros, todos peças da mesma máquina pervertida, sem perfil ideológico ou programático, declamando objetivos vagos e fáceis, tais como “vamos cuidar da população carente”, “investiremos em saneamento básico e saúde”, “levaremos educação a todos os brasileiros” e outras banalidades genéricas, com as quais todo mundo concorda sem nem pensar.

No terreno prático, a luta não é pelo bem público, nem para efetivamente mudar coisa alguma, mas para chegar ao poder pelo poder, não importando se com isso se incorre em traição a ideais antes apregoados com fervor e se celebram acordos interesseiros e indecentes.


A famosa governabilidade levou o PT, capitaneado por seu líder, a alianças, acordos e práticas veementemente condenadas e denunciadas por ele, antes de chegar ao poder. O “todo mundo faz” passou a ser explicação e justificativa para atos ilegítimos, ilegais ou indecorosos.

O presidente, à testa de uma votação consagradora, não trouxe consigo a vontade de verdadeiramente realizar as reformas de que todos sabemos que o Brasil precisa — e o PT ostentava saber mais do que ninguém.

No entanto, cadê reforma tributária, reforma política, reforma administrativa, cadê as antigas reformas de base, enfim? O ex-presidente não foi levado ao poder por uma revolução, mas num contexto democrático e teria de vencer sérios obstáculos para a consecução dessas reformas.

Mas tais obstáculos sempre existem para quem pretende mudanças e, afinal, foi para isso que muitos de seus eleitores votaram nele.


O resultado logo se fez ver. Extinguiu-se a chama inovadora do PT, sobrou o lulismo. Mas que é o lulismo? A que corpo de ideias aderem aqueles que abraçam o lulismo? Que valores prezam, que pretendem para o país, que programa ou filosofia de governo abraçam, que bandeiras desfraldam além do Bolsa Família (de cujo crescimento em número de beneficiados os governantes petistas se gabam, quando o lógico seria que se envergonhassem, pois esse número devia diminuir e não aumentar, se bolsa família realmente resolvesse alguma coisa) e de outras ações pontuais e quase de improviso?

É forçoso concluir que o lulismo não tem conteúdo, não é nada além do permanente empenho em manter o ex-presidente numa posição de poder e influência. O lulismo é Lula, o que ele fizer, o que quiser, o que preferir.

Isso não se sustenta, a não ser num regime totalitário ou de culto à personalidade semirreligioso. No momento em que o ex-presidente não for mais percebido como detentor de uma boa chave para posições de prestígio, seu abandono será crescente, pois nem mesmo implica renegar princípios ou ideais. Ele agora é político de um partido como qualquer outro e, se deixou alguma marca na vida política brasileira, esta terá sido, essencialmente, a tal “visão pragmática”, que na verdade consiste em fazer praticamente qualquer negócio para se sustentar no poder e que ele levou a extremos, principalmente considerando as longínquas raízes éticas do PT. Para não falar nas consequências do mensalão, cujo desenrolar ainda pode revelar muitas surpresas.


O lulismo, não o hoje desfigurado petismo, tem reagido, é natural. Os muitos que ainda se beneficiam dele obviamente não querem abdicar do que conquistaram. Mas encontram dificuldades em admitir que sua motivação é essa, fica meio chato. E não vêm obtendo muito êxito em seus esforços, porque apoiar o lulismo significa não apoiar nada, a não ser o próprio Lula e seu projeto pessoal de continuar mandando e, juntamente com seu círculo de acólitos, fazendo o que estiver de acordo com esse projeto.

Chegam mesmo à esquisita alegação de que há um golpe em andamento, como se alguém estivesse sugerindo a deposição da presidente Dilma. Que golpe? Um processo legítimo, conduzido dentro dos limites institucionais?

Então foi golpe o impeachment de Collor e haverá golpe sempre que um governante for legitimamente cassado? Os alarmes de golpe, parecendo tirados de um jornal de trinta ou quarenta anos atrás, são um pseudoargumento patético e até suspeito, mesmo porque o ex-presidente não está ocupando nenhum cargo público.

É triste sair do poder, como se infere da resistência renhida, obstinada e muitas vezes melancólica que seus ocupantes opõem a deixar de exercê-lo. O poder político não é conferido por resultados de pesquisas de popularidade; deve-se, em nosso caso presente, aos resultados de eleições.


O lulismo talvez acredite possuir alguma substância, mas os acontecimentos terminarão por evidenciar o oposto dessa presunção voluntarista. Trata-se apenas de um homem — e de um homem cujas prioridades parecem encerrar-se nele mesmo. Mas sua saída de cena não deverá ser levada a cabo com resignação.

Ele insistirá e talvez ainda o vejamos perder outra eleição em São Paulo. Não a do Haddad, que aparentemente já perdeu. Mas a dele mesmo, depois que o mundo der mais algumas voltas e ele quiser iniciar uma jornada de volta ao topo, com esse fito candidatando-se à prefeitura de São Paulo. 

Jocélio Amaro, Carlos Gildemar e Nadja Cláudino na noite cajazeirense. Altos papos.


Rafael Holanda parabeniza Nenen de Eudes em dia de aniversário.

Caro Dirceu

Furta-me de parabenizar Nenen de Eudes seria uma ofensa aos meus princípios  pois por trás deste jovem existia uma rocha que enfeitava os nossos dias de profunda amizade e paz. 


Nenen é produto de uma genética que haverá de perpetuar por sua maneira de ser e proceder, por levar consigo dentro do peito as características de Dona Eudesia, Eudes e todos seus irmãos e familiares.


Tive a grata satisfação de muitas vezes frequentar a casa dos seus avós em Antenor Navarro.Tive a felicidade de viver momentos de alegria pegando carona na grande amizade de meus pais para com os seus. Vivi um tempo em que a amizade se fixava nas entranhas da vida e se perpetuava por passos persistentes de intenso respeito. 

Ao Nenen um brinde de paz e saúde, e que Deus na sua mais profunda bondade ilumine a todos da familia pelo vale da alegria e muitos anos de vida. 

Atenciosamente 

Rafael Holanda e familia.

As mulheres do meu amigo Paulo Porto (Zé Paulo).


Viva o Botafogo. Viva Seedorf. Viva Luviana.

Cidadão do mundo

Ídolo na Itália, Holanda e Suriname triplica sócios-torcedores do Botafogo

GONÇALO JUNIOR - O Estado de S.Paulo

Bebês prematuros, aqueles que nascem antes das 38 semanas de gestação, normalmente não conseguem respirar sozinhos. Sofrem de apneia (ausência de respiração), gemem bastante e até podem ficar roxos nos momentos de crise. Por isso, precisam de cuidados especiais o tempo todo. A construção de uma unidade neonatal respiratória no Hospital Acadêmico de Paramaribo, capital do Suriname, contribuiu com a redução de 30% da mortalidade dos prematuros desde 2005. Tudo por causa de aparelhos mais modernos e que facilitam os cuidados com os pulmões dos pequeninos surinameses.


Você não está lendo o texto errado. Foi Clarence Seedorf, a maior contratação da história do Botafogo, que financiou a reforma de R$ 300 mil do hospital por meio de sua fundação Champions for Children, instituição sem fins lucrativos que desenvolve projetos sociais no mundo todo, começando pelo Suriname, terra natal do jogador. O camisa 10 participou da cerimônia de inauguração do setor e visitou o país duas vezes para acompanhar os trabalhos. Logo apoiada pelo governo, a iniciativa acelerou um processo que levaria entre cinco e dez anos de acordo com os profissionais do hospital.

Seedorf é assim: quando o procuramos no campo, está cuidando dos projetos sociais. Quando achamos que está no Brasil, está no Suriname. Ou na Itália. Ou nos Estados Unidos. Tem uma grande ação para cada um dos sete idiomas que fala (português, holandês, francês, inglês, italiano, espanhol e o crioulo).

O berço vem em primeiro lugar. A inscrição "mi sab' dat mi lob Srana" (sei que amo o Suriname) está na entrada da unidade neonatal. Seedorf nasceu em 1975, um ano depois da independência do País, saiu ainda jovem e adotou a cidadania do colonizador, a Holanda. Mesmo assim, transformou em lenda o sobrenome do avô, filho de escravos que, apesar da alforria, carregou o Seedorf do antigo senhor alemão.

Daria para fazer um livro sobre os projetos sociais de Seedorf, mas, por questões de espaço, vai tudo em sete linhas: a Champions for Children possui seis projetos em vários países, entre eles, Camboja, Quênia e Brasil. Em Salvador, o craque investiu 50 mil na construção de um centro de recreação e esportes no bairro de Alagados, um dos mais pobres da Bahia.

Esse comprometimento chegou aos ouvidos de Nelson Mandela. Em 2009, o jogador foi condecorado como membro do "Champions Legacy", grupo que ajuda a manter o legado do líder sul-africano. São só bambambãs, como David Rockefeller e Bill Clinton, que se destacam por esforços filantrópicos no mundo. E Seedorf muda para o inglês.

"Testemunhar a fome que estrangulava a Etiópia na década de 80, quando eu era apenas uma criança, teve um efeito profundo em mim e despertou meu desejo de dar forma ao meu destino", declara em tom solene na apresentação de sua fundação.


Amor. Entre tantas línguas, o coração do craque escolheu a de Camões. Ou melhor, a de Neguinho da Beija-flor. Quando Seedorf e a brasileira Luviana completaram sete anos de casamento, o holandês preparou uma festa surpresa em Milão. Mandou chamar o puxador de samba e pediu que cantasse a preferida da amada: a música Negra Ângela (Hoje eu vi um lindo negro anjo/Anjo negro, lindo anjo/Negra Ângela).

Esse foi um dos pontos altos de uma história de conto de fadas. Os dois se conheceram no início da década de 90, quando Luviana, então passista de Mocidade Independente de Padre Miguel, viajou com a escola para uma temporada de shows na Itália. Ela era de família humilde, moradora do Realengo que ganhava a vida com apresentações como mulata. "Foi o casamento de um príncipe e uma princesa", derrete-se o compositor Jorginho Estrela Negra, uma espécie de cupido e amigo do casal até hoje.

Jorginho conta que Luviana é uma primeira dama com jeito de primeira ministra. Foi ela quem bateu o pé para que o jogador aceitasse a proposta do Botafogo, deixando de lado uma oferta salarial de R$ 1,5 milhão por mês do chinês Guangzhou Evergrande, mesmo time do argentino Darío Conca, além de outras propostas de cair o queixo da Inglaterra, Estados e Unidos e Catar. Seedorf balançou, mas cedeu (no Botafogo, recebe por volta de R$ 700 mil de salário, além de luvas de R$ 1,5 milhão). "Prevaleceu a vontade dela de voltar ao Brasil e vê-lo no seu time do coração".

O desejo de Luviana foi compartilhado por duas mil pessoas, que foram ao aeroporto para recebê-lo em julho, quando assinou contrato de dois anos. E o exército de "seedorfianos" não para de crescer. Em apenas três meses no Botafogo, Seedorf conseguiu resgatar parte do orgulho dos torcedores, que amargam um jejum de 17 anos sem títulos nacionais. Levantamento do departamento de Marketing do clube aponta que o número de sócios-torcedores triplicou, passando de quatro para 12 mil desde que o holandês chegou. "O torcedor reagiu à chegada do Seedorf quase como se fosse um título", compara o diretor de Marketing Marcelo Guimarães.


Prosa e poesia. O holandês não joga só com o nome. Ele fica no meio do caminho entre a prosa europeia (direta, vertical, rumo ao gol) e a poesia latina (a imprevisibilidade do drible). No Campeonato Brasileiro, vem se reinventando como atacante. Jogando mais avançado, marcou sete gols em 14 jogos - faltam três para ele quebrar seu recorde em uma temporada. "Ele é parecido com o Chico Buarque: quietinho, na dele, mas agrada todo mundo", comparou o técnico Oswaldo de Oliveira. "Todos falam que penso e jogo como brasileiro e isso está me ajudando", diz o atleta que passou as férias no Rio nos últimos dez anos.

Seedorf está aqui, mas continua em todo lugar, em sete idiomas. A assessoria de imprensa do Botafogo tem um calhamaço com 40 solicitações de entrevistas, entre elas, da Holanda, Itália e até Austrália. No Suriname, o apresentador de TV Desney Romeo afirma que a audiência do seu programa semanal "Futebol no Brasil", transmitido às segundas-feiras pela emissora ABC, aumentou com a contratação do meia. Como o Suriname ainda tem dificuldades para medir a audiência, o apresentador se baseia na participação ao vivo dos telespectadores para tirar a conclusão. "Na próxima semana, vou sortear uma camisa do Botafogo", orgulha-se.


Essa camisa ainda não é tão comum como a do Milan, Ajax, alguns dos times que Seedorf defendeu. O clube carioca ocupa poucas linhas em sua biografia. Pudera. Esse amor tem apenas três meses, é prematuro e ainda não consegue respirar direito. Precisa de cuidados especiais em uma unidade neonatal. Mas Clarence já está cuidando dos sofridos pulmões dos botafoguenses.

Marina Galvão, minha sobrinha linda filha de Rubismar e Cleide, faz aniversário hoje. Nossa família a abraça com todo carinho e lhe deseja toda a felicidade do mundo.

 Dia desses Marina estava sendo batizada

Acomodada no colo da Tia Márcia e ao lado das irmãs.

Hoje, é esta mulher linda e amada por todos nós. Parabéns, Marina.

'M'ar'pia mermo'! O 'taradin' da meia noite!

Livro conta detalhes do insaciável apetite sexual de Kadafi

Segundo jornalista, ex-ditador teria relações até com ministros e embaixadores 


Ex-presidente líbio manteria mulheres como escravas em Trípoli: pelo menos quatro relações sexuais por dia 

RIO - As orgias e depravações sexuais dos filhos de Muamar Kadafi são de conhecimento público, mas pouco se sabe da intimidade do ex-ditador líbio, morto no ano passado. Em entrevista ao jornal espanhol “El País”, a jornalista Annick Cojean, autora do livro “As presas”, conta detalhes do apetite sexual insaciável do ex-presidente, que além de violar mulheres, abusaria também de homens, incluindo seus próprios ministros e embaixadores, e teria ao menos quatro relações sexuais por dia. O livro, recém-lançado na França, retrata um Kadafi megalomaníaco, vaidoso e cínico.

- Muitos o viam como um predador de mulheres, mas não podíamos imaginar seu nível de barbárie, sadismo e violência - disse Annick.

A investigação da jornalista conta com o testemunho de Soraya, uma jovem de 22 anos que foi sequestrada quando tinha 15 e foi abusada por Kadafi por cinco anos. No livro, Soraya conta o seu dia a dia no subsolo do complexo de Bab al-Aziziya, a gigantesca residência do ex-ditador em Trípoli. A vítima era abusada a qualquer hora do dia ou noite. Soldados de “assuntos especiais” a chamavam para subir no quarto do ditador, que, além de estuprar, mordia, batia e às vezes até urinava em Soraya. Segundo a jovem, Kadafi estava sempre drogado e obrigava suas vítimas a cheirar cocaína, fumar, beber e assistir a filmes pornôs.

Como Soraya, eram muitas mulheres e até alguns homens, vivendo como escravos sexuais. Alguns ficavam por dias, outros por anos sob o domínio do ditador. O fluxo era constante para saciar o apetite sexual de Kadafi, que mantinha relações com quatro pessoas por dia, segundo as testemunhas entrevistadas por Annick.

- Algumas me falaram de 30 mulheres presas ao mesmo tempo, mas é impossível comprovar, havia muitas idas e vindas e os movimentos eram restritos. Não tinham muito contato umas com as outras - disse a jornalista.

Qualquer evento poderia ser usado para encontrar novas presas sexuais, incluindo viagens ao exterior, diz Annick. Segundo a jornalista, o próprio ditador escolhia suas vítimas nos encontros que participava, colocando a mão sobre a cabeça das mulheres que lhe interessavam. Além disso, qualquer lugar poderia ser usado para saciar o apetite do líder. Nos porões da Universidade de Trípoli, por exemplo, rebeldes encontraram um quarto, com uma enorme cama ainda feita e uma hidromassagem com detalhes de ouro.

Mas a obsessão sexual de Kadafi também era uma arma de poder. O ditador usava o sexo para punir seus desafetos políticos, contou um ex-membro do regime, afirmando que o líder abusava sexualmente com alguns de seus ministros, condenados à desonra, e elaborava estratégias para seduzir mulheres de chefes de Estado africanos e embaixadores.

- Cada vez que queria se posicionar como vencedor frente a um chefe tribal, de Estado ou um opositor qualquer, prometia que poderia dar dinheiro para uma fundação, diploma de estudo, para sua mulher, sua filha. Uma desculpa para um convite até o complexo de Bab al-Aziziya. O simples fato de ter transado com a filha de um deles o fazia se sentir triunfal - disse Annick.

Semana cheia...

Cúpula petista entra na mira de Joaquim Barbosa

Relator começa segunda-feira voto que pode condenar José Dirceu, Genoino e Delúbio

O Globo

BRASÍLIA - Sete anos depois das primeiras denúncias, chegou a hora de o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, três peças-chaves da eleição do ex-presidente Lula em 2002, prestarem contas à Justiça. O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, começará a ler nesta semana o voto sobre os três e os demais réus acusados de corrupção ativa — a parte mais eletrizante do julgamento, na definição do ministro Marco Aurélio Mello.

Dirceu e Genoino não escondem o receio de uma eventual condenação ou até mesmo da prisão, embora aleguem inocência. Delúbio, segundo interlocutores, seria o menos aflito entre os três.

— Todo mundo que está vivo pode ser preso. Eu posso ser preso hoje, você também. Mas nós, em primeiro lugar, temos convicção da absolvição. Em segundo lugar, ainda que viéssemos a pensar na eventual condenação, não teríamos nenhuma providência a tomar, a não ser esperar — tenta minimizar Luiz Fernando Pacheco, advogado de Genoino.

O ex-deputado tem acompanhado o julgamento em sua casa, em São Paulo. Há duas semanas, foi internado às pressas com ameaça de infarto. Fumante inveterado, pareceu não suportar a pressão. Mas, após passar por sessão de cateterismo, recebeu alta com a recomendação de manter a calma, parar de fumar e fazer exercícios físicos.

— Não há hipótese nenhuma de eu falar com a mídia — disse Genoino, na quinta-feira. — Meu estado é bom, você sabe disso. Fale com o Pacheco, pois eu não falo sobre esse assunto nem que você me torture num pau de arara.

A tensão também acompanha Dirceu às vésperas do julgamento. Segundo pessoas que acompanham a rotina do ex-ministro, Dirceu não para na frente da TV para assistir às sessões do STF. Acha que é muito sofrimento ver como os ministros votam e, a partir daí, imaginar como votarão no caso dele. Mas, diferentemente de Delúbio e Genoino, conversa frequentemente com amigos, aliados e advogados para se informar sobre o processo e traçar cenários.

No início do julgamento, Dirceu e amigos trabalhavam com três possibilidades: absolvição, condenação e condenação com prisão. A absolvição parecia a hipótese mais forte. Mas, depois dos votos implacáveis de Barbosa, Dirceu sentiu que o perigo ronda no ar.

Delúbio Soares, porém, mesmo diante do risco de sofrer uma pesada condenação, permanece impassível. Na última quinta-feira, o ex-tesoureiro atendeu uma ligação do GLOBO, mas disse que não falaria sobre o julgamento.

Como vai você? É um prazer falar com você, mas quem está falando a meu respeito sobre o processo é o doutor Arnaldo Malheiros. Estou atendendo você com muito respeito, você me ligou, eu agradeço muito, mas quem fala por mim é o doutor Arnaldo. Você está fazendo seu trabalho, eu respeito, mas eu não vou falar — disse Delúbio.

Malheiros já avisou a Delúbio o risco de condenação e prisão. A maioria dos réus julgados até o momento foi condenada e nada indica uma mudança de rumo nas votações. Mas ele segue aparentemente tranquilo. Recentemente, o jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula, ligou para Delúbio pensando que ouviria um longo desabafo. Mas o ex-tesoureiro disse que queria encontrá-lo para comer uma bisteca num restaurante que os dois costumavam frequentar.

Se não aprendemos com o Impeachment de Collor, o Mensalão não pode repetir o erro.



Neste sábado (29), o impeachment de Fernando Collor fez aniversário de 20 anos. Quem olha ao redor enxerga um cenário crivado de ironias. Collor é hoje um senador do PTB, partido de Roberto Jefferson. Ex-integrante da milícia congressual de Collor, Jefferson agora protagoniza a cena como delator do mensalão.

Com o suor do seu dedo, Jefferson produziu o escândalo que arrastou para o banco dos réus do STF o PT, o governo Lula e sua base aliciada. Uma base à qual Collor incorporou-se gostosamente, convertendo-se de alvo em aliado do poder petista. No plenário do Senado, suprema ironia (!), Collor senta-se em poltrona próxima à do colega Lindbergh Farias (PT-RJ), o ex-líder estudantil que personifica a geração dos ‘caras-pintadas’.

O pano de fundo sugere uma pergunta incontornável: que lições o Brasil retirou do impeachment? O país não aprendeu coisa nenhuma com a encrenca de 20 anos atrás, eis a desalentadora resposta. Esqueçam-se todos os escândalos posteriores –dos Anões do Orçamento ao Clube Nextel de Carlinhos Cachoeira. Tome-se, por paradigmático, o próprio caso do mensalão.

Quem assiste às sessões do Supremo choca-se com o quadro abominável a que foi arrastada a política nacional. Adicionam-se à indagação principal outras questões subsidiárias:

Essa lição já não deveria ter sido aprendida? A deposição do presidente não sinalizara a mudança? Não ficara entendido que o Brasil estava de saco cheio? Não estava combinado que os políticos abandonariam o crime? Não parecera evidente que os eleitores deixariam de votar em criminosos?

Basta folhear os jornais para chegar à resposta de todas as indagações: NÃO. O que parecia claro há duas décadas torna-se obscuro a cada irrupção de um novo escândalo. E eles chegam em profusão. Há câmaras municipais e Assembléias contaminadas. Há prefeituras e governos estaduais bichados. Há corruptores à espreita e corruptos de prontidão. A faxina que Dilma Rousseff viu-se compelida a fazer na Esplanada lateja fresca na memória.

Tomado pelas primeiras condenações que proclamou no julgamento do mensalão, o STF parece ter se dado conta de que o Brasil vive um segundo momento de ultrapassagem. Deposto, Collor foi absolvido na Suprema Corte pela falta de um “ato de ofício”. Agora, os supremos magistrados evoluem para a tese de que basta o oferecimento ou a aceitação da propina para que o corrompido seja considerado culpado.

Ora, a denúncia contra Collor trazia provas de que a dinheirama suja coletada por PC Farias custeava dos jardins da Casa da Dinda aos cartões de crédito da primeira-madame. Mas faltou o famigerado “ato de ofício”, agora tido por desnecessário. Se a autoridade tem o poder de editá-lo e entrega-se à corrupção, corrompida está.

A simples presença do mensalão nas manchetes constitui evidência eloquente de que o impeachment de Collor não foi senão uma oportunidade que o Brasil absteve-se de aproveitar. O futuro agora encontra-se enganchado noutra pergunta: até quando o país vai permitir que a banda podre prevaleça?

Personagem central da CPI que levou ao expurgo de Collor, o motorista Eriberto França é hoje um brasileiro desapontado e desempregado. Ouvido pelo repórter Leandro Colon, ele disse:

“Se eu falar para você que me arrependo, estou mentindo. Se eu falar que não, estou mentindo também. Porque se, na atual circunstância, você perguntar: ‘Eriberto, você faria tudo de novo?’ Eu vou botar a mão na cabeça e vou dizer: ‘não faria’. Sabe por quê? Porque não compensou. Sofrer duas vezes, passar o que passei, o sufoco, e ainda não ter sido reconhecido?” É, faz sentido.

As manchetes de jornais e revistas brasileiros neste domingo.


GloboDisputa por prefeituras tem 640 candidatos ‘sujos’

JornaldoBrasil: Adversários cobram investigações sobre denúncias contra Paes

Extra: [Hebe] O Brasil sem gracinha

O Dia: [Hebe] O sofá ficou vazio

Estadão: Presidente da Embrapa, Pedro Arraes, é demitido após crise

FolhaPaulistano rejeita influência religiosa na disputa eleitoral

ValorEconômico: Atividade da indústria chinesa encolhe pelo 11º mês

ZeroHora: A fórmula para acertar na escolha do vereador

Estado de Minas: Motoristas novatos são os mais cassados

CorreioBrazilienseGrevistas de aluguel

DiáriodoNordeste: MPE divulga lista de candidatos com dívidas na Justiça

O Povo: Como o fortalezense escolhe o seu vereador

CorreiodaBahia: [Hebe] A dama da Tevê

DiáriodePernambuco: Recife é um ovo

JornaldoComércio: Geraldo fica próximo de vitória no primeiro turno

TribunadoNorte: Gasolina mantém vantagem em relação ao etanol e ao GNV

JornaldaParaíba: Cartaxo lidera e Estela fica na 4ª posição

- Veja: Força de vontade

- Época: Especial cidades

- IstoÉ: Mais ricos, mais saudáveis, mais poderosos

- IstoÉ Dinheiro: O futuro do dinheiro

- CartaCapital: Um time de especialistas faz previsões para daqui há 18 anos

- Exame: Por que somos tão improdutivos

sábado, 29 de setembro de 2012

À reflexão política. Email do autor no final do texto.


Sebastião Nery
Tribuna de Imprensa

Em 1944, os inimigos da ditadura já estavam cansados de esperar que Getúlio Vargas cumprisse o compromisso de convocar eleições. Decidiram partir para a ofensiva e lançar um candidato. Diante da situação, procuraram um militar. Surgiram três nomes: general Heitor Borges (que, na partida da FEB para a Itália, havia dito, em discurso, que os pracinhas iam defender lá fora a mesma democracia que queriam aqui dentro), o general Estilac Leal e o brigadeiro Eduardo Gomes. 

 
Brig. Eduardo Gomes 

Procurado por Pedro Aleixo, Eduardo Gomes insistiu que o candidato devia ser um civil e, de preferência, o próprio Pedro Aleixo. Mas acabou aceitando não propriamente a candidatura, mas o lançamento de seu nome para pressionar o ditador. A bola de 1945 começou a rolar. 

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GETULIO 

Getúlio foi surpreendido pela notícia e logo foram presos, no Rio, Adauto Lúcio Cardoso, Dario de Almeida Magalhães, Virgílio de Melo Franco, Austregésilo de Athayde. 

Coriolano de Góis, chefe de Polícia, disse que a ordem era do ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra. 

Procurado, Dutra desmentiu: o Exército não tinha nada com as prisões. Alguém foi a Getúlio, que disfarçou: 

- Não sei do que se trata. Soube que o doutor Virgílio de Melo Franco foi preso porque perturba o esforço de guerra, articulando candidaturas. 

A candidatura Eduardo Gomes cresceu e Getúlio, encurralado, foi obrigado, no dia 22 de fevereiro de 45, a convocar eleições para dezembro. 

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PEDRO ALEIXO 

Pedro Aleixo relembrou essa história ao saudoso jornalista Antonio Carbone e dela tirou quatro conclusões: 

1.“A História ensina que em política não se deve ficar perguntando aos outros o que fazer. Cada qual que faça o que acha que deve fazer e deixe o resto por conta dos acontecimentos, que sempre vão em frente.” 

2. “Em 1944, em plena ditadura, lançamos um candidato à Presidência sem que tivessem sido convocadas eleições. O lançamento é que forçou a convocação das eleições e apressou a derrubada do ditador.” 

3. – “É um erro ficar-se muito atento à música oficial para ver como se dança. Cada qual que dance com a música de suas convicções”. 

4. “Quem bate demais também esfola a mão de tanto bater.” 

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LULA 

Lula e o PT começaram o ano batendo em todo mundo, adversários e aliados mais distantes. Diziam que iam varrer o pais ganhando as eleições municipais de ponta a ponta. Bastaram três meses de campanha para quebrarem a cara. Estão sendo derrotados e humilhados de norte a sul. 

O PT deixou de ser um partido. Virou uma cara. Ameaçavam com o começo do horário eleitoral. Iam jogar a cara de Lula na TV e todo mundo teria que sair da frente. Veio o horário eleitoral e Lula e o PT deram chabu. 

Lula havia anunciado que iria a todas as capitais e às maiores cidades. 

Descobriu que não bastava comprar pesquisa do Ibope. ( O Vox Populi, de tão lacaio e desmoralizado, nem comprador encontra mais). E Lula nem foi a Recife. O candidato do PT desabou por si. Foi a São Paulo e o candidato do PT não sai do lugar. Pôs a viola no saco e sumiu no Mexico. 

Das outras 22 capitais, só foi a duas : Salvador e Manaus. Não adiantou. 

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EMOÇÕES 

O desastre nacional está desesperando Lula e o PT . Jamais imaginaram surra tão grande. Culpam o Mensalão, que Lula chamava “uma farsa” e o PT “uma falácia”. Apenas os exemplos de 10 Estados. 

1.- ARACAJU – João Alves (DEM) 51%, Valadares (PT-PSB) 24%. 

2.- SALVADOR – ACM Neto (DEM) 40%, Pelegrino (PT) 27%. 

3. – MANAUS – Artur (PSDB) 34%. Vanessa (PT-PCdoB) 27%. 

4. – NATAL – Carlos Eduardo (PDT) 44%. Mineiro (PT) 9%. 

5. – TERESINA – Firmino (PSDB) 35%. Washington (PT) 10%. 

6. – P.ALEGRE–Fortunati (PDT) 45%. Manuela (PT-PCdo B) 28% 

7. – RECIFE – GERALDO (PSB) 39%. Humberto (PT) 16%. 

8. – SÃO PAULO – Russomano (PRB) 35%. Hadad (PT) 15%. 

9. – MACEIÓ – Palmeira (PSDB) 48%. Lessa (PT-PMDB) 23%. 

10 – B. HORIZONTE – Lacerda (PSB) 49%. Patrus (PT) 31%. 

Como diz Roberto Carlos, “são tantas emoções”. E o PT se esfolando. 

sebastiaonery@ig.com.br

Deu no pé??!!


Juíza não consegue citar Pizzolato em processo

Condenado pelo STF por corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, o mensaleiro Henrique Pizzolato está em local ignorado — e, mais grave, pode estar fora do Brasil. Os computadores da PF registram que Pizzolato deixou o país em julho, pouco antes, portanto, do início do julgamento do mensalão, que começou no dia 2 de agosto. Não consta registro de retorno do ex-diretor do Banco do Brasil.

Outra evidência de que Pizzolato pode ter se mandado é que no dia 13 de setembro a juíza do TRF Simone Schreiber assinou um despacho determinando sua citação por edital em um processo a que o mensaleiro responde por “crime contra o sistema financeiro”. Motivo: o oficial de Justiça designado para a missão nunca conseguiu encontrá-lo.

José Dirceu continuava firme e forte em São Paulo, na sexta-feira passada.

Por Lauro Jardim

Inventam treino no dia de sábado!! Como o rapaz pode ir à boate na sexta-feira??

Adriano somou terceiro caso de indisciplina desde que assinou contrato com o Flamengo

Adriano falta a treino do Fla, manda mensagem para Zinho e deixa futuro em dúvida 
Pedro Ivo Almeida
Do UOL, no Rio de Janeiro 

O atacante Adriano voltou a criar problemas para o Flamengo neste sábado. O Imperador não apareceu para treinar na Gávea e tirou o foco do clube no clássico contra o Fluminense marcado para o domingo, às 16h. A assessoria de imprensa do Rubro-Negro confirma a ausência do camisa 10 e informa que não recebeu nenhuma justificativa oficial para a falta. Zinho, diretor de futebol, recebeu mensagem do jogador nesta manhã através do celular: "Desculpa, não vou conseguir chegar a tempo".

Este é o terceiro caso de indisciplina de Adriano desde que assinou contrato com o Flamengo. O Imperador foi visto em uma boate na Barra da Tijuca na noite desta sexta-feira. Ele foi convidado para festa de aniversário de uma amiga.

Com contrato válido até o final de 2012, o Imperador foi advertido nas duas ocasiões anteriores. De acordo com cláusula assinada pelas partes no acordo, a diretoria já tem o poder de rescindir o contrato e fazer com que Adriano seja dispensado sem ao menos estrear. O seu futuro na Gávea está em dúvida.

Fotografias (enviadas por Vilmar Rolim) da grande Festa do Brega, no Cajazeiras Tênis Clube.

Paulo Porto comanda o show na Festa do Brega

Dançando coladinho é melhor ainda!

 Neula, Galego BillyGancho, Zélia Ribeiro, Solange Moreira e Vilmar Rolim

 Christiano Moura e Tatiana

 Rachel Moreira, linda e grávida, provou (com exame de ultrassonografia) que seu filho tem pais

Paulo Porto (entre Galego BillyGancho e Martos Xavier) ainda deu autógrafos aos grandes fãs

Um chorinho de alto nível com Bá Freyre.



Ba Freyre e Zuellington Freire, os autores deste Chorinho, vocês lembram de quem se trata?


Simples: nossos amigos de sempre, Ba e Pelêca de João Cassiano, que, hoje, residem em Fortaleza, no Ceará. Bá Freyre é músico e Pelêca é um grande homem de negócios.  É bacana ou não?

Nosso adeus ao professor Chagas Feitosa.


No final da manhã de ontem, o meu irmão, Rubismar Galvão, me surpreende em meio à conversa: "- Já soube que o Professor Chagas faleceu?"

Eu não sabia. A notícia estava quentinha. E só serviu para aviventar a minha memória. No ato.


O Professor Chagas Feitosa foi um nosso professor nos lindos anos do Colégio Estadual de Cajazeiras. Era pau pra toda obra. Esteve conosco em aulas de educação física e substituía vários outros professores de outros campos do conhecimento, sempre na disposição de expor o seu compromisso com a instituição que todos nós amamos.

Nele e dele sempre tive compreensão, solidariedade, apoio. Vários episódios dentro do Colégio Estadual de Cajazeiras afirmaram o que digo. A nossa luta estudantil foi foi por ele mais que assimilada e estimulada.

Com muita certeza o Professor Chagas compõe a história de nossa vida de estudante cajazeirense do Colégio Estadual de Cajazeiras.

A ele um sentido adeus.

20 anos do Impeachment de Collor. Café pequeno!

'Era muita roubalheira, nunca transportei tanto dinheiro'

Desempregado há um ano e meio, Eriberto diz que não faria tudo de novo. 

'Sofrer duas vezes, passar o que passei, o sufoco, e ainda não ser reconhecido?'

LEANDRO COLON
Folha de São Paulo

Vinte anos depois de a Câmara aprovar a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor -o que selou a queda do então presidente da República-, o potiguar Eriberto França reclama: "Fui esquecido. Minha dignidade tem que ser resgatada. No meio político é 'estou bem' e o resto que se dane".

Há um ano e meio desempregado, ele é desde 1992 o "motorista que derrubou o presidente", mas faz questão de reafirmar logo de cara: "Eu nunca fui motorista do presidente. Nunca dirigi para ele".

Eriberto, hoje com 47 anos, trabalhava como assessor de Ana Acioli, secretária particular de Fernando Collor. Uma espécie de "faz-tudo". Dirigia para ela e cuidava de tarefas financeiras ligadas ao ex-presidente e sua família.

Pagava contas da Casa da Dinda, por exemplo. Tudo com dinheiro enviado por Paulo César Farias (morto em 1996), tesoureiro da campanha presidencial de Collor e acusado de liderar um esquema de corrupção no Planalto.

Foi Eriberto quem comprou o famoso Fiat Elba, carro usado por Rosane Collor que virou prova do esquema de PC Farias. "Eu comprei, né, com o cheque", recorda.

Diz que cabia a ele, ainda, sair à caça de material para rituais de magia negra que ocorriam na Casa da Dinda.

"Quem comprava tudo para fazer aquela bagunça toda era eu. Comprava bode, galinha, o escambau, ia para cemitério buscar terra."

Eriberto recebeu a Folha na semana passada em seu apartamento, em Brasília, alugado pelo sogro. Vive com a mulher, também desempregada, e dois filhos, que interromperam cursos em faculdades.

Hoje, aparenta ser um homem um tanto amargurado. Não queria dar entrevista. "Sempre sobra para mim."

Ele argumenta que não teve reconhecimento público por parte da classe política. Reclama que jamais foi homenageado pelo Congresso. "Era isso que um dia eu esperava receber e nunca recebi. Foi ali [no Congresso] a coisa toda."

Após sair do governo em 92, Eriberto trabalhou na revista "IstoÉ", para qual deu a bombástica entrevista que acelerou o afastamento de Collor.


Depois, foi para o Ministério dos Transportes a convite do então ministro Odacir Klein. Em 2003, foi demitido e, com a ajuda de petistas, foi parar na EBC, na área técnica de televisão, de onde saiu em março de 2011.

Ganhava R$ 1,9 mil. Desde então, conta com a ajuda do sogro, tenta fazer alguns bicos e usa o dinheiro que sobrou da rescisão trabalhista.

Sua filha caçula tem os mesmos 20 anos que separam o dia de hoje de 29 de setembro de 1992, quando a Câmara aprovou o impeachment.

"Eu nunca tinha ouvido falar na palavra impeachment", diz ele hoje. Conta, aliás, que naquela tarde de setembro se escondeu no sul da Bahia, numa fazenda da irmã do então diretor da "IstoÉ" João Santana.

O mesmo que se tornaria anos depois um dos principais marqueteiros políticos do país, tendo Lula e Dilma Rousseff na lista de clientes.

"Fiz de tudo para não ver [a sessão da Câmara]. [Lá] Tinha uma televisão. Aí pensei: O que que eu fiz? Sempre tinha um cara do meu lado para tranquilizar, o João Santana."

ARREPENDIMENTO?

Passadas duas décadas, Eriberto é categórico: não repetiria seu gesto.

"Se eu falar para você que me arrependo, estou mentindo. Se eu falar que não, estou mentindo também. Porque se, na atual circunstância, você perguntar: 'Eriberto, você faria tudo de novo?' Eu vou botar a mão na cabeça e vou dizer: 'não faria'. Sabe por que? Porque não compensou. Sofrer duas vezes, passar o que passei, o sufoco, e ainda não ter sido reconhecido?".

Ele conta, em tom de revelação, que recebeu oferta financeira durante o escândalo para não contar o que sabia. "Poderia ficar rico, porque dinheiro foi oferecido e nunca quis. Foi oferecido para eu calar a boca. A coisa estava feita", conta, sem dar mais detalhes.

A "coisa feita" citada foi a postura de revelar, em 1992, como atuou no esquema de Paulo César Farias. "Era muita roubalheira, nunca transportei tanto dinheiro", diz.

Um certo dia, Collor já senador, Eriberto França foi visitar um amigo no Senado. Ao subir a escada que dá acesso ao tradicional Salão Azul, conta que deu de cara com ele. Pela primeira vez após o escândalo, o motorista encontrava o presidente que ajudou a derrubar.

"Foi uma casualidade. Ele estava descendo aquela escada, e eu subindo. Não sei se me reconheceu", revela. Mal se olharam. "Não deu tempo. Foi inusitado. Ele lá com aquele jeitão, imponente", diz, imitando Collor.

Eriberto nem imagina o diálogo que teria com Collor: "Seria muito cinismo da minha parte dizer 'Oi presidente, tudo bem?'. Ele diria: 'Claro que não, depois de tudo o que você me fez'".

Eriberto diz que não contou tudo que sabia: "Não posso abrir, tem gente que sabe o que sei. Aí eu deixo alguém com a pulga atrás da orelha. A não ser que me matem como queima de arquivo".


E foge das comparações com Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão em 2005, e Pedro Collor, irmão do ex-presidente e o primeiro a revelar detalhes do esquema PC Farias. "Meu motivo está dentro de uma lógica: caramba, será possível que eu tenho que aceitar isso? Vamos dizer assim, um termo meio chulo, é muita roubalheira, muita corrupção", diz.

Fernando Collor não quis dar entrevista à Folha sobre os 20 anos do impeachment nem se manifestou sobre as declarações de Eriberto.

20 anos do Impeachmente de Collor. Café pequeno!

'Faria tudo outra vez', diz ex-secretário de Collor

Para tentar evitar impeachment, Cláudio Vieira apresentou contrato de empréstimo no Uruguai

RICARDO RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
EM MACEIÓ

Pivô da "Operação Uruguai", que tentou há 20 anos salvar Fernando Collor do impeachment, o advogado alagoano Cláudio Vieira diz que "faria tudo outra vez".

Secretário particular de Collor à época, Vieira apresentou contrato de um empréstimo de US$ 5 milhões que teria sido feito em seu nome em Montevidéu, com o aval do ex-presidente e dos empresários Paulo Octávio e Luiz Estevão.

O suposto empréstimo foi usado para justificar despesas de campanha e luxos de Collor que, segundo a Procuradoria da República, foram pagos com dinheiro de propina.

A "Operação Uruguai" e o depoimento de Vieira na Justiça foram essenciais para a absolvição no STF, em 1994, dele próprio, do ex-presidente e de outros sete réus acusados de corrupção passiva, falsificação de documentos e coação de testemunhas.


Vieira diz que as dúvidas sobre o empréstimo surgiram porque ele entregou a seu advogado, inicialmente, uma cópia do contrato. "Fernando [Collor] veio me perguntar por que eu entreguei uma cópia. Disse que o original eu só iria entregar após a perícia, para não restar dúvida."

Questionado sobre a atual situação do empréstimo, diz que não pagou nenhum centavo e acreditar que um dos três avalistas o tenha pago, pois não recebeu cobranças.

A Receita não engoliu a operação e processou Vieira por sonegação. Ele responde à acusação e tenta se livrar de dívida fiscal de R$ 20 milhões, que diz não ter como pagar.


Ao receber a reportagem em seu escritório, disse que ainda arca com prejuízos por ter assinado o suposto empréstimo e outros documentos na época da campanha de Collor. Contudo, diz não guardar mágoa do ex-presidente, de quem se aproximou nos anos 1970.

Vieira assessorou a carreira política de Collor em Alagoas e em Brasília. No Planalto, foi secretário particular e podia usufruir de carros de luxo, lanchas e viagens pela Europa.

Hoje, vive do salário de procurador aposentado e de honorários como advogado. Diz que está escrevendo um livro e se preparando para defender uma dissertação de mestrado na Itália.

A reportagem tentou contato ontem com Paulo Octávio e Luiz Estevão, sem sucesso.
Por Lauro Jardim


O PMDB do Rio de Janeiro firmou um compromisso financeiro de 1 milhão de reais para ter o apoio de um partido nanico à reeleição de Eduardo Paes. É o que mostra um vídeo a que VEJA teve acesso com imagens do presidente estadual do PTN, Jorge Sanfins Esch, em conversas com correligionários do partido.No vídeo, Sanfins Esch garante que impediu uma candidatura própria do PTN, porque acertou o recebimento de 200 000 reais para bancar a campanha de candidatos a vereador do partido.

Sanfins Esch afirma que o acerto foi feito na convenção do partido em 30 de junho com o ex-chefe da Casa Civil de Paes, Pedro Paulo Teixeira, mas que ainda não recebeu os recursos. A coligação nega a promessa.

A convenção do PTN em 30 de junho foi a segunda do partido em menos de quinze dias. No dia 17 do mesmo mês, o partido chegou a homologar a candidatura a prefeito de Paulo Memória, mas Sanfins cancelou o encontro para depois declarar o apoio a Paes. Sanfins Esch esclarece no vídeo com correligionários o motivo da mudança de postura do PTN:

- Não tem condição de lançar candidatura própria (…). O cara dá 200 000 reais para dentro, dá uma prata para ele tirar a candidatura dele, dá todo o material de campanha, toda a estrutura para os candidatos. Chega lá dentro se bobear tem uma gasolininha extra para botar no carro. Po, não dá para recusar.

A coligação de Paes nega que tenha feito a promessa para repassar a quantia em espécie para o partido. A assessoria do prefeito afirma que dá suporte aos candidatos do PTN apenas com material de campanha e calcula que gastou em placas e panfletos 154 514 reais. A quantia total, no entanto, ainda não foi declarada no Tribunal Regional Eleitoral.

O segundo acerto revelado no vídeo diz respeito a uma dívida que Sanfins e três amigos cobram da prefeitura do Rio de Janeiro dos tempos em que trabalharam na RioLuz, órgão municipal responsável pela iluminação pública da cidade. Diante dos correligionários, Sanfins Esch diz que o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, se comprometeu a ajudá-lo.

Sanfins Esch explica em entrevista a VEJA que trabalhou no Conselho de Administração da RioLuz durante oito anos do governo Cesar Maia. Como o jetom pago pelo órgão era inferior aos de outras autarquias, Sanfins abriu um procedimento administrativo em 2008 na prefeitura junto com três ex-conselheiros para receber o valor retroativo e corrigido.

- O Picciani se comprometeu pessoalmente a liberar os meus recursos da RioLuz.

A prefeitura informa que o processo administrativo foi indeferido em 12 de dezembro por “falta de amparo legal” e que o valor não será pago.
Por Lauro Jardim

E 'vamo que vamo'!


'Ajudaí', Dilma!


Premida por Lula, Dilma Rousseff aceitou escalar o palanque do PT de São Paulo. Nesta segunda-feira (1o), parcipará de um comício na Zona Leste da capital paulista. No oficial, dará uma mãozinha a Fernando Haddad. No paralelo, socorrerá Lula, o padrinho do candidato.

Dilma não cogitava envolver-se na disputa nessa fase. Comprometera-se com o PMDB de Gabriel Chalita a não dar as caras em São Paulo senão no segundo turno. O petismo imaginara que conseguiria respeitar a vontade e os compromisssos da presidente. Não deu.

No início da campanha, dera-se de barato que o prestígio de Lula seria suficiente para levar Haddad ao segundo round. Nessa época, o próprio Lula dizia que repetiria em 2012 a fórmula do “nós contra eles” que colocara em prática na sucessão presidencial de 2010.

De um lado, José Serra e tudo o que o tucanato representa. Do outro, um Fernando Haddad carregado por Lula viraria uma versão masculina da própria Dilma. Deu errado. O fenômeno Celso Russomanno (PRB) imiscui-se na estratégia, conspurcando-a.

Haddad sobe nas pesquisas em ritmo mais lento do que Lula e o PT imaginaram. A nove dias da eleição, mede forças com Serra pela vaga no segundo turno. No Datafolha desta quinta (27), o petista subiu três pontos, batendo em 18%. O tucano oscilou um ponto para o alto, cravando 22%.

Está entendido que Haddad precisa de uma vitamina adicional para converter a ascenção na ultrapassagem que o conduziria a uma dura disputa final contra Russomanno. Lula não foi capaz de prover sozinho o tônico.

Nesse contexto, Dilma vai a São Paulo com uma aparência de cavalaria de filme americano. Leva atrás de si as taxas que o Ibope acaba de lhe atribuir: o governo dela é aprovado por 62% dos brasileiros. Sua aprovação pessoal é de 72%. Declaram confiar na presidente 73% dos brasileiros.

Dilma chega a São Paulo antes do previsto menos por Haddad e mais por Lula. Ficaria mal na foto se não pagasse na eleição municipal paulistana parte de sua dívida de gratidão com Lula, o antecessor que a fez presidente da República.

Lula se deu conta de que não será tão simples realizar os sonhos que esboçara para São Paulo. Tenta ao menos evitar a realização de seus pesadelos. Não fazer de Haddad o próximo prefeito será ruim. Permitir que ele morra na praia do primeiro turno será muito pior. É nesse contexto que Dilma virou tábua de salvação.

As manchetes de jornais brasileiros neste sábado.


GloboNo caminho da Alemanha

JornaldoBrasil: Joaquim Barbosa ataca Marco Aurélio e insinua favorecimento

Extra: Flamengo diz que Adriano pode ser integrado ao grupo semana que vem

O Dia: Menos imposto para empresa que não demitir

Estadão: A pedido de Lula, Dilma fará comício para Haddad

FolhaPrejuízos no setor aéreo preocupam Presidência

ValorEconômico: Petrobrás perde R$ 65 bilhões em valor em dois anos

ZeroHora: SEC retoma fusão de turmas contra a falta de professores

Estado de Minas: No vizinho é mais barato

CorreioBraziliensePrepare o bolso

DiáriodoNordeste: Estado e Prefeitura não se entendem sobre VLT

O Povo: [O mapa do voto] Veja onde os candidatos a prefeito têm mais eleitores

CorreiodaBahia: Motorista briga, atropela e foge com ônibus cheio

DiáriodePernambuco: Juros mais baixos para financiar carros

JornaldoComércio: Patrulha do Bairro em mais cidades

TribunadoNorte: TSE estranha pedidos por força federal nas eleições para o RN

JornaldaParaíba: Romero segue líder em CG e Tatiana tem 24%