quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um cajazeirense que entende do meio 'putaral' e tem grande experiência de vida! contada no Programa Jô Soares


Sugestão de Eriston Cartaxo

E essa daí é moça, Mané Bugari? "- Ela se queixa!"

Entre virgens e ´bulidas´- crônicas de viagem 
Por Xico Sá 

Suyane Moreira: a vingança da mestiçagem no Cariri

Na vida de repórter tem a história que você está apurando, aquela mais convencional que acaba nas páginas de jornais e revistas, e o mar de história que você atravessa na estrada.

Estávamos em Guaribas, nas enconstas da Serra das Confusões, Piauí, quando o nosso motorista Edmundo solta, inadvertidamente, uma frase sobre as condições precárias do lugar. Para quê.

- É, meu filho, aqui pode ser atrasado, mas garanto que um cabacinho você só encontra por essas terras. Pode andar essa região toda, onde tem progresso e coisa moderna não tem mais uma virgem, nem pra remédio – saltou de lá seu Antonio Rocha, 78, haja janeiros e sabedorias nas costas.

Tomou mais uma aguardente. E completou a tese:

- Daqui para São Raimundo Nonato –onde essa francesa ai inventou que acharam o primeiro macho das Américas- até chegar em Teresina, é tudo mulher bulida.

A francesa, no caso, é a renomadíssima arqueóloga Niéde Guidon, responsável pela descoberta de de que o primeiro homem do continente foi piauiense da Serra da Capivara.

Outra cachaça, com aquela clássica cuspidela no pé do balcão, e o velho Rocha foi para cima do nosso taxi-driver, Edmundo era a cara de Robert de Niro:

-Vosmicê prefere progresso, coisa avançada, ou a honra de casar com uma fêmea virgem de tudo?

O homem foi ficando brabo. Ajeitava a peixeira na cintura a cada frase. Por via das dúvidas o motorista inventou um agá qualquer e foi para a pensão onde estávamos hospedados.

-Pode andar que você não encontra mais uma virgem nas redondezas. A novela esculhambou com tudo, mas aqui em Guaribas ainda tem ordem. O cabra não pode bulir com moça assim na cara dura não. Até pra amolegar os peitinhos demora coisa de três meses para lá.

E seu Rocha, oculões verdes fundo-de-garrafa, mira, da frente da mercearia, as moças que passam com latas d´água na cabeça:

-Aquela ali, repare, é bulida. Mas foi bulida fora, pras bandas de São Raimundo Nonato, cidade grande, safadeza sem regulamento. Deve ter sido o tal do primeiro homem das Américas – solta a gargalhada envelhecida em tonéis de alambique.

Prossegue pondo sentido no mundo:

- Aquela ali, não, moça toda, direitinha,boto essa mão velha calejada no fogo! – diz. –Um pai brabo, come o figo do cabra que encostar naquelas carnes.

Realmente a morena apontada pelo velho Rocha me deixou nervoso.Talvez a mais bonita que já vi na vida. Faria de Camila Pitanga medalha de prata no concurso local de Rainha do Milho.

A morena passa faceira. A cara da atriz Suyane Moreira, minha Iracema predileta. A água do balde salpica seu rosto levemente. Não é só o clichê da brejeirice não. É beleza suprema, a vingança da mestiçagem.

-É tudo rapariga, quenga – sentencia um senhor mais adiantado na cachaça, infelizmente não gravei o nome. –Virgindade aqui já era.

Rocha vira um demônio:

-Só se for na sua casa! – rebate.

O sururu está formado.

-Eu tô na brinca, homem de Deus, não é na vera não – recua o anônimo cachaceiro cordial.

-Bulida mesmo aqui eu conto nos dedos, e tudo, como eu ja disse e redisse, bulida fora. Tem uma até que se empregou no cabaré de Beth Cuscuz, lá em Teresina, falam que é ambiente de classe, classe média alta.

Seu Rocha está impossível no seu diagóstico cabacístico:

-Aquela ali também mostra os panos – julga o velho.

Mostrar os panos” é dizer antigo. Do tempo em que as moças, depois da primeira noite, exibiam, orgulhosas, o lençol manchado de sangue no varal na frente de casa. Para não deixar dúvida sobre a virgindade que levou até a lua de mel.

A noite chega por trás da Serra das Confusões. As mães despacham meninos para arrastar os pais cachaceiros das bodegas. Os pais tentam engambelar os meninos com alguma besteira, pipoca doce e guaraná caçula.

A mulher do até então indomável Rocha vem à venda e o arrasta para casa:

-Seu cachorro pé-de-cana!

Ele vai mansinho, mansinho.

A bodega inteira, uníssono: “Dominado”.

Anoitece na Serra das Confusões. No alto-falante do Parque de Diversões toca “Amor de rapariga”, o hit forrozeiro do momento.

As boyzinhas –como são chamadas as meninas-, cabelo cheirando a neutrox, passeiam com seus segredos e supostos cabacinhos.

Amanhã segue a viagem.
Abstinência de poder
Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo


BRASÍLIA - Como escrito nas estrelas desde o encontro nada institucional entre Lula e Gilmar Mendes, Gilmar destrambelhou e se jogou no centro de uma fogueira que não era dele, enquanto Lula faz o caminho inverso: assume a condição de vítima, com direito a homenagem de Dilma em palácio, vídeo do presidente do PT e guerrilha da "militância abnegada" na internet.

Antes que o grave erro de Lula passe a contar a favor e não contra ele, registre-se que o fim do poder lhe fez muito mal. Desde que desceu a rampa do Planalto, Lula vem pisando em falso e botando os pés pelas mãos.

Impôs unilateralmente Haddad ao PT-SP, assim como impusera Roseana Sarney para o PT-MA. São Paulo, porém, não é o Maranhão e Marta Suplicy não é Domingos Dutra.

Haddad é, de fato, um bom produto eleitoral e, se ganhar, será um fenômeno à la Dilma. Mas, por enquanto, patina e custa cada vez mais caro na negociação com os aliados.

Lula também atropelou Dilma, o Congresso e meia bancada do PT ao exigir a criação de uma CPI que só interessava à sua sanha contra a oposição e para embaçar o mensalão.

Do ponto de vista prático, Cachoeira e seus comparsas já estavam presos, Marconi Perillo já tinha caído nos grampos da PF e Demóstenes já estava na lona. Agora, com a quebra de sigilo da Delta, muitos aliados e muitas obras do governo federal podem entrar na dança.

E, enfim, nada pode ser mais "faca no pescoço" do Supremo (como temem os advogados dos réus do mensalão) do que a pressão, orientação ou insinuação de um ex-presidente tão popular e que indicou 8 dos 11 ministros da corte. O que mais Lula pretenderia ao procurar Toffoli e Lewandowski diretamente e outros ministros via seus padrinhos?

Se despreza as regras republicanas, ele deveria ao menos usar sua intuição brilhante e sua habilidade política invejável para imaginar o estrago que Gilmar faria. Como fez.

Brincadeira de criança...como é bom...como é bom!

Carlos Antonio acusa pai de Carlos Rafael de comprar prefeitura de Cajazeiras para o filho administrar: Ele recebeu um prêmio do pai

O democrata disse que a situação administrativa em CZ é lastimável porque o prefeito é imaturo e mal assesorado.

Carlos Antonio acusa pai do prefeito de Cajazeiras (Foto: Diário do Sertão)

O ex-prefeito da cidade de Cajazeiras, Carlos Antonio (DEM) fez graves denúncias nesta quarta-feira (30), contra o prefeito Carlos Rafael (PTB).

O ex-gestor estava criticando a administração municipal, e ao se referir a inauguração do sistema de iluminação da Avenida João Rodrigues Alves, que acontecerá com a animação de duas bandas de forró, Sacode e Forró de Arromba, acusou o pai do prefeito de comprar a prefeitura de Cajazeiras para o filho administrar.

Segundo o democrata, Carlos Rafael vai inaugurar uma obra que custou cerca de R$ 14 mil, porém, contratou duas bandas de forró, cada uma custando em média R$ 50 mil, o que se caracteriza uma incoerência administrativa muito grande.


Carlos Antônio declarou que Rafael está brincando de ser prefeito, pois, foi criado pelo pai de forma mimada e detonou: “Um rapaz mimado, que está brincando de ser prefeito da cidade de Cajazeiras, recebeu um prêmio do pai. O pai pagou para que ele pudesse comprar a prefeitura de Cajazeiras”.

Ele disse que vê essa situação da cidade com muita tristeza, porque Rafael é muito jovem, não tem maturidade para administrar uma cidade, além de está muito mal assessorado e finalizou: “É lastimável”.

Rafael era vice do ex-prefeito Léo Abreu, que renunciou o cargo em maio de 2011.

Texto do DIÁRIO DO SERTÃO

O Trio Elétrico!



A culpa, como se sabe, é proporcional à evidência. Se ninguém tomou conhecimento, a culpa é menor. Guiando-se por essa lógica, a CPI do Cachoeira votou os requerimentos de convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); do Distrito Federal, Agnelo Querioz; e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Marconi e Agnelo, mais expostos, foram convocados. Cabral, que por enquanto só mostrou o guardanapo, foi poupado. O PT tentou livrar a cara de Agnelo. Mas foi abandonado pelo PMDB e Cia..

O PMDB protegeu Cabral. Contou com o luxuoso apoio do PSDB. Não foram agendadas, por ora, as datas dos depoimentos. Perillo manifestou o desejo de falar já na próxima terça (5).

As manchetes de jornais brasileiros nesta quinta-feira.


Globo: Juro menor: quem aplicar R$ 50 mil na caderneta perderá R$ 110 em um ano

JornaldoBrasil: Ayres Brito: não há crise institucional pelo Mensalão

O Dia: Rio vai licitar 13 cemitérios

Extra: Quando o plano de saúde mata

FolhaBC corta juros para o nível mais baixo da história

EstadãoCPI decide convocar Perillo e Agnelo, mas poupa Cabral

JornaldaTarde: CET 'reveza' lâmpadas nos semáforos de SP

ValorEconômicoPacote para usineiros deve desonerar etanol

Estado de Minas Ainda mais suja

CorreioBraziliense CPI convoca Agnelo e Perillo para depor

Zero HoraMenor juro da história muda regra da poupança

CorreiodaBahia: Brasil na Bahia

TribunadaBahia: Seleção joga na Fonte em 2013

DiáriodoNordeste: Justiça manda suspender greve da construção civil

OPovo: Fortaleza tem chance de receber 4 jogos da seleção

DiáriodePernambuco: Militantes de João Costa revoltados com PT nacional

JornaldoCommércioJoão Costa não abre. Rands apoia Humberto

TribunadoNorte: [Combustível] Suspeita de cartel leva empresários e vereadores à prisão

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Turma reunida...cerveja gelada 'em rojão'...e cadê a chave de abrir? Na falta, um vídeo nos mostra maneiras diversas de solucionar o problema.

Olhaí, Eugênio. O 'caba' foi se 'amostrar' na frente da galera. Só sobrou a vaia!


Um grande evento sócio-cultural: o lançamento, em João Pessoa, do livro de Nonato Guedes foi um sucesso!

O livro de Nonato já está exposto em livrarias. Tem apelo histórico-político e foi bastante elogiado pelos presentes ao lançamento

Marcondes Gadelha, prefaciador do livro de Nonato, derramou elogios a propósito do conteúdo

José Maranhão e Nonato Guedes escutam a fala de Gilvan Freire

Rômulo Gouveia, vice-governador, prestigia o evento

Wilson Braga presente

Nonato faz retrospecto do seu trabalho como escritor e jornalista

Depois, Nonato atende a uma longa fila para autógrafos do autor

Cajazeirenses prestigiam o lançamento: Dirceu Galvão, Irley Guimarães e Saulo Filho

Constantino Júnior, Bira di Assis, Sales Fernandes e Frassales

Irley e Frassales

Dirceu Galvão, Irley, Saulo e Lucélio Cartaxo

Dirceu e Lúcio Vilar

Nonato Guedes e Dirceu Galvão

O gaiato só quer 'um pezin' pra começar a gozar!


Em show, Wagner Moura, ator, substitui Renato Russo na Banda Legião Urbana. E não compromete muito.

Espectadores aceitam ator no lugar de Renato Russo


Mesmo desafinando, Wagner Moura conquistou fãs da banda em show

Gravação do especial "MTV ao Vivo - Tributo à Legião Urbana" reuniu integrantes da banda de rock em SP

MARCOS GRINSPUM FERRAZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
MARCUS PRETO

Desde a entrada no Espaço das Américas, em São Paulo, onde aconteceu ontem a gravação do especial "MTV ao Vivo - Tributo à Legião Urbana", o público não botava em questão a presença de Wagner Moura nos vocais da banda de Renato Russo (1960-1996).

A repercussão negativa que a escolha do ator global para substituir o líder da Legião causou nas redes sociais não era sentida entre as cerca de 7.000 pessoas que aguardavam o show.

"Se fosse outro cantor de rock, ia ter muitas comparações. Por isso acho muito mais interessante que seja um ator", disse o advogado Edson Corazza, 47.

A analista de marketing Daniele Kono, 26, por sua vez, disse não ver na homenagem nenhum desrespeito à figura do Renato Russo. "O Wagner não é um qualquer. Ele também tem banda e é fã assumido da Legião", disse.

Fãs vestiam camisetas estampadas com fotos da Legião, como o diretor de arte Paulo Henrique Toledo, 24. Para ele, "qualquer um que estivesse ao lado do Dado e do Bonfá já estaria ótimo".

A apresentação começou pontualmente às 22h. Desfiou, de cara, apenas canções de "Dois", álbum da Legião que mais emplacou hits. "Tempo Perdido" abriu o show, seguida de "Fábrica".

Nessa, Moura desafinou um bocado. Mas, carismático, fez cena e se disse emocionado. "Essa é talvez a noite mais emocionante de toda minha vida. Essa banda mudou a minha vida", disse.

O público cantava com ele em voz alta, mãos para cima.

"Talvez essa seja a última vez que vamos ver Dado e Bonfá juntos fazendo essas canções. Vamos aproveitar", disse o ator/cantor.

O clima de nostalgia deve se repetir hoje no segundo show, no mesmo local, com ingressos esgotados. Na calçada, cambistas vendiam ingressos de meia entrada a R$ 200 cada um (mesmo valor da inteira na bilheteria).
Prefeito segura repórter pelo pescoço em Mato Grosso
RODRIGO VARGAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

O prefeito de Barra do Bugres (150 km de Cuiabá), Wilson Francelino (PSD), segurou pelo pescoço uma repórter de TV que tentava entrevistá-lo.

A agressão foi cometida contra a repórter Elissa Neves, da TV Independência (afiliada à Rede Record).

O vídeo do episódio, ocorrido na sexta passada (18) durante um evento esportivo promovido pelo município, foi postado no You Tube e já teve mais de 15 mil acessos.



As imagens mostram quando o prefeito, que é conhecido na cidade como "Wilson Pescador", pressiona o pescoço da jornalista, enquanto fala ao seu ouvido.

Após ser solta, a repórter se queixa da violência, mas o prefeito sorri e adota um tom irônico. "Eu não estou sendo agressivo com você", diz, em um trecho.

A reportagem não conseguiu contato com a repórter. O diretor de jornalismo da TV, Cristiano Rodrigues, disse que foi registrado um boletim de ocorrência por agressão.

"Na hora, ela ficou sem reação, sem saber o que fazer. O prefeito não tinha o direito nem de tocar nela, quanto mais apertá-la no pescoço daquele jeito", disse.

À repórter, segundo o diretor, o prefeito disse que só daria entrevista com o microfone desligado ou em uma participação ao vivo no jornal local.

Rodrigues atribui a reação à "cobertura investigativa" que, segundo ele, a TV vem fazendo da administração municipal. "Estamos acompanhando tudo e ele está irritado com isso", disse.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso qualificou o episódio como uma "agressão covarde e sem justificativa".

"A violência no trato com a colega da profissão deixou a diretoria do sindicato e a categoria indignados", diz a nota.

Também em nota, o prefeito negou que tenha agredido a repórter. "O prefeito aproximou-se da entrevistadora com o fim único de falar-lhe ao ouvido que naquele momento não poderia dar a entrevista", disse, em um trecho.

Ainda segundo a nota, o toque no pescoço teria se dado de forma acidental. "Ao levar as mãos aos ombros da entrevistadora, acabou por alcançar seu pescoço sem a intenção de lhe causar algum mal, o que pode ser conferido nas próprias imagens."

O prefeito acusou a emissora de fazer "oposição explícita" à sua gestão. "As imagens são claras e demonstram que a entrevistadora se manteve tranquila e ouvindo normalmente os argumentos do chefe do Executivo."

'Pois' tá falado!

Vituriano despreza Jeová e diz que PT de CZ não fará falta a Rafael nas eleições deste ano

Vituriano disse a imprensa que Jeová tem procurado, desde que perdeu as eleições em 2010, um ponto de apoio.

Vituriano dispara contra Jeová Campos

O deputado cajazeirense, Vituriano de Abreu (PSC) declarou nessa segunda-feira (28), que a decisão do PT, em lançar candidatura a própria a prefeito não vai prejudicar a reeleição de Carlos Rafael (PTB), na Terra do Padre Rolim.

Segundo o parlamentar, Jeová tem procurado, desde que perdeu as eleições para deputado federal no ano de 2010, um ponto de apoio, encontrando o melhor lugar no seu próprio partido, onde tem comando.

Vituriano afirmou que o PT não quer crescer, pois está deixando de apoiar o atual gestor, que dá todo apoio a legenda porque ele que ser menor do que já é. “Certamente o PT quer ser menor ainda, porque metade ficou com o prefeito e a outra metade mais oito ficaram com Jeová”. Disparou o deputado

Ele disse que Carlos Rafael não terá nenhum prejuízo eleitoral, pois se mantém dando o valor necessário aos filiados do PT, que dão sustentação ao seu Governo.

Não é uma coisa vantajosa porque o PT de Cajazeiras é pequenininho. Não acredito que oito votos signifiquem muita coisa em relação a prejuízo”. Disse Vituriano

Texto e imagem do Diário do Sertão

Seguuuuuura, peão!



Expressa no plano de trabalho do relator petista Odair Cunha, a estratégia do bloco governista começou a fazer água na CPI do Cachoeira. A tática original escorre por uma trinca aberta nas relações dos dois maiores partidos do condomínio oficial. PT e PMDB bateram cabeça na sessão desta terça (29).

Encontrava-se sobre a mesa, desde a semana passada, um requerimento de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da matriz da Delta Construções. Veneno puro. Na noite da véspera, em negociações que entraram pela madrugada, a caciquia do PT negociara com morubixabas do PMDB a fórmula do antídoto.

A toque de caixa, redigiu-se um requerimento alternativo. Propunha o caminho inverso. Em vez do rompimento indiscriminado dos sigilos da empreiteira, seriam abertas apenas as contas que pingaram recursos nas empresas de fachada da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Assinaram a peça 12 membros da CPI.

Caberia ao relator Odair executar diante das câmeras a manobra urdida à sombra. Ele tentou. Sugeriu que a CPI debatesse os dois requerimentos e optasse por um deles. Insinuou preferência pelo documento restritivo. Onyx Lorenzoni (DEM-RS) saltou da cadeira. Miro Teixeira (PDT-RJ) também pulou.

Recordou-se ao presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), que ele empenhara a palavra uma semana antes. Comprometera-se a levar a voto o pedido de devassa na Delta. Introduzir no caminho um requerimento que nem constava da pauta seria uma violência ao rito previsto no regimento.

Constrangido, Vital viu-se compelido a honrar o compromisso. Majoritário, o bloco governista dispunha de votos para rejeitar a encrenca. Deu chabu. Abriram-se inscrições para que quatro congressistas fossem ao microfone. Dois falariam a favor do requerimento tóxico, dois contra. Não houve uma mísera voz que se animasse a arrostar, sob holofotes, o desgaste de defender o biombo para a Delta.

Submetido ao cheiro de queimado, Vital abriu a votação. Chamada nominal. Os dois primeiros votantes eram petistas: José Pimentel (CE) e Humberto Costa (PE). Disseram “sim” à razia na Delta. Estabeleceu-se uma atmosfera de liberou geral. Seguiu-se uma cachoeira de votos a favor.

Na sua vez de opinar, o relator Odair jogou a toalha: “Se ninguém falou contra, eu também voto a favor.” Contados os votos, registrou-se uma lavada: 28 a 1. Apenas o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), um dos signatários do requerimento alternativo preparado na noite anterior, disse “não”. Deixaram-no falando sozinho.

O apagão governista mandou às calendas o plano original de represar a apuração, limitando-a aos escritórios da Delta no Centro-Oeste. A CPI aproximou-se das arcas do PAC de Dilma Rousseff, que tem na Delta nacional sua principal tocadora de obras. Foram à zona de tiro também o governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e a turma do guardanapo, dada a confraternizações parisienses com Fernando Cavendish, o ex-presidente da Delta.

Como se fosse pouco, o PT viu malograr, na mesma sessão, o plano de aprovar a convocação do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Sobreveio uma surpresa. Gladson Cameli (PP-AC), um deputado que exerce na comissão o papel de mudo, decidiu falar. Levantou uma “questão de ordem”. Tropeçando nas palavras, leu um arrazoado segundo o qual a CPI não tem poderes para intimar governadores de Estado.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) contraditou. Afirmou que até juízes podem convocar governadores para depor como testemunhas. A CPI, que dispõe de amparo constitucional para funcionar como instância judidiciária, também pode. Com a velocidade de um raio, o presidente Vital do Rêgo atalhou o debate.

Avocando a encrenca para si, Vital suspendeu a votação dos pedidos de oitiva de governadores. Informou que encomendaria um estudo à sua assessoria jurídica e devolveria o tema à pauta oportunamente. Além de Perillo, aguardavam na fila da convocação o pemedebê Sérgio Cabral e o petê Agnelo Queiroz. No plano do PT, só o primeiro desceria à grelha.

Em privado, o petismo enxergou as digitais do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), na extemporânea “questão de ordem” do ex-mudo Gladson Cameli. Pior: para o PT, há bicos tucanos por trás do movimento. Odair tentou atenuar o prejuízo. Sugeriu que fosse a voto outro requerimento. Prevê a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Perillo.

O tucanato esboçou uma reação. Mas nem precisou gastar todo o latim. Àquela altura, já havia sido aberta no plenário do Senado a “ordem do dia”. E o regimento obriga as comissões a interromper suas atividades depois que a fornalha do plenário geral é ligada. Vital encerrou a sessão.

Em aparição triunfal, deu as caras na CPI ninguém menos que Marconi Perillo. Sorriso aberto, desfilou por entre os membros da comissão. Distribuiu tapinhas nas costas e apertos de mão. Entregou a Vital um pedido escrito para que seja convocado. Fez pose de destemido. Queria ser ouvido ali mesmo, de bate-pronto, sem mais delongas. Sabia que não seria atendido. Mas demarcou o terreno.

A encenação de Perillo instilou dúvidas na infantaria do PT. O partido de Lula passou a cogitar a hipótese de retardar a convocação do tucano. Receia oferecer-lhe um palco político. Trama-se agora privilegiar a quebra dos sigilos.

Pedro Taques, um governista da ala independente, espécie de estraga-acordos da CPI, afiava o discurso na noite passada. Quer saber qual vai ser a resposta de Vital do Rego à preliminar sobre os poderes da CPI para intimar governadores. Favorável à convcocação de todos, Taques vai às lanças se a resposta for negativa.

Vão querer aprovar o afastamento dos sigilos do Perillo. Apenas dele. Eu pergunto: se o entendimento for o de que a CPI não pode ouvir governadores, como justificar a quebra dos sigilos. Ora, se pode uma coisa, também pode a outra. O que não pode é a CPI trabalhar na base do absurdo.”

Concebida por Lula como palco de suplício de oposicionistas, a CPI vai se tornando, aos pouquinhos, um touro difícil de agarrar pelo chifre. O condomínio oficial imaginou que seria possível tocá-la por controle remoto, a partir de acordos celebrados longe da sala de sessões. Nesta terça, o caldo entornou.

Reconciliando-se, PT e PMDB ainda podem reposicionar o caldeirão. Mas já estão dentro dele os dados bancários da matriz da Delta. A fronteira da investigação deixou de ser o Centro-Oeste. Pode não resultar em nada. Mas também pode levar ao insondável. Alvíssaras!

Tudo deve ser apurado. Nada debaixo do tapete!



O PSOL decidiu requerer a abertura de uma investigação contra o ministro Gilmar Mendes, do STF. A petição já foi esboçada. Analisa-se agora o guichê em que será protocolada –a Procuradoria-Geral da República ou a Corregedoria-Geral do Conselho Nacional de Justiça.

O partido deseja obter de Gilmar explicações sobre o encontro que manteve com Lula e sobre as relações extrafuncionais que o ligam ao senador Demóstenes Torres. “Do nosso ponto de vista, o comportamento do ministro não foi normal”, disse o deputado Chico Alencar (RJ), líder do PSOL na Câmara.

A conversa de Gilmar com Lula ocorreu em 26 de abril, no escritório residencial do ex-ministro Nelson Jobim, intermediário do encontro. Só agora Gilmar declarou-se “perplexo” com o que diz ter ouvido de Lula. Segundo ele, Lula defendeu adiar o julgamento do mensalão. E insinuou que poderia prover proteção para Gilmar na CPI do Cachoeira.

O fato de o ministro ter demorado um mês para se manifestar merece explicação. A perplexidade dele parece que custou a se consolidar”, diz Chico Alencar. “Não parece adequado que o ministro se encontre, fora do ambiente do Supremo, com uma pessoa notoriamente vinculada aos réus do mensalão.”

De resto, o PSOL quer que Gilmar acomode em pratos limpos as dúvidas relacionadas a viagens que teria feito na companhia de Demóstenes. Numa delas, mencionada por Lula na conversa a portas fechadas, os dois encontraram-se em Berlim. Segundo Gilmar, o próprio Lula difundia a insinuação de que Carlinhos Cachoeira teria provido o avião.

Não viajei em jatinho coisa nenhuma”, rebateu Gilmar, em entrevista realizada nesta terça (29). “Vamos parar com a fofoca. A gente está lidando com gângsters. Vamos deixar claro: estamos lidando com bandidos que ficam plantando essas informações”, disse o ministro. Ele exibiu notas fiscais e cópias das passagens aéreas, emitidas pela TAM.

Na mesma entrevista, Gilmar admitiu ter viajado duas vezes para Goiânia em aviões providenciados por Demóstenes. Uma em 2010 e outra em 2011. “Isso é adequado para um ministro do STF?”, questiona o líder do PSOL.

O partido já havia subscrito, junto com DEM, PSDB e PPS representação protocolada contra Lula na Procuradoria-Geral da República. “Achamos que ninguém ficou bem nessa história. O Lula ficou mal. O Jobim ficou mal. E o Gilmar Mendes também ficou mal”, afirma Chico Alencar.

As manchetes de jornais brasileiros nesta quarta-feira.


GloboA guerra do mensalão – ‘Brasil não é a Venezuela, onde Chávez prende juiz’

JornaldoBrasil: Demóstenes diz que não sabia dos delitos de Cachoeira

O Dia: Demóstenes recorre a Deus para se defender

Extra: Cobrança de cheque-caução em hospitais agora vai dar cadeia

FolhaMeta de Lula é melar o julgamento, diz Mendes

EstadãoLula ajuda ‘bandidos’ que querem ‘melar’ mensalão, diz Gilmar

JornaldaTarde: Plano de saúde para cliente novo sobe até 23%

ValorEconômicoSuperCade apressa onda de aquisições de R$ 10 bi

Estado de Minas Onde mora o perigo

CorreioBraziliense Carola, mas nada santo

Zero HoraCombate a roubo de carros

CorreiodaBahia: 50 dias sem aulas

TribunadaBahia: Bahia ganha condomínio industrial de R$ 1,3 bilhão

DiáriodoNordeste: Ação criminosa. Grevistas atacam sede do Diário

OPovo: Polícia fecha fábrica clandestina de armas

DiáriodePernambuco: Dentro da Arena pela primeira vez

JornaldoCommércioTranspetro acredita na reação do estaleiro

TribunadoNorte: [Precatórios] Relatório detalha fraudes nas gestões do TJRN

terça-feira, 29 de maio de 2012

Querem uma notícia das 'boa', daquelas que enchem nosso coração de orgulho cajazeirense? Taí.

Nanego, Buda e Sôia com amigos cajazeirenses, em Fortaleza

Segundo o portal PBNews, esta semana na Câmara de Vereadores de João Pessoa será de intensa movimentação.

Para nós, cajazeirenses e cajazeirados, interessa - e muito! - o último trecho do texto informativo:

"Na quinta-feira (31), às 18h, no Casarão 34, no Centro, acontece a última sessão solene da semana. Uma propositura do vereador Ubiratan Pereira, o Bira (PSB), para a entrega da comenda cultural ‘Ariano Suassuna’ ao Centro Cultural Piolim, e da outorga de ’Título de Cidadão Pessoense’ à “Família Lira” – Bertran de Souza Lira, Maria Auxiliadora Lira de Souza (Soya Lira), José do Nascimento Lira Neto (Nanego Lira) e Ronald Lira de Souza (Buda Lira)."

Quer dizer: 'uma ruma' dos meninos de Major Chiquin e Dona Maria vai receber o título de Cidadão Pessoense 'na móia'! É um título para a "Família Lira"! Impressionante o fato, mas muito - e dizemos com orgulho - merecido.


Estes quatro (Bertrand, Buda, Sôya e Nanego) estão mais apegados às artes em geral. Agora, se fosse o título por gaiatice ainda tinha espaço pra Bebel, Ângela Senegal e Salvin. Eles são também especialistas na arte da 'engraçadice' e autênticos divulgadores do nosso espírito cajazeirense. E com saudade de Bebel.

Parabéns ao Vereador Bira, autor da proposição, e à Câmara Municipal de João Pessoa por um reconhecimento apropriado e merecido.

A família Lira é um orgulho para Cajazeiras.

'Tu num disse que ela não vinha', Nenen?! Olhaí! Rosane Collor conta sua versão do impeachment em entrevista.


Sugestão de Eriston Cartaxo

Hoje, Nonato Guedes, o grande jornalista e radialista cajazeirense, lançará livro em João Pessoa. Nós estaremos lá!



Hoje, 29 de maio, às 18,30h, ocorrerá na Livraria do Luiz, na Praça 1817, na Galeria Augusto dos Anjos, Centro de João Pessoa, o lançamento do livro “A Fala do Poder”, de autoria do jornalista Nonato Guedes, com prefácio do ex-senador Marcondes Gadelha. 

O livro, sob a chancela da Forma Editorial, do publicitário Carlos Roberto de Oliveira, traz, na íntegra, os discursos comentados de governadores da Paraíba, num período de 46 anos, abrangendo desde João Agripino Filho, empossado em 1966, a Ricardo Vieira Coutinho, empossado em 2011. O autor faz uma apreciação jornalística acerca da trajetória dos governantes perfilados, recapitula passagens das campanhas políticas e adiciona informações de bastidores valiosas para a compreensão dos perfis dos que administraram a Paraíba. João Agripino Filho foi o último governador eleito pelo voto direto em plena vigência do regime militar instaurado em 64. Três dos que o sucederam foram escolhidos por via indireta, através de mediação direta do poder central. Estes foram os casos de Ernani Sátyro, Ivan Bichara Sobreira e Tarcísio de Miranda Burity. Burity retornou ao poder, na década de 80, pelo voto direto, concorrendo pelo PMDB e derrotando Marcondes Gadelha, em 86. 

Na redemocratização que se seguiu ao regime militar, com a restauração do pluripartidarismo e a concessão de anistia política, Wilson Leite Braga foi o primeiro a se eleger pelo voto popular, em 82, derrotando Antônio Mariz. Seguiram-se Tarcísio Burity, Ronaldo Cunha Lima, Antônio Mariz, José Maranhão, Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho. Com o afastamento simultâneo de Wilson Braga e do vice José Carlos da Silva Júnior, assumiu o governo em meados de 86 Milton Bezerra Cabral, que foi ungido por escolha da Assembleia Legislativa. Cícero Lucena ocupou o governo na década de 90, sucedendo a Ronaldo Cunha Lima, que se afastou para concorrer ao Senado. E pelo menos um vice-governador eleito não tomou posse – Raymundo Asfora, eleito na chapa de Burity em 86 e que foi encontrado morto na sua granja, em Campina Grande, faltando poucos dias para a investidura. Ainda hoje as versões se dividem entre suicídio ou assassinato. 

Nonato, que é comentarista político e que atuou em inúmeros veículos de imprensa do Estado, incluindo rádio, jornal, revista e televisão, além de ser correspondente do jornal “O Estado de São Paulo”, fixa uma comparação sobre as promessas de campanha e as realizações de governo, mostrando a distância entre o palanque e o exercício do poder. Diz que, muitas vezes, as promessas não foram cumpridas devido à dificuldade das conjunturas, impactadas por seca, falta de recursos federais e, em alguns casos, erro de perspectiva de governantes. Situa, também, as mudanças de contexto. Agripino foi governador numa época em que a política se valia de recursos tradicionais. Ricardo Coutinho foi eleito sob a égide da era digital, com a proliferação das redes sociais e dos movimentos organizados na representação popular. 

No prefácio, Marcondes destaca o ineditismo da obra, por compulsar todos os discursos de posse ou prestações de contas dos governadores enfocados e revelar episódios que facilitam uma compreensão das épocas em que cada administração foi implantada. Diz tratar-se de uma obra de fôlego, que é ao mesmo tempo uma aventura elegante pela história da Paraíba pelo estilo do autor, que Marcondes define como ‘instigante’. O livro será lançado posteriormente em outras cidades da Paraíba e, também, em Brasília.

Advogados são escolhidos para a lista tríplice do TRT-PB. Agora, depende de Brasília.

TRT: Paulo Maia, Leonardo Trajano e Severino Brasil formam a lista tríplice

Nomes serão encaminhados para a o Tribunal Superior do Trabalho


Definidos os nomes dos três advogados que irão compor a lista tríplice na disputa pelo cargo de desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba. Os membros do TRT escolheram Paulo Maia, Leonardo Trajano e Severino Brasil, seguindo o processo da realização de três votações.

Os nomes escolhidos pelos desembargadores serão encaminhados para o Tribunal Superior do Trabalho que, e na sequência, enviado para o Ministério da Justiça. Na última fase de tramitação, o processo segue para a Casa Civil da Presidência da República, quando a presidenta Dilma Rousseff nomeará o novo desembargador. A vaga pertence a classe dos advogados e foi aberta com a aposentadoria do desembargador Afrânio de Melo.

No ofício de encaminhamento da lista tríplice à Presidência da República, será informado o número de votos obtidos por cada advogado escolhido e o lugar ocupado na lista.

Ficaram de fora os candidatos: José Edísio Simões Souto, José Mário Porto Júnior e Hermano Gadelha de Sá.

Composição atual do TRT-PB

Atualmente o Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba é composto pelos desembargadores Paulo Maia Filho, presidente; Carlos Coelho, vice-presidente, Vicente Vanderlei, Ana Madruga, Francisco de Assis Carvalho e Silva, Edvaldo de Andrade, Ubiratan Delgado, Eduardo Sérgio de Almeida e Wolney de Macedo Cordeiro.

Da Redação
WSCOM Online

Ele é doido por moto e motocross. Na falta dela, fica só 'viçando'!


Sugestão de Eugênio Nóbrega

Para nossa reflexão e questionamento.


A imprensa que estupra - parte 2

A repórter que condenou e humilhou um suspeito não é exceção. O episódio mostra a conivência histórica entre parte da imprensa, da polícia e do sistema penitenciário na violação dos direitos de presos pobres (ou presos e pobres)

Texto de ELIANE BRUM
Revista Época

Basta ligar a televisão para ter certeza de que nem essa jornalista, nem esse apresentador, nem essa rede de TV são os únicos a violar direitos previstos em lei, especialmente contra presos e contra favelados e moradores das periferias do Brasil. Especialmente, portanto, contra os mais frágeis e com menos acesso à Justiça. Vale a pena lembrar que o número de defensores públicos no Brasil é insuficiente – em São Paulo, por exemplo, segundo relatório feito pela Pastoral Carcerária Nacional e pelo Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, há apenas 500 defensores públicos para prestar assistência jurídica à população carente. E quase 60 mil presos que nunca foram julgados. 

Como também sabemos, nenhum jornalista publica ou veicula o que quer. Para que reportagens como esta tenham espaço é preciso que exista antes uma estrutura disposta a permitir que os maus profissionais violem as leis. Em última instância, também quem anuncia seus produtos em programas que exibem esse tipo de reportagem está sendo conivente e estimulando a violação de direitos

A responsabilidade não acaba aí. Nos blogs, onde o vídeo foi denunciado como uma violação de Direitos Humanos, parte dos comentários dos leitores pode ser assim resumida: “Ah, mas ele não é nenhum inocente”. Ou: “Queria ver se fosse você que ele tivesse assaltado”. São afirmações estúpidas, mas elas ajudam a explicar por que esse tipo de abordagem tem audiência. Persiste ainda no Brasil uma ideia de condenação sem julgamento – e o linchamento público, via TV, é uma das formas mais apreciadas de exercer a barbárie. Até porque, dessa forma, ninguém precisa sujar as mãos de sangue. 

É preciso, porém, lembrar o óbvio: até ser julgado, um suspeito é um suspeito. E só o ritual da Justiça poderá dizer se ele é culpado ou inocente. E, mesmo culpado, ele vai cumprir a pena determinada pela lei, mas continuará a ter direitos. E esta é uma conquista da civilização – contra a barbárie.

É também por causa da vontade de fazer “justiça” com as próprias mãos de parte da população que o mau jornalista se sente “autorizado” a se colocar no lugar de juiz e condenar um suspeito no tribunal midiático. Quem o legitima não são as leis tão duramente conquistadas no processo democrático, mas a audiência. Quem legitima o mau jornalismo é justamente esse tipo de comentário: “Ah, mas ele não é nenhum inocente” ou “Queria ver se fosse você que ele tivesse assaltado”. 

Queria ver se fosse você que ele tivesse assaltado”.

Para esse tipo de raciocínio valer e o mau jornalismo continuar tendo espaço é preciso que a sociedade decida que não existem leis no Brasil e que os suspeitos perdem todos os direitos e devem ser linchados sem julgamento, nas ruas ou na TV. E isso vale para todos – e também para aqueles que gostam de expressar sua sanha porque pensam estar a salvo da sanha alheia. 

Por sorte, não chegamos a esse ponto. Mas, para que violências como a que assistimos não se repitam, não basta punir quem as comete, é preciso que cada um saiba que, ao dar audiência para o mau jornalismo, está escolhendo a barbárie. O telespectador também tem responsabilidade. Cada um de nós tem responsabilidade. É assim numa democracia: a responsabilidade é compartilhada. Quem escolhe, se posiciona e se responsabiliza. E quem se omite também escolhe e se responsabiliza. 

Este episódio, que, repito, está longe de ser exceção, poderia ser usado para iluminar capítulos não contados, ou pouco contados, ou ainda mal contados da imprensa. É importante compreender que, historicamente, parte do jornalismo policial tem uma relação promíscua com a polícia. Desde sempre. Parte porque há grandes e decentes repórteres na história da crônica policial brasileira. Mas, arrisco-me a dizer, não representam a maioria.

Na ditadura, parte dos jornalistas policiais foi conivente com a tortura dos presos políticos, da mesma maneira que já era conivente, antes, com a tortura dos presos comuns. E que, depois do fim da ditadura, continuou a ser conivente com a tortura largamente praticada até hoje nas cadeias e presídios do país. Há histórias escabrosas e ainda não bem contadas de repórteres que, inclusive, assistiam às sessões de tortura e até ajudavam a torturar. Estas só tomei conhecimento pela narrativa de colegas mais velhos – obviamente, nunca presenciei. 

Na transição democrática, nos anos 80, eu cheguei a conviver com jornalistas da editoria de polícia que andavam armados e achavam não só natural, mas desejável, a tortura de presos. Outros se limitavam a não denunciá-las. Era comum o repórter chegar à delegacia e ouvir a seguinte frase: “Espera um pouquinho, que estamos maquiando o elemento”. 

Maquiar” o preso significava que estavam apagando as marcas de tortura, para que ele pudesse ser fotografado ou filmado. Algumas marcas, claro, restavam. E ninguém – nem repórter, nem fotógrafo, nem mesmo os leitores – achava estranho.

É por causa dessa mentalidade, ainda hoje largamente disseminada entre a população brasileira, que as denúncias das torturas praticadas nas cadeias e prisões não causam revolta – para além das organizações de direitos humanos e alguns segmentos restritos da sociedade. Como se, ao ser condenado ou apenas suspeito de um crime, as pessoas perdessem todos os seus direitos, inclusive os fundamentais.

Se a tortura de presos políticos durante a ditadura tem grande repercussão na classe média, a tortura contumaz dos presos comuns, praticada antes, durante e depois do regime militar, é tolerada por parte da população – até hoje. Sobre a tortura disseminada nas cadeias e prisões brasileiras, aliás, aguarda-se a divulgação do relatório da ONU, cujos resultados e recomendações estão nas mãos do governo federal desde fevereiro.

Se no passado alguém estranhasse as marcas dos presos, bastava alegar “resistência à prisão” – “explicação” até hoje amplamente usada pelas polícias para justificar a morte de suspeitos. É assim que a pena de morte – punição inexistente na legislação brasileira – tem vigorado na prática no país. Suspeitos são executados pela polícia – e a justificativa é “morto ao resistir à prisão” ou “morto em confronto” ou “morto durante troca de tiros”.

Ontem – como hoje –, na prática, o preso não tinha nenhum direito a não querer dar entrevista ou ser fotografado ou filmado. Estava implícito que, se tentasse protestar, seria agredido. Era comum os policiais levantarem a cabeça do preso para as câmeras. Tanto daqueles que não queriam ter seu rosto exposto quanto daqueles que tinham sido tão torturados que não conseguiam manter a cabeça ereta sobre o pescoço.

Esta era a cultura que imperava – e em geral as redações não estranhavam, ou quem estranhava preferia deixar por isso mesmo para não ter de se confrontar com a “naturalidade” reinante. Não me parece – pelo que assistimos nesse vídeo – que hoje a situação seja muito diferente.

No início dos anos 90, um colega de jornal, Solano Nascimento (hoje professor do curso de jornalismo da UnB), que raramente cobria a área policial, presenciou um agente dar um tapa em um preso. Vários jornalistas, de outros veículos, testemunharam a cena. Mas só ele estranhou e denunciou a violência na sua matéria. O fato – o de um jornalista ter denunciado algo que para muitos era corriqueiro – causou espanto nas redações. Ainda assim, a polícia foi obrigada a abrir uma sindicância.

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elianebrum@uol.com.br

Amigos, sempre eles, participando da nossa vida.


Que coisa linda e sensível, meu Deus!


Sugestão de Márcia Galvão

As imagens são recortes de uma série de reportagens produzida pela BBC de Londres e apresentada pela rede Globo. A música é "Face in the photography" de Yanni Chrysomallis.

Texto Flavio Siqueira

O Poder Judiciário não prescinde de sua independência. É condição natural de sua própria existência.



Sete anos se passaram desde que o “mensalão” foi introduzido no léxico da política nacional. E Lula ainda não conseguiu digeri-lo. Com o vocábulo atravessado na traquéia, o ex-presidente enxergou no Cachoeiragate uma oportunidade para regurgitá-lo. Idealizou uma CPI e passou a transitar entre dois dos sete vícios capitais: a soberba e a ira.

Com a alma em desalinho e o organismo sob efeitos de medicamentos, Lula perdeu momentaneamente sua principal habilidade: o faro político. Às vésperas do julgamento do escândalo, passou a atirar a esmo. No encontro com o ministro Gilmar Mendes, um de seus alvos, cometeu o erro supremo. Deu um tiro no pé.

Por formalidade regimental, o requerimento de convocação da CPI elegeu como objeto investigação a ação da quadrilha de Carlinhos Cachoeira junto a agentes públicos e privados. Para Lula, o bicheiro é mera escada. Escalando-o, pretende chegar à jugular dos que, segundo crê, conspiraram contra sua presidência.

No papel, a CPI é do Cachoeira. Na cabeça de Lula, o nome da comissão é outro: CPI da Vingança. Numa fase em que o raciocínio brota-lhe do fígado, Lula enxergou na iniciativa um palco multiuso. Num mesmo patíbulo, faria sangrar o ex-algoz Demóstenes Torres, a revista Veja e o governador tucano Marconi Perillo.

Do sangue dos antagonistas, Lula pretendeu extrair o sumo que engrossaria seu objetivo primordial: a desmontagem do que chama de “farsa do mensalão.” Nesse contexto, dois personagens foram à alça de mira como alvos convenientes: o procurador-geral da República Roberto Gurgel e o ministro Gilmar Mendes. Um prepara-se para exercer o papel de acusador dos mensaleiros. Outro, de julgador.

Lula encontrou-se com Gilmar em 26 de abril. Dias antes, em conversas com amigos petistas, destilava os rancores que nutre pelo personagem. Em notícia veiculada aqui, em 27 de abril, informou-se sobre os pensamentos que embalavam a mente de Lula nos dias que antecederam a conversa no escritório do ex-ministro Nelson Jobim.

Nesse período, Lula cobrava do petismo que avançasse sobre a Veja. Dizia estar convencido de que a revista associara-se ao aparato de espionagem de Carlinhos Cachoeira para produzir reportagens contra o governo dele. E recordava uma passagem protagonizada por Gilmar Mendes.

Citava o célebre grampo que captara conversa de Gilmar com o senador Demóstenes Torres. Atribuída à Abin, a escuta clandestina levara Lula a afastar da direção da agência de inteligência o delegado federal Paulo Lacerda. Ironicamente, a cabeça de Lacerda descera à bandeja após reunião intermediada por Nelson Jobim.

Então ministro da Defesa, Jobim, amigo de Gilmar desde os tempos do governo FHC, levara-o ao Planalto. Recebido no gabinete presidencial, Gilmar referira-se à bisbilhotagem de seu telefonema com Demóstenes como evidência de que o aparato de segurança do governo fugira ao controle. Caminhava-se, segundo ele, para “um Estado policial”.

Pois bem. O Lula dos dias que antecederam a nova reunião intermediada por Jobim recordava: embora Demóstenes e Gilmar tivessem confirmado o conteúdo do diálogo, o áudio o grampo jamais apareceu. Algo que levou Lula a difundir a suspeita de que a escuta fora parte de uma trama da “turma do Cachoeira”. Inconformava-se com o fato de ter sacrificado Lacerda.

Foi contra esse pano de fundo envenenado que Lula pediu a Jobim que agendasse o novo encontro com Gilmar. Revelado o teor da conversa, Jobim tentou vender a reunião como coisa fortuita. Nessa versão, Lula fora ao escritório para matar as saudades do seu ex-ministro e, por uma dessas coincidências da vida, Gilmar encontrava-se no recinto. Uma lorota que, por falta de nexo, Jobim absteve-se de reiterar.

Em privado, Gilmar revela que manifestou o desejo de avistar-se com Lula. Para quê? Não deixa claro. Informado, Lula pediu que o encontro fosse marcado. Na noite passada, em conversa com o blog, um amigo petista do ex-presidente classificou a iniciativa como “um erro grosseiro.” Por quê?

“O Lula estava armado contra o Gilmar. A chance de uma conversa como essa acabar bem era zero. Deu no que deu: uma guerra de versões. Gilmar diz que Lula quis adiar o julgamento do mensalão em troca de proteção na CPI. Jobim desmente, mas não é categórico. O Lula também desmente, mas ninguém acredita.

De fato, o desmentido de Lula foi recebido como algo incompatível com o tamanho da encrenca. Demorou 48 horas. Veio por meio de nota, não de viva voz. Confirmou o encontro. Chamou de “inverídica” a versão de Veja. Mas não trouxe à luz uma versão substituta capaz de traduzir o alegado “sentimento de indignação.”

Em público, Gilmar deu entrevistas reafirmando, em essência, o que dissera à revista. Longe dos refletores, adicionou detalhes que levam os interlocutores a dar-lhe crédito. Contou, por exemplo, que Lula parecia sob o efeito de remédios. Fraco, tropeçou na saída.

O ministro alega que só veiculou o que se passou entre quatro paredes porque chegou-lhe aos ouvidos a informação de que Lula continuou a tratá-lo como matéria prima de CPI. Quer dizer: deu de ombros para o pedaço do diálogo em que Gilmar lhe disse que suas relações com Demóstenes não ultrapassaram o rubicão da ética. Abespinhado, o ministro levou os lábios ao trombone.

Gilmar não ficou bem posto no enredo. Às portas do julgamento do mensalão, a reunião com um personagem que chama o escândalo de “farsa” pareceu, no mínimo, inadequada. No máximo, um despautério. Porém, Lula saiu do episódio em posição ainda mais constrangedora. Ficou entendido que, para embaralhar o julgamento do Supremo, está disposto até a deslustrar sua biografia.

Nesta segunda (28), o advogado de um dos réus da ação penal que Lula gostaria de postergar disse que o ex-soberano obteve o oposto do pretendido. Acha que o STF ganhou razões adicionais para pisar no acelerador. Pior: a hipótese de condenação foi potencializada.

Nesta terça (29), a CPI do Cachoeira –ou comissão da Vingança— realiza mais uma de suas sessões administrativas. Vão a voto, entre outros requerimentos, os que pedem a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); do DF, Agnelo Queiroz (PT); e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Em reuniões que entraram pela madrugada, o PT articulava com as infantarias aliadas a aprovação do requerimento de Perillo e a rejeição dos de Agnelo e Cabral. São grandes as chances de Lula degustar o infortúnio do governador tucano. Um personagem que, em 2005, ecoou Roberto Jefferson. Numa fase em que Lula dizia ‘eu não sabia’, Perillo foi ao noticiário para informar que sabia, sim. Ele mesmo cuidara de avisar.

Ainda que PT e Cia. arrastem Perillo para o banco da CPI, como parece provável, a felicidade de Lula será fugaz. O depoimento constrangerá o governador e o PSDB, mas não terá o condão de influenciar os julgadores do STF. Ali, tende a prevalecer a verdade dos autos.

O Evangelho de São João ajuda a entender o que se passa com Lula. Diante de Jesus, Pôncio Pilatos indaga: “Tu és o reu dos judeus?” Jesus responde: “Meu reino não é desse mundo…” Pilatos insiste: “Então, tu és rei?” E Jesus: “Tu o dizes: eu sou rei. Por isso nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz.” Pilatos replica: “Que é a verdade?” (João, 18, 33-38).

Movido a soberba e tratado pela maioria do PT como um cristo da política, Lula esforça-se para reescrever a história do mensalão. Trombeteia que foi obra da quadrilha de Cachoeira o vídeo que expôs o pagamento de propina a um diretor dos Correios, levando Roberto Jefferson a dar com a língua nos dentes.

Com a visão obscurecida pela ira, Lula esquece de considerar que a propina dos correios existiu, assim como as revelações que se sucederam a ela: a parceria Delúbio Soares-Marcos Valério, as arcas “não contabilizadas”, os empréstimos de fancaria, os saques na boca do caixa e um infindável etcétera.

No instante em que tiverem de responder à pergunta de Pilatos –“Que é a verdade”— os ministros do Supremo olharão não para a CPI, mas para os dados recolhidos pela Polícia Federal do ex-Lula e reunidos pela Procurador-Geral Antonio Fernando de Souza, nomeado e renomeado pelo mesmo ex-presidente. Ali está a verdade redentora, não nos evangelhos de Lula.

As manchetes de jornais brasileiros nesta terça-feira.


GloboGuerra de versões entre Lula e Gilmar desafia CPI e Supremo

JornaldoBrasil: Romário denuncia fraude em entidade esportiva [CBF]

O Dia: Joel está com os dias contados no Flamengo

Extra: Torcida faz abaixo-assinado para tirar Ronaldinho do Fla

FolhaLula rebate Mendes, que reafirma pressão no STF

EstadãoOposição pede investigação e Lula diz estar ‘indignado’

JornaldaTarde: Comissão quer fazer bullying virar crime

ValorEconômicoFabricantes de caminhões cortam produção e jornada

Estado de Minas Café com leite de Minas garantido

CorreioBraziliense Governo divulga salários em junho e divide Esplanada

Zero HoraMendes confirma diálogo; Lula se declara indignado

CorreiodaBahia: São João: diária de hotel sobe até 500%

TribunadaBahia: Endividamento já preocupa

DiáriodoNordeste: PAC 2 não aplica metade dos recurso para o Ceará

OPovo: [Seca] 91% dos municípios estão em situação de emergência

DiáriodePernambuco: Aqui começa o futuro

JornaldoCommércioCinco mil empregos em risco no estaleiro

TribunadoNorte: TJRN conclui que fraudes desviaram R$ 14,1 milhões