segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Elementos históricos da formação de nossa amada Cajazeiras.

Dois irmãos, duas ruas
Francisco Frassales Cartaxo

As ruas Epifânio Sobreira e Higino Rolim são separadas pela avenida Presidente João Pessoa. São quase paralelas e têm a direção poente-nascente, a partir do antigo balde do Açude Grande. A rua Epifânio Sobreira possui ligeira inclinação, fica estreita no meio para alargar-se ao final. As duas ruas desembocam em praças. A Higino Rolim finda na praça Nossa Senhora de Fátima, enquanto a Epifânio Sobreira termina na praça Coração de Jesus, logradouro que, no passado, também abrigava uma capela, onde permaneceram por muitos anos os restos mortais de Mãe Aninha. Essa igrejinha foi demolida em 1936 na gestão do prefeito Joaquim Matos

No enviesado traçado urbano de Cajazeiras, João Pessoa, a avenida, separa quem a natureza juntou. Isso mesmo. Higino Rolim e Epifânio Sobreira são irmãos, ainda que os nomes nas placas não revelem parentesco nenhum entre eles. Mas são irmãos, filhos de Francisco Gonçalves Sobreira e Josefa Gonçalves Sobreira Rolim. Francisco é o professor Sobreira, cearense de Lavras, que veio para Cajazeiras, aí por volta da década de 1840, atraído pelas atividades educacionais do padre Inácio Rolim. Aqui se fez mestre-escola, casando-se com uma sobrinha do padre Rolim. O professor Sobreira faleceu jovem em 7 de julho de 1865, com 45 anos de idade. 

Higino Gonçalves Sobreira Rolim (1852-1931) era um dos sobrinhos preferidos do padre Rolim, que, aliás, realizou seu casamento no sítio Prensa, com a viúva Ana Antônia do Couto Cartaxo (Mãe Nanzinha). Esta era neta de Joaquim Antônio do Couto, o português que deu origem à família Cartaxo. Higino aprendeu línguas com tio padre e chegou a ensinar grego e latim no famoso colégio. Foi dono de farmácia, a segunda fundada no interior da Paraíba, em 1875. Numa época em que médico era raridade, tratou de doentes, vindo daí seu apelido de doutorzinho, também chamado de doutor Higino ou doutor Gino. Cuidou ainda de terra, gado e algodão. Durante muito tempo atuou como rábula e exerceu o cargo de promotor público. Político, o major Higino integrou o bloco hegemônico chefiado pelo Comandante Vital Rolim (1829-1915), tendo sido vereador, prefeito e deputado estadual na terceira legislatura republicana (1896-1899). 

Dois foram filhos legítimos de Higino e Mãe Nanzinha: Cristiano Cartaxo Rolim e Crisantina Pires Ferreira (Cartuxinha).
Rua Higino Rolim
Epifânio Gonçalves Sobreira Rolim (1864-1937). Foi proprietário rural e delegado de polícia. Casou-se com a cearense de Iguatu Saturnina Sobreira Bastos. Homem de muita coragem, notabilizou-se pela resistência que opôs, corajosamente, ao assalto dos cangaceiros chefiados por Sabino Gomes, em 1926, ao sustentar de dentro da casa onde morava à investida do bando, auxiliado por José Inácio, morador de sua fazenda e homem de confiança, num feito heroico ainda hoje narrado com entusiasmo em Cajazeiras. O casarão do major Sobreira está sendo transformado em Museu Histórico pelo atual prefeito, José Aldemir
O casal deixou numerosa descendência a partir de seus sete filhos: Cacilda, Waldetrudes, Alcebíades, Gumercindo, Josefa, Rivadávia e Marilda. 

Higino e Epifânio tiveram quatro irmãs: Antônia Tereza de Jesus, Ana Josefa Sobreira ou Ana Modesta Gonçalves Sobreira (Dondom), Hermenegilda Sobreira Rolim, Maria Sobreira Cartaxo. 

Os irmãos Epifânio Sobreira e Higino Rolim viraram nome de ruas. Ruas antigas onde nasceu a cidade, a partir da casa de taipa de Vital Rolim, do primitivo açude, da igreja, da feira e do colégio.     

E nossa arte revolucionária, heim? No futuro, os compêndios de arte só falarão sobre essa 'performance artística'...



A incrível história do juiz que recusou auxílios moradia, saúde, alimentação e livro
Magistrado usou como base a Constituição para defender que auxílio moradia e outros “penduricalhos” não deveriam ser pagos. Ele é irmão do humorista Chico Anysio, morto em 2012
Kelli Kadanus - GazetadoPovo
 
O juiz auxiliar Carlos Roberto Gomes de Oliveira Paula, que atua no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), fez um pedido curioso ao presidente do TJ na semana passada: ele não quer mais receber os auxílios relativos à moradia, saúde, alimentação e livro, que são concedidos aos juízes de todo o país. No pedido, o juiz Paula disse estar “incomodado com as justas críticas da população quanto a esses penduricalhos” e argumentou que os benefícios ferem a Constituição.

Segundo o magistrado, os juízes têm o dever de zelar pela guarda e pelo respeito à Constituição. “O fato do subsídio dos magistrados não ter sido reajustado ou revisado anualmente, como disciplina o art. 37, inciso X, da CF, não justifica legal e eticamente a compensação de perdas com a concessão dos auxílios recebidos”, argumenta ele em seu pedido.

De acordo com o ofício, a justificativa para os penduricalhos é que o Congresso Nacional teria descumprido a própria Constituição, que apesar de prever que nenhum juiz poderia receber gratificações adicionais, determina que o salário seja reajustado através de projeto de lei.

“O impasse ético e constitucional envolvendo tais auxílios para corrigir a defasagem do subsídio dos magistrados deve ser resolvido pelo STF, que não remeteu este ano ao Congresso Nacional projeto de lei para reajuste do subsídio dos magistrados, nem julgou o questionamento quanto ao auxílio-moradia, gerando descrédito do Judiciário perante a opinião pública”, argumenta Paula.

O salário do magistrado, segundo o Portal da Transparência do TJ, é de R$ 28.947,55. Ele ainda recebe, segundo as informações disponíveis, cerca de R$ 5,1 mil em indenizações.

Segundo a assessoria de imprensa do TJ-MA, o presidente do tribunal, desembargador Cleones Cunha, já deferiu o pedido do magistrado e encaminhou para a Diretoria Financeira para as providências necessárias.

Paula é juiz auxiliar na 1ª Vara de Execuções Penais, em São Luís, desde 2013. Ele atua na magistratura desde 1998, quando tornou-se juiz na comarca de São Domingos do Maranhão, passando por Mirador, Viana, Vargem Grande, até chegar a Bacabal, onde atuou na 2ª Vara da comarca.

O magistrado também é um dos sete irmãos do humorista Chico Anysio, que faleceu em 2012. Em entrevista ao G1, em 2012, Paula contou que completou os estudos com a ajuda do irmão mais velho.

Confira abaixo o pedido feito pelo juiz:


Capítulo final 
EDITORIAL Folha de São Paulo 
O presidente venezuelano Nicolás Maduro 

A interrupção do pagamento da dívida venezuelana, levado a cabo nos últimos dias, não surpreende. No roteiro tristemente repetitivo do populismo latino-americano, a incapacidade de honrar compromissos quase sempre surge no epílogo dos desmandos que vão minando a economia e as instituições.

Após descumprir um pagamento de US$ 200 milhões em juros de sua dívida externa, estimada em US$ 150 bilhões, o país foi declarado em calote parcial pelas três principais agências internacionais de classificação de risco.

A crise descomunal –que fez a renda per capita retroceder 40% desde 2013, no processo de empobrecimento mais explosivo já observado na América Latina– entra agora em nova fase.

A inadimplência dificulta o acesso do regime de Nicolás Maduro a divisas estrangeiras, fundamentais para financiar importações de produtos essenciais.

O caos há muito está instalado. A inflação se aproxima de 1.000% anuais e escasseiam todos os tipos de mantimentos. As reservas cambiais não passam de apenas US$ 9,6 bilhões, tendo caído cerca de 75% em cinco anos.

Com a suspensão do pagamento da dívida, pode-se até conseguir um alívio de curto prazo, uma vez que o governo disporá dos recursos para outros fins. Países mais alinhados, como Rússia e China, além disso, podem proporcionar alguma sobrevida ao chavismo.

Entretanto o isolamento cresce e as opções da ditadura vão se estreitando. Em especial, com a imposição de sanções pelos EUA, que proibiram a compra por instituições americanas de novos papéis da Venezuela e da PDVSA, a empresa oficial de petróleo.

Também será cada vez mais difícil a participação no comércio exterior, dado que a Venezuela vem deixando de pagar as linhas de financiamento de importações –justamente as que propiciam acesso a mercadorias essenciais.

O Brasil já deixou de receber US$ 262 milhões no âmbito do Convênio de Créditos Recíprocos, mecanismo de liquidação de obrigações em moeda estrangeira entre os dois países, muitas delas garantidas pelo Tesouro Nacional.

Não se sabe exatamente, aliás, o quanto o Brasil está exposto ao risco venezuelano. Estima-se que o impacto possa se aproximar dos US$ 5 bilhões, resultantes da afinidade entre os governos petistas e chavistas desde a década passada.

Já tendo gerado colapso econômico, solapamento da democracia e escalada do crime, o regime de Caracas agoniza num capítulo final infelizmente já muito extenso.
Por que não tenho orgulho (ou vergonha) de ser negro, e a verdade sobre a escravidão 
Ivo de Freitas - Ilisp

Certo dia, vi num ônibus uma moça em cuja blusa estava escrita uma frase mais ou menos assim: “eu, uma negra bonita dessa, e você vem me chamar de morena?” E não, ela não se destacava pela beleza que, aliás, era bem comum para os padrões do Brasil. A única coisa que me chamou a atenção naquilo foi a ignorância da moça, como se “moreno” fosse um eufemismo para evitar um xingamento: “negro”. Já vi duas possíveis origens para a palavra “moreno”: a primeira é que a palavra é uma corruptela de “mouro, designação dada ao trigo maduro, que fica escuro, do mesmo modo como eram chamados os habitantes da Etiópia, os núbios, sarracenos, enfim, os africanos, de maneira geral, eram “mouros”. A segunda explicação é que “moreno” é uma corruptela de “mora”, que designa a fruta amora. De qualquer forma, “moreno” sempre representou e vai representar “negro”, diferentemente de “mulato”, usado como pejorativo para os filhos de brancos com escravos negros, que significa “da cor de mula”.

Do que os negros deveriam se orgulhar? Você poderia, logo de cara, citar toda uma “raça” de escravizados com mão-de-obra amplamente usada no Brasil por mais de dois séculos. Sim, isto é verdade, negros foram usados como mão-de-obra escrava e muito se fala em “dívida histórica” por causa dessa injustiça.

Analisando um pouco mais a história, por que é creditado apenas aos brancos o jugo da escravidão negra? A população de Portugal no ano 1500 era de cerca de 1 milhão de habitantes. Mesmo se todos eles fossem enviados à África a bordo de navios em viagens caríssimas e penosas com a missão de escravizar toda alma viva naquele continente, não seriam capazes de subjugar todos os guerreiros de todas as nações e escravizar os 4 milhões de africanos que estima-se terem sido traficados entre os séculos XV e XIX. Nem se a Europa inteira se levantasse em campanha militar pela venda de negros isso seria possível. Na verdade, seria mais fácil ver os europeus aniquilados. Ainda que estes pudessem ter maior força de combate, os africanos conheciam o terreno, o campo de batalha e tinham superioridade numérica, portanto, só foi possível escravizar 4 milhões de pessoas porque os negros escravizavam os próprios negros. Eles só encontraram quem quisesse comprar. Veio a calhar que um novo continente foi descoberto, falta mão-de-obra para explorá-lo e como faltava gente na Europa, lançou-se mão de comprar escravos.

Quando se fala de “escravidão negra”, não se atenta que foram negros que escravizavam outros negros. Até mesmo o maior símbolo de resistência negra no Brasil – Zumbi dos Palmares – teve escravos. Ele não rejeitou a escravidão, só não aceitou ser um escravo. Quando se fala em “escravidão negra”, ignora-se, por exemplo, que os mouros escravizaram os portugueses por 741 anos, entre 711 e 1452. Mesmo após a sua expulsão do território lusitano, os negros continuaram a escravizar brancos, a ponto de serem subjugados aproximadamente 1 milhão de europeus entre os séculos XVI e XVII. A escravidão tinha o intuito de gerar mão-de-obra e não necessariamente subjugar alguém de cor de pele distinta.

A própria palavra “escravo”, na realidade, vem do latim sclavus, corruptela de slavus, que significa eslavo. Não sabe o que é um eslavo? São brancos de olhos azuis que foram escravizados aos montes e, principalmente mulheres e meninas de olhos azuis conferiam lucros exorbitantes aos traficantes. Havia escravidão na Islândia, Suíça, Finlândia, Ucrânia, Polônia e Rússia. Asiáticos se escravizavam. E, surpresa, foram encontrados documentos recentemente que demonstram que escravos japoneses foram vendidos para traficantes mexicanos no século XVI. Na América pré-colombiana, índios escravizavam entre si (recomendo que assistam ao filme “Apocalypto”, de Mel Gibson). Por que só se fala em “escravidão negra”? Por que só os negros são especiais? Contra quem é a “injustiça histórica”?

Seria pelo fato de a escravidão negra ser relativamente recente? Nazistas fizeram judeus trabalhar em campos de trabalhos forçados. Muito depois da “escravidão negra” americana. Soviéticos escravizaram seu próprio povo durante o tão “amado” regime comunista. Por que só a “escravidão negra” americana merece comoção? Por que é a mais recente que ocorreu em nosso quintal? Surpresa: alemães, italianos, japoneses e imigrantes, em maneira geral, vieram trabalhar no Brasil no século XX em trabalho análogo à escravidão. Onde está o movimento amarelo? O dia da consciência branca? As cotas para alemães?

Eu sou quem sou. Minha cor de pele não define nada, nem para o bem nem para o mal. Não diz que sou capaz nem incapaz de nada. Aliás, não gosto do conceito de “raça”. Me lembra nazistas, me lembra Ku Klux Klan. Se a quantidade de melanina em minha pele me faz ter direitos a mais em comparação aos brancos (como cotas, por exemplo), isto só me lembra o que disse Rick Santorum: “se você considera que o estado te deu certos direitos, então o estado tem poder para tomar de você esses direitos”. Hoje o estado dá cotas. Mas quem garante que no futuro esse mesmo estado não ache que os negros têm direitos demais e resolva, em nome de uma injustiça histórica com os brancos, cassar direitos – incluindo os fundamentais, como vida, liberdade e propriedade – dos negros? Nada que o próprio estado já não tenha feito na história.

Não tenho orgulho algum por ser negro. Nem vergonha. Aliás, não tenho sentimento nenhum sobre isso. Meus sentimentos resumem-se a mim enquanto pessoa. O que sou ou não, o que faço ou não, o que tenho ou deixo de ter são consequências das minhas escolhas individuais. O que tenho de orgulho ou vergonha resume-se à minha pessoa. Se eu sou negro ou branco, isto é apenas um fato.

Ilustrador, bacharel em ciências contábeis pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e funcionário da mesma universidade.

Glória Maria posta frase polêmica sobre a “consciência negra”
Imagem repostada pela jornalista em seu Instagram recebeu milhares de curtidas e comentários; alguns pediram para que ela excluísse a imagem
GazetadoPovo
 
Após críticas, jornalista disse que não apagaria a publicação 

Antes do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro em quase todo o país, a apresentadora de televisão Glória Maria repostou em sua conta no Instagram uma frase que dividiu seus seguidores. “O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela, ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece”, dizia a mensagem, frase do ator negro Morgan Freeman. Após críticas, ela disse que não excluiria a imagem.

A publicação, postada na quarta-feira (15), tinha mais de 53 mil curtidas até a tarde deste domingo e recebeu também muitos comentários. Alguns seguidores se mostraram favoráveis em relação à manifestação da jornalista, outros, no entanto, pediram para que ela excluísse a imagem de sua conta.

Um dos seguidores apoiou a publicação e escreveu: “precisamos de condições de igualdade e não de vantagens”. 

Outro seguidor, porém, manifestou ser contrário ao pensamento: “desnecessária a frase. Consciência humana de quem??? Não vejo o negro se amando, não vejo o negro na política, não vejo o negro nas universidades públicas, não vejo o negro à frente, no controle sabe...”.

Após a repercussão, a apresentadora decidiu se manifestar novamente. No espaço de comentários da mesma publicação, Glória disse que “não concordar com o pensamento do ator americano é um direito dos brasileiros”, mas que ela, no entanto, o apoia. Além disso, se referindo às pessoas que pediram para que ela excluísse a publicação, Glória manifestou: “apagar este post???? Nunca!!!! Quem não concorda com ele ok! Acho triste mas entendam”.

Leia o comentário na íntegra:
“Pra todos que não concordam com este pensamento do Morgan Freeman: Não concordar é um direito de vocês! Mas pretender que todos pensem igual é no mínimo prepotente! Eu concordo totalmente com ele! Pra começar ele não é brasileiro e não está citando o dia da Consciência Negra. Uma conquista nossa! Está falando de algo muito maior. Humanidade! Eu e ele também nascemos negros e pobres e conquistamos nosso espaço com muita luta é trabalho! Não somos privilegiados. Somos pessoas que nunca aceitaram o lugar reservado pra nós num mundo branco! Algum de vocês conhece a minha história e a dele? Se contentam em tirar conclusões e emitir opiniões equivocadas em redes sociais! Nós estudamos, lutamos, resistimos e combatemos todo tipo de discriminação! O preconceito racial é marca nas nossas vidas! Mas não tenho que mudar minhas ideias por imposição de quem quer que seja! Apagar este post???? Nunca!!!! Quem não concorda com ele ok! Acho triste mas entendam. As cabeças e os sentimentos graças a Deus não são iguais! Como lutar contra a desigualdade se não aceitamos as diferenças? Queridos vivam suas vidas e nos deixe viver a nossa! Temos que tentar sempre encontrar nosso próprio caminho! Sem criticar e condenar o dos outros! Cada um precisa combater o racismo da maneira que achar melhor! Lembrando sempre do direito e da opinião do outro! sou negra e me orgulho . Mas não sigo cartilhas . Minhas dores raciais conheci e combati sozinha! Sem rede social para exibir minhas frustrações! Tenho direito e dever de colocar o que penso num espaço que é meu! Não imponho e não aceito que me digam como devo viver ou pensar!”.

Parabéns, Fabíola. Que Deus te conceda muita paz, saúde e vida longa.


Minha amiga Fabíola, parabéns, que o Todo Poderoso te cubra com Seu manto Santo e cure toda dor e te conceda vida longa com muita saúde e paz. Beijos no teu coração.

Marcos Barros

Comunico que o PAGAMENTO DO SALÁRIO  dos parlamentares, servidores efetivos e comissionados da Câmara Municipal de Cajazeiras, referente ao mês de NOVEMBRO, foi creditado na manhã desta segunda-feira (20).

Para ter ACESSO ao  CONTRACHEQUE, é só entrar no site institucional da Câmara Municipal e clicar em PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, em seguida em PORTAL DO SERVIDOR, onde você irá gerar uma senha! Depois é só preencher os dados: matrícula, CPF e a senha que foi gerada!

Link do site:

As manchetes do jornal Estado de Minas


No jornal Lance: o Mengão 'descolou'


Na capa d'O Globo


Os destaques do Jornal do Commercio


As manchetes de jornais brasileiros nesta segunda-feira

FolhadeSãoPaulo: Governo pretende mudar programa Farmácia Popular

Globo: Temer amplia poder de Maia para aprovar a Previdência

Extra: RJ: Prefeitura faz 3,9 milhões de atendimentos a menos

Estadão: Maia sai fortalecido com trocas no governo

ValorEconômico: Lula diz que não é de extrema esquerda e nem Bolsonaro de extrema direita

ZeroHora: RS: 13º de servidores deve atrasar pelo terceiro ano seguido

EstadodeMinas: Seca em Minas: estado de emergência

CorreioBraziliense: Por trás do desmaio, a mãe e R$ 946 para sustentar seis filhos

CorreiodaBahia: Dura realidade

DiáriodePernambuco: Cai número de ações trabalhistas

DiáriodoNordeste: Polícia ganha reforço aéreo contra o crime

CorreiodaParaíba: De olho nas eleições de 2018, partidos políticos tentam atrair os jovens

domingo, 19 de novembro de 2017

Leia o texto. Não se engane pela chamada...

Cinegrafista negro conta quem realmente é William Waack
Folhadacidade
Um comovente depoimento do cinegrafista que trabalhou anos com William Waack.

Eu sou preto. Já trabalhei com ele na França, em Portugal, na Espanha, na Índia e em São Paulo.

Nesta caminhada de 30 anos, fazendo imagens e contando histórias, poucos colegas foram tão solidários quanto o velho Waack. Ele faz parte dos pouquíssimos globais que carregam o tripé para o repórter cinematográfico preto ou branco. 

Na verdade, não me lembro de ninguém na Globo que o faça. O velho sabe para que serve cada botão da câmera e o peso do tripé. 

Quando um preto sugere um restaurante mais simples, ele não dá atenção, porque paga a conta dos colegas que ganham menos, no restaurante melhor. Como ele fez piada idiota de preto, ele faz dele próprio, suas olheiras, velhice, etc.

O que a Globo mais tem são mocinhos e mocinhas de cabelos arrumadinhos, vindos da PUC ou da USP, que são moldados ao jeito da casa. 

Posso dar o exemplo de quando estávamos gravando uma passagem no meio da rua, onde havia um acidente, e sugeri a uma patricinha repórter que prendesse o cabelo devido ao vento. Ela o fez. Gravamos na correria, porque estávamos a duas horas do RJ. No dia seguinte, na redação, que aparece no cenário do JN, ela comenta.

- Você viu a matéria ontem?

- Não 

- Sobrou uma ponta do cabelo, fiquei parecendo uma empregada doméstica.

Ao que respondi.

- Eu sou repórter cinematográfico, cabeleireiro não havia na equipe.

Posso lembrar-me de muitas coisas como, quando fazíamos uma matéria para o Fantástico, uma mesa de discussão, e ao ouvido, ouço o repórter falar.

- Põe aquela pretinha mais para trás.

Isto faz parte do cotidiano. Os verdadeiros racistas estão por todas as partes, mas são discretos

Também tem a famosa, que chegou ao prédio onde vive, e uma moradora (namorada de um amigo) segurou o elevador.

A famosa negra não agradeceu, e ficou de braços cruzados. O elevador começou a subir.

Jornalista Famosa:

- Você não sabe qual é o meu andar?

- Sei, mas não sou sua empregada.

No vídeo, ela é uma "querida", jamais trata mal o entrevistado, se estiver gravando...

Voltando ao racista William Waack. Quando íamos para a Índia - eu vivia em Lisboa - fui 3 dias antes para Londres, de onde partiríamos para Dheli.

Eu ia ficar em um hotel, mas o racista que havia trabalhado comigo até então somente uma vez em Cannes, convidou-me para ficar em sua casa, onde vivia com esposa e dois filhos, esposa essa a quem ele, preconceituosamente, chamava de “flaca” devido à sua magreza. Eu via como uma forma de carinho.

Comemos, bebemos bom vinho e, em nem um momento, alguém quis se mostrar mais erudito que eu, nem mais racista.

Gil Moura"
Quem será afetado pelas mudanças na CLT?
Porqueuol

No dia 11 de novembro passaram a valer as mudanças estabelecidas pela Reforma Trabalhista. Como se sabe, ela foi aprovada sob protestos de setores em defesa dos trabalhadores, como sindicatos e associações de classe. O discurso predominante pedia “nenhum direito a menos”, sobretudo aos mais pobres. Esses seriam os principais atingidos pela flexibilização das leis trabalhistas – ou, como alguns preferem falar, pelo “fim da CLT”.

Mas o que dizem os dados? Os fatos corroboram essa tese?

Para saber quem será afetado, a Opus Consultoria fez um exercício relativamente simples: colocou numa planilha os dados de renda dos cidadãos brasileiros, apurados pelo IBGE na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Depois, organizou esses números em ordem crescente, do brasileiro mais pobre ao mais rico. Em seguida, dividiu esses dados entre cinco quintis, ou seja, em 5 partes iguais que representam 20% da população cada uma. Dessa forma, o primeiro quintil (Q1) representa os 20% mais pobres do brasil; e o último quintil (Q5) são os 20% mais ricos.

Dá uma olhada no gráfico abaixo, com as taxas de desemprego e informalidade de cada quintil:
Digamos agora que a CLT tivesse sido rasgada. E que os trabalhadores com carteira assinada do Brasil, portanto, não tivessem mais nenhum amparo legal a partir de 11 de novembro. Qual a fatia da sociedade mais atingida?

“Os 20% mais pobres, é claro!”

Nada disso. Os 20% mais RICOS do Brasil. Os trabalhadores mais pobres são, proporcionalmente, justamente os menos expostos às mudanças na CLT. Por quê? Porque a informalidade prevalece na base da pirâmide social brasileira: entre os 20% mais pobres, 60% dos trabalhadores nem sequer tinham carteira assinada em 2015; logo, não muda nada para eles.

A surpresa fica completa quando olhamos para o topo da pirâmide, para os 20% mais ricos do Brasil: apenas 16% são informais. Ou seja, a probabilidade de ser atingido pelas alterações na CLT é maior entre os trabalhadores mais ricos, predominantemente com registro em carteira.

É aquela história: entre a narrativa e a realidade há, por muitas vezes, um abismo tremendo.
Total de ações trabalhistas cai mais de 90%
Fernando Nakagawa - O Estado de São Paulo 

A nova legislação trabalhista, que entrou em vigor no último dia 11, teve um efeito perceptível em sua primeira semana: derrubou drasticamente o número de ações na Justiça do Trabalho. Dados de cinco tribunais regionais consultados – Rio Grande do Sul, Bahia, Paraíba, Distrito Federal/Tocantins e Pernambuco – apontam uma queda de cerca de 60% no número de processos ajuizados em relação à média do primeiro semestre. 

Se for levada em consideração apenas a semana anterior à entrada em vigor da nova lei, essa queda é ainda mais drástica: chega a mais de 90%. O resultado não surpreende o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano. Ele explica que a queda dos números era esperada diante do grande movimento visto nos últimos dias da antiga CLT. 

Para Feliciano, muitos trabalhadores entraram com ações na reta final para garantir que o processo seja julgado com base nas regras antigas. Como a legislação vale para os contratos vigentes, a interpretação da maioria dos magistrados é que contratos encerrados no período da CLT serão julgados pela legislação antiga.

Outro motivo apontado pelo presidente da Anamatra para a queda no fluxo de ações é a persistência de dúvidas e incertezas sobre a reforma. “Advogados devem estar estudando a legislação para entender como agir”, diz o magistrado. 

Entre advogados trabalhistas, prevalecem dúvidas sobre a aplicação das novas regras e alguns têm sinalizado que preferem aguardar a criação de jurisprudência sobre tópicos polêmicos. Entre os assuntos que mais geram debate está a aplicação da nova litigância de má-fé, que pode multar o trabalhador em até 10% do valor da causa, e o entendimento sobre a prevalência do princípio da condição mais benéfica ao trabalhador – situação que determina que, quando há mudança da legislação, prevalece a que for mais favorável ao empregado. 

Maior queda. Entre os Estados consultados, o que apresentou a maior queda no número de ações foi o Rio Grande do Sul. O TRT gaúcho registrou média diária de 173 novos processos trabalhistas entre 11 e 17 de novembro. O volume é 93% menor do que o registrado na última semana de vigência da antiga versão da CLT, quando a média ficou em 2.613 ações por dia. 

Nos outros Estados o movimento também despencou. Na Bahia, o volume de novas ações caiu 91% nos primeiros dias da reforma ante a semana anterior. A queda chegou a 88% na Paraíba e a 74% no Distrito Federal e Tocantins. O feriado de 15 de novembro pode até ter influenciado, mas o fato não é encarado como determinante, pois na Justiça do Trabalho é possível ajuizar ação eletronicamente, mesmo nos feriados. 

Em relação à média do primeiro semestre, a queda é menor, mas também expressiva. No Rio Grande do Sul, o número de novas ações na primeira semana da reforma é 67% menor que a média de todo o primeiro semestre. O fenômeno se repete em outros Estados: queda de 64% na Bahia, 63% na Paraíba e 56% em Pernambuco. 

Entre os maiores tribunais regionais do País, São Paulo e Rio de Janeiro informaram que os dados só são tabulados em prazos que variam de quatro a oito semanas. Em Minas Gerais, um problema no sistema eletrônico impediu o levantamento. 

A forte queda do movimento na Justiça do Trabalho, porém, ainda não é considerada uma tendência. Em nota, o TRT do Rio Grande do Sul avalia que, “para se constatar os efeitos no número de processos ajuizados, será necessário analisar as estatísticas em um intervalo de tempo maior”.
A trajetória Rio abaixo
Fernando Gabeira 
O Globo

O impensável chegou ao Rio na ruína profunda das instituições, explosão de violência, crise, desemprego e miséria 

Quando menino, vi as luzes do Rio e me apaixonei. A escola nos trouxe para uma excursão a Petrópolis. A professora, generosamente, permitiu que o ônibus avançasse um pouco para nos maravilhar com a visão. Mais tarde, li no romance “Judas, o obscuro”, de Thomas Hardy, uma experiência semelhante: o personagem também admirava a cidade grande longe, fixado em suas luzes.

Assim que minha segurança profissional permitiu, ainda quase adolescente, mudei-me para o Rio, apenas com a mala de roupas, decidido a nunca mais sair. Ao voltar do exílio, apesar do avanço cultural em São Paulo, decidi, ou algo decidiu dentro de mim, ficar. Sei apenas que moro aqui, tive filhas e neto no Rio e não pretendo sair.

Mas a crise que o Rio vive é a mais grave que presenciei. Às vezes, repito aqui a pergunta de Vargas Llosa sobre o Peru, nas primeiras linhas de seu romance “A cidade e os cachorros”: quando é que o Rio se estrepou? É um reflexão que pode começar com a mudança da capital, passar pelas várias experiências de populismo de esquerda para acabar se fixando no encontro do PT com Cabral e toda a sua quadrilha. Entre eles, um coadjuvante de peso: o petróleo.

Às vezes, pergunto se fiz tudo o que poderia para evitar esse desastre. Confesso que, apesar de denunciá-los em várias campanhas, não tinha a verdadeira dimensão da rapina que iriam promover no Rio. Lembro-me que, em 2010, a “Folha de S.Paulo” publicou uma fala em que eu tentava descrever o projeto de Cabral. Comparava-o à tática das milícias que dão segurança a uma determinada área e são livres para cometer crimes. Disse que o instrumento dessa barganha eram as UPPs. A opinião pública ficaria satisfeita e Cabral teria as mãos livres para a pilhagem.

Questionei Cabral em vários debates de TV, sobre corrupção na saúde, politicas sociais etc. Não poderia imaginar que o arrogante adversário gastava R$ 4 milhões mensais com suas despesas particulares. O esquema monstruoso que contou com generosas verbas federais, royalties do petróleo e uma desvairada política de isenção de impostos corrompeu todas as dimensões do governo e talvez mesmo da vida cultural do Rio, entendida num sentido mais amplo.

Cabral caiu com seus asseclas. Em seguida, tombaram os conselheiros do Tribunal de Contas. Começa a cair agora a base de sustentação parlamentar de Cabral, Picciani à frente. O círculo da corrupção estava fechado. Não havia brechas. Era uma trama criminosa perfeita, com todos os seus anéis de legitimação. Nada ficou de pé, exceto sombras do passado, como Pezão e uma Assembleia, com raras exceções, totalmente desmoralizados.

A performance de Pezão como morto-vivo é patética. Ele indicou um deputado para o TCE. O procurador recusou-se a defender essa escolha: era inconstitucional. O procurador foi demitido por defender a Constituição. Felizmente, o deputado indicado por Pezão está para ser preso. Foi indicado ao TCE porque é cúmplice do assalto. A lógica da quadrilha ainda domina o estado. Em outras palavras, o Rio foi arruinado pela maior quadrilha da História, e coube aos remanescentes do grupo reconstruí-lo. Eles não sabem nem querem fazer isto. Seu único objetivo é escapar da Justiça.

No livro “Sobre a tirania”, de Timothy Snyder, o autor mostra 20 lições do século XX. Uma delas pode ser adaptada para o Rio: mantenha a calma quando o impensável chegar. Snyder fala do terrorismo nessa lição. O impensável chegou ao Rio não na forma do terrorismo, mas na ruína profunda de suas instituições. Ele explode na violência cotidiana, crise econômica, desemprego e miséria.

Em outras circunstâncias, a única saída seria uma intervenção federal. Mas o governo de Brasília é também um remanescente do esquema gigantesco que arruinou o país. Não tem força nem legitimidade. A última esperança está na própria sociedade. Uma ilusão a enfraquece: esperar 2018 para realizar a mudança.

Em outros estados, isso pode fazer sentido. Não consigo imaginar como o Rio resistirá a mais um ano de bandidos no poder e a todas as consequências da presença da quadrilha no governo. De que adianta prender deputados como Picciani se a Assembleia está pronta para soltá-los?

No espírito de manter a calma quando o impensável chegar, a sociedade precisa discutir logo não apenas as grandes saídas, mas também a solução emergencial. O problema central é este: o que fazer com as grandes quadrilhas que dominam o estado? Como tomar iniciativas imediatas, para não ter de mudar daqui no futuro próximo? Não tenho resposta pronta. Sei apenas que é preciso enfrentá-los, derrubá-los e substituí-los. Isso precisa ser feito agora.

Já disse no alto de um caminhão de som, em debates e palestras: é insuportável viver num país onde os bandidos fazem a lei. O Rio é o núcleo dramático dessa desgraça nacional.
O Globo

Canastrões que defendiam a quadrilha da presidenta contra o golpe viraram amantes tórridos da Operação Lava-Jato

Faltam dez anos para as eleições de 2018. Lá chegando, o Brasil não lembrará que, um dia, acreditou ter de escolher entre Lula e Bolsonaro. Um país que chega a acreditar na dupla sertaneja Janot & Joesley como promessa de salvação, acredita em tudo. Enquanto o gigante desperta para o trepidante confronto entre esquerda e direita no mundo da lua, José Dirceu samba em paz.

O guerreiro do povo brasileiro está na dele. Você monta o maior assalto da história da República — um assalto republicano, como ensinou o saudoso Dr. Thomaz Bastos, precursor do Dr. Tomás Turbando — e é apanhado em flagrante. O que você pensa? “Já era”? Não. Você ainda tem uma fortuna no caixa da revolução e um exército de advogados, juízes, jornalistas (alugados e 0800), militantes baratinhos e sanguinários. Além disso, você está no Brasil. E tem a lenda.

Assim como faltam dez anos para 2018 (na translação mental da opinião pública), 1968 foi ontem. Daí a maravilha da assombração Bolsonaro: dá pra continuar brincando de “Os dias eram assim”, com Dirceu no papel de herói contra a ditadura — sambando para não perder a ternura (rima rica, ou melhor, milionária). E Lula, o ladrão condenado que Gabriel Predador não matou e a Justiça não prendeu, fantasiado de alternativa democrática. Não prenda a gargalhada, caro leitor. Tire você também o cinismo do armário.

E tome uma atitude corajosa contra essas famílias retrógradas dos anos 50 (a década passada), que insistem em casar suas filhas virgens. Rompa com esse conservadorismo sufocante, apoie o maiô de duas peças. E se quiser ficar pelado para chocar a burguesia, fique logo, porque daqui a meio século, por volta de 2017, vão achar que você está com calor.

Proteste contra a censura imposta pelos milicos. Faça isso agora, neste febril 1968, porque daqui a 50 anos as liberdades estarão mais do que garantidas, e podem achar que você é um rebelde cenográfico. Segundo Nostradamus, até a turma do é proibido proibir vai tentar censurar uns livros por volta de 2013 (quem te viu, quem te vê), mas não vai rolar. O governo bonzinho que eles apoiarão também tentará, como quem não quer nada, controlar o que é publicado — fingindo defender os direitos humanos (tem certeza, Nostradamus?!). Isso também não vai colar. Serão tempos difíceis para os canastrões ideológicos.

Ou nem tanto. Eles são criativos. E a plateia... Bem, é aquela sagacidade descrita acima

Foi assim que o assalto de quase década e meia aos cofres públicos sumiu do debate eleitoral para 2018. Puseram alguma coisa forte na bebida do Brasil e, de repente, a vida real deu lugar à pantomima trash Lula x Bolsonaro, esquerda x direita — enfim, aquele melado demagógico que Serjão, o erudito, imortalizou como masturbação sociológica. 

Merece até performance no museu, com Dirceu sambando ao fundo (vamos atualizar as obscenidades, por favor).

Enquanto o Brasil era estripado pelos companheiros por todos os seus orifícios (imagem exagerada? Vamos aos orifícios: Petrobras via petrolão, BB e Caixa via mensalão, Tesouro via pedaladas, BNDES via Joesley, Odebrecht e tráfico de influência de Lula junto a ditaduras amigas que humilham mulheres e gays sem comover os descolados daqui, Ministério dos Esportes/BNDES via escândalo da Copa etc). Voltando: enquanto o Brasil era estripado pelos companheiros, a Lava-Jato era tribunal de exceção.

Quando, finalmente, o país conseguiu sair da bocarra do PT, a Lava-Jato mudou de sexo. Os canastrões que defendiam a quadrilha da presidenta contra o golpe viraram amantes tórridos da operaçãoclaro, a versão do Janot, do Joesley, do Miller, do Fachin, enfim, a Lava-Jato trans, pseudônimo da conspiração mais vagabunda já vista por aqui, regida pelos que depenaram o Brasil e queriam voltar a mamar. A Lava-Jato real, liderada por Sergio Moro, subsiste desidratada — graças à inflexão de personagens como Dartagnol Foratemer, hoje lambendo as botas dos charmosos amigos da quadrilha.

Eles dizem que o governo foi tomado por uma quadrilha do PMDB. Ah, é? Então digam os nomes dos bandidos que sanearam a Petrobras em tempo recorde. Quem são eles? Digam quais foram os pilantras do PMDB que acabaram com a roubalheira contábil no Tesouro e sanearam a política fiscal. O Brasil quer saber! Quem são, afinal, os decrépitos que enxotaram a gangue do Dirceu e iniciaram as reformas do Estado, com a recuperação de todos — todos — os indicadores econômicos?

Não citam, e não citarão um único nome. Os cafetões da lenda — agora reforçados pela covardia tucana, que não falha — sabem que o comando das principais instituições nacionais está nas mãos de gente séria, virando noites para reverter 13 anos de pilhagem. 

Os resultados estão aí, à prova de retórica, e é comovente ver os progressistas de butique fazendo voto de cegueira.

Não adianta. A eleição de 2018 (daqui a dez anos de lero-lero vermelho X verde-oliva) será sobre isso: concluir a descupinização do Estado ou devolvê-lo aos cupins, para vê-los sambando alegremente na sua cara, com o seu dinheiro.

Vejam como anda a arte, no Brasil. Que tal esta: "Em nome da arte, rapaz decide perder a virgindade anal em público"...Vejam imagens.

 
Sugestão de Christiano Moura, no grupo Amigos de Cajazeiras, no WhatsApp
A inflação, o pobre e os ajustes
A inflação deu uma trégua. Com isso, as famílias de baixa renda têm os gastos de consumo menos pressionados e desafogo no orçamento
O Estado de S.Paulo

A inflação deu uma trégua aos mais pobres, desde o fim do ano passado, e com isso as famílias de baixa renda tiveram dois benefícios. O mais visível é mostrado de forma direta nas pesquisas publicadas mensalmente ou, em alguns casos, até a cada semana: seus gastos de consumo foram menos pressionados que os das famílias mais abonadas. Nos 12 meses terminados em outubro, os bens e serviços consumidos pelo grupo mais pobre, com renda mensal abaixo de R$ 900, encareceram em média 2%. Para as famílias do patamar superior, com renda acima de R$ 9 mil por mês, a alta de preços chegou a 3,5%. O outro benefício, menos ostensivo nas tabelas de inflação, é simples e sempre muito bem-vindo. É o desafogo do orçamento. Quando o custo de vida sobe mais devagar, a renda é corroída mais lentamente ou, em outras palavras, o salário dura mais, assim como qualquer outro tipo de ganho. Se o alívio ocorre nos itens mais importantes, como os gastos com a alimentação, o ganho é maior, porque sobra mais dinheiro para outras despesas e o consumidor fica mais livre para ajeitar suas condições de vida.

A inflação já foi descrita como o mais injusto dos impostos, porque faz o pobre pagar um preço desproporcional pelos desajustes criados pelo governo. Preços desarranjados, é sempre bom lembrar, geralmente resultam de erros cometidos pelas autoridades, como excesso de gastos públicos, intervenções desastradas no sistema de preços ou, simplesmente, corte voluntarista de juros e expansão imprudente do crédito. Houve uma desastrosa concentração de todos esses erros entre 2011 e 2015.

Todas as pesquisas de preços mostraram uma forte desinflação a partir do ano passado. O impacto diferenciado de acordo com o nível de renda foi evidenciado pela distância entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O primeiro é baseado nos orçamentos de famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos. O segundo, nas despesas de famílias com renda de 1 a 5 mínimos. Os dois indicadores são produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A novidade é a segmentação maior desse conjunto, apresentada em relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também vinculado ao governo federal. Técnicos do instituto recompuseram os dados a partir de uma segmentação em seis grupos de renda. As descobertas são exemplificadas com números mensais de outubro de 2016 e de três meses de 2017 – agosto, setembro e outubro.

Em todos os casos, a variação de preços para o grupo mais pobre foi a mais baixa. De modo geral, mas com alguma oscilação, condições melhores foram verificadas também para os primeiros quatro grupos, da renda muito baixa até a média. Parte considerável dessa evolução é atribuível à retração dos preços dos alimentos, com peso maior para as famílias com ganhos mensais entre muito baixos e médios.

Uma tendência menos favorável foi notada nos últimos dois meses. Para 2018 já se espera uma inflação superior a 4%, mas abaixo da meta oficial de 4,5%. Esperam-se preços mais altos no mercado internacional de grãos e novas pressões sobre o custo da alimentação, mas nenhuma alteração desastrosa no cenário. De toda forma, a inflação deverá continuar mais suave do que foi até 2015 e famílias de todas as faixas de renda ainda poderão desfrutar de algum desafogo. A melhora do emprego, com efeitos sobre a demanda, também poderá contribuir para alguma alta de preços. Mas pressões derivadas da política, em ano de eleições, são apontadas como as principais ameaças.

Com ou sem eleições, o principal fator de estabilidade de preços continuará a depender da capacidade do governo de arrumar suas contas. Esse trabalho será facilitado se os congressistas estiverem dispostos a agir de acordo com os interesses públicos de longo prazo. Inflação baixa, com benefícios para os pobres, é um desses interesses. No Brasil, o mais comum é falar a favor dos pobres e prejudicá-los, no fim da história, com inflação gerada por ações populistas.

O Politicamente Correto é uma desgraça...Vejam esse texto de J.R.Guzzo


Um país de chatos 
Pense um pouco no que Nelson Rodrigues estaria escrevendo, por exemplo, sobre transgêneros, "feminicídio" ou a indignação contra o papel higiênico preto 
J.R. Guzzo - Veja
Genial, mas... - Nelson Rodrigues não cabe no Brasil de 2017

Seria possível Nelson Rodrigues existir como autor no Brasil de hoje? Não dá para saber com certeza científica, mas é extraordinariamente difícil imaginar que pudesse escrever e dizer tudo o que escreveu e disse. Quem deixaria? Nelson Rodrigues é o maior autor de teatro que o Brasil já teve – seu nome estaria no topo da literatura mundial se não tivesse nascido, vivido e escrito na língua-portuguesa. Mas hoje seria considerado uma ameaça nacional. A mídia veria nele um agente da “onda conservadora” ou uma voz da “extrema-direita”; estaria banido pela boa sociedade cultural brasileira como intolerante, preconceituosa e fascista. Os educadores públicos fariam objeções à leitura de seus textos nas salas de aula. Sua entrada poderia ser proibida no departamento de novelas da Rede Globo. Procuradores e juízes estariam em cima dele o tempo todo, tentando condená-lo por machismo, racismo ou homofobia. Pense um pouco no que Nelson estaria escrevendo, por exemplo, sobre transgêneros, “feminicídio” ou a indignação contra o papel higiênico preto – isso para não falar do homem pelado como obra de arte, ou nas multas aplicadas aos clubes de futebol quando a torcida grita “bicha” para o goleiro de outro time. Não dá. Nelson Rodrigues não cabe no Brasil de 2017. 

Como poderia ser diferente, num país tão empenhado no policiamento da atividade de pensar? Não existe hoje no Brasil nenhuma obrigação moral e cívica mais cobrada do cidadão do que se manifestar contra o “preconceito” e a “intolerância”. Não espere, portanto, nenhum Nelson Rodrigues num ambiente assim. Em vez disso, fique atento às suspeitas da ocorrência, próxima ou distante, de qualquer comportamento que possa ser classificado como preconceituoso ou intolerante. Aí, se quiser ser um bom cidadão, assine o mais depressa possível um manifesto de condenação, desses que aparecem todos os dias no jornal – ou, se não tiver cacife para tanto, por não ser licenciado como celebridade, faça alguma coisa a respeito, nem que seja um telefonema anônimo para o “Disque-Denúncia” mais próximo. É fácil descobrir a opinião que você deve ter a respeito dos assuntos em circulação. Preconceito e intolerância, em termos práticos, são o que o Comitê Brasileiro de Vigilância do Pensamento decreta, de hora em hora, que são preconceito e intolerância

Que “comitê” é esse? É o habitual aglomerado de artistas, com ou sem obra, pessoas descritas como intelectuais, com ou sem intelecto visível, e gente de currículo em estado gasoso, mas que por alguma razão é apresentada como “importante. São eles os árbitros, hoje em dia, do que é certo ou errado neste país. Decidem como todos os demais cidadãos devem se comportar dos pontos de vista moral, social e político. Não toleram que alguém demonstre intolerância – é assim que chamam, automaticamente, qualquer ponto de vista não autorizado por seu livro de regras. O delito essencial, por esse catecismo é pensar com a própria cabeça a respeito de uma lista cada vez maior de assuntos. Sobre cada um deles há decisões já tomadas em última instância; são apresentados diariamente nos meios de comunicação. 

O resultado é que o combate a tudo o que possa ser carimbado como intolerância está criando no Brasil mais uma raça de intolerantes. Acaba de ser derrubado no STF, por exemplo, a regra baixada quatro anos atrás pelos organizadores do Enem pela qual levam nota zero os estudantes que escreveram na prova de redação alguma coisa considerada contrária aos “direitos humanos”. Considerada por quem? Por eles mesmos, os burocratas do “Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais.” Ou seja: nomearam a si próprios árbitros do que os alunos podem ou não podem pensar e dão zero quando não gostam do que o aluno pensa. Nem no regime militar se chegou a esse grau de megalomania na tentativa de controlar o pensamento alheio; nunca, na época, alguém assinou um papel em que se determinava a anulação de provas de conteúdo subversivo. Quem é essa gente para decidir o que você pode dizer? 

Outro exemplo comum de hostilidade a ideias discordantes é a conversa da “identidade de gênero” – ou a questão, ou até a “causa”, das pessoas atualmente descritas como “transgêneros”. Ficou estabelecido, como princípio moderno e gerador de mais justiça, que os seres humanos não devem ser diferenciados, para propósitos de identificação, pelo sexo anatômico com que nascera. Podem escolher o gênero que combina mais com o seu jeito de ser, no momento em que julgarem necessário fazer essa opção. Tudo bem: cada um pensa o que quiser, e, além do mais, todo cidadão é livre para levar a vida que prefere, ou que pode, em termos de sexualidade. Mas não há nenhuma razão para a sociedade se escandalizar com quem não concorda, ou não entende, que as coisas sejam assim – ou não acredita que esse seja um assunto de interesses universal. Qual é o problema? Não deveria ser considerado intolerante, retrógrado ou totalitário quem acredita que os sexos são só dois, masculino e feminino. Ou que todo ser humano, sem exceção, tem um pai e uma mãe, que obrigatoriamente são um homem e uma mulher. Ou que é impossível um homem ficar grávido, por lhe faltarem um útero, trompas, ovário – ou por não ter leite, não menstruar e não produzir óvulos, da mesma maneira que uma mulher não pode produzir espermatozoides. Não pode haver, é claro, nenhum problema com nada disso. Só que há. 

A lista de pecados capitais contra o pensamento obrigatório vai longe. Você estará perto da blasfêmia se argumentar que animais não têm direitos, pois a noção de direito se aplica unicamente a seres humanos – animais não podem ter o direito a votar, por exemplo, ou ter nacionalidade, ou de receber salário mínimo. Mas dizer isso é infração gravíssima. 

Está vetado, igualmente, o debate sobre questão ambiental como um todo; é considerado suspeito qualquer pedido de mais pesquisas científicas sobre temas como o aquecimento global, ou a cobrança de dados mais seguros sobre a previsão de que o Rio de Janeiro vai ser engolido pelo mar daqui a alguns anos. Defensivos agrícolas são uniformemente descritos como “agrotóxicos”; não insista. Também é tido como preconceito grave discordar da ideia de que o crime do Brasil é “um problema social” e que os criminosos, portanto são vítimas da sociedade, e não agressores. O deputado Jair Bolsonaro foi condenado por uma juíza do Rio de Janeiro, ainda outro dia, por ter feito piada de quilombola durante uma palestra. A Constituição, obviamente, proíbe que um deputado seja punido por falar o que lhe passa pela cabeça, mas a juíza argumentou que “política não é piada” e foi em frente. Não é piada? De que país ela está falando? 

A intolerância contra opiniões que incomodam começa a produzir, depois de algum tempo, disparates como esse. É uma surpresa que o Ministério Público ainda não tenha proibido as piadas de papagaio, ou que uma juíza não tenha decretado que a dama deve valer a mesma coisa que o rei no jogo de baralho. Vai se inventando, de cima para baixo, uma sociedade mal-humorada, neurastênica e hostil à liberdade de expressão. É um ambiente que convive mal com a observação dos fatos, a ciência e o raciocínio lógico. Estão construindo, talvez acima de tudo, um país de chatos.
Coisa de Dilma 
Editorial do Estadão

Deliberadamente ignorando o fato de que a economia brasileira começa a reconquistar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros e, consequentemente, a dar sinais claros de recuperação, a presidente cassada Dilma Rousseff continua gastando o dinheiro do contribuinte para divulgar no exterior mentiras sobre o Brasil. Em Berlim, em entrevista à Deutsche Welle, Dilma perseverou na tentativa de denunciar o “golpe” de que foi vítima e despejou mais um amontoado de inverdades, como a de que por aqui “as crises só se aprofundam”, e de sandices, como a de que a elite brasileira está empenhada em inviabilizar a candidatura presidencial de Lula para, “aí, vender o pré-sal”.

Todo ex-presidente da República tem direito de manter, à custa dos cofres públicos, uma equipe de assessores e seguranças, bem como os deslocamentos da equipe no País ou no exterior. No primeiro semestre deste ano, com viagens à Suíça, França, Estados Unidos, Espanha, Itália, Argentina e México – às quais se soma, agora, a visita a Berlim –, a equipe de Dilma já havia custado ao Tesouro mais de meio milhão de reais, o triplo do que gastaram, juntos, no mesmo período, todos os outros ex-chefes de governo. Questionada, a assessoria da ex-presidente informou que “nenhuma pressão fará com que a presidenta eleita Dilma Rousseff deixe de viajar, interrompa as denúncias sobre o golpe de Estado ocorrido em 2016 e as perversas e nefastas consequências que se abatem sobre a população brasileira”. Se em seu país Dilma tem o caradurismo de sustentar essa versão deturpada da realidade, não surpreende que ela propague escandalosas mentiras no exterior, para um público que acompanha – quando acompanha – a distância os acontecimentos no Brasil. É mais um desserviço que, agora por revanchismo, a presidente cassada presta a seu país.

Confrontada, na entrevista, com questões duras sobre seu comportamento na Presidência da República e após o impeachment, Dilma perseverou na velha tática lulopetista de usar o ataque como defesa: “Alegaram que o impeachment ia resolver a crise econômica, mas essas crises só se aprofundam. O atual presidente usurpador já foi denunciado duas vezes, e o senador Aécio Neves também, ambos enfrentam provas cabais e gravações. Mas essas duas pessoas continuam em seus cargos, enquanto outras duas (ela própria e Lula) são acusadas apenas por terem sido presidentes”. Vale destacar: “Apenas por terem sido presidentes”.

Dilma aproveitou a entrevista também para revelar-se magnânima em relação a uma questão que classificou de “relevante”: “Não acho que perdoar golpista é perdoar o PMDB e o PSDB. Acho que perdoar golpista é perdoar aquela pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava. Uma hora nós vamos ter que nos reencontrar. Uma parte do Brasil se equivocou. Agora, isso não significa perdão àqueles que planejaram e executaram o golpe. Você tem uma porção de pessoas que foram às ruas e que estavam completamente equivocadas. Mas você não vai chegar para elas e falar ‘nós vamos te perseguir’. Precisamos criar um clima de reencontro, entende? Não vai ser um clima vingativo, não pode ser isso”.

Com uma sonora gargalhada, Dilma rebateu na entrevista a pergunta sobre se não seria o momento de abrir espaço para novas lideranças, especialmente de esquerda: “Isso se chama ‘como tirar o Lula da parada’. Tá entendendo?”. E após desqualificar todos os nomes que, à exceção de Lula, surgem como candidatos potenciais à Presidência da República, a senhora Rousseff pretendeu liquidar o assunto com uma tirada de graça menos que duvidosa: “Sabe o que eu acho que é novo? Esse foi um pensamento que tive depois do caso do William Waack. Você sabe o que é coisa de preto? O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto”. O que se pode dizer é que um despautério desses é, definitivamente, coisa de Dilma.

Josias de Souza
“Não desista do Brasil”, escreveu o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa de Curitiba, em reação à decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que tirou da cadeia três caciques da facção parlamentar do PMDB fluminense. Diante do mutismo do asfalto, o procurador acrescentou: “Nós não podemos nos anestesiar, mas sim dar vazão à nossa indignação, de modo pacífico e democrático, por meio da participação popular.”

Debruçado na janela do Facebook, Dellagnol afirmou: “Os deputados da Assembleia do Rio deveriam ser os primeiros a endossar a atuação da Justiça e apurar a responsabilidade de seus líderes, mas o comportamento foi o oposto.” Mergulhado nos processos da Lava Jato desde 2014, o procurador conhece a podridão por dentro. Num instante em que os parlamentares, com a lama pelo nariz, apelam à cumplicidade e ao compadrio dos colegas para obter blindagem, Dallagnol soa como se enxergasse as urnas como um atalho ao Judiciário.

“Se Você não se envolver, eles ocuparão o seu espaço. Se hoje os políticos mostraram do que são capazes, em 2018 a sociedade brasileira precisa mostrar do que é capaz, nas urnas, agindo de modo organizado para eleger apenas políticos com ficha limpa, que expressem compromisso com a democracia e que apoiem propostas anticorrupção, com palavras, votos e atitudes.”

Dallagnol prosseguiu: “Há entidades respeitadas da sociedade civil trabalhando nesse sentido. Não esqueça do que aconteceu hoje e se una a elas em 2018, o ano que representa a grande chance brasileira contra a corrupção.”

O procurador trata o descalabro do Rio como prenúncio de desatinos maiores. “O que aconteceu no Rio de Janeiro hoje é uma amostra do que pode acontecer em Brasília e com a Lava Jato se em 2018 não virarmos o jogo contra a corrupção. Quando a punição bater na porta dos grandes líderes corruptos, eles perderão a vergonha de salvar a própria pele. A única solução é por meio da democracia e de uma política mais íntegra, e isso depende de você.”

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, outro conhecido membro da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, também despejou no Facebook sua indignação com o que se passou no legislativo fluminense. Ele direcionou suas baterias, no entanto, para o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. Surpreendeu com a notícia de que o magistrado ficara perplexo com o comportamento dos parlamentares do Rio.

“Marco Aurélio está perplexo!?!?!?”, escreveu Carlos Fernando. “Perplexo estamos nós em ouvir isso, pois foi justamente o seu voto no caso de Aécio, incoerente com sua própria decisão de afastamento de Renan Calheiros, que permitiu esse descalabro que estamos vivendo. Marco Aurélio é responsável pela decisão que levou a este estado de coisas.”
Pela lógica da CUT, demissões na CUT deveriam incluir socialização da CUT 
Marcelo Faria - Ilisp

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) iniciou na última terça-feira (14) um Programa de Demissão Incentivada (PDI) para demitir quase 60% dos seus 178 “trabalhadores”. Em resposta, aqueles que são responsáveis por fazer greves ameaçam fazer uma greve, acabando com as greves nas profissões realmente úteis que “representam”.

De acordo com o estatuto da CUT, a entidade deve apoiar ao máximo os seus funcionários, afinal, ela tem um “compromisso com a defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora”. O fato da entidade perder sua principal fonte de receita – o imposto sindical tomado a força de milhões de reais trabalhadores – deve ser irrelevante: “a luta por melhores condições de vida e trabalho” norteia a CUT, o que significa que deve pagar o máximo de “direitos trabalhistas” possíveis para os seus empregados, como estabeleceu a resolução da direção executa da CUT aprovada na recente plenária estatutária: “nenhum direito a menos”.

Aliás, pagar “direitos” é muito pouco. De acordo com a CUT, a entidade trabalha “no processo de transformação da sociedade brasileira em direção ao socialismo”. Já que a central sindical se declara socialista, por que não começar dando o exemplo? Que tal socializar o prédio de sua sede, no Brás, em São Paulo, com todos os “proletários” – não apenas os que trabalham na CUT, mas todos os trabalhadores brasileiros? Afinal, propriedade privada é coisa de capitalista burguês.
Sede da CUT em São Paulo. Sim, é o prédio inteiro.

Mesmo a justificativa da CUT (“patrão burguês”, para usar o linguajar sindicalista) para as demissões não faz sentido. A central sindical defende, desde 2002, o fim do imposto sindical – inclusive com um site exclusivo para conscientizar os trabalhadores sobre a necessidade de extinguir a obrigação. Ora, “companheiros”, vocês venceram! Conseguiram! O imposto sindical foi extinto! Ou será que era apenas campanha para burguês ver?

Esta lógica de demitir os proletários sindicalistas, por sinal, está muito opressora. Por que os cortes devem acontecer “na carne dos trabalhadores”? Enquanto coloca chefes de família na rua da amargura, a CUT continua utilizando o grande capital para financiar o DIEESE – aquele departamento de “análises geniais” que vira e mexe aparece na mídia para dizer que o salário mínimo deveria ser o triplo do atual – e, pasmem, assessorar os políticos “golpistas” do governo Temer por meio do DIAP! Como ousam trair os proletários do mundo apoiando um “usurpador”, CUT?

Pior: colocar pobres sindicalistas para fora enquanto seus líderes participam de ótimos churrascos “contra o neoliberalismo” em Montevidéu (Uruguai) é um ultraje à classe trabalhadora! E as pesquisas pagas à democrática Vox Populi para mostrar o “companheiro” Lula sempre à frente, irão continuar enquanto a CUT coloca pobres mortadelas na rua? Os ricos têm que pagar mais, “companheiros”! Menos mal que a CUT não irá terceirizar funções para outras pessoas após as demissões democráticas – afinal, como diz a própria entidade, “terceirização é precarização das condições de trabalho“.

Milhões de brasileiros aguardam que a CUT seja fiel aos seus próprios princípios e corte todos os departamento e pesquisas que financia, socialize seu prédio inteiro e pague o máximo de “direitos trabalhistas” aos demitidos. Parasitas do mundo, sumi-vos!