sábado, 19 de abril de 2014

Adeus, Luciano do Valle. Um dos grandes profissionais do esporte brasileiro.

Narrador Luciano do Valle morre após passar mal em Uberlândia

Narrador esportivo estava na cidade para cobrir jogo do Brasileirão.

Informação foi confirmada pela Band, emissora para quem trabalhava.

Luciano do Valle foi levado para o hospital e não resistiu

Fernanda Resende, Gullit Pacielle
Do G1 

O narrador esportivo Luciano do Valle, de 70 anos, morreu na tarde deste sábado (19) em Uberlândia, depois de passar mal e ser internado em um hospital particular da cidade. Ele saiu de São Paulo (SP) e foi socorrido ainda no aeroporto do município mineiro, pelo Corpo de Bombeiros. A morte do narrador foi confirmada pela Band, emissora para a qual ele prestava serviços.

O narrador chegava a Uberlândia para cobrir o jogo entre Atlético-MG e Corinthians, que acontece no domingo (20) no Estádio Parque do Sabiá, pela 1ª rodada do Campeonato Brasileiro (Brasileirão).

Segundo assessoria da Infraero, o apresentador estava no voo da TAM (3244), de Congonhas-Uberlândia. Ele passou mal ainda no avião, que pousou às 14h30 na cidade. A Infraero disponibilizou um desfibrilador e bombeiros do aeroporto, que o conduziu até o hospital. 

De acordo com assessoria de imprensa do Hospital Santa Genoveva, o narrador deu entrada às 15h10 com parada respiratória e foi direto para Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O óbito foi confirmado às 16h15 .

O jornalista da TV Globo Marco Aurelio Souza estava no mesmo voo do narrador e contou ao GloboEsporte.com o que se passou no avião. "Ele não se sentiu bem durante o voo. Não teve nenhum rebuliço no avião. Ele só comunicou à comissária que não se sentia bem e pediu que, quando o avião descesse, chamassem um médico. Estava na primeira fileira. Todos os passageiros saíram, mas ele permaneceu. Quando eu saía, o comandante já tinha saído da cabine e conversava com ele indicando que tinha chamado um médico. A gente ficaria no mesmo hotel. Quem me relatava as coisas era o Fernando Fernandes, da Band. O Luciano já foi muito mal para o hospital. Meia hora depois, o Fernando me ligou para dizer que ele tinha morrido de um problema do coração", relatou o jornalista.

Histórico Luciano do Valle
Luciano do Valle dedicou vida ao jornalismo esportivo (Foto: Adir Mera / O Globo)

Luciano do Valle Queiroz era natural de Campinas e trabalhava atualmente na TV Bandeirantes. Ele foi narrador esportivo da TV Globo por onze anos. Era considerado um dos principais profissionais da imprensa do país, transmitindo Fórmula 1, Fórmula Indy Olimpíadas, Copa do Mundo, e também apresentador do tradicional Globo Esporte.

Torcedor da Ponte Preta, Luciano iniciou a carreira aos 16 anos na Rádio Central de Campinas, e ganhou destaque trabalhando na Rádio Nacional, em São Paulo. Em 2003, ele também fez parte da equipe esportiva da TV Record, que acompanhou o acesso do Palmeiras para a Série A do Campeonato Brasileiro. Neste ano ele completaria 51 anos de carreira.

De Ari Evandro. Se a pressa é inimiga da perfeição, quando nosso aeroporto sair já será um aeroporto internacional....com voos da França (Bayeux), Israel (Nova Jerusalém), Egito (Alexandria)...

Estamos perdendo visitas de turistas em nossa cidade...


A coluna Faisqueira do nosso jornal Gazeta do Alto Piranhas


Bacalhau na mesa


O prefeito de Bom Jesus, Roberto Bhayma, com dinheiro sobrando no caixa, tomou a decisão de pagar aos servidores municipais neste dia 16 de abril e isto vai tornar possível que todos tenham condições de comprar o bacalhau e o vinho para ter uma ceia mais farta na Semana Santa. Por que um prefeito tem condição de fazer e outros não? 

Pérola do rádio cajazeirense

Um destes locutores improvisados que permeiam os estúdios das emissoras de rádio de Cajazeiras divulgou esta semana a seguinte noticia: no meu sítio o termômetro marcou 14mm de chuva. Um pluviômetro chorou de ódio. Tem gente que pensa que ouvido é pinico.

Fugindo da raia


O ex-prefeito de Cajazeiras, Carlos Rafael, entrou com uma ação contra a coligação a “Esperança Voltou” por ter considerado que a substituição de Carlos Antonio por Denise, na última campanha municipal, tinha sido uma FRAUDE e a audiência que era pra ser realizada, no último dia 15, no Fórum Ferreira Júnior, foi mais uma vez adiada.

Fugindo da Raia 2

A juíza marcou uma nova data para a audiência e segundo os seus “opositores” ele não vai comparecer mais uma vez e teriam uma explicação: “ele teria um calhamaço de intimações” que precisa de sua assinatura e para os oficiais de justiça esta sua presença no Fórum seria um prato cheio. Ou seria uma causa perdida, já que o Ministério Público foi favorável ao arquivamento?

Fisgou um peixão

O pré-candidato a deputado estadual Jeová Campos teria fisgado um dos peixes graúdos da região ao colocar na sua canoa o prefeito, Domingos Neto, de São José de Piranhas. Além do prefeito, o vice-prefeito, Marquinhos, que é seu irmão, também vai trabalhar e apoiar o seu projeto político. Vale lembrar que Jeová sempre foi um bom pescador de tucunaré e agora o é de votos. Falta agora só pescar estes dois “peixes” para a canoa de Ricardo.

Jeová X Marcos Barros


Todas as vezes que Jeová e o vereador Marcos Barros se encontram sai faísca e como em discussão política cada um quer ter sua razão, acabam se desentendo. Jeová diz que não adianta pedir mais o apoio de Marcos porque já se humilhou demais e Marcos responde que Jeová está agindo de maneira errada. Nenhum quer dar a mão à palmatória e vão chegar até o fim da campanha sem se entenderem.

Dois postes no caminho


Na Estrada do Amor, que está ficando uma beleza, no seu final, tem dois postes e um muro que precisam ser retirados e se não acontecer uma interferência com maior brevidade o serviço poderá ser paralisado. A Universidade é a donatária do muro e dos postes e já liberou as suas retiradas e o que ela quer é apenas que o muro seja refeito e os postes sejam colocados em outro lugar.

Reafirmando apoios

A prefeita de Cajazeiras, Denise Albuquerque, tem ditos aos seus amigos e aliados que vai apoiar para deputado estadual José Aldemir e Jeová Campos. Zé Aldemir, que é raposa velha, sempre que pode tem participado dos eventos que a prefeitura promove.

Reafirmando apoios 2


O exemplo mais recente aconteceu esta semana quando da entrega das barracas e das balanças aos feirantes da Praça Coronel Matos e que negociam frutas e legumes na feira livre dos sábados, com direito a discurso e fotos nas redes sociais da prefeitura. Foi uma demonstração de que os dois estão com os discursos afinados.

Força


O Secretário de estado, médico Carlos Antonio, demonstrou ter força no governo de Ricardo Coutinho, ao trazer para Cajazeiras, o secretário de Aeroportos, da Secretaria de Aviação Civil, o paraibano Nelson Negreiros Filho, que se comprometeu em agilizar o processo de homologação do nosso aeroporto tão logo o DER conclua seus serviços.

Força 2

O pai do secretario de aeroportos já foi juiz em Cajazeiras e seus familiares têm origens na cidade de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, através da família Fernandes, pois seu avô Abílio Deodato do Nascimento foi tabelião em Pau dos Ferros e era casado com Carolina Fernandes de Negreiros. Com tanta aproximação a fé se renova para que nosso aeroporto se torne uma realidade.

Força 3

É bom ressaltar que a presença de Negreiros na Secretaria de Aeroportos é da lavra do senador Vital do Rego Filho e o mesmo fez, por mais de uma vez, nas falas aos repórteres, a ressalva de que Vital tem recursos já empenhados para o balizamento noturno do aeroporto.
CORRUPÇÃO
POLÍCIA FEDERAL ABRE INQUÉRITO CONTRA EIKE BATISTA

AMIGO DE LULA E DILMA SERÁ ALVO DE INQUÉRITO DA PF, A PEDIDO DO MPF
DiáriodoPoder


A Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro instaurou ontem um inquérito policial para apurar possibilidade de crimes financeiros cometidos pelo empresário Eike Batista em 2013, quando estava à frente da petroleira OGX. A investigação correrá sob sigilo.


Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a PF não cita o nome do empresário, que tem ligações muito próximas com o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff. O texto diz que vai apurar a prática de crimes por parte do “acionista controlador de uma empresa que atuou na área de petróleo envolvendo negociações de ações, em tese, irregulares, realizadas em 2013″.

Na segunda-feira, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro havia solicitado que a Polícia Federal instaurasse um inquérito para apurar a suposta prática de crimes financeiros pelo controlador da OGX. O pedido foi embasado nas conclusões do relatório de acusação elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), encaminhado ao MPF no dia 19 de março.

Quem avisa amigo é...


Agora explica

Alvo dos sindicalistas
Alvo da oposição
Deputado do PPS, Stepan Nercessian enviou um documento cobrando explicações de Miriam Belchior sobre a suspensão da pesquisa feita pelo IBGE que mede o desemprego no pais, a chamada Pnad continuada.
Feito trimestralmente, o levantamento apontou desemprego médio de 7,1% em 2013, no resultado divulgado em abril, índice superior ao que o governo havia informado.
Recentemente, o IBGE anunciou que uma nova pesquisa só seria divulgada em 2015, cancelando o levantamento previsto para junho, período em que as campanhas eleitorais já estarão em alta temperatura. Após a mudança no cronograma, dois integrantes do conselho-diretor do IBGE foram exonerados.
No pedido de explicações enviado a Miriam Belchior, o PPS desce a borduna:
- ​A suspensão da divulgação dos resultados deixa claro que o governo não hesitará em intervir em qualquer órgão público, se for necessário para evitar que informações eventualmente negativas sobre o desempenho da economia causem danos à candidatura oficial à reeleição.
Por Lauro Jardim
DiáriodoPoder

Funcionários do IBGE deixam claro que não vão permitir a manipulação de suas estatísticas para atender a interesses políticos. Após firmar reputação de seriedade, o IBGE pode virar um Indec, seu congênere argentino que virou piada mundo afora. Daí a greve desta quarta.


Por Rubens Nóbrega
Jornal da Paraíba

Tenho a esperança de viver o suficiente para assistir ao fim da praga de gafanhotos e lagartas de fogo que comem a folha de Estado e municípios até o talo. O extermínio virá - assim espero - na forma de lei que acabe com a nomeação indiscriminada de cargos comissionados, orientada exclusivamente por critérios políticos.

A mesma legislação deverá proibir para todo o sempre a contratação de prestadores de serviço sob o pretexto fajuto de ‘excepcional interesse público’, quando todo mundo sabe que o único interesse em jogo, nesse jogo, é fazer com que os contratados votem no contratante ou naqueles que lhes arranjam a boquinha.

Quando isso acontecer, se acontecer, teremos enfim a consagração prática e definitiva do concurso de provas e títulos como única forma de ingresso no serviço público. Como manda a Constituição, aliás.

Levo a maior fé, por último, de no mesmo regulador da questão ser incluído dispositivo que limite o livre provimento a um número certo e limitado de funções de confiança preenchidas exclusivamente por servidores efetivos. Evidente que a mudança não eliminaria a prerrogativa do governante eleito de poder nomear, mas tal competência deveria ficar restrita ao primeiro e segundo escalões da administração.

Sabemos que numa democracia dita representativa como a nossa a eleição legitima o eleito para formar ao seu livre arbítrio a equipe de gestão executiva, mas não podemos aceitar eternamente que a legitimidade conferida pelo voto popular autorize o povoamento ou loteamento da formidável Asponelândia que cresce a cada mandato.

O que é

Asponelândia, vamos recordar, é aquele satélite do planeta Paraíba habitado por milhares de aspones, os famosos assessores de p... nenhuma. São detentores de gordos contracheques na maioria dos casos, mas sem obrigação de dar alguma contrapartida de trabalho produtivo ao contribuinte que banca, como diria o Gaspari, a choldra de parasitas. O trabalho do aspone, tanto quanto o de muitos prestadores de serviço, é pura e simplesmente votar no padrinho de sua nomeação ou arregimentar votos para quem os nomeou. E o pior: essa aberração financiada com o dinheiro suado e honesto do povo se sucede a cada governo e aumenta consideravelmente a sua densidade demográfica em ano eleitoral.

Quanto custa


Lógico que muitos comissionados trabalham de verdade, ou seja, não devem ser recenseados como habitantes da Asponelândia, mas o contingente de aspones pode ser impressionante, inclusive pelas cifras que subtrairia do Tesouro. De acordo com o Sagres, sistema de acompanhamento dos gastos públicos disponível no portal do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2013 chegou a 29.896 a soma de comissionados, temporários, estagiários e ‘outros’. Isso mesmo: tem uma categoria denominada ‘outros’ no serviço público estadual. Bem, os 29.896 representam quase um terço dos 113.851 que recebem salário, aposentadoria ou pensão do Estado. Desse total, quantos realmente prestariam algum tipo de serviço real ao Estado e, consequentemente, à sociedade? Quem arrisca um palpite? Difícil saber. Da mesma forma, seria difícil também calcular quanto pesaria no bolso do contribuinte o conjunto de comissionados, prestadores de serviço e outros temporários. Mas dá para acreditar que os comissionados em geral e aspones em particular recebem bem mais que a maioria dos servidores. Sendo assim, razoável estimar que dos R$ 3,1 bilhões gastos com pessoal ano passado cerca de R$ 1 bilhão tenha sido distribuído entre apadrinhados, amigos, correligionários e aliados do governo.

Vai rolar...

Há quem diga que a festa já começou. Festa de arromba, por sinal, a julgar pela oferta feita recentemente a um(a) amigo(a) que atua politicamente no interior. Eleitor(a) de Cássio Cunha Lima, a pessoa foi cantada para aderir a uma certa candidatura em troca de um holerite de R$ 5 mil. “Agora, Rubens, se eles são capazes de oferecer algo assim a um cassista de carteirinha feito eu, imagine, então, aqueles que aparentemente estão em cima do muro, mas só esperando a melhor oferta para fechar o negócio e pular de um lado pro outro”, disse. Com toda razão do mundo para dizer, pelo visto.

Aparelhados

Outra coisa vergonhosa nesse negócio de colocar a máquina pública e o erário a serviço de campanhas e candidaturas é ver governos pagando altos salários a pessoas que trabalham, na verdade, para o partido político do governante ou de sua base aliada. Se houver por aí alguém interessado em conferir, sugiro pesquisar e relacionar os nomes dos dirigentes de legendas governistas, procurar os atos de nomeação dessas figuras nos diários e semanários oficiais e puxar um por um no Sagres para ver onde estão lotados. Depois, é só verificar se esses cidadãos e cidadãs dão ou já deram pelo menos um minuto de expediente nas repartições para as quais foram designados. E aí... Aí o Ministério Público, especialmente o Eleitoral, bem poderia fazer essa checagem. Aposto como será bastante produtivo o trabalho e muito interessante o resultado.

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Semana Santa, Páscoa e Jesus, Santo e Revolucionário. Tudo isto no texto de Inaldo Leitão. Muito bom.

Ecce homo: o julgamento de Jesus

Por Inaldo Leitão

Nasci Cristão, e formalizei minha adesão à Igreja Católica através do batismo. Impossível lembrar do meu batizado, pois devia ter mais ou menos 1 ano de idade. Isso significa que minha ‘adesão’ deu-se de forma involuntária – ou inconsciente. Frequentei pouco a Igreja até antes dos 10 anos. Depois disso, passei a fazer parte de um grupo sousense que era catequizado por Dona Cacilda, que nos orientava e nos conduzia para o mundo religioso. Nossa Igreja era a do Bom Jesus e o padre, Lamberto. Com nossa mestra aprendi a rezar e fiquei sabendo que Jesus era o Cristo, o filho que Deus enviou ao mundo para salvar a humanidade.


Ficava sorumbático, quase em lágrimas, quando nossa orientadora religiosa dizia que Jesus, sangrando com uma coroa de espinho sobre a cabeça, havia sido crucificado, morto e sepultado. Imaginava o sofrimento daquele Homem com aqueles enormes caibros espetados nos pés e nas mãos. Mas esse sentimento dava lugar à alegria quando ela dizia que o Filho de Deus desceu à mansão dos mortos e ressuscitou no terceiro dia, na Páscoa. Meu inconformismo se manifestava na hora em que Dona Cacilda dizia que Jesus sabia que ia ser traído por Judas e previra a própria morte. Eu me perguntava: por que Ele não fugiu?

Passados alguns anos dessa fase da vida em que não fui além de aspirante a Cadete, vejo Jesus hoje de uma forma diferente. Ou seja, como duplo personagem: o Filho de Deus; e o homem de carne e osso, como nós. No primeiro caso, um ser abstrato, como o próprio Deus, que nos fornece como alimento a fé, a compaixão, o perdão, o amor, a caridade e o respeito ao próximo. Já o Jesus homem-comum, de cabelos longos e barba farta, era sobretudo um revolucionário. Que lutava com coragem e colocava sua vida em risco para combater as injustiças, as desigualdades e as crueldades dos poderosos. Um líder popular, pois.


Esse mesmo líder do povo, porém, sofreu uma terrível decepção. Como quem não tivesse sido compreendido pelos homens e mulheres que defendia, Jesus foi submetido ao julgamento popular e perdeu. Espertamente, os homens do poder outorgaram aos sem poder o direito de julgar. Seu adversário era Barrabás, assassino confesso. O processo que O condenou tem alguma semelhança com o descrito por Kafka mais de 18 séculos depois. A acusação de que ameaçava destruir o templo caiu no vazio, restando a de blasfêmia por afirmar-se Filho de Deus. É dizer, não havia acusação alguma para embasar o julgamento.

Certamente por isso teve início um jogo de empurra kafkiano. A lei judaica proibia que a suprema corte se reunisse durante a Pessach (páscoa) e não era possível fazer o julgamento. Como a lei romana não previa a pena de morte, Herodes enviou o acusado a Pôncio Pilatos. Este recusou o julgamento sob a alegação de que Jesus era galileu – e O enviou de volta a Herodes. De novo Herodes devolve-O a Pilatos. Num palanque, Pilatos expõe Jesus e Barrabás e pede à multidão que escolha qual dos dois deve ser posto em liberdade. “Eis o homem” (Ecce Homo), sentencia o governante da província romana da Judéia, após a ‘votação’.


A vitória do Assassino sobre o Santo deu-se por unanimidade, advindo (talvez) daí o axioma “errar é humano.” E assim o Homem de Nazaré segue para o palco da morte, chora e sofre, mas faz morada eterna no coração de cada um de nós. “Eis a Páscoa”, digo eu, um momento propício para unir os espíritos em oração e renovar a fé em Deus, a teor das imorredouras lições que Jesus Cristo nos legou. Halleluiah!

P.S. – Escrevi estas linhas ouvindo “Jesus Alegria dos Homens”, obra-prima de Johann Sebastian Bach.

Nosso, em português
MARINA SILVA
Folha de São Paulo

"O petróleo é nosso" foi o lema de um grande consenso que embasou o controle estatal do território e dos recursos naturais no Brasil, bem como dos instrumentos de promoção do desenvolvimento econômico nos últimos 60 anos. Para o bem ou para o mal, na ditadura militar ou na democracia, o consenso nacionalista sobrevive ancorado em coisas que nós, brasileiros, identificamos como nossas.

A crise que sacode as joias da Coroa --Petrobras e Eletrobras-- e, surpreendentemente, instala-se em núcleos de excelência como Ipea, IBGE e Embrapa, tem origem para além da política e revela o mal endêmico do patrimonialismo embutido no Estado brasileiro. As coisas nossas estão se tornando "cosa nostra".

A apropriação privada do que é de todos tem, no âmbito do Estado, uma possibilidade de solução política. Podemos investigar, responsabilizar, separar o joio do trigo, sanear as organizações. Mas, e o imenso território da nacionalidade, expropriado do povo pela ganância de poucos, como recuperá-lo?

É difícil dimensionar a tragédia. A organização britânica Global Witness divulgou nesta semana uma lista de 908 ambientalistas assassinados nos últimos dez anos em 35 países. O Brasil é o campeão, com 448 mortes, quase a metade do total. Algumas foram amplamente noticiadas, como a da irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005; outras, tratadas com indiferença. Em apenas 1% dos casos os culpados são condenados.


Amanhã é dia de outra tragédia: no 19 de abril, dedicado ao índio --que antes também era "nosso"--, só aqueles que se apropriam de seus territórios e riquezas têm motivos para comemorar. Prossegue, no Congresso Nacional, a tentativa de dificultar as demarcações e facilitar as invasões, com projetos de mudanças nas leis para tornar privado um direito que sempre foi público. Afinal, as terras indígenas pertencem à República, a todos nós, assim como os minérios no subsolo, as águas, as florestas e a biodiversidade.

Para que alguns se tornem "donos da pátria" é necessário tornar aceitável um nacionalismo excludente, etnocêntrico e assentado num sentimento de posse que anula a noção de pertencimento de índios, negros e pobres. O que é entendido como direito natural de uns, pode ser, no máximo, uma concessão que estes fazem aos outros. Esse é o nó central da nacionalidade.

A erradicação desse pernicioso sentimento de posse exigirá tempo e capacidade de autorreconhecimento das parcelas expropriadas da população. Exigirá também um maior senso de responsabilidade com o que é nosso. Felizmente, ainda existem índios, com quem podemos reaprender a ser brasileiros.

Anginha Senegal enchendo de graça a Europa. E na boa companhia de Bertrand, Léo Abreu e Dona Maria, a matriarca da família Lira.



O voto e casa da mãe Dilmona

Reinaldo Azevedo
Folha de São Paulo

Vamos lá, leitor, exercitar um pouquinho de "pessimismo de combate"? É aquele que levou Carlos Drummond de Andrade a escrever que "lutar com palavras/ é a luta mais vã/ entanto lutamos/ mal rompe a manhã".

Na quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou relatório de Roberto Requião (PMDB-PR) proibindo a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. Segundo o senador, aceitá-la corresponderia a acatar a "legitimidade da influência do poder econômico no processo eleitoral e, por consequência, no resultado das eleições". Com muito mais fru-fru, glacê e gongorismo igualitarista, é o que pensa o ministro Roberto Barroso, do STF.


Já há uma maioria no tribunal que vai por aí. Se a tese prosperar, o processo eleitoral ficará menos dependente do capital privado e mais dependente da... Petrobras!

A política brasileira, com frequência, é uma piada macabra com lances de chanchada. Não é surpreendente que um país com tantos recursos e com características demográficas e de formação social que constituiriam janelas de oportunidades ofereça a amplas maiorias uma vida tão ruim, tão insegura, tão sem perspectiva.

A sociologia, da mais preconceituosa à mais ambiciosamente iluminista, pode ilustrar a melancolia e as "vastas solidões" (Joaquim Nabuco) em que transita o pensamento em Banânia, mas não as explica.

A trilha persistente do atraso remete mesmo a uma palavrinha fora de moda, cujo sentido tanto a direita como a esquerda tentaram e têm tentado esvaziar: ideologia. Não há nada de errado com o clima. Não há nada de errado com o povo. Não há nada de errado com a história -todas as nações têm a sua, e o passado, visto à luz das conquistas morais do presente, nunca é meritório. Catastróficos por aqui são os valores que explicam a realidade e que, em larga medida, buscam substituí-la.

O que é aquilo na fala de Requião? Ele jamais vai entender que sonhos de justiça corromperam e mataram mais do que o capital. Talvez tenham salvado mais também. Não são termos permutáveis. Pensem na casa da mãe Dilmona em que se transformou a Petrobras.

Parece evidente que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que está em cana, usava, sim, a empresa em proveito próprio, mas fazia também a corretagem a serviço de partidos. Só um idiota ou um rematado canalha (ou ambos num só) não reconhecem que, se a Petrobras fosse uma empresa privada, pagaria menos pelos serviços que contrata porque não seria preciso pagar o "Imposto Corrupção".

Venham cá: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Para que suas teses sobre refino de petróleo ou hidrologia triunfem sobre as de seus rivais? Trata-se de uma luta de cavalheiros? Disputam as estatais para alimentar a República dos Ladrões. É cru, eu sei, mas é assim. E Requião, Barroso e outros sábios decidiram que a doação legal de campanha é que faz mal à democracia brasileira.


A disputa sobre mais Estado ou menos na economia e na sociedade não é nova, mas só no Brasil o assalto ao bem público promovido pelo estatismo se transformou numa categoria de resistência dos "oprimidos". Basta ver a tecla na qual petistas e congêneres decidiram bater: criticar a bandalheira na estatal seria falta de amor pelo Brasil. Samuel Johnson disse que o patriotismo é o último refúgio de um canalha porque não conheceu nossos ladrões.

O PT concorda com Requião e com Barroso. O partido enviou uma mensagem aos filiados, no dia 14, cobrando o apoio a uma emenda de "iniciativa popular" que institui o financiamento público exclusivo de campanha e o voto em lista fechada.


O objetivo, está lá, é "fazer do PT o protagonista da grande e necessária reforma, que certamente mudará os rumos das eleições em nosso país". Considerando que o PT venceu as três últimas e é o primeiro partido da Câmara e o segundo do Senado, "mudar o rumo das eleições" deve implicar torná-las ociosas.

Afinal, o Petróleo é nosso, mas a Petrobras é deles. 

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e autor de um blog na revista 'Veja'. Escreveu, entre outros livros, 'Contra o Consenso' (ed. Barracuda), 'O País dos Petralhas' (ed. Record) e 'Máximas de um País Mínimo' (ed. Record). Escreve às sextas-feiras.
 
Insegurança pesada na Copa
VINICIUS TORRES FREIRE
Folha de São Paulo

Protestos de rua e rolos político-policiais devem ser a notícia econômica mais importante até junho

O FIM DA PRÉ-CAMPANHA eleitoral deve depender pouco do que vão aprontar os candidatos, Dilma Rousseff inclusive, a não ser que a presidente venha e explodir outra bomba sob sua cadeira, tal como o fez no caso Petrobras, entre outros.

Qualquer cidadão leitor de jornais terá percebido que daqui até o momento em que os candidatos a presidente entrarão de fato em campo, após a Copa, a disputa dependerá grosso modo dos solavancos da popularidade de Dilma, pois o resto não se move. Parece óbvio que o prestígio da presidente dependerá:


1) Da quantidade de podres que vão saltar dos papéis que documentam o tráfico de influência em negócios relativos a Petrobras e outras malversações;


2) Do tamanho dos protestos do Junho da Copa, das possíveis arruaças e outros azares desse tipo de situação.

A inflação tão falada, que causou de fato danos à imagem da presidente, dificilmente tende a fazer estragos políticos adicionais, "na margem", pois nem deve ir muito além dos 6% e alguma coisa e já desagradou a muita gente. Talvez o sentido do contágio seja outro, da política para a economia (mas o governo sempre pode aprontar um estrago econômico "puro": pode arrebentar as contas públicas, por exemplo).

Em momentos de crise política, como no início do mensalão ou, muito pior, nos protestos de 2013, não foi preciso haver notícia econômica ruim para haver baixa extra na confiança de consumidor e empresário.


A evidência é anedótica, pontual, mas surpreende a quantidade de empresários e executivos que mencionam espontaneamente a possibilidade de manifestações tumultuadas degradarem ainda mais o clima. Não poderia ser de outro modo, pois a própria presidente diz coisas como "botaremos segurança pesada na Copa", como em seu discurso de ontem para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Decerto o governo não poderia anunciar atitude diferente pois, além das manifestações políticas, há projetos de arruaças. Ainda assim, uma ocasião a princípio festiva teve de ser tratada como operação literalmente de guerra, com as Forças Armadas atuando em "caráter dissuasório" e "em toda a retaguarda e também na contenção", como disse ontem a presidente.

Nas semanas pré-Copa, vão voar papéis recolhidos pela polícia nas investigações da lavagem de dinheiro que parece enlamear também negócios da Petrobras. Isso não vai parar tão cedo, pois a papelada vem sendo vazada de modo a causar dano pelo maior tempo possível, como de costume nesses casos. Além do mais, um rolo pode puxar outro, como se viu no caso vexaminoso desse deputado federal petista do jatinho.


Enfim, como o clima político não está bom, em grande parte graças à própria inépcia do governo, qualquer assunto se torna drama nacional, de uma pesquisa ridiculamente errada do ainda excelente Ipea aos problemas no IBGE.

O "Não Vai Ter Copa" por enquanto consegue reunir apenas militantes e aficionados, em manifestações pequenas. Sob as milhares da câmeras da mídia mundial, mil manifestações podem florescer. Uma algazarra de CPIs (ou quase isso) seguida de tumulto nas ruas pode ser a notícia eleitoral e mesmo econômica mais importante até a metade do ano --ou além.
vinit@uol.com.br

Rosângela Holanda no clima de Páscoa. Brindemos.


É na base da privatização do lucro e socialização do prejuízo...

“Evento privado”

Patriota mexe na equipe
Itamaraty: sem pedidos de ingressos
Itamaraty enviou uma nota às embaixadas sediadas em Brasília onde informou que a Copa do Mundo é um “evento privado”.
Ou seja, o governo enfatiza que o pedido de convites e ingressos para os jogos para os chefes de Estado, ministros, embaixadores e diplomatas deverá ser feito junto às federações nacionais de futebol ou diretamente à Fifa.
Beleza, é um “evento privado”, mas no qual o poder público gastou bilhões de reais…
Por Lauro Jardim

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