sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Auto de Natal em Cajazeiras. É hoje e sempre muito bom! O convite é de Léa Silva.

A primeira página do nosso jornal Gazeta do Alto Piranhas


Como é que pode??!!!


Com dívida de R$ 7,9 bi, OAS tenta renegociar com credores

Uma das mais afetadas pela Operação Lava Jato, empreiteira demitiu e pôs jatinhos à venda

Títulos no exterior são negociados com desconto de quase 70%; alta do dólar complica situação da empresa

RAQUEL LANDIM 
DAVID FRIEDLANDER
Folha de São Paulo

Com seus principais executivos na cadeia e as finanças sufocadas pela Operação Lava Jato, a OAS cortou custos, demitiu funcionários, tenta vender ativos e renegociar débitos com credores.

A empreiteira tem uma pesada dívida de R$ 7,9 bilhões, metade dela em dólares, e enfrenta desconfiança do mercado. Seus títulos desabaram no mercado internacional.

Depois que a PF prendeu o comando das grandes construtoras, os bancos passaram a dificultar a concessão de crédito aos envolvidos no escândalo de corrupção na Petrobras. A decisão pegou a OAS altamente endividada depois de fortes investimentos.

Terceira maior construtora do país, nos últimos anos a empresa do bilionário baiano César Mata Pires cresceu mais rápido do que os concorrentes. Tem concessões de estádios de futebol, estradas, metrô no Rio e do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Para financiar sua expansão, a OAS levantou dinheiro no Brasil e no exterior e se tornou uma das mais endividadas do setor. Em conferência com investidores na segunda (15), a companhia informou que tenta rolar as dívidas de curto prazo e que a operação está demorando porque os bancos pediram muitas informações.

Os credores estão tomando cuidados adicionais por causa da situação apertada da empresa, que em setembro tinha R$ 1,6 bilhão em caixa e R$ 1,4 bilhão em débitos para vencer no curto prazo. Os títulos da OAS no exterior são negociados com desconto de quase 70%, o que significa que os investidores apostam num calote.

Uma das dificuldades é a disparada do dólar, já que metade da dívida da empresa é indexada à moeda americana. A empresa também sofre com atrasos nos pagamentos do governo e da Petrobras.

A OAS contratou a G5 Evercore, do consultor Corrado Varoli, para buscar sócios e vender participações que possui em empresas. Ex-executivo do Goldman Sachs, Varoli é conhecido por reestruturar empresas em dificuldades.

Procurada, a OAS não quis explicar sua situação financeira, mas negou a reestruturação da dívida. Em nota, diz estar "endereçando seus vencimentos de curto prazo através de operações com bancos de relacionamento".

Para os analistas, o mais provável é que a venda de ativos diminua o endividamento e dê fôlego à companhia.

JATOS À VENDA

O negócio mais atraente da OAS é sua fatia de 25% na Invepar, avaliada em até R$ 4 bilhões pela companhia --e por menos do que isso por analistas de mercado. A Invepar tem as concessões do aeroportos de Guarulhos e de linhas do metrô do Rio.

De concreto, até agora só foram colocados à venda os dois jatos executivos Citation que atendiam o presidente da empresa, Leo Pinheiro, e o diretor da área internacional, Agenor Medeiros, hoje presos em Curitiba. A OAS devolveu um terceiro avião, que pretendia comprar.

Os jatos fazem parte do processo de enxugamento de custos, que provocou 60 demissões na área administrativa nesta semana. Segundo os concorrentes, a empresa também teria dispensado milhares de operários em todo país. A OAS não informou o número de demissões.

Um relatório para investidores de um banco internacional afirma que a OAS "já mostrou sua habilidade de levantar dinheiro" com o governo. No ano passado, fez negócios de R$ 1,2 bilhão com o fundo de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica) e com o FI-FGTS (fundo de investimento administrado pela Caixa).

Uma dos maiores financiadoras de campanhas eleitorais, a OAS é bem conectada politicamente desde sua origem. César Mata Pires era genro do senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), o que rendeu a brincadeira de que OAS eram as iniciais de obras arranjadas pelo sogro.

Nos últimos anos se aproximou do PT e PMDB, envolvidos na Lava Jato. As dúvidas sobre as consequências da investigação deixam o futuro da OAS e das outras empreiteiras incerto.
VEJA O 1º LISTÃO DA PROPINA
DiáriodoPoder


O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa entregou 28 políticos envolvidos no escândalo na estatal durante cerca de 80 depoimentos em âmbito de delação premiada na Operação Lava Jato, ocorridos entre agosto e setembro, segundo informações do jornal “O Estado de S. Paulo”. A lista de políticos envolvidos no esquema inclui um ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, um governador e ex-governadores. Na relação constam nomes de parlamentares da base aliada do governo e da oposição. Na lista dos partidos estão PT, PMDB, PSB, PSDB e PP.

Veja abaixo a lista de Paulo Roberto Costa:

PT
Antonio Palocci – ex-ministro dos governos Lula e Dilma
Gleisi Hoffmann – senadora (PR) e ex-ministra da Casa Civil
Humberto Costa – senador (PE) e líder do PT na Casa
Lindbergh Farias – senador (RJ)
Tião Viana – governador reeleito do Acre
Delcídio Amaral – senador (MS)
Cândido Vaccarezza – deputado federal (SP)
Vander Loubet – deputado federal (MS)

PMDB
Renan Calheiros – presidente do Senado (AL)
Edison Lobão – ministro de Minas e Energia
Henrique Eduardo Alves – presidente da Câmara (RN)
Sérgio Cabral – ex-governador do Rio de Janeiro
Roseana Sarney – ex-governadora do Maranhão
Valdir Raupp – senador (RO) e 1º vice-presidente do partido
Romero Jucá – senador (RR)
Alexandre José dos Santos – deputado federal (RJ)

PSB
Eduardo Campos – governador de Pernambuco de 2007 a 2014 (morto em 2014)

PSDB
Sérgio Guerra – presidente nacional do PSDB de 2007 a 2013 (morto em 2014)

PP
Ciro Nogueira – senador (PI)
João Pizzolatti – deputado federal (SC)
Nelson Meurer – deputado federal (PR)
Simão Sessim – deputado federal (RJ)
José Otávio Germano – deputado federal (RS)
Benedito de Lira – senador (AL)
Mário Negromonte – ex-ministro de Cidades
Luiz Fernando Faria – deputado federal (MG)
Pedro Corrêa – ex-deputado federal (PE)
Aline Lemos de Oliveira – deputada federal (SP)

Apenas os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Benedito de Lira (PP-AL) e os deputados José Otávio Germano (PP-RS) e Simão Sessim (PP-RJ) não quiseram se pronunciar. Os demais afirmam que não é verdade.

Iniciada em março deste ano, a Operação Lava Jato investiga o esquema de lavagem e desvios de dinheiro em contratos assinados entre empreiteiras e a Petrobras, que somam R$ 59 bilhões, considerando o período de 2003 a 2014.

Segundo as investigações, parte desses contratos se destinava a “esquentar” o dinheiro que irrigava o caixa de políticos e campanhas no país.

Na sétima fase da operação, a Polícia Federal prendeu 23 executivos, entre eles presidentes de empreiteiras e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, ligado ao PT.

Tá tudo dominado!

Vaccari é vizinho de Lula em prédio no litoral paulista

Tesoureiro do PT é dono de apartamento no edifício em Guarujá, vendido por cooperativa que ele presidia

POR GERMANO OLIVEIRA
O Globo

Na Justiça. Vaccari é réu em ação movida por pessoas que se sentiram lesadas pela Bancoop 

SÃO PAULO — O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é proprietário de um apartamento no edifício Solaris, em Guarujá (SP), onde o casal Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia Lula da Silva tem um tríplex avaliado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. Vaccari é acusado de estelionato em processo que tramita na 5ª Vara Criminal de São Paulo, referente ao período em que presidia a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), que vendeu, mas não entregou, apartamentos a cerca de 3.100 pessoas.

A Bancoop também comercializou os 122 apartamentos do Solaris, de 2006 a 2010, período em que Vaccari era o presidente da cooperativa. Na época, o prédio se chamava Mar Cantábrico. Como a obra passou por problemas, a Construtora OAS foi contratada em 2010 pela Bancoop para finalizar a construção.

Um apartamento no prédio custa, em média, R$ 750 mil. A lista com o nome de Vaccari como um dos proprietários está anexada ao processo na 5ª Vara Criminal, movido pelos mutuários da cooperativa que se sentiram lesados.

NOME CITADO NA LAVA-JATO

Vaccari também é investigado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, como suspeito de ser o operador petista de esquema de recebimento de propinas por obras na Petrobras. Ele nega todas as acusações

Devido a irregularidades na Bancoop, Vaccari foi denunciado por estelionato pelo Ministério Público Estadual no final de 2010. Nesse mesmo ano, a denúncia foi aceita pela juíza da 5ª Vara Criminal, Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa. Uma sentença no caso é aguardada para meados de 2015.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria do tesoureiro do PT confirmou que o apartamento é dele, mas informou que Vaccari não comentará o assunto.

Segundo o advogado criminalista Luiz Flávio Gomes, não há ilegalidade no fato de Vaccari ser dono de um apartamento no condomínio construído pela Bancoop.

— Só haveria algo ilegal se o prédio tivesse recebido recursos oficiais — disse.

Além do casal Lula da Silva e Vaccari, outros petistas e ex-dirigentes da Bancoop têm apartamentos no Solaris. É o caso de Ana Maria Érnica, diretora financeira da Bancoop. Érnica também é ré por estelionato no processo na 5ª Vara Criminal. Os outros réus são: Edson Botelho Fraga, Letycia Achur Antonio, Henir Rodrigues de Oliveira e Helena da Conceição Pereira Lage.

MAIS PETISTAS PROPRIETÁRIOS

Também Heitor Gushiken, primo do ex-ministro do governo Lula, Luiz Gushiken, morto em 2013, é dono de apartamento no Solaris. Heitor negou qualquer privilégio na obtenção do imóvel. Ele disse ao GLOBO esta semana que quitou todas as prestações do apartamento à Bancoop e ainda teve que pagar mais R$ 160 mil para a OAS, que cobrou dos associados da cooperativa uma diferença pelo término da obra.

Simone Messeguer Pereira Godoy, mulher de Freud Godoy, tem apartamento no Solaris. Freud foi segurança do ex-presidente Lula e chegou a ter seu nome envolvido na compra do dossiê contra o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), em 2006, no que ficou conhecido como escândalo dos aloprados.

Na época, Serra era ex-ministro da Saúde e disputava o governo de São Paulo contra o petista Aloizio Mercadante, atual ministro-chefe da Casa Civil. Os petistas tentaram comprar um dossiê com falsas acusações ao tucano. Lula, na ocasião, chamou os petistas envolvidos de aloprados.

A petista Marice Correia de Lima, cunhada de Vaccari, também é dona de um apartamento num prédio construído pela Bancoop. No último dia 18 de novembro, ela foi levada coercitivamente a depor na Polícia Federal de São Paulo, no decorrer da Operação Lava-Jato, para explicar por que recebeu R$ 244 mil da OAS.

Marice é proprietária do apartamento 193-A do Edifício Mirante do Tatuapé, no Bairro do Tatuapé, em São Paulo. Ela adquiriu o imóvel junto à Bancoop em 2006, quando o cunhado presidia a cooperativa.

No mesmo prédio do Tatuapé, os apartamentos de número 163-A e 173-A estão em nome da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde Marice trabalhou como colaboradora da Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas. A confederação é ligada à CUT e também teve Vaccari como tesoureiro.

EMPREENDIMENTO NA MOOCA

Outro empreendimento edificado pela Bancoop é o Torres da Mooca. Nele, Mirelle Nóvoa de Noronha, filha da ex-secretária de Lula, a petista Rosemeire Nóvoa Noronha, é dona de um apartamento.

Rose, como Rosemeire é conhecida, foi chefe de gabinete do escritório regional da Presidência da República em São Paulo. Ela foi flagrada pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, em 2012, negociando favores em nome da Presidência e obtendo empregos para seus familiares no governo Lula, inclusive para a filha. O irmão de Rose, Edson Lara Nóvoa, também tem apartamento no prédio da Mooca.

Ainda têm apartamentos no prédio dois ex-assessores de Lula: José Carlos Spinoza, ex-chefe de gabinete do Escritório Regional da Presidência da República em São Paulo, e Rogério Pimentel, ex-assessor do gabinete pessoal de Lula.

O apartamento 174 do Torres da Mooca pertence a um outro personagem envolvido no caso dos aloprados: Osvaldo Bargas, ex-diretor da CUT.

Os destaques do jornal O Estado de São Paulo


A primeira página do jornal Diário de Pernambuco


Uma capa bem sugestiva do Jornal Extra


A capa do Jornal da Paraíba

As manchetes de jornais brasileiros nesta sexta-feira

Folha: Envolvida no caso da Petrobrás, OAS vende jatos e demite

Globo: Na diplomação, Dilma diz que vai renovar Petrobrás

Extra  O reino da fantasia do prefeito ostentação

ValorEconômico: Estatais provocam 50% do déficit dos fundos de pensão

Estadão: Lista de delator da Petrobrás tem Palocci e outros 27 políticos

ZeroHora: Salário maior para deputado, governador, vice e secretários

EstadodeMinas: Vidas interrompidas

CorreioBraziliense: Sem réveillon, Brasília deve ter bailão petista

CorreiodaBahia: Carro usado fica com IPVA menor em 2015

DiáriodoNordeste: DJ preso na Aldeota era o maior traficante de ecstasy do Ceará

JornaldoCommercio: Energia em curto-circuito

JornaldaParaíba: Paraíba tem mais de 1,5 milhão de pessoas que passam fome

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014


Por Ângelo Lima

Aluna da Escola Vitória-Régia Maria Fernanda Araújo Oliveira recebe o prêmio de 3º lugar a nível nacional do VI CONCURSO DE REDAÇÃO, promovido pela Controladoria Geral da União – CGU, com o tema: ACESSO À INFORMAÇÃO, UM DIREITO DE TODOS.

A solenidade de premiação aconteceu na manhã desta quinta-feira dia 18 de dezembro de 2014 na Câmara dos Dirigentes Lojistas – CDL e foi realizada pelo representante da CGU Fernando de Albuquerque Lima.

Na ocasião estiveram presentes as diretoras da Escola Vitória-Régia Gilvaneide Dantas de Aquino e Elizabete Dantas Firmino, as coordenadoras, professores, funcionários e alunos além dos familiares de Maria Fernanda e autoridades: Padre Janilson Rolim Veríssimo, Maria Solange Nogueira, o presidente da Câmara Municipal de Cajazeiras Nilson Lopes, os vereadores Humberto Pessoa e Ivanildo Dunga, o professor e historiador Chagas Amaro, o presidente do Conselho Municipal de Educação Eugênio Rolim Rodovalho de Alencar, a presidente do SINFUNC Elinete Lourenço e o representante da CDL Emanuel Neto.

Maria Fernanda é filha de Adriana de Araújo e Francisco Candido de Oliveira e aluna do 8º Ano A da Escola Vitória-Régia. Teve como orientador o professor de Língua Português, Rubismar Guedes.

Participaram do VI Concurso de Desenho e Redação alunos de escolas públicas e privadas de todo o país, onde foram premiados alunos no primeiro, segundo e terceiro lugar por série.

A Escola Vitória-Régia sente-se feliz e orgulhosa pela conquista da aluna Maria Fernanda e a parabeniza pela brilhante vitória.




E Eike Batista, hem? Deu águia... A sugestão é de Márcia Galvão


Um homem de visão!


Gênio mesmo era o Eike Batista, quando previa que um dia a OGX iria valer tanto quanto a Petrobras. 

Pra não dizer que Frassales não falou sobre cuecas...

 
Divagações sobre cuecas

Francisco Frassales Cartaxo

Meu pai usava ceroula, uma veste interna, comprida, abaixo do joelho, quase no tornozelo. Costume antigo. Os que lutaram na Bahia pela independência do Brasil, depois do dia sete de setembro de 1822, eram chamados pelos portugueses de “ceroulas”. Nunca soube a razão desse apelido. Mas deixo isso para historiadores, preocupados com as “roupas de baixo” ao longo dos tempos. Talvez haja alguma tese acadêmica centrada na importância da cueca na reprodução humana, nas safadezas de alcova ou nos traços psicológicos dos povos. Veja o leitor que o tema é para quem domina instrumentos e métodos científicos de análise sociológica, histórica e antropológica. Minha preocupação é prosaica, apenas divagar em torno do uso da cueca a partir de quando (eu era menino), peguei meu pai todo ancho experimentando o novo e revolucionário modelo de “cueca samba canção”. 


A cueca jamais era exposta. Passou a sê-lo, porém, quando a propaganda jogou na mídia atletas, homens bonitos, fortes e sorridentes, de “cueca-sunga”, a comprimir as “partes pudendas”, aumentando-lhes o volume, em ostentação de masculinidade. Um saco, embora eu tenha notado a meu redor suspiros femininos... De qualquer sorte ela, a sunga, reinou quase absoluta até que o “pinto” emergiu na brecha e, meio rouco, cantou de galo: “tô apertado, tô apertado”... Aí, a “samba-canção” retomou seu lugar na concorrência mercadológica, agora mais sofisticada, afeita a um “novo homem”, moldada nas academias de ginásticas. 

E as cores?


Amigo meu, vidrado em curiosidades históricas, me garantiu que cueca só existia na cor branca, tanto que integrava o bloco da “roupa branca”. Fã de Nelson Rodrigues, ele repete trechos inteiros de “A vida como ela é”, a famosa coluna do pernambucano-carioca. Nelson descobriu o porquê da variação de cores nas cuecas. Foi assim. Certo dia, a madame viu uma marca labial vermelha na cueca do respeitável senhor seu marido. Logo ele que ia à missa e, contrito, comungava todos os domingos. Religiosamente. Diante daquela prova material, aliada à gagueira do homem, entre gritos, empurrões e tapas, - sem beijos, claro, - os dois foram parar na delegacia de polícia. 

- Cueca é lugar de se beijar um cristão? 

Cabeça baixa, o varão engoliu em seco. Na presença do delegado, o respeitável senhor papa-hóstia ficou mais gago ainda... Que horror! A cena inspirou então marcha carnavalesca: “Eu mato, eu mato/quem roubou minha cueca pra fazer pano de preto/, minha cueca tava lavada/foi um presente que ganhei da namorada”... Pois bem, esse episódio, concluiu meu amigo, foi o mote para os fabricantes lançarem no mercado cuecas vermelhas. Vermelhas não se denunciam, cochicha o vendedor ao ouvido de jovens e velhos safados! Daí a proliferação de cuecas coloridas em questão de meses! Isso me assegurou o fã de Nelson Rodrigues. De minha parte, prefiro as pretas. Cuecas pretas.


Da página policial, a cueca migrou para a mídia política, quando um petista cearense pouco imaginoso resolveu dar à cueca uma função mais nobre: transportar dólares. Dólares de origem suspeita, obviamente. Sujou. Como era mixaria, ele nem recorreu aos serviços profissionais do doleiro Alberto Yousseff... E o assessor político de grande líder do PT do Ceará foi esquecido... Talvez esteja em alguma praia lá para as bandas do Aracati ou mais perto de Fortaleza no Icaraí... De qualquer forma, a caso serviu para mostrar mais uma utilidade da cueca, embora um meio de transporte pouco seguro...

Nem me diga!

‘Não foi mau negócio. Houve má-fé mesmo’, diz CGU sobre Pasadena

Para ministro Jorge Hage, condutas foram intencionais, e envolvidos serão proibidos de voltar ao serviço público
POR EVANDRO ÉBOLI
O Globo

O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage - Givaldo Barbosa / Agência O Globo

O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, dispensa meias palavras ao falar sobre a investigação da compra da refinaria de Pasadena: “Não foi mau negócio nem erro de gestão. Foi má-fé mesmo”. Ontem, auditoria apresentada pelo órgão constatou que a Petrobras teve um prejuízo de US$ 659,4 milhões (R$ 1,8 bilhão) na compra da refinaria, no Texas.

O relatório deixa claro que, com os alertas feitos, a Petrobras tinha tudo para não fechar esse negócio de Pasadena.

Sem dúvida. Não se tratou de mau negócio ou de erro de gestão. Houve má-fé, mesmo. Foram condutas intencionalmente cometidas. A Petrobras optou por estimativas futuras em vez de levar em conta a situação da empresa à época.

Esse prejuízo, de US$ 659,4 milhões, representa o caso mais rumoroso investigado pela CGU?

É até possível que seja, não tenho certeza. De memória não saberia dizer com segurança se é o maior caso isolado. Há casos de auditorias de grande valor, mas são várias juntas.

Sobre as conclusões e recomendações, o que sr. tem a dizer?

Vamos instalar 22 processos contra as pessoas identificadas na investigação. Tem processo que pode levar à demissão de quem ainda está na empresa. Os comprovadamente envolvidos serão proibidos de voltar ao serviço público.

Zé Antônio vai às minúcias da saudosa memória e abraça, com a ternura de sempre, sua Dona Mãezinha e Seu Arcanjo. Bom demais!

Minha mãe entre dedais, carretéis, bastidores, agulhas e linhas

Por José Antônio

Minha mãe tem nome de princesa: Leopoldina, mas meu pai a chamava de “minha rainha”. E ela com seus 92 anos de vida continua sendo uma grande e vitoriosa “rainha”, mas a sua vida não foi tão fácil, mesmo antes de se casar trabalhava muito e era entre os 17 filhos de meu avô, uma das mais “prendadas”.

Aprendeu muito cedo a costurar e bordar, e talvez, de olho também nesta mulher “prendada”, além de sua beleza, foi um dos motivos que meu pai tenha se encantado por ela.

Tenho no meu álbum uma fotografia, que é uma relíquia, quando tinha dois anos de idade, vestindo uma bela roupa feita por ela, além de outra quando fiz a Primeira Comunhão.

Depois que noivou, em 1945, na Vila do Distrito de Engenheiro Ávidos, viajou para a cidade São José da Lagoa Tapada para a casa de sua irmã Onélia, casada com Chico Coura, com o objetivo de “preparar o seu enxoval” e deste cunhado ganhou todos os tecidos. Ela mesma diz que ficou uma beleza.


O noivo tinha pressa em se casar e em menos de dois meses, depois de pronto o enxoval, no dia sete de setembro de 1945, na Capela de Nossa Senhora Aparecida, em Boqueirão de Piranhas, em cerimônia presidida por Monsenhor Abdon Pereira, se uniram Mãezinha e Arcanjo.

“Foi uma vida de muito trabalho, de luta árdua, Arcanjo viajava quase todos os dias a Cajazeiras e quase sempre para Campina Grande, para fazer compras e eu ficava tomando de conta da bodega”, diz minha mãe em conversas íntimas.


Meus pais tinham uma vida muito simples, mas sempre com uma mesa farta, fruto do trabalho e moravam numa casa mais humilde ainda, ao ponto de sequer possuírem uma cama, fato que me leva a concluir que fui “concebido” em uma rede, que segundo ela era muito bonita e com belas varandas. Quando foi para dar a luz foi na cama da casa de meus avós maternos, Trajano e Benvinda

Ainda hoje, o lugar mais sagrado de sua casa, onde todos os filhos a reverenciam e pedem a benção, recebe os seus amigos e demais parentes é na sala, onde está armada a sua rede, que o médico a proibiu de usá-la, mas nunca cumpriu o recomendado.

Ela diz que enquanto despachava os fregueses, me colocava em cima do balcão dentro de uma “cuia de oito” (uma caixa feita de madeira, para medir a quantidade de farinha e feijão, neste caso correspondia a oito litros) e eu recebia sempre o mimo de todos.

Mesmo com tantas tarefas nunca deixou de se ocupar com suas linhas, carretéis, agulhas e tecidos, agora depois de casada, recebera de presente uma moderna máquina de costura comprada na Casa Ipiranga de Álvaro Marques, além de ter sempre perto o seu bastidor (2 peças de madeira de tamanho diferente em formato de aro), onde colocava o tecido e fazer belos bordados para poder atender aos pedidos da clientela.

Meu pai, mesmo analfabeto funcional, era um homem empreendedor e de visão, resolveu vender uma criação de bode que tinha numa renda na bacia do Açude Boqueirão e comprou dois modernos equipamentos: o primeiro foi um Rádio Phillips, o de olho mágico, que ainda hoje existe que atraia as pessoas para ouvir música e saber das noticias e foi nele que ouvi a da morte de Getúlio Vargas; mas o grande sucesso de sua bodega foi quando ele comprou, em Campina Grande, uma geladeira movida a querosene e em poucos dias já tirara o seu valor com a venda de refrescos gelados feitos por minha mãe. Foi um sucesso absoluto.


Fico às vezes, criando na memória, a festa do casamento, o nascimento dos filhos, as suas lutas para criá-los e educá-los, a manutenção da casa e o cotidiano dos 57 anos que passaram juntos. Nunca vi meu pai sequer alterar a voz para minha mãe e sempre observei o quanto um fazia feliz o outro.

As dores, os sofrimentos, as perdas, as ingratidões eram suplantadas pela grandeza, sublimação, doação, cumplicidade e acima de tudo pela vocação de fazer o outro feliz, tendo como base o amor.

Mas a grande arma e o sustentáculo dos dois eram a fé e a oração. Meu pai não era homem de rezar apenas um terço, mas um rosário, que sempre o conduziu no pescoço.

Lições, muitas lições todas costuradas pelas cordas dos corações de meus pais e escritas pela belíssima caligrafia de minha mãe.

A gente relembra dela e aproveita para dar os parabéns a Tereza Cristina, filha do grande Zé Palmeira e Dona Letícia.


As mentirinhas de Lula
ROGÉRIO GENTILE
Folha de São Paulo

Lula tentou reescrever nos últimos dias mais um capítulo da história do Brasil, alterando e distorcendo fatos para fazer valer a única versão que resta ao PT após mais um escândalo impressionante de corrupção, o petrolão.

O ex-presidente afirmou que "todos" os instrumentos para combater a corrupção foram criados durante os governos petistas. Todos??? "Se existe corrupção, é porque o PT criou os instrumentos", disse, citando especificamente a delação premiada, a Lei de Acesso à Informação e a Controladoria Geral da União.


A delação premiada é um pouquinho mais antiga que o PT. Há mais de 2.000 anos, Sun Tzu defendia que é moral o emprego de espiões, mediante pagamento de recompensas, para enfrentar o inimigo. Judas entregou Jesus Cristo em troca de 30 moedas de prata.

No Brasil, a delação premiada vigorou no período colonial de 1603 a 1830. Reapareceu em 1990, no governo Collor, com a Lei dos Crimes Hediondos, aprovada em meio a uma onda de sequestros. Pela lei, o criminoso que viesse a denunciar seus comparsas, facilitando a libertação da vítima, teria sua pena reduzida de um a dois terços. Depois, o instituto da delação foi ampliado para outros crimes nos governos FHC e Lula.

A Lei de Acesso à Informação e a Controladoria são outras mentirinhas de Lula. A primeira, de fato, foi enviada ao Congresso pelo seu governo, mas com uma grande diferença. O petista queria manter a figura do sigilo eterno para alguns documentos, o que foi modificado pelo Congresso, que estipulou prazo máximo de 50 anos para divulgação.

A Controladoria, ainda que tenha sido aprimorada por Lula, já existia com FHC sob nome de Corregedoria Geral da União. À época, ficou famosa a ministra Anadyr de Mendonça, chamada de "mal-amada" pelo finíssimo Paulinho da Força por ter rejeitado as contas da central sindical.

Para Lula, mudar o passado deve ser mais fácil do que mudar o PT.

Faz muito tempo.

Foi desse modelo:

-“Nego Massilon, tu pega minha nêga e vai dar uma volta com ela, pra tapiar, que eu vou sair com outra. Cuidado pra não fazer besteira”.

-“Deixe comigo. Tu não já quebrou meu galho”?

Passei na casa da Nêga e avisei:

-“O Doido viajou pra Pernambuco e pediu pra eu dar uma volta contigo. Vamos pra seresta de Naninha”.

Quando cheguei à portaria, Naninnha, a rainha da seresta, tava cantando: HOJE QUE A NOITE ESTÁ CALMA...



Quando a gente entrou no salão, o primeiro casal dançando era o “Doido e Sonha”...


Peeeense numa confusão!

Nesse tempo não tinha celular pra gente checar o território!
Petrobras, o deboche
Folha de São Paulo

Circunstâncias e detalhes no escândalo da estatal mostram sensação quase delirante de impunidade dos que a conduziram

À medida que se desenvolvem as investigações sobre algum escândalo de corrupção, surge razoável risco de que se produza no leitor, ademais de justificado desalento, certa sensação de monotonia.

O processo de obtenção das provas não segue o ritmo das expectativas da opinião pública, e a própria complexidade das tramas exige particular apreço pela minúcia.

As irregularidades do caso Petrobras, contudo, fogem a essa rotina. Não só suas dimensões financeiras e a aura simbólica de que a empresa se reveste conferem inédita pregnância ao noticiário.

É que, também nos seus detalhes, no colorido de cada episódio, há requintes. Há caprichos. Há mesmo um senso de humor negro.

Veja-se o que ocorreu quando a geóloga Venina Velosa da Fonseca, então gerente da área de abastecimento da Petrobras, mostrou-se inconformada com um contrato da estatal em 2009.

A funcionária estranhou que a construção de uma casa de força na refinaria Abreu e Lima custasse 272% acima do previsto. Obteve-se uma renegociação, com a economia de R$ 34,2 milhões.

Foi punida, entretanto. Num escândalo em que muitos envolvidos têm como saída o mecanismo da delação premiada, eis o caso inverso de uma correção punida.

Como "prêmio" pelas várias denúncias que encaminhava à direção da empresa, a geóloga foi transferida a Cingapura.

Se parece quase um sarcasmo remeter a incômoda funcionária para o outro lado do mundo, é menos refinada a nota da Petrobras sobre o episódio. Afirma-se que a geóloga teria guardado, "estranhamente", silêncio sobre as irregularidades durante cinco anos.

A tentativa retórica do comunicado não admite a interpretação mais simples. Ou seja, a de que, uma vez exposto o escândalo a público, a funcionária vê enfim ocasião para revelar o que sabe.

Nova nota da Petrobras, emitida ontem (16), sustenta que a geóloga só teria apontado irregularidades à atual presidente da estatal em novembro deste ano --o que salvaria Graça Foster das suspeitas de omissão. Aqui, o termo "estranhamente" foi evitado.

Enquanto isso, uma fornecedora holandesa, a SBM, admite a autoridades ter encaminhado propinas para a construção de uma plataforma, inaugurada às pressas para corresponder ao cronograma da campanha petista em 2010.

Na ocasião, o então presidente Lula jactou-se de que não existia mais caixa-preta na Petrobras; a plataforma ganhou o nome de Apolônio de Carvalho, histórico militante de esquerda.

São detalhes, é certo, mas indicam a sensação quase delirante de impunidade e o espírito de deboche com que se conduziram os vândalos encarregados de gerir a maior empresa brasileira.
Josias de Souza


Ainda presidente da Petrobras, Graça Foster conversou com os jornalistas nesta quarta-feira. Confirmou ter colocado o cargo à disposição de Dilma Rousseff. Conversaram sobre o tema uma, duas, talvez três vezes. “A coisa mais importante para esta diretoria é a Petrobras. É muito mais importante que o meu emprego”, disse, ao lado de diretores que integram sua equipe. Durante a conversa, Graça falou sobre quase tudo. Só não tratou do essencial: o aparelhamento político da Petrobras.

Ao interrogar o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, em 8 de outubro, o juiz Sérgio Moro perguntou ao depoente se havia algo que quisesse declarar. E ele: “Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos.”

Paulo Roberto prosseguiu: “Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha, depois que eu saí não posso mais falar, mas que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia…”

Durante a entrevista, Graça Foster fez referência ao depoimento de Paulo Roberto. Disse que, em março, quando o ex-diretor foi preso, os dirigentes da Petrobras tiveram de se familiarizar com o Código Penal. Além do jargão técnico, “outras palavras começaram a fazer parte do nosso dia a dia”, declarou Graça. “Crime, lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato…”

Nadando contra a maré, a Petrobras tentou negar o inegável. “Ficávamos na espera de que não poderia ser verdade, que não era assim. Mas, em 8 de outubro [dia em que Paulo Roberto foi inquirido pelo juiz Sérgio Moro], tivemos acesso ao depoimento e à confirmação dessas palavras que a gente queria negar. Cartelização, excedente… tudo isso tomou ar de realidade, que tomou ar inequívoco.''

O que disse Paulo Roberto ao juiz? Os contratos celebrados na Petrobras rendiam um pedágio político de 3%, que descia às arcas de pelo menos três legendas: PT, PMDB e PP. As mordidas começaram sob Lula. E prosseguiram na gestão Dilma. Na Petrobras há três décadas, Graça diz que não notou a roubalheira. Quem quiser que acredite. Mas ela agora já sabe: “Tudo isso tomou ar de realidade, que tomou ar inequívoco.''

No depoimento que levou Graça Foster a cair em si, Paulo Roberto também disse que há corrupção na Transpetro, subsidiária naval da Petrobras. Declarou ter recebido R$ 500 mil em verbas sujas das mãos do próprio presidente da companhia, o ex-senador Sérgio Machado, afilhado político do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Auditores externos da Petrobras pediram o afastamento de Sérgio Machado. O indicado de Renan tirou licença de 30 dias. O tempo passou. E as resistências dos auditores em avalizar o balanço da Petrobras aumentaram. Sérgio Machado renovou sua licença por mais um mês. Agora, o mercado cobra a saída da própria Graça Foster. “Vou continuar enquanto contar com a confiança da presidente [Dilma] e ela entender que eu deva ficar”, resigna-se a suposta comandante da Petrobras.

A estatal prepara-se para divulgar ao mercado um balanço precário. “Pela primeira vez, na nossa história de 61 anos, um balanço não auditado, por conta de denúncias'', lamenta Graça Foster, que se refere à situação como algo “inacreditável”. Contra esse pano de fundo, espanta que a pseudo-presidente da maior estatal brasileira silencie sobre o essencial: o u$o político da Petrobras.

Um ótimo texto do excepcional jurista brasileiro, Tércio Sampaio Ferraz Jr. A questão da anistia é bem analisada.

A anistia e o desejo de punir
TERCIO SAMPAIO FERRAZ JUNIOR
Folha de São Paulo

A paz política, ou anistia, pressupõe o sentido humano do esquecimento, não dos eventos, mas do (justo) desejo de punir atos repugnantes

Nem bem divulgado, o relatório da Comissão Nacional da Verdade já se vê submetido a controvérsias. Não sobre os eventos relatados, mas sobre omissões. São contestações de familiares de desaparecidos, que reclamam da ausência de detalhes, e de parentes de assassinados em ações de militantes, que cobram a extensão das investigações.

Também há disputa sobre a recomendação de revisão da Lei da Anistia por força da denúncia do regime militar de 1964 enquanto protagonista de um projeto de Estado em que se usou tortura e outros crimes considerados imprescritíveis.

Diante disso, não há como separar razão de emoção. A presidente Dilma, de um lado, afirmou claramente que não se deveria ver revanchismo no documento, mas não conteve as lágrimas ao recebê-lo.

O ponto de divergência está no olhar que se deve dirigir às narrativas nele contidas. Se virmos ali um propósito de justiça, é inevitável que surja um forte sentimento de repulsa. Justiça é um valor que mexe não só com os sentimentos mais íntimos do ser humano (culpa e remorso, por exemplo), como também com verdade e cognição, donde a exigência de imparcialidade de um vere-dito (aquilo que é dito verdadeiramente).

Pela narrativa de atos escabrosos --crimes imprescritíveis--, só haveria espaço para um julgamento, jamais para um perdão. Uma questão, porém, é saber se é de justiça que se trata quando se leem as narrativas que resgatam dados históricos.

Perpetuar a memória das coisas tem a ver com imparcialidade. O problema parece ser evidenciado pelo fato de que os historiadores constroem frequentemente narrativas opostas em torno dos mesmos fatos. Ora um omite o que o outro destaca e vice-versa.

A comparação, porém, só pode ser feita se admitimos tratar-se do mesmo acontecimento. Percebe-se, por isso, que exigir justiça não se esgota num relato. Clama por contraditório, discute uma extensão em igualdade a todos os que perpetraram crimes, até porque um julgamento exige mais que testemunhos: é preciso a prova dos fatos.

Ademais, muitos dos algozes morreram (que o Diabo os tenha), outros sobrevivem e buscam tratar os eventos como fatos justificáveis, alguns contestam que o comportamento guerrilheiro se assemelhasse a um ato de tortura, como se fosse possível justificar brutalidade com brutalidade.

Para ilustrar o dilema, menciono trecho extraído do romance "O Zero e o Infinito", de Arthur Koestler: "Pouco tempo atrás, nosso principal agrônomo, B., foi fuzilado com 30 de seus colaboradores por sustentar a opinião de que o adubo de nitrato é melhor que o de potassa. Como o nº 1 [Stálin] é totalmente a favor da potassa, B. e os outros 30 tiveram de ser eliminados como sabotadores. [...] Caso o nº 1 esteja certo, a história o absolverá, e a execução dos 31 homens será uma insignificância. Se estiver errado...".

Disso extraía uma consequência cínica: "A última verdade é, penultimamente, sempre uma falsidade. Aquele que no final é considerado certo terá antes parecido errado e nocivo. Mas quem será considerado certo? Isso só se saberá mais tarde".

Talvez se possa perceber que, nos casos em que uma culpa individual se estende sem fronteiras nítidas aos chefes, aos presidentes e até a toda a sociedade, a invocação da justiça não seja o caminho mais adequado.

A justiça é uma deusa guerreira, tem num braço a balança, mas sustenta no outro uma espada. Daí talvez por que não seja ela, mas a paz que deva ser levada em consideração. Não a paz da misericórdia, atributo divino que se volta ao perdão, mas a paz política no sentido humano de esquecimento, não dos próprios eventos, mas do desejo (justo) de punir atos repugnantes.

Essa paz, que se chama anistia, não se confunde com perdão nem exige perdão, mas apenas uma vontade de erguer algo sobre os escombros de muitas injustiças.

Por isso tem o sentido de um ato superior, que se pratica não por força de comparações, proporções ou ajustes, mas por um senso absoluto de pacificação. Exige esforço, controle das emoções, mesmo quando não impede a dor das lágrimas, visíveis nos olhos da presidente Dilma.

TERCIO SAMPAIO FERRAZ JUNIOR, 73, advogado, é professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP e autor do livro "O Direito entre o Futuro e o Passado" (ed. Noeses)

Jornal Jogo/Extra: o Botafogo tenta juntar os cacos...


A primeira página do jornal Folha de São Paulo


Os destaques do jornal Diário de Pernambuco


A capa de hoje do Jornal da Paraíba


As manchetes de jornais brasileiros nesta quinta-feira

Folha: EUA e Cuba libertam presos e reatam relações após 53 anos

Globo: EUA e Cuba reatam relações; "isolamento não funcionou"

Extra  EUA e Cuba reatam. Com a bêncão do Papa

ValorEconômico: EUA reatam relações com Cuba

Estadão: EUA e Cuba decidem reatar relações diplomáticas depois de 53 anos

ZeroHora: Para a história

EstadodeMinas: [CPI da Petrobrás] Relator recua e pede 52 indiciamentos

CorreioBraziliense: Salve-se quem puder

CorreiodaBahia: Até petista defende a saída de Graça Foster

DiáriodoNordeste: Agricultores aguardam pagamento do Estado
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JornaldoCommercio: Aproximação histórica

JornaldaParaíba: Ministério Público Eleitoral pede cassação de Ricardo e Lígia Feliciano

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mafrah Cardoso, a filha cirugiã-dentista de Egnethe Mariano e Gutemberg Cardoso, já está atendendo em João Pessoa. Bacana isso.



Olha aí meus amigos que moram em João Pessoa, liguem e marquem seu horário. Dra. Mafrah Cardoso já atende em seu consultório.


Nossa Edileide Vilaça, radialista cajazeirense na CBN, em João Pessoa, vai receber o título de Cidadã da capital paraibana. A proposição é do Vereador Fuba e foi bem merecida. Parabéns.



Relator da CPMI da Petrobras volta atrás, admite prejuízo em Pasadena e pede indiciamentos

Na semana passada, quando apresentou o relatório, Marco Maia (PT) não pedia diretamente nenhum indiciamento
Agência Brasil
IstoÉ


O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), reformou hoje (17) seu parecer, apresentado na semana passada, para incluir o pedido de indiciamento de 52 pessoas, o aprofundamento das investigações sobre outras oito e admitir o prejuízo de US$ 561,5 milhões na compra da Refirnaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Na semana passada, quando apresentou o relatório, Maia não pedia diretamente nenhum indiciamento, apenas reiterava os indiciamentos já feitos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato. “Não cabe indiciamentos quando já foi feita a denúncia e alguns atores já até viraram réus. Mas, para que não pairem dúvidas, pedimos os indiciamentos”, esclareceu hoje o relator, lendo em seguida os 52 nomes que incluem os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró. Os indiciamentos diversos foram feitos pelos crimes de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa ou passiva.

Ele também pede o aprofundamento das investigações por crimes como pagamento de propina, fraude a licitações, formação de cartel e lavagem de dinheiro envolvendo as empresas Andrade Gutierrez Construções, Caide União, Consórcio Renest, Construções e Comércio Camargo Correia, Construtora OAS, Construtora Queiroz Galvão, Engevix Engenharia, Galvão Engenharia, Grupo Odebrecht, Iesa Projetos Equipamentos e Montagem, Daguá Equipamentos, Mendes Júnior, Metasa, Murano Brasil, OAS Engenharia e Participações, Toyo Setal e UTC Egenharia.

No relatório original, Marco Maia pedia que o Tribunal de Contas da União reavaliasse a decisão que considerou que a compra da Refinaria de Pasadena tinha causado prejuízo de US$ 792 milhões. Agora, no entanto, o relator disse ter recebido novas informações da Controladoria Geral da União (CGU), e admite que a compra da refinaria gerou prejuízos. “Nós estamos portanto, admitindo no relatório desta CPMI que há prejuízo potencial de US$ 561,5 milhões no negócio de Pasadena”, disse Maia ao apresentar a retificação.

Logo após as correções apresentadas pelo relator foi a vez de a oposição começar a leitura do seu voto em separado, que pede o indiciamento de 59 pessoas e instauração de inquéritos contra 36 pessoas citadas nas investigações da Operação Lava Jato, além de responsabilizar a presidenta Dilma Rousseff por improbidade administrativa na compra da refinaria norte-americana. Esse voto poderá ser incorporado por Marco Maia ao seu relatório principal, ou ser votado como alternativa ao dele.

Registro o meu abraço de parabéns ao amigo radialista Jarismar Pereira.